Redução na conta de luz e no valor da gasolina. Queda nos preços dos alimentos. Índice oficial de inflação em queda livre. Em apenas sete dias, foi divulgada uma série de dados positivos que mexeram com as expectativas de inflação e consolidaram a percepção de que o Banco Central iniciará um novo ciclo de corte na taxa básica de juros.
Nesta sexta-feira (7), o IBGE informou que o IPCA (índice que serve de referência para a meta de inflação) ficou em 0,13%, o menor resultado desde 2006 para o mês.
A mediana das projeções do mercado era um resultado de 0,20%. A inflação acumulada em 12 meses caiu de um pico de quase 5% para 4,66%.
Os anúncios na semana passada de redução no preço dos combustíveis e de que não haverá cobrança extra na conta de luz neste mês levaram vários economistas a projetar inflação próxima de zero neste mês, com possibilidade de deflação.
Em 2018, o IPCA ficou em 1,26% no sexto mês do ano, por causa do efeito da paralisação dos caminhoneiros.
Como a expectativa é de inflação mais baixa em relação ao ano passado também nos meses seguintes, espera-se que o índice de preços esteja próximo de 3% no início do segundo semestre, perto do limite inferior da meta para este ano, que é de 4,25% com variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
“A inflação está muito tranquila. As expectativas estão ancoradas. Não há pressão de demanda. O dado de hoje [sexta] confirma isso”, afirma a economista Julia Passabom, do Itaú Unibanco.
A economista destaca ainda o comportamento favorável não só de preços com maior sazonalidade, como os alimentos, que devem continuar a devolver a alta registrada no começo do ano, mas também de serviços e produtos industrializados, que influenciam os cálculos dos núcleos de inflação e têm grande peso nas avaliações do BC.
O banco projeta um IPCA de 3,6% no fim de 2019 e de 2020, abaixo da mediana do mercado, próxima de 4%. Para a taxa básica de juros (Selic), a expectativa é de queda a partir de outubro –dos atuais 6,5% para 5,5% no início de 2020.
O economista Fábio Romão, da LCA Consultores, afirma que o comportamento dos preços dos combustíveis e da energia elétrica ainda pode surpreender positivamente até o fim deste ano.
ESTADÃO CONTEÚDO

Comente aqui