Passageiro do voo registrou em vídeo a movimentação dentro da aeronave em razão da falta de ar-condicionado – Reprodução TV Globo / Cinegrafista amador
Imagens feitas por um ocupante do voo 2047 da Gol, divulgadas pelo telejornal Bom Dia Rio, nesta segunda-feira, mostram que a empresa área deixou os 130 passageiros retidos em solo dentro da aeronave sem ar-condicionado por cerca de uma hora no Aeroporto Galeão. A viagem Galeão-Guarulhos, marcada para as 11h52 do último domingo, dia em que a sensação térmica no Rio alcançou os 45°C, acabou sendo cancelada e os passageiros reacomodados no voo das 14h02. De acordo com relatos feitos por passageiros ao telejornal, pessoas passaram mal devido ao forte calor, e só conseguiram desembarcar após, numa atitude extrema, ocupantes abrirem as portas de emergência. Para a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Cláudia Almeida, além de haver falha na prestação do serviço, a companhia aérea, ao deixar os passageiros passarem calor, colocou a vida deles em risco, tendo em vista a possibilidade de existir pessoas com pressão alta:
— Esse fato vai além da prestação de serviço. Fere a dignidade humana. A empresa não pode submeter as pessoas a essas condições.
Ainda segundo o vídeo, a tripulação levou uma hora para comunicar aos passageiros que a refrigeração seria restabelecida assim que a aeronave iniciasse os procedimentos de decolagem. Irônico e em tom ameaçador, o comandante do voo disse: “Se tiver algum passageiro muito incomodado, eu peço para retornar a aeronave para a posição e a gente desembarca, todos, e cancelamos o voo”.
Algumas pessoas se manifestaram pelo cancelamento em razão do mal-estar que, naquele momomento, era generalizado. Mas, como o piloto os ignorou, e iniciou o taxiamento na pista para decolar sem acionar a refrigeração, passageiros arrancaram as portas de emergência, para que entrasse ar. Diante da atitude extrema, o piloto resolveu retornar ao aeroporto e cancelar o voo.
— Não podemos fazer justiça com as próprias mãos. Mas nesse caso, entendo que a ruptura das portas foi uma questão de sobrevivência, para que o ar entrasse — avalia a advogada do Idec.
Ao GLOBO, a Gol encaminhou nota de esclarecimento na qual informa que o voo foi cancelado devido a defeito apresentado na unidade auxiliar de fornecimento de energia, chamada APU, usada para manter o ar-condicionado e os sistemas elétrocos da aeronave funcionand em solo. “Devido ao forte calor, os passageiros foram reacomodados em outra aeronave, seguindo para Guarulhos às 14h02, e pousando no aeroporto às 14h54”. Garantiu, ainda, ter prestado a assistência necessária aos passageiros. A companhia não informou se o defeito foi detectado antes do embarque e nem comentou a atitude do piloto.
Procurada para comentar o incidente, a Agência Nacional de Aviação Civil ainda não se manifestou.
O Globo
Em PRIMEIRO LUGAR, concordo em reclamar e fazer auê, mas quem escreveu esta matéria devia no mínimo entender como funciona um avião.
– Quando os motores são ligados (tais turbinas), o ar condicionado é AUTOMATICAMENTE LIGADO TAMBÉM, o que deu problema foi o APU que funciona em solo para gerar ar condicionado. Ao acionar os motores, o lógico que o ar condicionado tem uma pequena demora para começar refrigerar a cabine.
Ainda bem que não era Airbus e sim um Boeing, porque os Airbus possuem escorregadeiras para evacuação nas asas e o problema seria pior, mas pros passageiros colocando em risco o avião, as mesmas seriam acionadas automaticamente durante a abertura.
Ah! E no Boeing as janelas e nem portas de emergência são arrancadas! Ambas são apenas abertas.
Também estava neste vôo e realmente foi um grande sufoco para todos os passageiros, eu estava com meus dois filhos pequenos sendo que um deles de 9 anos sentiu-se muito mal. Um dos fatores mais complicado dessa situação foi a atitude arrogante e ameaçadora do comandante que ao invés de controlar a situação deixou os passageiros mais ansiosos e tensos. Situação inusitada e lastimável.
Eu estava lá e além da indignidade de passarmos por um calor insuportável ainda existia a arrogância e falta de preparo do piloto. Lamentável este voo da Gol.