Economia

Ex-secretário de energia lamenta o RN "ter ficado para trás"

Três lições para o RN em eólicas por Jean-Paul Prates

Não adianta negar: é lastimável que o Rio Grande do Norte, pela primeira vez desde que se apresentou nos leilões federais para compra de energia com seu potencial eólico insuperável, tenha tido NENHUM parque vencedor apesar de ter habilitado mais de 70 projetos. O preço médio ao final do leilão ficou em R$ 124,43/MWh – um deságio de 1,25% em relação ao preço inicial. Os estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul foram os contemplados com projetos vencedores. A previsão é que sejam investidos cerca de R$ 3,3 bilhões na construção dos parques eólicos ali situados. O Rio Grande do Sul adicionou 326,6MW de potência. Piauí ficou com 240MW; Pernambuco 120MW, Ceará 98MW e a Bahia com 83MW.

O que aconteceu para o RN ter uma performance tão pobre e distante da liderança isolada que conquistou em 2009, 2010 e 2011?

O principal argumento conhecido é o de que o setor eólico tem apresentado problemas no escoamento das usinas por causa do atraso na transmissão. Por isso, neste leilão e para os próximos, o governo transferiu o risco da transmissão para o gerador obrigando-o, na habilitação, a indicar suas condições de conexão antecipadamente. Como os parques precisam entregar energia em janeiro de 2016 (portanto, com dois anos para serem construídos) o setor precificou esse risco, o que resultou em ofertas taritárias mais altas que antes. Nada grave, apenas um ajuste do crescimento setorial já bem absorvido pela indústria.

Mas note-se que este contexto não é adstrito ao RN. Ele também é encontrado na Bahia, no Ceará e no Piauí em várias áreas prospectadas. Lá também temos bacias de vento não interligadas ao sistema. Além disso, não houve impedimento, e sim maior restrição a habilitar projetos sem conexão. Por isso, mesmo assim, o RN habilitou 71 projetos eólicos à concorrência, somando mais de 1.600MW de potência. Foi o terceiro estado que mais habilitou projetos, tanto em número de parques quanto em MW.

Considerando que há um leilão “mais folgado” em tempo de execução por vir ainda em dezembro deste ano (o Leilão A-5, que dá cinco anos para implantação do parque e das linhas), certamente teremos uma performance bem mais significativa naquele certame, diante de um portfolio numeroso de projetos habilitados. Portanto, não há motivo para desespero, mas o resultado faz pensar. E é bom que se o faça.

Como se explica então não ter colocado nenhum projeto vencedor neste leilão de 2013?

A diferença talvez seja que, no RN, os investidores perceberam que ultimamente encontrem maior dificuldade em estruturar e defender os termos econômicos do seus projetos em função de incertezas que vão além da questão das linhas de transmissão, e que dependem também de ação governamental do Estado.

1. Na própria questão das linhas, o acompanhamento e a cobrança diuturna junto à CHESF e à ANEEL teve um período crítico de total inércia estadual durante 24 meses (2011 e 2012 inteiros). Apesar da responsabilidade regulatória e função penalizadora ser federal, é evidente que cada estado precisa informar, cobrar, acompanhar os projetos de seu interesse. É o mesmo que quando se trata de rodovias ou infra-estrutura de seara federal. O Governo do Estado alerta, reclama, pede apoio da bancada de parlamentares. Para isso ocorrer, tem que estar acompanhando, entendendo e tratando do assunto no seu dia-a-dia. Isso não ocorreu em 2011 e 2012, e se refletiu um ano depois. Quando o atual secretário foi convidado e tomou posse (dezembro, 2012), já teve que atuar como médico em uma emergência, atacando apenas aquela prioridade, diante do fato concreto de o RN ver-se na iminência de ter alguns parques já contratados migrando para o Maranhão.

2. A atuação de Rogério Marinho na questão de recuperar o acompanhamento e as cobranças quanto às linhas de transmissão já licitadas foi por mim elogiada. Há que se fazer justiça e não há política ou ideologia que me impeçam de fazer isso sempre. Como o Governo Federal resolveu atualizar toda a metodologia de planejamento da questão nacionalmente, Rogério e sua equipe também tiveram a oportunidade de incluir o RN no plano futuro das novas linhas a ser licitadas. Isso é o papel de gestor energético estadual: dar subsídios para as tomadas de decisão em nível nacional. Mas com tanto a fazer no segmento de transmissão no RN, os investidores precisam ter certeza de que tal empenho e cobrança continuarão, para estas e para as futuras linhas a construir.

3. Não se resolve tudo com tratamento pontual e urgente. Há medidas que são de fundo estratégico e outras de caráter permanente e regular. A criação e a manutenção de um ambiente confortável e competitivo para o investimento em eólicas no RN é um trabalho que não pára. Não dá trégua. Por isso, exige dedicação exclusiva. Há que se tomar conta dos parques em construção, evitando os esperados conflitos e traumas junto a comunidades locais, facilitando a logística de transporte dos equipamentos gigantes, acompanhando as questões burocráticas que envolvem outras diversas entidades com quem os empreendedores são obrigados por lei a interagir. Há que se acompanhar os projetos em operação, assegurando condições de segurança para os trabalhadores e staff gerencial, bem como a reciclagem e capacitação de pessoal local para que dele possam dispor os empreendimentos evitando trazer mão-de-obra de fora. Há que se apoiar aqueles empreendedores que ainda se encontram medindo vento e concebendo seus projetos, também com segurança, acesso à informação governamental, desburocratização, agilidade e eficiência no apoio à indústria – o que absolutamente não quer dizer atropelar procedimentos ou garantir privilégios, apenas compreender os prazos e necessidades especiais de uma atividade regulada como gerar energia. Enfim, há uma série de atividades diuturnas, constantes.

4. No dia-a-dia das prospecções e operações, também há muitas coisas que podem minar o ambiente de investimentos. Neste sentido, as forças-tarefas que criamos em 2010 para o acompanhamento dos projetos eram um diferencial, hoje copiado pela Bahia com sucesso – e descontinuado no RN desde 2011. O núcleo ambiental específico, também projetado em 2010, foi implementado em 2011 pelo IDEMA, mas precisa funcionar em ritmo e rotina diferente dos demais núcleos do órgão. Se for para ser igual, não adianta. Há questões emergentes agora quanto à segurança nas áreas dos investimentos (sabotagens, atentados a equipamentos, ataques ao staff para roubo de dinheiro em dia de pagamento, entre outros incidentes registrados em Areia Branca, João Câmara e Parazinho, por exemplo). Há também uma insegurança fundiária que recrudesce, após termos aplacado o início da especulação em 2009. Neste quesito, é fundamental a interação do Governo do Estado com o Poder Judiciário e com as corregedorias, para coibir fraudes, falhas e custos abusivos cartoriais, a sobreposição de registros e os impedimentos burocráticos junto ao INCRA e outras entidades participantes dos processos.

Enfim, falta papel aqui para tantas incumbências relevantes para o Estado nestes empreendimentos. Mas o ponto é que há muitas lições a aprender a partir deste resultado lamentável do RN no leilão de 2013:

Lição 1: quem continuar acreditando que para ser bem sucedido no setor eólico basta ter vento, vai ficar falando sozinho e permitir que o RN perca espaço para lugares com menos potencial, menor fator de capacidade mas mais iniciativa e ação governamental.

Lição 2: no trato das questões setoriais, há que ter transparência e humildade: abrir-se ao debate com as entidades setoriais dá muito mais resultado do que conversas de alcova com um ou outro empresário mais falante. Por três vezes (2011, 2012 e 2013), por exemplo, o Governo do RN simplesmente IGNOROU o Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos, que nasceu justamente em Natal, em 2009 e 2010. Ninguém apareceu nele durante os três últimos anos de sua realização, que objetiva justamente a discussão anual das questões regulatórias, políticas e operacionais locais do setor. Note-se que em momento nenhum foi solicitado apoio financeiro, apenas comparecimento oficial para participação nos debates.

Lição 3: ação governamental não é só política. Não se resume a ser amigo ou adversário do Governo Federal, a reclamar ou bradar por apoio. É preciso pleitear as coisas com fundamento técnico. Principalmente, na gestão Dilma Rousseff que, tanto com Natal quanto com o RN, já demonstrou atuar de forma “republicana”, sem diferenciais político-ideológicos, inclusive tendo sido elogiada tanto pela ex-prefeita quanto pela atual Governadora quanto a isso. Como em outros setores (turismo, infra-estrutura, pesca, mineração etc), no setor energético é preciso cooperar mais do que mendigar ou esbravejar. É preciso elaborar pré-estudos, conceitos com conhecimento local, expressar informações e diálogos com quem conhece a realidade específica. Sem isso, os pleitos ficam relegados a meros ex-votos: pernas e braços desintegrados, pedidos por interesse específico, sem conexão com uma estratégia maior.

Por fim, resta uma esperança fortuita: com o sempre “heróico” apoio da FIERN, embarcou-se num projeto de diagnóstico chamado “Mais RN”, aparentemente ambicioso demais para um final de administração em que aliados se auto-ejetam a cada semana. O objetivo e as metas do Mais RN são louváveis, mas pouco se dá a conhecer sobre a sua execução e destinação dos recursos arrecadados junto a empresas (inclusive mas não se limitando ao setor eólico) “a convite” do Governo do Estado. Os setores produtivos do RN certamente aguardam com ansiedade os resultados deste diagnóstico caro e pago por todos, para além dos impostos e encargos usualmente já incidentes. Será frustrante se tal trabalho resultar apenas em mais um relatório de gaveta entre outros tantos já contratados e pagos no passado recente e distante, como panacéias para o desenvolvimento do Estado.

Informe adicional: 

Hoje, um total de 39 empreendimentos eólicos, somando capacidade instalada de 867,6 megawatts (MW), foi contratado no leilão de Energia A-3/2013, promovido pelo Governo Federal com o objetivo de suprir a demanda de eletricidade do país no ano de 2016: 28 concessionárias de distribuição serão as compradoras junto aos empreendedores dos projetos vencedores com contratos de compra e venda de energia de duração de 25 anos, válidos a partir de 1 de janeiro de 2016. O preço médio ao final do leilão ficou em R$ 124,43/MWh – um deságio de 1,25% em relação ao preço inicial. Os estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul foram os contemplados com projetos vencedores. A previsão é que sejam investidos cerca de R$ 3,3 bilhões na construção dos parques eólicos ali situados. O Rio Grande do Sul adicionou 326,6MW de potência. Piauí ficou com 240MW; Pernambuco 120MW, Ceará 98MW e a Bahia com 83MW. A Empresa de Pesquisa Energética – EPE habilitou tecnicamente 429 projetos de geração de energia elétrica para o A-3/2013, com potência instalada somada de 10.460 MW. A eólica apresentou os maiores números entre as fontes participantes: 381 empreendimentos habilitados, totalizando uma capacidade de 9.191 megawatts (MW). Outro aspecto relevante a comentar é que além da fonte eólica, participaram do leilão projetos de geração solar fotovoltaicos – pela primeira vez. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) chegou a habilitar 31 projetos fotovoltaicos para este leilão, que somavam 813MW de potência. Também não tiveram sucesso tarifário os poucos projetos termelétricos a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas que se apresentaram.

Opinião dos leitores

  1. LAMENTÁVEL!!! Infelicidade muito grande o RN ter ao mesmo tempo uma governadora e a prefeita da capital incompetentes.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

João Câmara registra maior crescimento regional de Cadu Xavier, segundo pesquisa “Agora RN”

Foto: Divulgação

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), alcançou seu melhor desempenho regional no recorte formado pelos municípios de João Câmara e Pedro Avelino, segundo pesquisa divulgada pelo Agora RN.

Em comparação com a pesquisa realizada em maio no recorte do Mato Grande, Cadu apresentou crescimento expressivo. Na ocasião, o petista tinha 10,71% das intenções de voto. No levantamento atual, Cadu aparece com 29,9% das intenções de voto.

Os números indicam que João Câmara e Pedro Avelino concentram, até o momento, o melhor desempenho regional de Cadu Xavier na disputa pelo Governo do Estado.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

“Fez, tá feito”: Governo Fátima entrega prédio para PM sem água e com “gato” de energia, diz deputado

Foto: Reprodução

Obra com gato de energia e sem água. Essa foi a condição que o Governo do RN “entregou” o espaço para o destacamento da Polícia Montada da Polícia Militar em Macaíba, na Grande Natal.

Pelo menos, foi isso que denunciou o deputado federal Sargento Gonçalves (PL) – veja no linka acima. “Obra entregue, sem estar concluída. Foi assim com a visita de Lula no túnel Major Sales, é assim com o Governo do Estado. Na ânsia de entregar uma obra sem estar concluída, entregaram esse prédio sem estar concluído”, disse Gonçalves.

Segundo o deputado, a água está vindo por meio de carro-pipa, custeado pela Prefeitura de Macaíba. “E pelo que eu soube, semana passada alguns cavalos tiveram cólica, e cólica em cavalo é grave, possivelmente por falta de água”, disse.

Sobre a energia, segundo Gonçalves, está sendo “puxada” da UPA de Macaíba.

Com informações do Portal 96 FM

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mundo

Trump ameaça destruir uma ponte ou usina para cada navio atacado em Ormuz

Foto: Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (22) que os EUA irão “bombardear e destruir UMA PONTE OU USINA DE ENERGIA” sempre que o Irã atacar um navio que esteja transitando pelo Estreito de Ormuz.

“Daqui para a frente, sempre que a República Islâmica do Irã disparar contra um navio no Estreito de Ormuz — seja com míssil, foguete, drone ou qualquer outro dispositivo ou arma —, os Estados Unidos bombardearão e destruirão UMA PONTE OU USINA DE ENERGIA, incluindo aquelas localizadas próximas à capital, Teerã, ou dentro dela”, escreveu Trump na Truth Social.

Trump já havia ameaçado atacar a infraestrutura civil iraniana — o que poderia ser considerado crime de guerra —, inclusive em uma entrevista à Fox News na semana passada, quando disse que os EUA “destruiriam todas as pontes (do Irã), a menos que eles venham à mesa de negociações”.

CNN

 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

FRIACA NA PAPUDA: Careca do INSS murmura que chuveiro “desarma” no quente

Foto: Vinícius Schmidt

O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, reclamou nos últimos dias de que o chuveiro da cela onde está preso, na Papuda, “desarma” quando é colocado no modo quente.

Careca afirmou que, quando estava no Bloco V, o chuveiro funcionava normalmente. Após a transferência para o Bloco IV, porém, passou a tomar banho frio porque a energia desarma sempre que o modo quente é acionado no chuveiro elétrico.

A situação, segundo o lobista, se agrava durante o inverno, quando as noites e madrugadas costumam ser mais frias em Brasília.

Antônio ainda tem dito que, em alguns dias, o banho de sol se resume à exposição aos raios solares por uma abertura na claraboia da cela.

Além do Careca, o filho dele, Romeu Antunes, também está no Bloco IV desde o mês passado. A preocupação do lobista com o filho também se deve ao fato de que, recentemente, Romeu precisou ser internado por causa de um problema de saúde.

A ala é destinada a internos vulneráveis em segurança máxima.

Ambos foram transferidos após policiais penais encontrarem, na cela 01 do Careca, um protetor labial com cannabis. A informação, conforme mostrou a coluna, foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com informações de Metrópoles

 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Fiscalização do Conselho Regional fecha consultórios odontológicos em Mossoró

Foto: Reprodução/TCM

Consultórios odontológicos da rede municipal de Mossoró foram interditados pelo Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Norte (CRO-RN) após uma fiscalização apontar falhas nas condições de funcionamento dos serviços. A medida atingiu unidades do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e três Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município.

A vistoria identificou problemas em quatro salas de atendimento do CEO e nos setores odontológicos das UBSs Cid Salém, no Abolição IV; Chico Costa, no Santo Antônio; e Raimundo Nonato da Silva, no Belo Horizonte.

Segundo o CRO-RN, os espaços apresentavam condições que comprometiam a segurança dos atendimentos. Entre as irregularidades apontadas estão sinais de deterioração da estrutura, como mofo, ferrugem e cupins, além da presença de animais em áreas destinadas aos procedimentos odontológicos.

Para o presidente do Conselho, Dr. Souza Jr., os problemas encontrados demonstram falhas no cumprimento das normas de higiene e segurança exigidas para o funcionamento dos consultórios.

“Não havia condições adequadas de biossegurança. Foram encontrados diversos problemas que comprometem tanto os profissionais quanto os pacientes”, afirmou.

O CRO-RN informou que vinha tentando discutir a situação com a gestão municipal antes de determinar as interdições. Segundo o órgão, as conversas com representantes da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Saúde não resultaram em medidas efetivas para resolver os problemas apontados.

As unidades deverão passar por uma nova avaliação até sexta-feira (24). A liberação dos consultórios dependerá da correção das irregularidades identificadas pelos fiscais.

Em manifestação sobre o caso, a Prefeitura de Mossoró afirmou que está avaliando as recomendações feitas pelo Conselho e que pretende adotar as medidas necessárias para adequar os serviços. O município também declarou que mantém diálogo com os órgãos responsáveis pela fiscalização da rede de saúde.

Com informações do Via Certa Natal

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

AGU e Comissão de Ética Pública endurecem regras sobre viagens oficiais em aeronaves da FAB durante durante campanhas eleitorais

Foto: FAB/divulgação

A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência reforçaram as regras que proíbem autoridades, políticos e servidores de utilizarem viagens oficiais, custeadas com recursos públicos ou em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), para participar de comícios e outros eventos de campanha.

A atualização da Resolução nº 7/2002 da CEP manteve a vedação à participação em atos político-eleitorais durante viagens de trabalho e retirou um trecho que previa apenas o registro dessas atividades na agenda oficial, eliminando uma interpretação que poderia abrir margem para justificativas.

Cartilha “Condutas Vedadas”

A cartilha “Condutas Vedadas”, publicada pela AGU em abril, também orienta que autoridades não misturem compromissos oficiais com atividades eleitorais. O documento afirma que quem desejar atuar em campanhas deverá se licenciar do cargo, sem remuneração.

As normas também mantêm a proibição de servidores coordenarem financeiramente campanhas eleitorais enquanto ocuparem cargos públicos.

Além disso, a Comissão de Ética preservou a exigência de divulgação das agendas oficiais, que devem informar data, horário, local, assunto, participantes e demais dados previstos pelo sistema de transparência da Controladoria-Geral da União (CGU).

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

VÍDEO: presidente da Câmara de Vitória-ES xinga no microfone ao encerrar sessão: ‘Quero que se f***, vá todo mundo tomar no c*, que meu p** cresça’

O encerramento da sessão ordinária na Câmara Municipal de Vitória (CMV), realizada na noite desta terça-feira (21), chamou atenção de quem acompanhava os trabalhos dos parlamentares. Após declarar o fim dos trabalhos, o presidente da Casa, o vereador Anderson Goggi (Republicanos), proferiu xingamentos e ofensas com o microfone ainda ligado.

Assim que anunciou o encerramento da sessão, o vereador afirmou: “Eu quero que se f****, que vá todo mundo tomar no ** e que o meu *** cresça”. A fala foi captada integralmente pela transmissão ao vivo e repercutiu nas redes sociais.

As declarações foram registradas pela transmissão oficial da Câmara no YouTube e foram proferidas diante de outros parlamentares, servidores e do público que acompanhava a sessão das galerias.

Com o microfone ainda aberto, Goggi aparece visivelmente exaltado e, antes de deixar o plenário, faz xingamentos em voz alta.

Na sessão desta quarta-feira (22), Anderson Goggi se retratou pelo episódio ocorrido após o encerramento da sessão do dia anterior. O vereador afirmou que a declaração foi um desabafo motivado pela frustração de não conseguir votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e disse ser um “cidadão que acerta e que erra”.

g1

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Shopping Via Direta volta a ser colocado a venda e Justiça Federal condena empresa por litigância de má-fé

Foto: Tripadvisor

A Justiça Federal determinou a retomada do procedimento para venda do Shopping Via Direta, em Natal, com o objetivo de quitar débitos fiscais. Na mesma decisão, o Juiz Federal Marco Bruno Miranda condenou a empresa por litigância de má-fé, ao entender que houve alteração da verdade dos fatos durante o processo.

Após o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) restabelecer a eficácia dos atos expropriatórios, o magistrado determinou a inclusão do empreendimento no procedimento de alienação por iniciativa particular. Nessa modalidade, interessados poderão apresentar propostas diretamente à Justiça através de corretor credenciado.

Na decisão, o Juiz Federal destacou que a Desembargadora Federal convocada Cristina Maria Costa Garcez exerceu juízo de retratação, revogando decisão anterior e restabelecendo a validade dos atos que autorizaram a alienação do imóvel.

O magistrado também registrou que a empresa informou ao Tribunal estar em negociação com a Fazenda Nacional para solucionar a dívida, circunstância que motivou, à época, a retirada do imóvel do leilão. Entretanto, segundo a decisão, transcorridos mais de dezoito meses, não houve evolução das tratativas para um acordo.

Ao fundamentar a condenação, Marco Bruno Miranda afirmou que a instância superior foi induzida a erro pela parte executada, caracterizando violação aos deveres de lealdade, boa-fé e cooperação processual.

Na decisão, o juiz registra: “A Desembargadora Federal foi deliberadamente enganada pela parte executada, em séria violação dos deveres de lealdade, boa-fé e cooperação processual, caracterizadora de litigância de má-fé, por alteração da verdade dos fatos.”

Em razão desse entendimento, a Justiça Federal condenou a empresa ao pagamento de multa por litigância de má-fé, fixada em 1% sobre o valor atualizado da causa.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

TÁCIO LORRAN: Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 milhão em notas para empresas usadas em esquema de Vorcaro

Foto: reprodução/Metrópoles

Por Tácio Lorran, Metrópoles

O escritório de advocacia do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) emitiu e cancelou duas notas fiscais no valor total de R$ 1 milhão em favor de uma empresa de fachada usada por Daniel Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões do Banco Master.

As notas indicam que as conexões entre Flávio e Vorcaro vão além das reveladas até agora na crise do Dark Horse. O que se sabia é que o presidenciável conseguiu dinheiro com o dono do Master para financiar o filme do pai.

As duas notas, no valor de meio milhão de reais cada, foram emitidas no dia 7 de abril de 2025 pelo escritório que tem Flávio Bolsonaro como único sócio e eram relacionadas a serviços prestados à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. Na mesma ocasião, foram canceladas. Naquele momento, Vorcaro já tinha injetado milhões na empresa de consultoria.

Dois dias depois, em 9 de abril, o escritório de Flávio faturou uma terceira nota, também de R$ 500 mil, desta vez em favor da Contábil Correa. Nesse caso, não há registro de cancelamento.

Confira as notas fiscais:

Primeira nota fiscal emitida pelo escritório de Flávio Bolsonaro em favor da Copenhagen:

Segunda nota fiscal emitida pelo escritório de Flávio Bolsonaro em favor da Copenhagen:

Nota fiscal emitida pelo escritório de Flávio Bolsonaro em favor da Contábil Correa:

As duas firmas guardam um forte elo entre si: o contador Rogério Lourenço Novo. Ele aparece na Receita Federal como o único diretor responsável pela Copenhagen, empresa da qual diz ser dono. Também consta como o único sócio da Contábil Correa. Rogério ainda figura como membro efetivo do conselho fiscal da Ambipar, outra empresa da teia de Vorcaro.

As duas notas emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro e depois canceladas indicavam a prestação de serviços de consultoria jurídica para a Copenhagen, uma empresa que não tem sede própria nem site. Na Receita Federal, está registrada no endereço da Contábil Correa, um prédio comercial em São Caetano do Sul.

Rogério Lourenço Novo já foi investigado pela Polícia Federal por supostamente operar um esquema de notas fiscais falsas de empresas de fachada para evadir impostos entre 2013 e 2015. A fraude foi estimada em mais de R$ 100 milhões.

Empresa está entre as que mais receberam do Master

Criada em novembro de 2024 e com capital de apenas R$ 40, a Copenhagen se tornou uma das 10 empresas que mais receberam dinheiro do Master.

Daniel Vorcaro depositou R$ 58 milhões na Copenhagen. Os primeiros aportes, no total de R$ 11,2 milhões, ocorreram logo após a abertura da empresa.

No papel, a Copenhagen pertence ao fundo de investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM. A gestora é investigada pela Polícia Federal (PF) por movimentar e ocultar patrimônio do grupo de Daniel Vorcaro.

O que diz Flávio Bolsonaro

A assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro enviou a seguinte nota, reproduzida na íntegra:

“Diante de tentativas de vincular falsamente meu nome ao Banco Master, esclareço o que segue:

Firmei contrato de prestação de serviços de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contabil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda., empresa de contabilidade e auditoria que atende mais de 200 empresas e clientes em São Paulo.

Em determinada ocasião, fui consultado sobre a possibilidade de prestar serviços a uma cliente da BR Global, a Copenhagen Assessoria. Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo o meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen Assessoria, razão pela qual as notas fiscais foram cancelas. Ou seja, estou sendo ‘acusado’ de NÃO receber alguma coisa.

Não tenho e jamais tive conhecimento de qualquer relação ou vinculação entre a BR Global ou a Copenhagen e o Master. Qualquer tentativa de me associar a este banco é capciosa, desprovida de qualquer fundamento fático e será tratada com as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, contra quem lhe der causa.

Por fim, como não sou investigado e meus dados são sigilosos, não poderiam estar em nenhuma investigação formal. Recai a suspeita de que órgãos governamentais, com fins eleitoreiros, tenham vazado dados protegidos por sigilo fiscal à imprensa. Conduta gravíssima, ilegal que será objeto de representação aos órgãos competentes para responsabilização dos autores.”

“A empresa é minha”

Ao Metrópoles, Rogério Lourenço Novo admite que é o dono da Copenhagen desde setembro de 2025. Ele afirma ter contratado o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços “aos clientes do seu escritório de contabilidade”, no que chamou de “quarteirização”.

Perguntado para quais dos seus clientes Flávio Bolsonaro prestou serviço, Rogério Lourenço Novo diz que tem mais de 200 e não se lembra nem para quem nem o que foi feito. O contador pediu um tempo para buscar as informações, mas não retornou a ligação.

A Trustee DTVM sustenta que não tinha ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen nem sobre a definição de qualquer pagamento ou negociação entre a companhia e o Banco Master para ocultar patrimônio de quem quer que seja.

Por Tácio Lorran, Metrópoles

Opinião dos leitores

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

Brasil cai 22 posições e fica em 69º em ranking de produção industrial com 90 países

Fábrica de alumínio em Pindamonhangaba | Foto: Paulo Whitaker/Reuters

O Brasil caiu 22 posições no ranking mundial de crescimento da indústria de transformação e passou da 47ª para a 69ª colocação entre 90 países no primeiro trimestre de 2026. No início de 2024, o país ocupava o 33º lugar.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), compilados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a indústria de transformação brasileira recuou 0,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Na comparação com o quarto trimestre de 2025, porém, o setor avançou 1,5%, o que permitiu ao Brasil subir da 80ª para a 69ª posição no ranking, embora ainda distante das colocações registradas nos anos anteriores.

Mesmo com o desempenho negativo, o Brasil ficou à frente de países como Alemanha, México, África do Sul e Chile.

No cenário global, a produção industrial cresceu 1,2% no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pelos setores de média-alta e alta tecnologia. Na América Latina, a indústria encolheu 0,4%, influenciada principalmente pelas quedas da Argentina (-2,3%) e do México (-1,8%). O recuo de apenas 0,1% da indústria brasileira evitou um resultado ainda pior para a região.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *