Por Interino
O ex-presidente do Instituto de Pesos e Medidas do Rio Grande do Norte (Ipem), Rychardson de Macedo Bernardo, admitiu a possibilidade de negociar uma delação premiada, caso julgue necessário, após analisar os depoimentos dos seus ex-assessores Daniel Vale e Aécio Fernandes. Ambos assinaram termo de delação premiada e apontaram Rychardson como responsável pelos desvios de dinheiro da autarquia, sendo o deputado estadual Gilson Moura um dos principais beneficiados pelo esquema.
Daniel Vale e Aécio Fernandes foram, respectivamente, assessor jurídico e diretor financeiro do Ipem na gestão de Rychardson entre 2007 e 2010, e compactuaram dos supostos esquemas de desvio de dinheiro da autarquia, por meio de pagamentos a funcionários fantasmas, licitações e contratações irregulares de empresas, entre outras ações ilícitas. O nome do deputado Gilson Moura foi citado pelos dois nos depoimentos sendo o parlamentar tão beneficiado pelos desvios, quanto Rychardson.
Se porventura negociar a delação premiada, Rychardson poderá dar maior dimensão à participação do deputado no esquema e confirmar se as informações declaradas por Aécio e Daniel, de que o parlamentar recebia de Rychardson R$ 30 mil mensais desviados do Ipem, bem como pessoas, carros e combustível, pagos pelo órgão, procedem.
Seu depoimento é um dos mais aguardados desde que a Operação Pecado Capital foi deflagrada em 2011 identificando um possível esquema de desvio de dinheiro no Ipem. Rychardson chegou à diretoria indicado pelo deputado Gilson Moura durante o governo Wilma de Faria. Ele foi coordenador de campanha de Gilson em 2006, quando este foi eleito, e assumiu posteriormente o cargo de assessor parlamentar do deputado antes de chegar ao Ipem.
Em 2008 gastos da campanha de Moura para a prefeitura de Parnamirim teriam sido pagos com dinheiro desviado, entre eles carros de som contratados a um empresário de Caicó que confirmou em depoimento a fraude.
Desde que seu nome voltou aos depoimentos, Gilson não foi localizado para falar sobre o assunto. Nem por meio de seus assessores e nem pelos números de telefones indicados.
Os depoimentos de Daniel Vale e Aécio Fernandes foram realizados na última quarta-feira, sem a presença da imprensa ou de Rychardson que advoga em causa própria.
Apesar de reivindicar o direito de assistir ao interrogatório dos dois, o juiz federal Walter Nunes entendeu que ele se encontraria numa situação privilegiada porque teria acesso aos depoimentos posteriormente e, poderia preparar melhor sua defesa, já que seria o último a depor.
No entanto, Rychardson, seu irmão Rhandson de Macedo, acusado de criar empresas para lavagem de dinheiro do Ipem e ser também funcionário fantasma, além de Adriano Flávio, também acusado de participar da quadrilha, não quiseram depor e exerceram o direito de permanecer em silêncio no último dia de oitivas desta fase de instrução do processo. De acordo com o advogado de defesa dos três, Jonas Antunes de Lima Neto, trata-se de uma estratégia da defesa.
Por enquanto, a expectativa é de que o juiz Walter Nunes anuncie a sentença dos envolvidos na Operação Pecado Capital em 2014, após o mês de fevereiro, quando terminam as alegações finais. O prazo para o Ministério Público analisar os autos para suas alegações é entre 05 de dezembro de 2013 e 21 de janeiro de 2014. A defesa dos acusados tem entre os dias 23 de janeiro e 28 de fevereiro de 2014 para fazer o mesmo.
O procurador do Ministério Público, Rodrigo Telles não foi localizado ontem para se pronunciar sobre as investigações em torno do nome do deputado Gilson Moura. Antes dos depoimentos de Aécio e Daniel, ele já tinha declarado que havia indícios suficientes para abrir inquérito e para uma possível denuncia, mas aguardava os depoimentos dos dois.
Com informações do Novo Jornal

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