Estrutura de mina da Vale em MG já tem movimentação de 16 cm por dia

Talude fica a 1,5 km da barragem Sul Superior, da Vale. Foto: Márcio Neves / R7

A ANM (Agência Nacional de Mineração) informou que a movimentação no talude da mina Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais, a 93 km de Belo Horizonte, já chega a 16 centímetros por dia em alguns pontos mais críticos. Desde a última semana, a cidade está em alerta com a possibilidade do deslizamento da estrutura afetar a barragem Sul Superior, que fica a 1,5 km de distância.

Segundo Wagner Nascimento, chefe da divisão de segurança de barragens de mineração da ANM em Minas Gerais, os números foram apresentados no último relatório da mineradora Vale, dona da mina. O documento indica que a média geral de deslocamento diário é de 12,5 centímetros.

O que é um talude?

Talude (vermelho) está a 1,5 km da barragem Sul Superior (amarelo). Foto: Divulgação / Vale

Os taludes são superfícies inclinadas, como grandes paredes, que servem para para conter um terreno ou delimitar a massa de materiais como rocha, minério e lixo. No caso da Mina Gongo Soco, a estrutura está no entorno de um lago de água represada.

Quais os riscos na estrutura?

No dia 13 de maio, a Vale informou aos órgãos públicos que registrou aumento da movimentação no talude norte. Em condições normais, a estrutura tem deslocamento médio de 10 centrímetros por ano. Contudo, no início do mês, a movimentação era de 4 centímetros por dia.

Um relatório da empresa previu que o talude deveria desmoronar entre os dias 19 e 25 de maio. Após ter a constatação dos dados, a mineradora alertou o Ministério Público de Minas Gerais não é possível afirmar se a vibração gerada pelo deslizamento do talude vai provocar o rompimento da barragem Sul Superior, que fica a 1,5 km de distância.

“Caso venha acontecer a ruptura no talude norte, não é possível afirmar se a vibração decorrente desta ruptura poderá causar um gatilho para liquefação da Barragem Sul Superior”, informou o documento.

Contenção

A barragem Sul Superior é classifica no nível três – risco iminente de rompimento – desde o mês de março. Cerca de 450 moradores que viviam próximos à estrutura foram levados para imóveis alugados pela Vale. Os demais, que vivem em locais que seriam atingidos pela lama depois de uma hora do possível estouro, passaram por dois treinamentos de fuga.

Para tentar reduzir os impactos de um possível rompimento, a mineradora iniciou a construção de uma contenção de concreto para atuar como uma barreira física para lama. A empresa diz que também prepara terraplenagem, contenções com telas metálicas e posicionamento de blocos de granito no entorno para reduzir a velocidade da lama em um possível rompimento. A Vale informou, ainda, que monitora a área remotamente, 24 horas por dia.

Arte / R7 – 23.03.2019

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