Polêmica

Eventual prisão de Lula seria brincar com fogo, diz Gilberto Carvalho

16034423Foto: Pedro Ladeira – 3.fev.2016/Folhapress

Na última quinta-feira (3), véspera da Operação Aletheia, Lula fez um desabafo premonitório ao amigo petista Gilberto Carvalho.

“Eu vou ser preso ou vão fazer a minha condução coercitiva porque, do contrário, a Lava Jato não tem sentido.”

A conversa sintetiza a percepção do partido de que a maior investigação das últimas décadas busca fazer “justiçamento, não justiça”.

“O doutor Sergio Moro tem uma necessidade de provar que os agentes do PT formam uma quadrilha e que o capo dessa quadrilha agora é o presidente Lula”, disse ele.

Para Carvalho, a Lava Jato não tem provas contra Lula, tem teses. E prevê que, no pior caso, tentem prender o ex-presidente: “Não quero falar nessa hipótese. Espero que não brinquem com fogo”.

Carvalho não acredita no sucesso do impeachment e duvida que Dilma Rousseff saia do PT. “Até porque a sobrevivência dela estaria muito ameaçada”, avalia.

*

Folha – O Ministério Público diz que Lula obteve vantagem na Lava Jato. Daí a operação de sexta-feira (4).
Gilberto Carvalho – Foi uma operação totalmente desnecessária, uma violência gratuita. O presidente Lula nunca se negou a depor. Podiam ter feito com ele o que fizeram com o presidente Fernando Henrique, em que a PF foi colher em sua casa o depoimento dele gentilmente e discretamente em um processo no qual ele é citado como testemunha. Eu só posso entender que o que aconteceu na sexta foi motivado por um processo que, a meu juízo, está tirando os méritos que poderíamos ter na Lava Jato, porque ela surge como uma ação importante de combate à corrupção. Mas, à medida que ela é invadida por uma concepção ideológica e política por parte de seus principais agentes, vai se tornando um instrumento de perseguição política.

A Lava Jato se politizou?
O problema acontece quando, numa investigação criminal, se abandonam os princípios que regem uma investigação científica. Os procuradores e, ao que tudo indica, o Dr. Sergio Moro, tem uma necessidade de provar que os agentes do PT formam uma quadrilha e que o capo dessa quadrilha, que antes era o José Dirceu, agora é o presidente Lula. Mas, ao invés dos fatos, dão base a uma tese pronta. Aí eles constrangem os fatos. Aquela entrevista coletiva dada na sexta em Curitiba, particularmente a participação do Dr. Carlos Fernando [procurador da Lava Jato], deve ficar gravada para a história como a demonstração mais cabal do que eu estou dizendo. O tempo todo ele ficou pré-julgando. Ele não pode fazer isso! Ele não pode dizer que não houve palestras antes de levantar os fatos.

Você diz que a PF esteve na casa do FHC no mesmo dia da condução coercitiva do Lula?
Li no Brasil 247 que sim.

Você diz que o procurador não tinha elementos para dizer o que disse?
É isso. Porque, antes da investigação e da verificação dos fatos, ele já trabalha com a tese de que tudo aquilo que apareceu até agora está amarrado por uma quadrilha que busca dinheiro a qualquer preço, e que as palestras, por exemplo, não passam de desculpas para que Lula obtivesse dinheiro. Ele agiu como um julgador, sem nenhuma serenidade. Qual a tese de que eles estabeleceram previamente? Que o dinheiro da Petrobras é roubado pelas empresas coordenadas pela quadrilha do PT e que, a partir daí, o dinheiro que elas roubaram irrigou as campanhas eleitorais, deram um apartamento para o Lula, fizeram uma chácara para ele. Essa é a tese. Eles vão ter que provar isso. Não tem nenhuma disso! Até porque, pela história do país, os cartéis que se formam entre as empresas, e a maneira que elas corrompem os agentes públicos, não é por comando político. O problema político aparece em virtude do financiamento de campanhas, que todos os partidos praticaram.

Mas não há muitas acusações nas delações premiadas.
Nas delações premiadas, só interessam delações contra o PT, porque é preciso provar que aquele dinheiro é contaminado. O dinheiro que foi para o Aécio e o que foi para a Marina Silva não tem essa contaminação. Ele sai do mesmo cofre, da mesma fonte, mas como não estavam no governo, não determinaram o assalto à Petrobras. Isso é uma loucura.

Por que?
As empresas obtiveram o recurso, lícito ou escuso. Quando o Edinho Silva [ministro da Secom e ex-tesoureiro de Dilma] pediu dinheiro para a Andrade Gutierrez ou para Camargo Corrêa, fez o mesmo que o tesoureiro da campanha do Aécio ou da Marina. O Edinho não condicionou a uma sonda ou a uma obra. O dinheiro tem a mesma origem.

Mas isso não exime o dolo.
Vou insistir. O problema da delação premiada é que a pessoa é constrangida pelo inquiridor a dizer aquilo que o agrada porque está na mão dele a liberdade do delator. O advogado também tem o papel de convencer o seu cliente a fazer a delação para buscar a liberdade do seu cliente.

Tudo empurra para a delação. Mas não é preciso haver prova?
O problema da Lava Jato, e é preciso que se diga em alto e bom som, é que os campeões da corrupção estão soltos, tendo as suas penas reduzidas escandalosamente e tendo devolvido pequenas quantias daquilo que eles são acusados de ter se apropriado. Quem está ficando na cadeia em Curitiba é o Marcelo Odebrecht, que se negou a fazer delação, e os políticos. Isso é combate à corrupção? Isso tem de ser denunciado. O povo está se iludindo, achando que a Lava Jato está fazendo um processo importantíssimo de combate à corrupção.

Isso não exime o PT de tudo?
Eu sei que o PT errou, nós temos de reconhecer que errou. Além de não combater o financiamento empresarial, meteu-se a cometer erros através de várias pessoas, que se locupletaram. Não quero de maneira nenhuma negar isso. O problema é que quem criou isso, o mecanismo de financiamento empresarial de campanhas, não foi o PT. O mecanismo de financiamento empresarial de campanha é o mesmo para todos os partidos maiores. E todas as empresas doaram para ficar bem com os governantes. Isso precisa ser dito. O que as empresas fazem, na verdade, é uma espécie de investimento para não terem problema com o governante. Então, se nós queremos extirpar o câncer da corrupção, não se pode acusar primeiro, vazar criminosamente em seguida e expor Lula como ele foi exposto e só depois vem um julgamento. E quando for provado que as palestras foram pagas e efetivamente dadas? E quando for mostrado que não tem nada a ver o trabalho que a Odebrecht fez lá em Atibaia com a Petrobras? Aí será tarde. Estão criando no Brasil uma espécie de neofascismo. Pois não estão fazendo justiça, estão fazendo justiçamento. O clima que está no Brasil agora, e estou muito preocupado, é que estamos fazendo um acirramento de ânimos, onde não importa o devido processo legal. Isso leva a uma violência cada vez maior e fragilizará as nossas instituições. E o algoz de hoje pode ser a vítima de amanhã. Hoje é o PT que está exposto na praça pública, que virou a Geni, e que atiram pedras. Amanhã pode ser um outro partido se não se tomar os cuidados necessários. Esse é um papel que a mídia tem de chamar para si e assumir responsabilidade.

E quem é responsável por essa perseguição ao PT?
Estou falando de um setor da Polícia Federal, de um setor do Ministério Público. Estou falando da ação dirigida do juiz Moro.

Você tem algum indício de vínculo do Moro com algum partido político?
Em defesa do José Eduardo Cardozo –que era muito acusado de não controlar os excessos da Polícia Federal–, é disso que se tratavam as broncas que o Zé Eduardo levava, não era a atuação objetiva da polícia, que era necessária, mas esse conchavo com um tipo de imprensa e com os vazamentos. Não é assim. A Polícia Federal não é controlada pelo PSDB. Esses rapazes que estão hoje na PF e no MP são formadas numa geração profundamente marcada por um antipetismo. Eles cresceram, são jovens em geral, em famílias que hoje estão batendo panela. Foi se desenvolvendo nesses setores uma convicção de que bater no PT é bom para o país. Eu fui interrogado por dois delegados da Polícia Federal, eu pedi para conversar com eles fora do processo e me dei conta disso. São pessoas honestas, são sérias, não são bandidos e nem são instrumentos na mão da oposição. Não é rastaquera assim. Veja a ironia da história. Até 2002, você sabe o que acontecia no Ministério Público Federal. Por que não foi feito uma investigação mais profunda da compra de votos do Fernando Henrique e em torno da privatização? O Dr. Gurgel, ex-procurador-Geral da República, disse numa entrevista recente que Fernando Henrique não queria ser incomodado, por isso colocou um cara que não deixava nada andar. Ele tinha o controle rigoroso da PF, que centralizava qualquer investigação. Quando Lula tomou posse, muita gente tentou indicar nomes próximos a nós, mas o Lula decidiu que indicaria o primeiro da lista.

E houve reação na época?
Exatamente. Mas Lula bancou o primeiro da lista. Nos anos subsequentes, quando saiu Fontelles e entrou o Antônio Fernando, que faz a denúncia do mensalão, houve uma forte pressão para que ele rompesse essa lógica do primeiro da lista. Mas ele reconduziu Antonio Fernando. Depois, aconteceu a mesma coisa com o Gurgel. Mas não se rompeu essa tradição. Então, o que se esperaria do Ministério Público? Essa responsabilidade. O máximo de equilíbrio. No caso da polícia federal aconteceu a mesma coisa. Descentralizamos as investigações. Tanto que o Lula sempre dizia: daqui pra frente, quem não quiser ser investigado no governo, que não erre. Doa quem doer. Eu me lembro da nossa dor quando o José Dirceu, o [Antonio] Palocci foram investigados. Lula disse ‘eu sinto muito’. Esse delegado que me inquiriu começou na Polícia Federal em 1998 e se tornou delegado em 2002. Ele não conhece o período anterior. Esse menino não tem a maturidade de não fazer loucuras como essa de sexta. Na sexta, quem saiu prejudicado e quem vai se desgastar no médio prazo não é o Lula, e sim essas instituições. Porque é muito ruim para nós que a Polícia Federal comece a ser utilizada para atender esse ou aquele tipo de pressão. Aí se faz um complô da investigação e do vazamento pra imprensa. Isso neste momento prejudica o PT, é verdade. Mas é ruim para a democracia. Esse procurador Carlos Fernando, que hoje brilha e foi receber as palmas sexta à noite, a história o terá como Calabar, como alguém que perseguiu uma pessoa que só fez bem ao país. Essa glória momentânea inebria essas pessoas e elas vão na linha da irresponsabilidade. Isso que, aparentemente, é muito bom, porque é o tal do julgamento imediato sem o contraditório, vai fazer mal mais para essas instituições do que para o PT no longo prazo.

Nos últimos meses, Lula passou por um desgaste muito grande e ficou fragilizado, mas não deu uma palavra sobre o seu caso. Ele parecia acuado. Por que ele demorou tanto para falar? Por que precisou de uma condução coercitiva para falar e ainda assim não explicou o que deveria explicar?
Eu concordo com a tese de que o Lula deveria ter falado antes. Acontece que em certos acontecimentos você precisa ter muita certeza do que você vai falar. Lula não estava a par de muitas das coisas da qual era acusado.

Como o quê, por exemplo?
Na história da chácara, o Lula não acompanhou em detalhes o processo de aquisição feito pelos amigos, nem sobre a reforma. Ele estava no governo e nós estávamos pressionando Lula a partir do penúltimo ano para que ele desse um destino para os bens que ele recebia no governo. O Lula, de longe, é o presidente que mais recebeu presentes e o acervo é imenso. Nossa preocupação era de como ia ser tratar aquele acervo porque o certo era ter uma fundação que tivesse condições de pegar todo esse material de todos os ex-presidentes e que faz parte da história do Brasil e colocasse no mesmo lugar. Só que a legislação diz que isso pertence ao ex-presidente e é de interesse público mas de propriedade privada. O que fez o Fernando Henrique? Ele pegou empresas e pediu doação para fazer o Instituto FHC. O Lula fez um Instituto Lula e pensava em construir um memorial da democracia. Nós estávamos fazendo essa pressão. Da mesma forma, a família estava pressionando para que ele tivesse algum espaço de descanso após a Presidência, mas ele dizia que discutiria isso depois. Foi nesse contexto que surge uma história de algum amigo comprar um espaço onde ele pudesse descansar e eventualmente guardar os presentes da Presidência. Foi aí que esses amigos tomaram uma iniciativa. Só que ele não foi informado adequadamente e no tempo certo de todo esse processo.

Mas ele não teve curiosidade para saber quem tocou a compra? Dona Marisa?
Foi um pool de amigos. Se ele teve curiosidade depois, eu não sei, não acompanhei. Houve um embaraço da parte dele, que eu concordo que não foi positivo, para poder dar uma explicação cabal de dizer que a chácara tinha sido comprada e mostrar os recibos. Foi feito uma reforma e alguém teve a ideia de pedir para um construtora ajudar para acelerar o processo, porque estava chegando o fim do ano e queriam dar esse presente para ele ter um lugar para descansar.

Quando Lula toma conhecimento de como foi toda operação, ele fica constrangido de admitir que tinha recebido presentes, é isso?
Primeiro porque ele não sabia quem tinha participado efetivamente, não era uma coisa explicitada na época. O negócio da torre da Oi eu nem sei, não posso falar, mas o da reforma, que teve a participação da Odebrecht, não foi o Lula que pediu. Até porque, é bom lembrar que, em 2010 e em 2011, não tinha a Lava Jato e não tinha essa conotação. E o Lula estava saindo do governo.

Mas quando as obras começaram o Lula ainda estava no governo.
Pois é, mas ele não estava participando dessa história, pois quiseram fazer uma surpresa pra ele. Eu concordo que faltou rapidez na resposta e concordo também que não foi adequado envolver uma empresa nessa questão. Agora, o que não pode é estabelecer esse nexo causal de crime entre a Petrobras e uma obra de reforma de um lago e de uma casa em Atibaia porque, se ele quisesse acumular dinheiro, ele teria feito como outros fizeram e não fez. O Lula passou a ganhar dinheiro fazendo palestras depois da Presidência. Qualquer empresa no Brasil e no exterior queria ouvi-lo. Não faz sentido, é ridículo. Ele que foi tão rigoroso com a gente, não se sujaria.

Não é inverossímil ele ir ao sítio pela primeira vez e não perguntar de onde veio? Não dá para dizer que ele não sabia.
Eu não posso dizer isso. Eu só disse que eu não acompanhei esse processo.

Ele tinha intenção de adquirir o sítio mais tarde?
Não tenho certeza, mas acho que seria provável.

E o tríplex?
Ele tinha comprado um apartamento lá atrás, aí a OAS quis inventar de fazer uma puta de uma melhora naquele apartamento para oferecer para ele como uma valorização daquele móvel. Ele me contou que foi lá um dia para ver se fechava o negócio ou não. A OAS queria agradá-lo, mas ele chega lá, olha pro mar, e diz: “isso aqui seria uma prisão, uma torre de marfim pra mim, uma prisão, eu nunca poderei atravessar a rua e ir para essa praia. Não quero”, disse para Marisa. E o negócio não foi feito, graças a Deus, diga-se de passagem. Então, no caso do tríplex, é mais fácil a explicação porque não tem nada que vá comprovar essa acusação. É como se um cara me oferecesse um imóvel e me desse uma puta arrumada no imóvel para me agradar e eu chego lá e desisto de fazer, de exercer o direito de comprar. A chácara está em nome do Fernando e do Jonas e não tem nada que prove a acusação de que não são deles. Parte do acervo foi pra lá. Pelo amor de Deus, os dois pedalinhos, não vou nem comentar.

O Lula estava deixando de ser funcionário público e, ainda que ele não soubesse da operação do presente da casa, o transporte dos presentes da Presidência que foi pago por uma empreiteira também.
Mas o Lula não era mais presidente. Esse material saiu do Planalto e do Alvorada quando ele já era ex-presidente.

Ele não era mais presidente, mas era um quadro político com extrema influência sobre o novo governo. Afinal de contas, ele tinha eleito Dilma Rousseff. Não tem empresa nem no Brasil nem no mundo que agrade sem um interesse. Portanto, a empresa era movida por interesse e Lula aceitou.
Se ele tivesse aceito um tipo de presente dessa natureza como presidente da República, eu ficaria muito mal com ele, seria antiético. Agora, ele não sendo mais presidente, eu não posso pessoalmente, no meu critério, dizer que não acho legal, Ele pode ser influente o resto da vida, e vai passar o resto da vida sem poder receber nenhum tipo de presente? Eu não posso impor a ele aquilo que a lei permite. Se a lei dissesse que ex-presidente não pode aceitar nenhum tipo de presente, tudo bem. Mas a lei permite. O que a lei não lhe proíbe, não posso ter um padrão de exigência subjetivo meu para dizer “não, você não pode, porque você é ex-presidente e porque talvez você pudesse influenciar a Dilma”.

O Lula foi conduzido até a polícia e você diz que a polícia foi até o Fernando Henrique? Não vi isso.
Eu li num blog ontem que trazia uma ata da PF mostrando isso, que a polícia foi até a casa do Fernando Henrique para colher o depoimento dele. Não estou reclamando que fizeram isso, eu estou achando que podiam ter feito com Lula o que eles já fizeram em outras condições. Mandaram uma comunicação e se combinou a data do depoimento.

Mas ele demorou sete meses para isso acontecer.
Um deles pode ser verdade, ter demorado mais, mas, no segundo, não, no segundo ele foi quando foi chamado. Eu não estou reclamando tratamento especial para ele, não. O ministro Marco Aurélio [STF] foi muito claro quando disse que a condução coercitiva é quando o investigado se recusa a se apresentar.

É uma diferença gritante de tratamento entre Lula e FHC! Uma diferença gritante que pede uma explicação. Tudo bem que o Fernando Henrique era chamado como testemunha, mas tinha que ter dado uma isonomia não só em relação a Fernando Henrique mas a qualquer cidadão. O que eles fizeram com o Fernando Henrique, a meu juízo, é correto, pois não o constrangeram e não expuseram publicamente. Fizeram uma gentileza pelo fato de ele ser ex-presidente da República. Eu nem estou dizendo que a polícia precisava ir na casa do Lula, era só fazer uma intimação e o Lula compareceria. Porque não fizeram com Lula isso? Vou te falar uma frase que o Lula me disse na quinta: ‘Gilbertinho, põe na tua cabeça. Eu vou ser preso ou vão fazer a minha condução coercitiva porque, do contrário, a Lava Jato não tem sentido. Ela foi moldada nessa perspectiva. Então, Gilbertinho, tire da cabeça que eu não sofrerei algum tipo de constrangimento porque eles fizeram tudo isso para chegar a mim. Então, não tem como eu não ser levado’. Eu só não imaginava que isso seria no dia seguinte.

Isso foi na véspera da Operação?
Um dia antes. Passei no Instituto para me reunir com Luiz Dulci sobre uma questão do movimento sindical para combater o desemprego, e o Lula estava lá. Tomei um café rápido com ele e perguntei como ele estava e tocamos na Lava Jato.

Existia no começo da Lava Jato uma máxima de que não teriam coragem de levar Lula preso. A operação de sexta parece ter derrubado essa máxima. O que veremos o que nos próximos dias nas ruas?
Eu não quero falar nesse hipótese, espero sinceramente que não aconteça. Eu só espero que eles não brinquem com fogo. A tese que eles desenvolveram é a tese de que o Lula é uma estátua de gelo, que basta você encostar perto do fogo que ela vai derreter. Essa foi a tese que eles seguiram, na expressão de um cara deles, que eu fiquei sabendo. Então, eles tentaram desmoralizar o Lula, primeiro isolando-o da massa para depois chegar nele. Na sexta ficou evidente que isso não é tão simples assim. Mas o problema não é esse. A polícia não pode ser conduzida pelo princípio de que eu prendo ou não prendo pelo que ele fez ou deixou de fazer, mas sim pelo medo que eu tenho de uma convulsão. Isso é um absurdo. Espero que haja o bom-senso e de que a Lava Jato volte ao seu leito natural de combater a corrupção real e deixe de fazer teatro, que as delações premiadas deixem de ser instrumento de perseguição de parte de um partido político. E digo mais, se a delação da Andrade Gutierrez for direcionada apenas contra o PT, esse escândalo vai ser insuportável, porque vai ser a confissão final de que a lava jato é dirigida contra o PT. Pois todo mundo sabe que a Andrade Gutierrez é a casa do senhor Aécio Neves, é quem banca o Aécio. Então, se houver isso, vai ser uma loucura. Por isso espero que volte a ser um instrumento de combate à corrupção. Esperamos que cessem os vazamentos criminosos e a espetacularização. Queremos uma investigação séria, científica, sem preconceito. Não pode isso de que o cara roubou, conta duas ou três coisas e é perdoado no tempo de prisão e na questão financeira. É esse o combate à corrupção que nós vamos ter no país? Não pode, eu não quero acreditar nisso.

O que acua mais o PT, a Lava Jato ou a economia?
O povo está preocupado com emprego. Eu começo a ver o fastio das pessoas. Eu não esqueço quando, no mensalão, cheguei no meu gabinete e Lula estava lá, sentado esperando. Quando entrei, ele me deu um abraço e disse: “Gilbertinho, eu vou viajar, quero que você ponha na cabeção uma coisa: o que eles querem é que a gente pare de trabalhar. Vamos trabalhar, vamos fazer economia crescer, pois quando passar esta espuma, o povo vai perceber que nós trabalhamos e que a vida do povo começou a melhorar, o resto desaparece”. Foi o que aconteceu. Agora eu digo a mesma coisa. O problema principal da Lava Jato é que ela está prejudicando profundamente a economia. O que eu acho que é pior pra nós, de fato, é a economia. Porque se a economia voltar, tiver respiro de crescimento, a Lava Jato vai ficar no seu lugar. O que preocupa é muito mais a economia, mais do que a Lava Jato.

Todos os relatos das pessoas do grande e do baixo clero que trabalham no governo são de que o governo está completamente paralisado. O governo Dilma não consegue se desvencilhar da paralisação. Parece que parou.
Eu te confesso que essa é a minha preocupação central. Eu não estou no governo, eu não tenho elementos para avaliar, mas o que mais me preocupa, de longe, é esta questão da economia. Eu penso que nós precisamos trabalhar e isso é muito difícil porque este clima não ajuda em nada. Tem que ter um processo de repactuação neste sentido ou vamos entrar num processo gravíssimo para o país.

Você diz repactuar com qual agenda?
Com o mundo empresarial, com o mundo político mesmo. Eu acho que é hora de chamar governadores e mesmo a oposição, e o governo deve propor. Porque, nesse caso, quem sinaliza uma proposição, um pacto, não é o mais fraco, é o mais nobre, é o que tem mais condição de ver que acima de tudo está o interesse do país. Precisamos salvar o essencial.

Você acha que a Dilma está livre do impeachment?
Eu não acredito na possibilidade do impeachment enquanto as instituições estiverem funcionando, porque eu não vejo base nenhuma para o impeachment, nem mesmo base para um julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Eu acho que a Dilma vai até 2018. Eu não posso ser ingênuo e achar que o impeachment acabou. Acho que é um erro da oposição, porque ela não contribui, ela ajuda a fragilizar muito o governo. O governo tem que virar esta agenda. Quando você está muito sitiado é que precisa tomar uma iniciativa.

Foro privilegiado para ex-presidentes. Você acha que com o que aconteceu na sexta é o momento discutir isso?
Não. Acho que não.

Para não parecer casuísmo?
Não é para não parecer casuísmo. O foro privilegiado tem que pertencer a quem está exercendo algum mandato pra que ele não fique ao léu à disposição de qualquer juiz de primeira instância. Mas quem não está no governo não vê razão nenhuma para isso. O próprio Lula concorda porque nunca aceitou a hipótese de virar ministro para ter foro privilegiado. Eu não vejo razão.

O PT e a Dilma estão cada vez mais distantes e a presidente tem sido aconselhada a sair do PT. O que você acha disso?
A Dilma não vai sair do PT. Eu não consigo imaginar de maneira alguma isso. Não pode ser visto como uma crise. Se o partido discorda da política econômica do governo, está na opção dele, criticando. O governo recebe enorme pressão dos setores conservadores todos os dias. Se, do outro lado, não tiver ninguém pressionando, o governo vai ser cada vez mais conservador. Sempre fui favorável à pressão dos movimentos sociais porque é a forma que nós temos de equilibrar o governo. Os nossos ministros recebem todos os dias empresários, mas têm enorme dificuldade de receber movimentos sociais. Mesmo o governo Lula, mesmo o governo Dilma. Então, acho que está correto o partido fazer as críticas que têm que fazer. Elas têm que ser recebidas com naturalidade pelo governo, pela presidente, e o partido tem que entender que ele não pode querer mandar no governo, ele pode influenciar, mas ele não tem que mandar no governo. Então, eu não acho que a Dilma saia do do PT, até porque a sobrevivência dela estaria muito ameaçada se ela saísse do PT. Seria uma ilusão achar que ela faria o movimento feito por Marta Suplicy, que iria sobreviver apoiada por setores que só querem vê-la fora do governo. Acho que ela tem uma ligação com o presidente Lula que é muito mais profunda ainda.

O que acontece se a presidente não mudar sua agenda econômica?
Não quero pensar nessa hipótese. O conflito com o partido evidentemente se acentuaria. A base que a sustenta hoje não terá condição de segui-la sustentando, mesmo querendo. Os movimentos sociais demonstraram a maior maturidade nos últimos tempos na relação com o governo, pois mesmo tendo uma agenda absolutamente adversa, as iniciativas do governo nos últimos tempos têm sido quase toda contra os interesses da maioria dos trabalhadores. Os movimentos tiveram a maturidade de distinguir a crítica à política econômica do governo da necessidade de manter a legalidade e ser contra o impeachment. Daqui para frente, se continuar numa situação em que a economia vai mal e os direitos sociais, tolhidos, qual trabalhador ou sindicalista vai para porta de fábrica defender um governo com o índice de desemprego imenso? Qual morador, qual agente do movimento social de moradia vai poder defender se pararem os benefícios de moradia para o povo? Por isso que eu espero sinceramente que a presidente Dilma leve em conta a necessidade de buscar saídas na economia que retomem o investimento e o emprego.

Essa condução coercitiva do Lula levará a uma radicalização muito forte nas ruas?
Vai depender, a meu juízo, do comportamento da PF, do Ministério Público e do Judiciário. Se houver um reequilíbrio e ficar claro que a Lava Jato busca combater a corrupção, não o Lula, acho que a sociedade vai compreender. Mas, se continuar tão explicitamente como foi demonstrado na sexta e em outras ocasiões, esse direcionamento persecutório de uma força política de um líder, como é o caso do Lula, aí eu temo muito por um processo que nos leve ao que acontece na Venezuela, porque você vai levar ao processo de justiçamento, de justiça com as próprias mãos, e haverá um ódio progressivo. Não foi nada bom o que ocorreu na sexta, as manifestações à tarde. Estou convencido de que pode ocorrer no dia 13, mas temos que ter maturidade de não insuflar ou estimular esse tipo de manifestação. Temos de buscar o contrário, buscar o entendimento e a paz.

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. ja disse não existe mas forcas armadas de vergonha como anos atras onde servi com muito gosto e hoje ja na reserva vejo as mesmas se caladas e sem da declaraçoes a nação

  2. Os militares do passado conheciam muito bem quem era essa turma.

  3. Quer dizer que se o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, for encontrado em culpa e a justiça decretar sua prisão, seria o mesmo que brincar com fogo? Isso não é uma ameaça as instituições e a estado democrático de direito na sua plenitude. Esse partido realmente esta perdido transformou-se numa facção, essas facções do crime organizado agem da mesma maneira, ameaçando e impondo medo na sociedade.

  4. Porque esse povinho do PT sismaram de ameçar o Povo brasileiro, só falam em guerra, botar fogo, jararaca, partir para o combate, convocando militantes para ir provocar os manifestantes contrários. O Povo brasileiro é Pacífico e ordeiro por natureza, mais tenho certeza que não tolerará mais abusos e sobretudo, se for com violência, dessa turma do PT. O cenário mudou, não é mais como era no passado, que eles pintavam e bordavam, e no final davam um jeito de sair como vítima, agora a opinião pública já sabe quem são eles e como agem!!!!
    Eles esqueceram do princípio básico da democracia que é a liberdade de expressão, ou querem antecipar a transformação do Brasil em uma Cuba ou Venezuela???
    Como bem diz uma das leis de Newton, toda ação tem uma reação, e o ditado popular referenda dizendo que o pau que dá em Chico tem que ser o mesmo que bate em Francisco ou ainda quem com ferro fere, com ferro será ferido !!!!

  5. Para os Petistas que e Contra a corrupção e do PSDB então ja sei que o Brasil e PSDB e quem e corrupto e santo não pode ser investigado se for obrigado a depor para ele e como se fosse preso o Brasil esta precisando Urgente de uma Intervenção Militar e prender todos esses ladrões CorruPTOS

  6. PARA QUE EXISTE O ESTADO DE SITIO ! EXERCITO TA NA HORA , PRONTIDÃO CONTRA ESSES CANALHAS QUE DESTRUIRAM O PAÍS

  7. Não li toda a reportagem, porque no meio me deu nojo. Se acham acima da Lei, Roubam e se fazem de inocente. Não é o caso de prender ou não prender Lula. Tem que prender Lula, Renan, Temer,Eduardo Cunha e outros se tiverem culpa nessa roubalheira da Petrobras. Eles sabem que a Lei age assim, mas nesse caso se fazem de vitimas

  8. Comentário de Bandido, pensei que era uma entrevista com o comando do PCC. PCC, PT é tudo parecido!!

    1. Realmente a sensação é a de está lendo as declarações de um lider do PCC. mas, aí eu me pergunto, qual a diferença mesmo????

  9. Lamentável a rota que o PT vai adotar diante das cobranças judiciais.
    Mas cada um faz a opção que acha certa, porém se for ilegal, tem que responder criminalmente.
    O senhor Gilberto Carvalho precisa entender que o PT e nenhum partido, que ele, Lula ou qualquer outro brasileiro, ESTÃO SUBMETIDOS AS LEIS BRASILEIRAS e NUNCA acima delas.
    Parece não restar dúvidas, BATEU O DESESPERO GERAL NO PT!
    As declarações atestam que estão partindo para confrontar a LEI, A ORDEM, A JUSTIÇA e as INSTITUIÇÕES LEGAIS.

    1. Eles se acham acima da lei acima da justiça ameaçnfo que se prenderem o chefe vai ter baderna vai ter quebra quebra tem que chamar as forças armadas se preciso e prender toda essa corja de usurpadores do Brasil.

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Mundo

Herança de Michael Jackson: juiz barra ação de irmãos por abuso sexual

Foto: Getty

A disputa entre os irmãos Cascio e os herdeiros de Michael Jackson terá de ser discutida longe dos tribunais.

Um juiz federal da Califórnia determinou, na quarta-feira (12/8), que o processo movido por Edward, Dominic, Marie-Nicole e Aldo seja encaminhado para arbitragem privada.

A arbitragem é uma alternativa à Justiça tradicional para solucionar conflitos de forma privada. Nesse modelo, as partes escolhem um árbitro, que atua como responsável por analisar o caso e tomar uma decisão. No Brasil, o procedimento é regulamentado pela Lei de Arbitragem, e a decisão tomada pelo árbitro possui força semelhante à de uma sentença judicial.

Os quatro irmãos afirmam que sofreram abusos sexuais durante a infância e acusam Michael Jackson de estupro e molestamento ao longo de mais de uma década.

As denúncias fazem parte de uma ação apresentada contra o espólio do cantor, na qual eles também alegam tráfico sexual infantil.

A decisão judicial levou em consideração um acordo firmado entre os envolvidos em 2019. Segundo o magistrado, o documento estabelece que eventuais conflitos deveriam ser solucionados por arbitragem. Por esse motivo, o juiz entendeu que o caso não deveria prosseguir em uma corte pública.

Metrópoles

 

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Brasil

TARIFAÇO: Governo Lula abre processo de reciprocidade contra EUA

Foto: Pedro França

O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (13) que deu início ao processo de reciprocidade contra os Estados Unidos e que notificará o governo do presidente Donald Trump.

Em 22 de julho, os EUA aplicaram uma tarifa de 25% contra certos produtos brasileiros, oriunda de uma investigação do órgão que vinha se desenvolvendo desde que Trump anunciou o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, em julho de 2025.

No começo de junho deste ano, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propôs a imposição da alíquota no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana – ferramenta de política comercial que permite aos EUA investigarem e retaliarem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.

Mesmo após uma série de audiências públicas em que a sociedade civil se expressou contra o tarifaço, o USTR determinou que  políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.

Com informações da CNN

 

 

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Eleições 2026

PESQUISA AGORA/SEI: Cristiane Dantas está entre as seis mais citadas para deputada estadual no RN

Foto: ALRN/ Divulgação

A deputada estadual Cristiane Dantas aparece na 6ª colocação entre os nomes mais citados para deputado estadual no Rio Grande do Norte, com 1,1% das intenções de voto, segundo pesquisa AgoraSei divulgada com exclusividade pelo Jornal das 6, da 96 FM. O levantamento foi realizado entre os dias 2 e 5 de agosto, ouvindo 1.500 eleitores em 68 municípios do Estado, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada sob os números RN-06855/2026 e BR-08951/2026.

Durante o Jornal das 6, a bancada destacou a força eleitoral e a atuação da parlamentar. “Cristiane Dantas é muito forte. É uma parlamentar que se mostrou excepcional, com protagonismo diário. Eu acompanho de perto o trabalho dela e digo que ela está super bem. A votação de Cris é acima de 45 mil votos”, afirmou a bancada do programa.

A 6ª colocação é também um reflexo do trabalho de Cristiane na Assembleia Legislativa, onde tem atuação constante em pautas como defesa das mulheres, saúde e assistência social, além da presença nos debates e na defesa dos municípios potiguares.

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Eleições 2026

Flávio propõe cinco novos presídios federais e redução da maioridade penal

Foto: Reprodução/CNN

O candidato do PL (Partido Liberal) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, propôs no plano de governo protocolado junto à Justiça Eleitoral construir cinco unidades federais de segurança máxima, reduzir de 18 para 16 anos a maioridade penal e punição para adolescentes a partir dos 14 anos que cometerem crimes considerados graves.

As propostas fazem parte do eixo de segurança pública do programa “Para o Brasil vencer o atraso – Diretrizes do Plano de Governo 2027-2030”. Batizado de “Brasil sem Medo”, o capítulo reúne medidas de endurecimento da legislação penal e de combate ao crime organizado. O documento afirma que a segurança será uma das prioridades de uma eventual gestão de Flávio.

Na área prisional, o plano prevê a construção de cinco novos presídios federais de segurança máxima, que se somariam às cinco unidades já existentes. Segundo o documento, as dez penitenciárias formariam o chamado “Complexo Federal de Segurança Máxima”, que receberia o nome de “TREVA”.

A proposta diz que as novas unidades seriam inspiradas no modelo adotado por El Salvador e destinadas a chefes de organizações criminosas e presos considerados de alta periculosidade. A intenção declarada é isolar as lideranças para impedir que continuem comandando facções de dentro das prisões.

O programa prevê que esses detentos fiquem sem acesso a celulares e sem visitas íntimas, além de estabelecer visitas monitoradas. Flávio também promete firmar parcerias com governos estaduais para criar 500 mil novas vagas no sistema prisional em quatro anos, com a meta de zerar o déficit carcerário do país.

Com informações da CNN

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Eleições 2026

Saiba quem são os candidatos mais ricos na disputa à Presidência

Fotos: Ricardo Stuckert/PR, Geraldo Magela/Agência Senado, Agência Cora/Divulgação, ALMG/Divulgação e Reprodução/YouTube

Uma das etapas obrigatórias para que uma candidatura possa ir às ruas é o registro dela na Justiça Eleitoral. O candidato precisa mostrar que está com o CPF e as contas em dia — e dizer qual é o tamanho do seu patrimônio. Até o final da tarde desta quinta-feira, 13, seis candidatos a presidente já registraram suas candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Há mais sete nomes que ainda devem ser registrados.

Entre os que já registraram seus patrimônios ao TSE, Romeu Zema (Novo) até agora é quem mais tem dinheiro em conta. Ele declarou ser dono de 178 milhões de reais, majoritariamente compostos de participações societárias. Ele também disse ser dono de uma casa de pouco mais de 700 mil reais. Depois dele, o segundo lugar é de Veterinário Wilson Grassi (Democrata), que declarou um patrimônio de 50 milhões de reais em imóveis financiados, sem dar mais detalhes.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou possuir 4,7 milhões, principalmente em casas e terrenos em São Bernardo do Campo, seu berço político, além de fundos de investimento e aplicações. Flávio Bolsonaro ainda não registrou a sua candidatura — ele ia fazer isso nesta quinta, 13, mas foi filiado à revelia ao Missão, sigla criada pelo MBL. O ministro Nunes Marques, presidente do TSE, concedeu uma liminar determinando o retorno imediato do senador ao PL, para que ele possa registrar a sua candidatura.

A última declaração de Flávio à Justiça Eleitoral é de 2018, quando ele disputou a vaga ao Senado que ocupa até agora. Na época, ele declarou possuir 1,7 milhão de reais, distribuídos entre um carro, um apartamento e participações societárias na Bolsotini Chocolates e Café LTDA, a polêmica franquia da Kopenhagen sobre a qual pairava a suspeita de que era usada para lavar dinheiro.

É possível que o segundo lugar dos candidatos mais ricos seja ocupado por algum dos candidatos que ainda não registrou a candidatura. Ronaldo Caiado (PSD) disse em 2022, quando disputou o governo de Goiás, ser dono de 24 milhões de reais, patrimônio construído por fazendas, glebas de terra, cabeças de gado e um apartamento. Além dele e de Flávio, Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) também não registraram suas candidaturas.

Veja a lista dos bens declarados pelos candidatos

  • Hertz Dias (PSTU): não possui bens
  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): declarou ter um patrimônio de R$ 4.775.650,64, composto por terrenos, uma casa em construção, 50% de um apartamento, fundos de investimento e aplicações
  • Renan Santos (Missão): declarou R$ 795.089,00 distribuídos em quotas societárias e dinheiro em conta
  • Samara Martins da Silva Feitosa (UP): declarou R$ 33.000,00, soma de um automóvel e dinheiro em uma conta poupança
  • Veterinário Wilson Grassi (Democrata): declarou ser dono de um patrimônio de R$ 50.000.000,00 em imóveis financiados, sem especificar detalhes
  • Romeu Zema (Novo): declarou ter um patrimônio de R$ 178.707.610,09, composto de participações societárias, fundos de investimento e uma casa de R$ 704 mil

 

Com informações de Veja

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Eleições 2026

Flávio Bolsonaro registra candidatura à Presidência após TSE restabelecer filiação ao PL

Pedido foi protocolado na noite desta quinta-feira (13), horas depois de Nunes Marques determinar a correção do vínculo partidário e liberar o sistema para o registro. Foto: Divulgação

O senador Flávio Bolsonaro (PL) registrou, na noite desta quinta-feira (13), sua candidatura à Presidência da República. O pedido foi enviado à Justiça Eleitoral às 19h43, tendo o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça Neto como candidato a vice-presidente.

O registro ocorreu horas depois do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinar o restabelecimento imediato da filiação de Flávio ao Partido Liberal e liberar o Sistema Candex para o processamento da candidatura.

Pela manhã, a equipe de Flávio havia sido impedida de concluir o procedimento depois de identificar que o Sistema de Filiação Partidária (FILIA) apontava o senador como desfiliado do PL e vinculado de forma fraudulenta ao Partido Missão.

A situação levou a defesa a acionar o TSE. Ao analisar o pedido, Nunes Marques reconheceu a urgência do caso e determinou que a filiação de Flávio ao PL fosse restabelecida desde a data originária, com a exclusão do vínculo falso atribuído ao Missão.

O episódio da filiação que tentou prejudicar o registro de Flávio também será investigado. Nunes Marques determinou a preservação dos registros de acesso ao Sistema FILIA e a expedição de ofício à Polícia Federal para instauração de inquérito destinado a identificar a autoria da alteração.

O próprio TSE atesta que não houve invasão ou hackeamento do sistema. Segundo o tribunal, a filiação ao Missão foi realizada por meio do uso indevido da ferramenta por alguém que possuía credenciais no Missão para efetivar filiações.

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Política

Senado aprova quase US$ 2 bilhões em empréstimos para Estados e municípios

Foto: Marcelo Camargo

O Senado aprovou 16 operações de crédito externo para Estados e municípios que somam chegam a quase US$ 2 bilhões. Os financiamentos serão contratados com instituições internacionais e terão garantia da União. A votação ocorreu no plenário da Casa na tarde desta quinta-feira, 13.

As operações precisam do aval dos senadores, porque Estados e municípios não podem contratar diretamente empréstimos externos sem autorização. Antes de chegar ao Congresso, os pedidos passam pela análise do governo federal, responsável por encaminhar as mensagens que autorizam a apreciação dos financiamentos pelo Senado.

A cidade de São Paulo concentra o maior volume aprovado, com três operações que, juntas, chegam a aproximadamente US$ 701 milhões, todas com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A maior delas, de quase US$ 497 milhões, vai ser destinada ao Programa de Redução da Emissão de Gases Poluentes, voltado à eletrificação da frota de ônibus da capital.

Com informações da Revista Oeste

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Brasil

“EMPATIA FRIA”: PF diz que jornalista alvo de Moraes causou ‘perturbação do equilíbrio psicológico’ em Dino

Foto: Divulgação/EBC

A Polícia Federal enviou um documento ao Supremo Tribunal Federal afirmando que o jornalista Luís Pablo abalou o “equilíbrio psicológico” do ministro Flávio Dino depois das reportagens sobre o uso irregular de um carro do Tribunal de Justiça do Maranhão por sua família. A investigação, parte do Inquérito das Fake News, identificou Raimundo Cutrim como a fonte de Luís Pablo. A PF considera que as matérias configuram crime de perseguição, que não exige comprovação de dano físico.

A Polícia Federal (PF) enviou um documento ao Supremo Tribunal Federal (STF). O órgão afirmou que o jornalista Luís Pablo abalou o “equilíbrio psicológico” do ministro Flávio Dino. O impacto ocorreu depois da publicação de reportagens sobre o ministro.

As reportagens denunciaram o uso de um carro do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do magistrado. A investigação tramita no Inquérito das Fake News sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O processo acabou identificando Raimundo Cutrim como a fonte do jornalista.

No pedido de investigação, a PF afirmou que a atuação de Luís Pablo se enquadra no crime de perseguição. “A prática reiterada de atos invasivos ou intimidatórios gera sofrimento emocional, medo constante, sensação de vigilância permanente e perturbação do equilíbrio psicológico da vítima”, diz o documento obtido pelo jornal Gazeta do Povo.

Com informações da Revista Oeste

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Brasil

“MANDRUVÁ”: Despesas relacionadas a Janja aumentam quase 100% em apenas dois anos

Foto: Reprodução

Os gastos relacionados à primeira-dama, Janja da Silva, passaram de R$ 63 milhões, em 2024, para R$ 117.595.549,73.

Os dados estão disponíveis no site “Janjômetro – medindo o quanto ela esbanja do seu suor“, iniciativa do deputado estadual por São Paulo Guto Zacarias (União Brasil).

Para acessar os dados, o cidadão precisa realizar um cadastro na plataforma e pode receber alertas sobre novas informações relacionadas aos gastos de Janja.

O Janjômetro foi criado em junho de 2024.

Zacarias revelou que Janja bloqueou seu perfil nas redes sociais após a divulgação do Janjômetro:

“A Janja ficou pistola comigo!“, escreveu.

Com informações de O Antagonista

 

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Eleições 2026

TSE adia julgamento e trava R$ 2,3 bi do Fundo Eleitoral; PT sonha abocanhar R$ 620 mi

Foto: Secom/TSE

Um pedido de vista da ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), vai manter travados R$ 2,3 bilhões do FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha) até a conclusão do julgamento de uma ação movida pelo PT (Partido dos Trabalhadores).

O valor corresponde à parcela do fundo que deve ser distribuída proporcionalmente ao tamanho das bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados.

O pedido de vista foi apresentado nesta quinta-feira (13), durante a análise de um processo em que o PT pede a revisão do cálculo de sua parcela no Fundo Eleitoral de 2026. O partido argumenta que, para definir sua participação, devem ser considerados os 69 deputados eleitos em 2022, e não os 68 contabilizados atualmente pelo TSE.

Caso o pedido seja aceito, o valor a ser recebido pelo PT no Fundo Eleitoral passará para R$ 620 milhões, cerca de R$ 5 milhões a mais do que o valor previsto no cálculo atual.

Com informações da CNN

 

 

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