Ciro Marques – Jornal de Hoje
O Partido dos Trabalhadores já tem rumo certo para as eleições deste ano. E esse rumo não deverá ser o mesmo que o do PMDB. Pelo menos, é isso que acredita uma das lideranças petistas, Geraldo Saraiva, o Geraldão do PT. Em contato com O Jornal de Hoje nesta quinta(30), pela manhã, o ex-presidente do Diretório Estadual do partido afirmou que a melhor opção seria a sigla se aliar ao projeto do vice-governador Robinson Faria, do PSD. Dessa forma, a chapa majoritária seria composta pela deputada federal do PT, Fátima Bezerra, candidata ao Senado e Robinson, disputando o Governo.
Segundo Geraldão, inclusive, a intenção é que a militância comece já a segmentar essa chapa na sociedade – de forma não oficial, claro, uma vez que a Legislação Eleitoral proíbe a propaganda antes de julho. “Para mim, o que representa o novo com experiência é a chapa Fátima Bezerra para o Senado e Robinson Faria para o Governo. Fátima porque é uma das deputadas mais atuantes hoje, teve uma evolução no mandato para essa candidatura ao Senado. A de Robinson é uma candidatura madura, lançada já há quatro anos, bem segmentada no eleitorado, que representa realmente o novo, mas com a experiência de um político que tem uma longa bagagem”, analisou o ex-dirigente.
Desde a última semana, a formulação de uma chapa entre PT e PSD ganha força. Isso porque o PMDB, aliado nacional dos petistas, se aproximou do PSB da ex-governadora Wilma de Faria. Como o partido da atual vice-prefeita de Natal é vetado pela Direção Nacional do PT, por representar um projeto de oposição à reeleição de Dilma Rousseff na presidência da República, os petistas tiveram que pensar em opções para manter a pré-candidatura de Fátima ao Senado (que faz parte do projeto nacional de ampliar o espaço no Congresso).
Dessa forma, os caminhos possíveis são dois: lançar uma chapa puro sangue, com Fátima para o Senado e, possivelmente, o deputado estadual Fernando Mineiro para o Governo (opção defendida por algumas lideranças, mas vetada pela Direção Nacional); ou buscar uma aproximação com o PSD, que já tem o pré-candidato ao Governo Robinson Faria. O vice-governador do governo Rosalba Ciarlini poderia formar com Fátima o palanque de Dilma Rousseff no RN, por serem os dois da base aliada da presidente.
“Robinson rompeu com o Governo e se manteve alinhado a gestão Federal da presidente Dilma. Hoje, é ele quem representaria o palanque da presidente aqui no Estado, formando uma chapa com o PT”, confirmou Geraldão do PT. “Com Fátima, seria possível atingir o objetivo do partido que é conseguir mais espaço no legislativo federal. Contudo, com Robinson seria possível atingir mais que isso, seria possível fazer um governo alinhado com a gestão federal da presidente Dilma Rousseff”, acrescentou o petista.
“Não adianta insistir. PMDB já mostrou que não quer aliança”
Para chegar à “opção Robinson Faria”, é bem verdade, o PT tem que abrir mão, de vez, da aliança com o maior aliado, o PMDB, partido do vice-presidente da República, Michel Temer. Nada de muito complicado no ponto de vista de Geraldão do PT, uma vez que os peemedebistas já demonstraram que não estão dispostos a atender as exigências petistas – uma delas, veta a presença de partidos opositores de Dilma no palanque.
“Robinson esteve com o partido, o presidente do Diretório Nacional o deputado Rui Falcão, e foi muito bem recebido. Não adianta insistir com o PMDB porque ele já mostrou que não quer seguir a nossa linha que é repetir aqui o palanque de Dilma. O PMDB quer fazer uma aliança que vai do DEM ao PSB, mantendo o traço oligárquico que confunde a cabeça do eleitor”, afirmou Geraldão do PT.
Na semana passada, antes da reunião, o presidente da Câmara Federal e líder do Diretório Estadual do PMDB, Henrique Eduardo Alves, afirmou em entrevista que, realmente, iria conversar com o PT para discussão a sucessão estadual. Contudo, queria se aliar apenas com siglas que agregassem e não aquelas que representassem o veto a outros partidos. Um recado claro para os petistas.
Isso porque ao atender o projeto nacional, o de não fortalecer os partidos adversários, o PT no RN veta siglas como o PSB (que tem o pré-candidato a presidência da República Eduardo Campos) e o PSDB (do pré-candidato Aécio Neves). Veta também o DEM, do histórico opositor petista José Agripino, senador potiguar que mantém conversas com o PMDB. Uma verdade incoerência, na visão de Geraldão.
“Como o PMDB pode romper com o Governo Rosalba e, mais tarde, dizer que quer o DEM na chapa? Discordo frontalmente disso. Ainda mais lançam uma chapa que caminha para ser Wilma e Fernando Bezerra, dizendo que é o novo. Mas não é. Ela é a mesma de 2006, mas tendo posições trocadas: Fernando Bezerra daquela vez foi para o Senado e Wilma para o Governo”, criticou o petista.

Quem diabos é Geraldão ?
Quantos votos ele tem ?
Que peso politico ele tem no Rio Grande do Norte ?