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FOTOS: Brasileiro se muda para a Califórnia para plantar maconha, ganha dez copas de melhor haxixe e vira ídolo

HAROLD WINSTON, O BAMF, DEIXOU O BRASIL AOS 18 ANOS PARA VIAGEM DE UMA SEMANA EM AMSTERDÃ E NÃO VOLTOU MAIS (FOTO: MALACHI BANALES/ DIVULGAÇÃO)

Proibido no Brasil e seis vezes mais caro que o ouro. O cristal de poucos centímetros, levemente amarelado, quase transparente, é exposto em lojas especializadas em maconha da Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, como uma joia.

Cada grama do extrato ultraconcentrado de maconha produzido pelo brasileiro Harold Winston, mais conhecido como Bamf, de 34 anos, pode custar até US$ 250 — o equivalente a cerca de R$ 1.000. A porção é suficiente para fazer dois cigarros — misturando com tabaco ou ervas – ou usar até cinco vezes num bong — purificador, geralmente feito de vidro, utilizado para fumar maconha.

Harold deixou o Brasil em 2003, há 16 anos, atraído pelo desejo de trabalhar com cannabis. Antes de deixar o país, ele tinha plantado 400 pés de maconha no quintal da casa onde vivia com a família em Belo Horizonte. A mãe dele descobriu, destruiu o plantio e pagou ao filho uma viagem para ele passar uma semana em Amsterdã, na Holanda. Ele nem chegou a pegar o voo de volta e, desde então, só visitou a terra natal em festas de fim de ano.

Nesse período, Harold viveu cinco anos na Holanda, ganhou 10 prêmios em competições de maconha nos Estados Unidos e se tornou uma das maiores referências do mundo canábico.

No Brasil, o plantio, a venda ou a doação de maconha são considerados tráfico de drogas, crime punido com penas de 5 a 15 anos de prisão, além de multas. Usar a erva é considerada apenas uma contravenção. Nesses casos, o usuário deve prestar serviços à comunidade e fazer um curso sobre os danos causados pelo uso de drogas.

O advogado Ricardo Nemer, da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) diz que muitas vezes a distinção entre usuário e traficante, feita principalmente pela Polícia Civil, é incerta e pode resultar em punições injustas.

“Depende do ‘achismo’ do delegado. Não há regra do que é pequena ou grande quantidade. Isso causa uma grande insegurança jurídica e enquadra diversos usuários como traficantes. Um exemplo são as pessoas que cultivam maconha para fazer extratos (como os produzidos por Bamf) e precisam de muitas plantas”, explica o advogado.

Mas o que há de tão especial na maconha concentrada?

“Você dá uma simples puxada e é como se você tivesse fumado uns dez baseados inteiros”, diz Fernando Badaui, de 43 anos, vocalista da banda CPM22. “Não tem nenhuma impureza. É como degustar um bom vinho. Quando você fuma uma maconha comum, tem o papel, folhas, galhos e tudo mais junto, fora a sujeira. Aquilo que o Bamf faz é o puro extrato de THC, o princípio ativo que causa a brisa. Eu já experimentei maconha em diversos países que visitei e digo que essa está entre as melhores do mundo.”

FERNANDO BADAUI (À ESQ.), VOCALISTA DA BANDA CPM22, VISITOU DIVERSAS VEZES O BRASILEIRO HAROLD WINSTON, NA CALIFÓRNIA (FOTO: FERNANDO BADAUI/ ARQUIVO PESSOAL)

Badaui é conhecido por ser um combativo ativista nas redes sociais pela liberação da maconha. No Instagram, por exemplo, ele faz constantes publicações para defender a descriminalização do uso e a regulamentação do plantio da erva no Brasil. Ele conta ter conversado com o skatista Bob Burnquist, outro assíduo defensor da cannabis.

“Falei pro Bob que a gente está junto nessa. A imagem dele é muito importante para mostrar que um atleta de elite pode usar maconha”, afirmou Badaui em entrevista à BBC News Brasil.

O brasileiro Harold diz que Badaui o visita duas vezes por ano na Califórnia e que já experimentou vários de seus produtos. “A gente virou amigo. Ele é um ativista que representa muito nossa luta e eu acho lindo todos esses caras de peso desmistificando o uso da maconha. Eles demonstram que podem fumar e serem grandes profissionais. A manifestação pública dessas pessoas é um dos caminhos para a legalização no Brasil”, afirmou.

‘Amor’ pela erva

Harold nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas seus pais avaliaram que não teriam condições de criá-lo. Aos três meses de idade, o bebê foi adotado por americanos que viviam em Belo Horizonte e o batizaram com o nome do avô americano.

“Eu sempre fui um moleque doido, talvez pelo fato de ser adotado. Fui expulso de todas as escolas por onde passei em Belo Horizonte”, conta o brasileiro. Ele diz que ter se tornado uma referência na produção de maconha na Califórnia é a realização de seu maior sonho.

Todo esse amor pela maconha, conta Bamf, começou assim que experimentou a erva pela primeira vez, aos 16 anos.

“O problema foi que eu gostei demais, irmão. Um dia depois de sentir aquela sensação, comprei 25 gramas (suficiente para produzir até cerca de 50 baseados). Foi doido. A partir daquele dia, eu queria ver coisas sobre maconha o dia todo, queria experimentar a melhor maconha do mundo e fiquei na caça daquilo. Naquele mesmo ano, descobri o haxixe e pirei de vez”, conta o brasileiro aos risos.

Na época, ele passou a ter acesso e consumir grandes quantidades de haxixe trazido do Paraguai. Mas ele conta que sentia desgosto por consumir algo sujo e de procedência desconhecida. Seu sonho passou a ser produzir seu próprio concentrado, de alta pureza.

400 plantas no quintal

Sem se importar com as leis brasileiras, o adolescente passou a plantar maconha no quintal de casa, em 2002. E num volume capaz de atrair muita atenção.

 

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“Eu meti 400 plantas lá. Falei para a minha mãe que era ayahuasca porque era legal. Mas depois de certo tempo, uma amiga dela foi lá em casa e viu o cultivo. Eu estava na esperança de que não acontecesse nada, mas essa mulher colocou algumas folhas no bolso antes de ir embora. Dois dias depois, minha mãe descobriu que era maconha, ficou puta comigo e destruiu todas as plantas”, diz Harold.

Além de sustentar seu consumo diário da erva, o cultivo fornecia material para que fizesse seus primeiros testes. Na época, ele conta que passava o dia cuidando das plantas, estudando e discutindo novas técnicas para aumentar sua produção e fazer extratos de qualidade. Sua fonte era o site brasileiro Growroom, o maior fórum online sobre maconha da América Latina, com mais de 120 mil inscritos.

“O Growroom para mim era um portal da coisa mais secreta do mundo. Passava o dia ali como um louco, como se o fórum fosse um livro aberto na minha frente. Ali, foi com certeza minha primeira escola, a base de tudo que aprendi até hoje”, relata.

Depois de duas semanas sem falar com o filho por conta da plantação em seu quintal, sua mãe, Nilza Cozac, o chamou para dar uma bronca e ter uma conversa franca. Cozac, conta Harold, foi a primeira mulher a se formar em direito em Minas Gerais e tinha um profundo conhecimento sobre a legislação.

“Minha mãe já tinha mais de 60 anos, mas era muito cabeça aberta. Ela me alertou que uma plantação daquele tamanho era motivo para o governo querer tomar nossa casa, um dos poucos assuntos que despertavam atenção do governo e policiais. E disse que me presentearia com uma viagem de uma semana para Amsterdã, na Holanda, quando completasse 18 anos. Ela queria que eu conhecesse um lugar onde pudesse fumar maconha sem problemas”, conta.

Viagem para Amsterdã

A mãe cumpriu a promessa. E ele nunca mais voltou para o Brasil.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”.

Harold conta que morou durante um ano em um apartamento para refugiados africanos em Amsterdã, que alugava por 300 euros. Durante esse tempo, ele fez contatos e aprimorou seus conhecimentos sobre a erva.

“Eu me envolvi com pessoas que achava que tinham maconha e haxixe bom. Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, diz.

Depois de fazer uma série de pesquisas e assistir a vídeos no YouTube, ele decidiu se mudar para os Estados Unidos.

Primeiro, ele foi para Nova York, mas depois de um ano vivendo “num frio dos infernos” e presenciando uma forte repressão policial contra usuários de maconha, ele resolveu se mudar, em 2009, para Los Angeles, na Califórnia, onde vive até hoje.

“Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, lembra Bamf com euforia.

Três dias depois de chegar à “meca” da maconha, Harold comprou uma luz especial – ideal para seis plantas – e começou a plantar a própria erva dentro de casa. Seis meses depois, tinha dez lâmpadas. Um ano depois, tinha 15.

Depois da longa experiência em Amsterdã, o jovem avaliou que o mercado na Califórnia tinha bons equipamentos, uma legislação muito favorável, mas ainda era pouco desenvolvido. Sua maior surpresa, porém, foi quando assistiu à uma edição da Cannabis Cup, a maior competição de maconha dos EUA, promovida pela revista High Times.

“Eu não acreditei que os caras vacilavam tanto. Num país de primeiro mundo, com ótimos equipamentos e maconha boa, eles poderiam fazer muito mais”, relata o brasileiro. Aquele era o incentivo que faltava para ele começar sua própria produção e buscar seu espaço no mercado.

Riscos para a saúde

O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador, há 30 anos, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da universidade, Dartiu Xavier, condena o uso de maconha por adolescentes, como fez Harold.

“Eu acho que ninguém deveria fumar antes dos 18. Alguns autores dizem a partir dos 21. O ponto mais preocupante é que a maconha pode desencadear uma psicose, quando o usuário sai da realidade. Caso ele tenha uma predisposição para isso, a maconha pode funcionar como um gatilho”, explicou.

Por outro lado, o médico afirma que no seu ponto de vista a regulamentação do uso da maconha diminuiria o consumo da erva no país e seria um avanço na área da saúde.

“Nos lugares onde existem políticas mais tolerantes ou legalização, como a Holanda ou Estados Unidos, as pessoas não fogem das informações. Há inclusive uma grande política de redução de riscos. No clima de proibicionismo como há aqui, ninguém tem informação. A Holanda, inclusive, é um dos poucos países onde o consumo de maconha vem caindo. Uma prova cabal de que a proibição do uso aumenta o consumo”, afirmou Xavier.

Entretanto, o coordenador do Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP, João Paulo Lotufo, diz que qualquer relaxamento em relação ao consumo de maconha seria um erro.

“Nos Estados Unidos e no Uruguai, onde o uso é permitido, dobrou o número de dependentes. Se hoje há um surto psicótico a cada 100 pessoas, se libera, você dobra para 2. Vai subir o número de acidentes automobilísticos causados pelo uso da droga, sem contar que as lesões causadas pela maconha no cérebro são irreversíveis”, disse o médico.

BAMF GANHOU DEZ PRÊMIOS – OITO CONSECUTIVOS – DE MELHOR EXTRAÇÃO DE MACONHA PELA REVISTA MAIS IMPORTANTE SOBRE O ASSUNTO NOS EUA (FOTO: BBC)

Lotufo diz ainda que a maconha é mais cancerígena que o tabaco (com base em estudo publicado na revista European Respiratory Journal em 2008) e que os custos arrecadados com impostos em caso de regulamentação não seriam suficientes nem mesmo para bancar o aumento dos gastos com saúde.

“O imposto arrecadado com a venda de cigarros também não cobre a lesão que o tabaco provoca no sistema de saúde. Liberar o uso no Brasil seria um absurdo. Alguns falam na internet que a maconha é medicinal, mas não tem nada disso. O canabidiol (CBD) sim é medicinal, mas trata-se de um extrato que nada tem a ver com o uso recreativo”, afirmou o médico da USP.

Para ele, a pressão para a regulamentação do uso recreativo ocorre por uma forte pressão financeira, que ignora os riscos à saúde.

Técnica secreta

O primeiro passo de Harold Winston para entrar no mercado canábico foi convencer Nikka T, produtor do que muitos consideram o melhor haxixe vendido nos EUA na época, a ensiná-lo a fazer o produto. Haxixe é uma pasta densa feita da resina de maconha, fumada em bong, narguilé ou em cigarro- misturado com tabaco ou maconha.

“Fiquei enchendo o saco dele igual um fã durante seis meses, até que um dia ele resolveu me ensinar. Ele me convidou e eu fui até o Colorado para aprender a técnica e, na semana seguinte, eu já era o melhor hashmaker (produtor de haxixe) da Califórnia. Isso foi há nove anos, na mesma época que minha mãe morreu de câncer”, relata ele.

Ao contrário do haxixe vendido no Brasil, feito com restos de maconha de baixa qualidade, muitas vezes feito das sobras de resina que grudam na mão das pessoas que colhem a planta no Paraguai, o produto de Bamf passa por um complexo processo.

Assim que ele fez o primeiro haxixe usando uma técnica de extração à base de água, sem solventes, ele teve a certeza de que tinha condições de era algo inédito e quis colocar seu produto à prova num campeonato. Mas, para isso, era necessário ser dono de um dispensário. Apenas a loja Buds and Roses aceitou o pedido.

O produto de Bamf chamou a atenção logo no momento da inscrição por conta de sua cor clara – sinal de pureza – e por ser o único feito com água. A maioria dos concentrados, conta Harold, é feita com gás butano – o mesmo usado em isqueiros.

 

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Em meio a 40 competidores, o brasileiro ganhou seu primeiro seu primeiro troféu. No dia seguinte, ele viu sua popularidade disparar e seu produto se tornar uma referência num dos mercados mais exigentes do mundo. A demanda foi tão grande que ele conta ter ficado sete dias sem dormir fazendo haxixe sozinho em sua casa para dar conta de alguns pedidos.

Uma das encomendas foi feita pelo grupo americano de rap Cypress Hill. “Eles encostaram na minha casa com um caminhão cheio de maconha para eu fazer haxixe para eles. Perguntei se estavam loucos porque eu demoraria um ano para terminar aquilo sozinho. Uma semana após terminar o serviço, eles levaram outro caminhão cheio”, conta.

Pouco tempo depois, Harold fundou sua própria empresa, a Bamf, que aos poucos virou o nome com o que Harold passaria a ser conhecido no mercado canábico. O nome significa Badass Motherf***er e foi inspirado em uma cena do filme Pulp Fiction.

A Bamf começou a se tornar uma referência de qualidade na Califórnia. Ganhou oito Cannabis Cups consecutivas de melhor haxixe e passou a ser cultuado por usuários de maconha não só na Califórnia, mas ao redor do mundo.

“O campeonato não dá dinheiro, mas no momento que você sai do palco com o troféu, aparecem mais de 50 donos de lojas querendo comprar tudo o que você tem. Gente tirando maços de dinheiro e do bolso. Eu pensava que era até policial querendo me pegar”, conta.

A marca começou a virar moda. A Bamf passou a vender camisetas, souvenirs e sementes. No Instagram, a marca é elogiada por diversos consumidores – alguns, famosos – americanos e brasileiros. Mas o crescimento trouxe alguns problemas para Harold e ele sente medo dessa expansão.

“A Bamf me deixou muito satisfeito e ciumento. Hoje, tenho 35 funcionários, mas sinto medo de ampliar demais, crescer, e precisar entregar meu segredo para mais pessoas. Eu criei um monstro. Imagine criar um gorila dentro de um quarto. Uma hora você vai tomar um soco. Aconteceu isso comigo. Teve gente que veio, aprendeu e hoje criaram as coisas deles. Mas como eu comecei primeiro que todo mundo, ainda estou alguns passos à frente”, afirmou.

Mesmo assim, ele revelou à BBC News Brasil alguns “segredos” da estratégia para se obter um produto de alta pureza.

“O segredo maior é olhar para as flores da maconha como se ela fosse uma vaca. No momento em que você abate a vaca, ela deve estar em ambiente refrigerado para não degenerar. Quando você corta a maconha é a mesma coisa porque ela começa a morrer. Se você não mantiver ela refrigerada em uma hora para manter ela viva, a planta começa a secar e perde óleo”, afirmou.

Harold não deu mais detalhes, mas afirmou que mantém a planta congelada até o momento da extração, e que “o solvente e o produto devem ser mantidos em temperaturas negativas”.

Maconha no Brasil

Harold diz que sua empresa está em plena expansão e conta que acabou de comprar uma área de 2 hectares – equivalente a mais de dois campos de futebol – no Estado de Oregon apenas para plantar maconha rica em CBD, usado principalmente para a produção de remédio.

Essa cepa não tem THC, o princípio ativo da planta, que causa o “barato”. Ele diz que fará isso porque se sente na obrigação de se colocar em todos os setores do mundo canábico.

Harold se diz triste com a lei de drogas brasileira. Para ele, a legalização do cultivo, comércio e consumo da erva poderiam ser de grande ajuda à combalida economia do país.

“A salvação do Brasil é a maconha. É a única coisa que pode gerar milhares de empregos e trilhões de reais no mercado econômico de maneira imediata e o povo precisa entender isso. O país está perto da linha do Equador, tem um clima perfeito e terra abundante, emprego. Sem falar que a maconha é matéria-prima de 35 mil produtos diferentes, num ciclo de dois meses. Para quê cortar árvore? Eu amo o Brasil e estou doido para e poder trabalhar com o que eu gosto no meu país”, afirmou.

Ele pondera, por outro lado, que até mesmo o mercado americano ainda não é tão claro sobre o que pode ser feito.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, afirmou.

Na Califórnia, a venda da maconha recreativa é legal. Por outro lado, a erva continua classificada como um narcótico ilegal sob a lei federal americana.

“Há um conflito de leis federais e estaduais que cria uma zona cinzenta nos Estados Unidos. Há a legalização, mas por outro lado há uma grande dificuldade para conseguir as licenças e isso causa uma grande insegurança jurídica”, diz o advogado Ricardo Nemer.

Já no Brasil, ativistas dizem que o caminho mais provável para descriminalizar o uso da maconha e dar o primeiro passo rumo à legalização é o julgamento no STF de um processo que pode revogar o artigo 28 da Lei Antidrogas. Isso permitiria a posse de pequenas quantias e plantio da erva para consumo próprio.

Esse processo, parado desde 2015 após o ministro Teori Zavascki pedir vistas, está marcado para ser retomado no dia 5 de junho. A pausa ocorre porque, depois da morte de Zavascki, o caso foi para as mãos de Alexandre de Moraes.

No ponto de vista do músico Badaui, que diz ter visitado diversos países onde há regulamentação, tolerância ou descriminalização do uso da cannabis, diz que é apenas uma questão de tempo para que o mesmo ocorra no Brasil.

“Há dez anos, esse assunto era tratado como tabu. Hoje, todos sabem que esse consumo não vai parar e que não tem como seguir outro caminho a não ser o da legalização. Por mais conservador que seja o governo, o Brasil sempre seguiu o modelo americano. É hora de desmantelar o mercado negro e explorarmos economicamente a cannabis”, afirmou o músico.

Bamf também acha que a legalização da cannabis no Brasil não deve demorar. Ele diz que diversos setores da sociedade estão fazendo uma grande pressão no sentido de permitir o consumo e o comércio da erva, como ocorreu antes da legalização em países como Canadá e Uruguai.

“Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade.”

Época Negócios, com BBC

 

 

Opinião dos leitores

  1. Isso é uma grande notícia, quando muitos chorão os seus filhos mortos pelas drogas aí vem essa grande materia ,isso sim é louvável!!!

    1. Eu ia comentar justamente isso. Mas pelo seu Nick vc deve estar sendo irônico. Já Eu, falo sério.

  2. Reportagem muito educativa, que esse doido fique por lá mesmo, aqui já temos muitas cracolândias.

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Política

Partido Democrata lança Wilson Grassi à Presidência

Screenshot

Foto: Reprodução

O partido Democrata oficializou o nome do veterinário Wilson Grassi como seu candidato à Presidência. A candidatura foi aprovada pela legenda no último domingo (2), durante convenção nacional do partido no Rio de Janeiro.

Fundado em 2008, o partido disputará pela primeira vez a Presidência com uma candidatura própria. Até o momento, a legenda ainda não definiu o nome que ocupará a vaga de vice na chapa de Grassi, segundo a ata da convenção encaminhada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

“É lógico que sei que segurança, saúde e educação são os nossos principais problemas. Mas os pets se relacionam com tudo isso”, disse Grassi em vídeo sobre sua a candidatura publicado nas redes sociais.

Wilson Grassi é natural de São Paulo e já disputou as eleições por três vezes mirando outros cargos, mas nunca foi eleito. Em 2006 se candidatou a deputado estadual por São Paulo pelo PFL (antigo Democratas e hoje União Brasil), em 2022 se lançou com o PV para deputado federal pelo mesmo estado e em 2024 disputou para verdeador da cidade de São Paulo pelo PRTB.

CNN

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Polícia

FOTOS: Operação desarticula esquema de contrabando e agiotagem no RN e na PB; quatro homens são presos em flagrante

Fotos: Divulgação

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), em ação conjunta com as Polícias Civil e Militar, deflagrou na manhã desta sexta-feira (7) a Operação Malta para combater uma organização criminosa suspeita de atuar com contrabando, agiotagem e associação criminosa. A ofensiva ocorreu simultaneamente nos municípios de Caicó e Currais Novos, no Rio Grande do Norte, e em Patos, na Paraíba.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão. Durante a operação, quatro homens foram presos em flagrante. Três responderão por contrabando, enquanto o quarto foi autuado por posse ilegal de munição de uso restrito.

As investigações apontam que o grupo era responsável pela comercialização e distribuição de cigarros e medicamentos contrabandeados, além de realizar empréstimos informais com cobrança de juros e retenção de cheques como garantia.

Segundo o MPRN, a organização possuía uma estrutura bem definida, com integrantes encarregados do fornecimento, transporte, armazenamento e distribuição das mercadorias. Para ocultar as atividades, os investigados utilizavam estabelecimentos comerciais, depósitos e veículos, além de organizar as entregas em horários de menor fiscalização e adotar linguagem cifrada nas negociações.

As apurações também revelaram que o esquema abrangia municípios como Caicó, Cruzeta, São José do Seridó, Laginhas e Jucurutu, envolvendo negociações sobre preços, quantidades, fornecedores e rotas de distribuição.

A operação mobilizou integrantes do Ministério Público do Rio Grande do Norte e da Paraíba, além de cerca de 60 policiais civis e militares dos dois estados. Durante as buscas em imóveis, veículos e com os suspeitos, foram apreendidos maços de cigarros sem documentação fiscal, munições de armas de grosso calibre e aparelhos celulares.

Os quatro presos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil, onde permanecem à disposição da Justiça. O material apreendido será periciado e analisado pelo MPRN para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar as investigações sobre a atuação da organização criminosa.

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Geral

Áudios mostram que Lulinha era hóspede da lobista Roberta Luchsinger em Brasília

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Uma troca de mensagens de áudio entre a lobista Roberta Luchsinger e sua ex-empregada doméstica mostra que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, fazia parte da rotina da casa que Roberta mantinha em Brasília.

As mensagens foram anexadas pelo advogado da ex-funcionária, Zildeni Gomes, ao processo que ela move contra Roberta Luchsinger.

 

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“Semana que vem, o seu Fábio está indo, e aí vai com visita, e… vai ficar no quarto das kids. Você arruma as camas (…) de crianças para os adultos que vão ficar, sem os lençóis de criança”, diz Roberta Luchsinger em um dos áudios enviados a Zildeni Gomes.

Em outro momento, respondendo a Roberta Luchsinger, Zildeni diz que a casa, localizada na QI 26 do Lago Sul, está “muito vazia” sem ela. “Está faltando você e teu amiguinho”, afirma.

Em dezembro, após ser alvo de um mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, Roberta Luchsinger postou uma foto na casa da QI 26.

Os áudios são mais uma evidência de que Lulinha frequentava a casa de Roberta Luchsinger em Brasília. Atualmente, Fábio Luís Lula da Silva é investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de Roberta, o mesmo imóvel era usado pelo presidente do União Brasil, Antonio Rueda.

Um deles, sob a relatoria do ministro Flávio Dino, apura a possível prática de tráfico de influência por Roberta Luchsinger e Lulinha.

As mensagens de áudio foram anexadas pela defesa de Zildeni ao processo trabalhista movido por ela contra Roberta Luchsinger. A ex-empregada cobra R$ 60,4 mil em direitos trabalhistas que afirma lhe serem devidos. O caso tramita na 21ª Vara do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), em Brasília.

Como mostrou a coluna, Zildeni Gomes ingressou com um segundo processo contra Roberta Luchsinger em razão de uma promessa da lobista de comprar uma casa para ela no Itapoã, bairro popular de Brasília. A promessa não se concretizou.

Metrópoles 

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Geral

Ex-padre é condenado a 48 anos de prisão por tortura de enteados

Foto: Reprodução / Poder360

A Justiça do Rio de Janeiro condenou o ex-padre Eric Araujo Siqueira Pereira a pena de 48 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão pelos crimes de tortura, instigação ao suicídio, fornecimento de material pornográfico a criança para fins libidinosos e estupro de vulnerável praticados contra dois enteados.

A decisão da 4ª. Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana, foi proferida na madrugada desta quarta-feira (5), após o Conselho de Sentença acolher integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Os crimes foram cometidos entre outubro de 2020 e maio de 2021, período em que o réu morava com a companheira, os dois enteados e uma filha do casal. De acordo com a denúncia, as crianças eram submetidas de forma recorrente a agressões físicas, violência psicológica e abusos sexuais praticados pelo então padrasto dentro da própria residência.

Um dos aspectos mais graves reconhecidos pelo Conselho de Sentença foi a instigação ao suicídio de uma das vítimas. Conforme sustentado pela 1ª Promotoria de Justiça que atua junto à 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, o ex-padre colocava a criança de castigo em um terraço sem proteção e a incentivava a se jogar do local, dizendo que encontraria papai do céu e seria feliz.

Os jurados entenderam que o réu se aproveitou da vulnerabilidade da vítima para induzi-la a atentar contra a própria vida.

As investigações começaram depois que uma das crianças passou a apresentar mudanças acentuadas de comportamento e foi encaminhada para atendimento especializado. Inicialmente diagnosticada com esquizofrenia, ela foi posteriormente avaliada por uma equipe multidisciplinar, que identificou que os sintomas estavam relacionados às violências sofridas.

A revelação dos abusos levou o Ministério Público a aditar a denúncia para incluir as acusações de abusos sexuais, fornecimento de material pornográfico e instigação ao suicídio.

Agência Brasil

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Geral

Estado registra pior resultado em exportações nos últimos 12 meses

Foto: Sandro Menezes

As exportações do Rio Grande do Norte movimentaram US$ 62,9 milhões em julho de 2026, o menor resultado em 12 meses, segundo indicadores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta quinta-feira (06). Antes disso, o pior resultado foi registrado em junho de 2025, com US$ 47,2 milhões em vendas para o exterior.

A balança comercial potiguar fechou o mês de julho com um saldo superavitário de US$ 16,7 milhões, com US$ 46,3 milhões em importações. Ainda assim, o resultado mensal de exportações teve queda de 28,9% em relação a 2025. As importações cresceram 24,3% em julho de 2026, e a corrente de comércio (exportações + importações) fechou com 13,2% de queda.

O Brasil, por outro lado, teve crescimento de 6,2% nas exportações do mês frente a 2025, movimentando US$ 34,1 bilhões – e fechou o mês com saldo de US$ 7,1 bilhões.

Pedro Albuquerque, assessor-técnico do Observatório da Indústria Mais RN, aponta que o saldo permanece positivo, mas avalia que o superávit é “consideravelmente mais estreito que o do mesmo mês de 2025, o que aponta para uma tendência mais desafiadora para o segundo semestre”.

Na avaliação do especialista, a queda das exportações registrada em julho pode ter ocorrido devido a pequenas variações que operam relevante impacto final no saldo das vendas para o exterior.

“É o caso dos óleos combustíveis e, recentemente, os minerais preciosos (ouro). O primeiro vem passando por reduções sucessivas e arrefecimento de produção no estado; já o segundo tem se consolidado recentemente”, explica.

Os demais produtos tradicionalmente exportados pelo RN – sal, pescado e doces – sofrem impacto pelas medidas tarifárias e insegurança jurídica do mercado norte-americano após as sobretaxas de 37,5% impostas a alguns produtos brasileiros.

O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia do RN, avalia que o desempenho do estado em julho contraria “o excelente desempenho do primeiro semestre”.

“Fechamos o semestre com animadora dinâmica, alcançando quase US$ 640 milhões, o melhor desempenho do quadro das nossas exportações dos últimos dez anos, desde 2016. Em contrapartida, no início do segundo semestre perdemos parte da força, mas nada que seja tão excepcional”, diz o economista.

Ricardo Valério afirma que a balança comercial do RN “somente não foi mais deficitária em função do bom desempenho das nossas exportações de óleo bruto de petróleo e o crescimento do ouro”. “Embora o Brasil e o Rio Grande do Norte estejam avançando na conquista de novos mercados no exterior, trata-se de uma logística lenta”, explica.

Pedro Albuquerque lembra que a Federação das Indústrias do RN defende, entre outras medidas, a diversificação de produtos para reduzir a dependência de ouro e combustíveis na pauta exportadora, fortalecendo novos mercados para pautas tradicionais como frutas, pescados, sal e têxteis.

“Acreditamos na recuperação desse mês atípico de julho, face às exportações do ouro e do petróleo, que vão continuar crescendo. [Devemos ter] em agosto também o primeiro embarque de exportação de gado vivo do Nordeste pelo Porto de Natal, e o nosso pescado e as frutas vão voltar a ser exportados para os Estados Unidos, o que deve gerar uma boa recuperação de nossa balança comercial”, analisa Ricardo Valério.

Ouro é quase metade das exportações do RN

Os principais destinos das exportações potiguares em julho foram Canadá (35,9%), Porto Rico (20,7%), Suíça (9,3%), Estados Unidos (7,4%) e Holanda (5,7¨%).
Já os principais mercados dos quais o RN importou produtos foram Reino Unido (25,7%), Argentina (18,4%), China (13,3%), Estados Unidos (6,4%) e Colômbia (6,4%).

Destacam-se entre os principais produtos exportados: ouro não monetário (45,1%), óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (28,3%), frutas e nozes não oleaginosas (5,7%) e outros minérios e concentrados dos metais de base (4,4%). Sozinho, o ouro movimentou US$ 28,4 milhões em exportações.
Já na pauta inversa, dos produtos importados, os destaques são óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (25,2%), trigo e centeio, não moídos (13,2¨%) e carvão, mesmo em pó, mas não aglomerado (6,4%).

Tribuna do Norte

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Lula e Flávio Bolsonaro disputam eleitorado idoso, que soma quase 1/4 dos aptos a votar

Foto: Agência Senado

Os dois principais candidatos ao Palácio do Planalto, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), devem acirrar a disputa pelo voto das pessoas com mais de 60 anos, faixa do eleitorado que cresce ininterruptamente ao menos desde 2010 –ano do pleito presidencial mais antigo com dados disponíveis na página de estatísticas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Neste ano, pessoas com 60 anos ou mais somam 23,5% das aptas a votar. São 37,5 milhões de eleitores, dos 158,7 milhões aptos a votar, de acordo com a Justiça Eleitoral.

O segmento ganha importância por causa do provável cenário de eleição acirrada. Tanto o grupo de Lula quanto o de Flávio Bolsonaro julga que a disputa será decidida por poucos pontos percentuais.

Pesquisa Nexus divulgada na segunda-feira (3) aponta um empate técnico nas intenções de voto no petista e no bolsonarista para o segundo turno. O presidente tem 46% e o senador, 45%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais.

Já entre os mais velhos, Lula tem vantagem, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada no último dia 24. Num eventual segundo turno, petista alcança 55% entre quem tem mais de 60 anos, enquanto Flávio marca 37% (a margem de erro nesse grupo é de cinco pontos percentuais). O mesmo vale para os aposentados, em que o placar é de 60% a 35% (com seis pontos de margem de erro).

A forma para abordar o eleitorado idoso vem sendo discutida por aliados de Lula nas últimas semanas. O entorno do presidente avalia que esse grupo tem lembranças dos primeiros governos de Lula e, 20 anos atrás, votou no petista. Por isso, seria um grupo aberto a ouvi-lo.

Auxiliares do petista pretendem acionar a memória afetiva desses eleitores resgatando a campanha de 1989, com o simbólico jingle “Lula Lá”. Também querem evocar a lembrança daqueles que viveram a censura e a ditadura militar para mobilizar esses eleitores a favor de Lula.

A equipe do presidente, porém, faz uma ressalva: o eleitorado mais velho pode ter dificuldades de mobilidade ou estar desconectado do cenário político. Por isso, seria necessário oferecer motivações fortes para que as pessoas com 60 anos ou mais saiam de casa e efetivamente votem no dia da eleição.

No domingo (2), durante a convenção nacional do PT, o presidente explicitou a intenção de buscar esse estrato da sociedade.

“Quero pagar uma dívida com os idosos deste país”, disse o chefe do governo. “É importante que a gente saiba que nem sempre o filho que a mãe pariu cuida dela, quando ela está velha, da mesma forma que ela cuidou dele quando ele fazia xixi e fazia cocô nas fraldas”, declarou Lula.

“Nós precisamos criar um programa para o idoso. Não para ele ficar trancado. Queremos que ele tenha um lugar onde possa nadar, dançar, ler, ver filmes, caminhar. Possa fazer o que quiser. Até namorar, se encontrar uma parceira”, afirmou o petista.

Na campanha de Flávio, a estratégia é utilizar o vice, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), como um aceno aos idosos e, sobretudo, aos aposentados. Gaspar foi o relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Como mostrou a Folha, a escolha de Gaspar para a chapa teve mais relação, na verdade, com sua atuação contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na CPI. Auxiliares de Flávio querem trazer para o centro do debate as suspeitas contra o filho de Lula, alvo de investigações no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de tráfico de influência.

Em paralelo, esses auxiliares afirmam que a atuação de Gaspar na CPI também será usada para associá-lo à defesa dos idosos e aposentados. Um dos integrantes da equipe de comunicação diz que o vice vai ter todo o espaço que desejar nas redes e propagandas da campanha para divulgar seu papel no enfrentamento às fraudes no INSS.

A campanha de Flávio pretende apresentar Gaspar como um defensor dos idosos e alguém que desbaratou o roubo aos aposentados, segundo aliados do senador. O próprio presidenciável, ao anunciar seu vice nesta quarta-feira (5), disse que ele “enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPI do INSS”.

“Talvez a coisa mais hedionda que pode ter acontecido nos últimos anos, nas últimas décadas, no nosso país foi um governo corrupto que não respeitou nem os aposentados, não poupou nem as aposentadorias. As senhorinhas, os senhorzinhos contam ali os reais no fim do mês”, afirmou ainda Flávio.

Folha de São Paulo

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Governo corre para evitar derrota na MP do fim da “taxa das blusinhas”

 VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

O governo Lula corre contra o tempo para garantir a aprovação da medida provisória (MP) que acaba com a chamada “taxa das blusinhas” antes de a proposta caducar. O texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado até o dia 8 de setembro, quando perderá a validade. Se não for votada até lá, o teor da MP deixa de valer.

Antes da votação da proposta em plenário, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), precisa instalar a comissão mista responsável por analisar a medida provisória. O prazo é considerado apertado pelo Palácio do Planalto. Durante a campanha eleitoral, o Congresso Nacional terá apenas duas semanas de esforço concentrado para votar projetos:

Líder do governo alerta Alcolumbre

Diante do calendário reduzido, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou à coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, que conversou nesta semana com Davi Alcolumbre para alertá-lo sobre o prazo final da MP.

Segundo a senadora, além da instalação de uma comissão mista, será necessário um entendimento entre Senado e Câmara para garantir que a proposta seja votada antes de perder a validade.

Até o momento, porém, o presidente do Senado, que também preside o Congresso Nacional, não indicou se fará a instalação do colegiado, o que aumenta a incerteza sobre a tramitação da proposta.

Interlocutores do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disseram que ele avalia que o clima com Senado melhorou, após o encontro de Lula com Alcolumbre na terça-feira (4).

Trunfo eleitoral

A edição da MP da “taxa das blusinhas” representou uma vitória da ala do Palácio do Planalto que defendia o fim da cobrança como forma de melhorar a avaliação do governo Lula às vésperas das eleições.

O texto extingue a cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como taxa das blusinhas.

Dados da Receita Federal mostram o peso da medida para os cofres públicos. Em 2025, o imposto de importação sobre encomendas internacionais arrecadou R$ 5 bilhões. Apenas nos primeiros meses de 2026, a arrecadação já somava R$ 1,78 bilhão.

Igor Gadelha, Metrópoles

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Bancada do PL garante a Flávio bom tempo de TV mesmo com chapa ‘puro-sangue’

Foto: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro

A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou uma chapa puro-sangue na disputa pelo Palácio do Planalto. Apesar de não somar tempo de televisão com a composição de outro partido, a numerosa quantidade de deputados federais do PL garantiu ao presidenciável um bom tempo de TV.

Sem uma coligação nacional com outras legendas, o senador deixa de acrescentar ao seu horário eleitoral o tempo de outros partidos. O tamanho do PL, no entanto, deve garantir ao candidato uma das maiores vitrines na televisão e no rádio durante a campanha.

Uma projeção publicada pelo Metrópoles em julho, quando Flávio ainda tentava atrair partidos do Centrão, apontava que uma candidatura sustentada apenas pelo PL teria cerca de 4 minutos e 18 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos destinado à eleição presidencial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerando os apoios de PSB, PDT e da Federação PSol-Rede, além da Federação Brasil da Esperança, teria 5 minutos e 34 segundos. Ronaldo Caiado (PSD) ficaria com 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury (Avante), com 36 segundos.

Com o encerramento das convenções e a formação da chapa apenas com integrantes do PL, o cenário projetado para Flávio se aproximou daquele considerado no levantamento. A divisão definitiva, contudo, depende dos registros das candidaturas e do plano de mídia da Justiça Eleitoral.

Peso do PL

O partido de Flávio tem 98 deputados federais, a maior bancada da Casa.

Para calcular o tempo de televisão, porém, a Justiça Eleitoral não considera simplesmente quantos deputados cada partido tem hoje. A referência é o resultado da eleição para a Câmara dos Deputados em 2022, atualizado apenas por eventuais retotalizações feitas até 20 de julho de 2026. Mudanças de partido ao longo da legislatura são desconsideradas.

Na prática, isso significa que a filiação de um deputado a outra legenda durante o mandato não aumenta o tempo de TV desse partido. Já uma mudança provocada pela própria Justiça Eleitoral pode alterar a conta.

Com informações do Metrópoles 

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Marcola e Lulinha: campanha de Lula tem semana de crise e mede impacto

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Após a semana de desgastes, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca virar a página após as crises envolvendo o empresário Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e o assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

Novas informações sobre os casos que guardam relação com a lobista Roberta Luchsinger vieram a público a poucos dias do grande ato de lançamento da campanha e aliados do petista ainda monitoram o impacto das descobertas sobre a corrida eleitoral.

Como mostrou o Metrópoles, na coluna Andreza Matais, Luchsinger pagou R$ 249 mil a Marcola, um dos assessores mais próximos do presidente. Segundo o ex-auxiliar, o valor diz respeito a um empréstimo pessoal, de “natureza estritamente privada”, e que não houve irregularidades. Após a divulgação do caso, o ex-assessor de Lula deixou a campanha a fim de evitar mais desgastes.

Aliados se dividem sobre os efeitos da crise para a tentativa de reeleição do presidente. Parte defende que o impacto será reduzido por não envolver diretamente o chefe do Planalto. Além disso, auxiliares afirmam que é natural, durante o período eleitoral, que a oposição busque atrelar supostas denúncias de corrupção ao petista, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

Outra parcela viu o caso como um desgaste desnecessário e defendeu o afastamento rápido de Marcola. Ele pediu para deixar a equipe que coordena as agendas de campanha de Lula um dia após as informações sobre o empréstimo virem à tona.

Metrópoles

 

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Governo Lula culpa Trump por crise com Milei na Argentina

Celal Gunes/Anadolu via Getty Images

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está culpando o chefe do executivo americano, Donald Trump por crise diplomática com o governo Milei na Argentina. A informação é de interlocutores do petista que avaliam que a tensão com o país vizinho faz parte da retórica adotada pelos Estados Unidos contra o Brasil.

Nesta semana, o Brasil rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina ao determinar que o embaixador brasileiro no país, Julio Bitelli, não tem prazo para retornar a Buenos Aires. Desta forma, a representação brasileira fica sob os cuidados de um encarregado de negócios.

A medida foi adotada após declarações de Milei. Nos últimos dias, o presidente argentino fez críticas ao Brasil e autoridades brasileiras em ao menos quatro oportunidades. Tal escalada não era observada desde a campanha eleitoral na Argentina, em 2022, quando Milei disputava com Sergio Massa, candidato de esquerda que havia recebido acenos de Lula no pleito.

É este contexto que acende um alerta no governo brasileiro sobre os interesses por trás do discurso adotado por Javier Milei nos últimos dias. A avaliação é que o argentino possa ter sido “contaminado” com a política norte-americana, sobretudo do Departamento de Estado, contra o Brasil.

Com informações do Metrópoles 

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