Cultura

Guardada há 42 anos, a carta de um jovem professor da USP morto pela repressão mostra o Brasil da tortura

Norberto Nehring com a filha Marta, que só quis ler a carta na adolescência - Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
Norberto Nehring com a filha Marta, que só quis ler a carta na adolescência

Ela é pequena, leve e tem capa de plástico vermelho. No canto inferior direito da capa, a palavra “NOTE” ainda é fácil de reconhecer, apesar de a impressão ter esmaecido e de seu provável dourado original estar agora mais para o cobre. Na parte de dentro, 42 folhas de papel quadriculado, do tipo usado em cadernos de desenho, estão coladas numa folha de papelão não muito grosso, presa à capa. As duas primeiras páginas e as 70 últimas estão em branco (amarelado). Nas restantes, há mais de quatro décadas lê-se uma carta de despedida.

Em algum lugar na cidade de São Paulo, em meados de abril de 1970, o economista Norberto Nehring, de 29 anos, abriu a caderneta, virou a primeira página e começou a escrever para a mulher e a filha:

Ia e Marta,
Minhas adoradas
Cheguei num sábado aqui na terra e, tristeza, já estou frito. Frito!

Norberto voltara ao Brasil havia poucos dias. Desembarcara no Aeroporto do Galeão, no Rio, com documentos falsos. O nome que constava nos papéis de identidade combinava com seus olhos claros e a ascendência germânica. Já a nacionalidade argentina poderia levantar suspeitas. Mas não foi a esse ponto fraco que Norberto atribuiu sua triste situação, pelo que relataria a seguir:

Logo de cara dei com um conhecido da Pfizer, que arregalou os olhos. Isto deixou-me nervoso e também, por um anterior excesso de confiança, terminei por errar meu nome na portaria do hotel… Que besteira! Custou-me a vida.

 

Militante da Aliança Libertadora Nacional, a ALN, grupo guerrilheiro que lutava para derrubar a ditadura militar e fazer a revolução socialista no País, Norberto sabia dos riscos que estava correndo. Vários de seus companheiros tinham sido mortos, entre eles o fundador e primeiro comandante da organização, Carlos Marighella. Outros estavam presos ou desaparecidos. Nos cárceres, as torturas eram brutais e sistemáticas.

Norberto já tinha sido preso. Numa manhã de janeiro de 1969, policiais do Departamento de Ordem Política Social (Dops) cercaram a casa onde vivia com a mulher e o levaram. Nos dez dias que passou na carceragem, foi interrogado, sofreu ameaças, testemunhou torturas. Como seu grau de envolvimento com a guerrilha ainda não era de conhecimento do Dops, foi liberado para comparecer ao aniversário de 5 anos da filha. Só passou pela festa e fugiu. Logo foi para Cuba, onde iniciou treinamento militar com intenção de voltar ao combate no Brasil.

Maria Lygia, a “Ia” da carta de despedida, foi com a filha Marta para Cuba, encontrar Norberto. Técnico em química e graduado em economia pela USP, ele até foi convidado a permanecer na ilha trabalhando com petróleo. Mesmo ciente de que o precário treinamento militar que recebia por lá não seria muito útil no Brasil, ainda assim manteve a decisão de retornar ao País. Norberto, que antes de ser preso dava aulas na USP, acreditava que poderia semear a revolução fazendo trabalho de base, conscientizando trabalhadores e estudantes, articulando a luta política. Ao chegar, viu que seus planos dificilmente vingariam.

Imediatamente segui para Niterói, mas eles não desgrudaram mais de mim. Fiz o possível, mas são sempre muitos à distância e 4 ou 5 ao meu lado.

No domingo já estava eu em Campos e depois Vitória e Belo Horizonte. E sempre eles, crendo que sou um “grande líder”, armando emboscadas pelo caminho a fim de surpreender os meus salvadores (?).

Depois de tudo, decidi vir para S. Paulo simplesmente pq tanto me fazia vir para cá como ir para qq outro lugar.

Sem perspectiva de fuga e pressentindo o desfecho da perseguição, Norberto virou mais uma folha da caderneta e escreveu:

Minhas adoradas, perdoem-me por isto – quer dizer, por morrer ou ir preso (e eventualmente morrer lá). Nesta vida a senda é estreita. Pisou fora, morreu.

Ainda escreveu mais três páginas. Ao final, se despediu da mulher e da filha, que ainda estavam em Cuba, mas iriam para a França. Pediu a Maria Lygia para que não voltasse ao Brasil por uns tempos, que ficasse com Marta na Europa. No verso da última página, registrou outro pedido: que a caderneta fosse entregue a sua mãe, Nice Monteiro Carneiro Nehring, numa repartição da Justiça do Trabalho, em São Paulo.

Passados 42 anos, na tarde de 1º de março de 2012 a carta de Norberto finalmente chegou a um tribunal. Em julgamento na Justiça Federal de São Paulo, o desembargador Rubens Calixto leu, emocionado, trechos da caderneta. Estava em jogo um recurso da União, condenada em primeira instância a pagar indenização por danos morais e materiais à mulher e à filha da vítima.

Por decisão unânime de três juízes desembargadores do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, foi mantida a condenação por danos morais, fixada em R$ 200 mil, e refutada a indenização por danos materiais. Convencidos de que Norberto foi assassinado por agentes do Estado, os magistrados confirmaram o dever de reparação dos sofrimentos causados à família. Mas, como nos meses anteriores a sua morte, Norberto vivia na clandestinidade, sem trabalho e renda, acharam não ser cabível a segunda indenização.

Presente ao julgamento, Maria Lygia Quartim de Moraes, professora titular de sociologia da Unicamp, sentiu-se aliviada pelo reconhecimento judicial de pontos que considera fundamentais: a responsabilização do Estado, o direito a reparação e o registro, ainda que incompleto, da verdade factual. Verdade encoberta pelos perseguidores do marido, que armaram uma farsa para esconder as circunstâncias reais da sua morte.

Como queria Norberto, a carta foi entregue a sua família (quem a recebeu da polícia foi seu sogro, Neddy Quartim de Moraes). De acordo com a versão oficial, baseada em inquérito da Polícia Civil, a caderneta fora encontrada em um quarto de hotel no centro de São Paulo, onde ele teria se enforcado com uma gravata. A despedida se explicaria, portanto, pela decisão do suicídio.

Coube a Maria Lygia e Marta – com o apoio de amigos como Paulo Vanucchi, ex-titular da Secretaria Especial de Direitos Humanos no governo Lula, os advogados Belisário dos Santos Junior e Rubens Naves, organizações como a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, além de Paulo de Tarso Venceslau e outros ex-integrantes da ALN – esclarecer a morte de Norberto e lutar pelo reconhecimento oficial de seu assassinato por agentes da repressão.

Seu corpo foi enterrado no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo, com o nome que constava nos documentos falsos – Ernest Snell Burmann – o que só foi informado à família três meses depois, quando a identificação das marcas de tortura já não era mais possível. O reconhecimento deu-se pelo exame da arcada dentária. Vários anos depois, Marta descobriria no IML a existência de duas fichas registrando diferentes causas de morte, “asfixia mecânica” e “afogamento”. Fotografias certamente feitas pela perícia jamais foram encontradas.

Depoimentos à Justiça Militar de dois presos políticos também ajudaram a desconstruir a versão de suicídio. Diógenes Arruda Câmara e Paulo de Tarso Venceslau denunciaram a morte do companheiro nas dependências da Operação Bandeirantes, a Oban, famigerado centro de tortura, de onde seu corpo teria saído em caixão.

Em julho de 2002, o atestado de óbito de Norberto foi o primeiro a ser retificado com base na Lei 9.140, de 1995, pela qual o Estado reconheceu sua responsabilidade por mortes e desaparecimento de presos políticos. Oficialmente, desde então, sua morte consta como tendo ocorrido “por causas não naturais em dependências policiais ou assemelhadas”. Mas as circunstâncias exatas de como tudo aconteceu ainda estão por ser esclarecidas.

Recuso-me a procurar a família, não vou envolver ninguém nisto, neste momento e nesta situação.

Quem, diante da ameaça iminente de morte e suplício, não gritaria por socorro para proteger os outros? Norberto fez isso. Até hoje o jornalista Juca Kfouri, que naquele momento ajudava companheiros da ALN a fugir do Brasil, pensa que, se tivesse recebido algum contato da parte dele, poderia ter salvado a vida de seu amigo e compadre.

“The course of true love runs never smooth”

Ao ler as palavras, bem no início da carta, Maria Lygia soube que vinham do marido. A frase é de Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare (no original, The course of true love never did run smooth, o curso do amor verdadeiro nunca é suave) e, por ironia, foi citada, séculos depois de escrita pelo bardo célebre, por Karl Marx, em O Capital.

O gosto pela literatura e pela teoria marxista, tanto quanto pelas tiradas irônicas, eram traços de Norberto. Ele e Ia haviam combinado que aquela frase seria um selo de autenticidade da comunicação entre eles.

Estejam certas que qq seja meu destino, amei-as como poucos puderam gostar tanto da esposa e da filha. Da Martinha tenho três desenhos e guardo comigo teu isqueiro, Ia amada. Com vocês tive os melhores momentos da minha vida…7 anos de casamento com altíssima e grande felicidade, mas enfim é a sensibilidade e o sentimento de indignação que nos leva ao protesto.

Quando soube da morte do pai, a hoje roteirista e professora de cinema Marta Nehring tinha 6 anos. Desde então passou a guardar, “como uma caixa de joias”, alguns objetos pessoais de Norberto e um boneco do Visconde de Sabugosa que ele mesmo fizera de sabugo de milho e madeira, de presente para ela. Mas a caderneta com a carta, Marta só pegou para ler, sem intermediários, na adolescência. Em 1996, a filha de Norberto codirigiu com Maria de Oliveira o documentário 15 Filhos, com depoimentos de filhos de militantes perseguidos, presos, torturados e mortos na ditadura. O filme, premiado no Brasil e no exterior, encontra-se disponível no YouTube.

*Flávio Lobo, jornalista, é mestre em comunicação e semiótica pela PUC-SP

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Geral

Mais de meio milhão de pessoas passaram pela Avenida da Alegria durante o Carnaval de Natal 2026

Foto: Secom

A Avenida da Alegria, na Redinha, encerrou sua programação de Carnaval nesta terça-feira (17), consagrada como um dos principais polos da folia natalense. Ao longo dos quatro dias oficiais da festa, somados à prévia do carnaval, o polo ultrapassou o número de meio milhão de pessoas ao longo da programação que reuniu grandes nomes da música.

O último dia contou com apresentações de Cavaleiros do Forró, Xanddy Harmonia e Capilé, encerrando com mais de 80 mil pessoas um ciclo que transformou a região e ofereceu estrutura completa de segurança, transporte e acessibilidade.

O prefeito Paulinho Freire comentou a transformação vivida na região. “A gente sempre acreditou no potencial da Redinha e de toda a Zona Norte. Ver essa avenida cheia de famílias, moradores e visitantes mostra que a região tem força para receber grandes eventos e continuar crescendo. É um movimento que valoriza o bairro, gera renda e faz a cidade olhar ainda mais para esse lado de Natal.”

Para quem vive na Redinha há décadas, o Carnaval de 2026 representou uma transformação histórica. João Francisco, 70 anos, e sua esposa, Nanete Brito, moradores da Avenida da Alegria há mais de 30 anos, acompanharam a festa de perto.

“É muito bom poder estar na companhia da minha esposa e da minha família, vendo toda essa festa de camarote que é a minha casa. Foi muito bonito ver essas bandas passando aqui, vendo a animação do povo. Tudo muito organizado”, declarou.

A aposentada Sebastiana Matias, frequentadora assídua dos tradicionais blocos da Redinha, viveu pela primeira vez a experiência da Avenida da Alegria. “É o primeiro carnaval que eu passo aqui na Avenida da Alegria, que eu nunca tinha vindo. Eu vinha pra cá, curtia os bloquinhos, mas não vinha pra cá porque eu tinha medo. Gostei muito. Me senti confortável e muito segura. Com certeza voltarei mais vezes com toda a minha família”, afirmou.

A avaliação positiva foi confirmada pela secretária municipal de Segurança Pública e Defesa Social, Samara Trigueiro. “Sucesso absoluto. Aqui na Avenida da Alegria e em nenhum dos outros polos tivemos registro de ocorrência grave, como roubo, tentativa de homicídio ou feminicídio. A gente considera, em razão da quantidade de público presente, um sucesso absoluto”, afirmou.

O sucesso de público refletiu diretamente no comércio local. Cícera Almeida, proprietária de um restaurante no Mercado Público da Redinha, precisou ampliar sua equipe para atender à demanda. “Me surpreendi positivamente, tive que contratar mais pessoas para trabalhar aqui no box para atender a toda a demanda que está chegando. Muito turista, muita gente daqui mesmo. Comparado com outros anos, tenha certeza de que está sendo bem melhor. Estou muito feliz!”, comemorou.

A vendedora de bebidas, Leda Santos, que trabalhou desde os shows do pré-carnaval, também aprovou o desempenho das vendas. “Nossas vendas aqui foram maravilhosas, superaram muito. Os trios com os cantores, maravilhosos. A organização foi ótima, temos os nossos banheiros, assistência médica e segurança muito boas”, afirmou.

Eficiência de segurança e mobilidade 

A operação de segurança contou com a atuação conjunta da Guarda Municipal, Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar, além do apoio da segurança privada e dos bombeiros civis. Foi implementado também um protocolo operacional padrão nos três principais polos para proteção de pessoas em situação de risco, incluindo crianças, adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, mulheres e vítimas de violência.

A mobilidade também foi destaque na organização do evento. A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) disponibilizou seis linhas especiais do Transporte Folião, com 34 veículos por dia, totalizando 572 viagens ao longo dos quatro dias, com capacidade para transportar 5.500 passageiros.

A secretária Jódia Melo explicou os ajustes realizados na operação. “A gente fez algumas mudanças em relação ao ano de 2025, que foi o primeiro ano, era tudo muito novo, e este ano já aprimoramos a operação. As seis linhas saíam para todas as regiões da cidade”, disse.

A grande novidade foi a criação do Expresso Nélio Dias, que conectava a Avenida da Alegria diretamente ao polo do Ginásio Nélio Dias a cada 15 minutos. “Esta linha, que foi criada este ano, foi inovadora. Ela já transportou 3.081 passageiros nos três primeiros dias. Ou seja, mais de mil pessoas saíram diariamente direto para o Nélio Dias”, acrescentou.

Quanto ao trânsito, a STTU cadastrou 859 moradores com veículos na área restrita, garantindo o direito de ir e vir durante a festa. A pedido dos comerciantes da Avenida do Caju, a interdição passou a ocorrer apenas a partir das 14h, permitindo o acesso de clientes durante a manhã.

Com apresentação de Esportes da Sorte, o Carnaval de Natal é uma realização da Prefeitura do Natal.

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Geral

PF vai ouvir servidores suspeitos de vazamento de dados fiscais ligados ao STF

Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles

Servidores da Receita Federal do Brasil e do Serpro suspeitos de envolvimento em vazamento de dados fiscais de autoridades serão ouvidos pela Polícia Federal nos próximos dias. A investigação apura acessos irregulares a informações sigilosas, incluindo dados de familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal.

A informação é da colunista Manoela Alcântara, do Metrópoles. Na terça-feira (17), quatro investigados foram alvo de mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A próxima etapa inclui depoimentos à PF, que tenta identificar se a quebra de sigilo fiscal teria sido encomendada para eventual venda das informações a terceiros. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, após pedido da Procuradoria-Geral da República, dentro do chamado inquérito das fake news.

Segundo o Supremo, os servidores investigados são Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. As apurações apontam que dados fiscais da esposa do ministro Moraes, Viviane Barci de Moraes, além de informações de parentes de outros magistrados, teriam sido acessados sem autorização.

Além das buscas, foram impostas medidas cautelares, como afastamento das funções públicas, uso de tornozeleira eletrônica, proibição de acesso aos sistemas da Receita e do Serpro, recolhimento domiciliar noturno e impedimento de deixar o país. Também houve determinação para entrega de passaportes e restrições migratórias.

Paralelamente, a Receita Federal deverá enviar ao STF um relatório detalhado com todas as consultas realizadas envolvendo ministros da Corte e familiares diretos. Em nota, o órgão afirmou que não tolera desvios relacionados ao sigilo fiscal e destacou que seus sistemas são rastreáveis, permitindo identificar e punir eventuais irregularidades.

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Economia

BC intervém e decreta liquidação do conglomerado do Banco Pleno

Foto: Reuters/Adriano Machado

O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do conglomerado prudencial do Banco Pleno S.A.. A instituição é controlada por Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master.

Em nota, a autarquia informou que a medida foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira do grupo, com deterioração da liquidez, além de infrações às normas que regem a atividade bancária e descumprimento de determinações do próprio BC. Segundo o órgão, o conglomerado é de pequeno porte, representando 0,04% dos ativos totais e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional.

O histórico recente envolve mudanças societárias relevantes. Em 2024, o Banco Central aprovou a aquisição do Banco Voiter (antigo Indusval) pelo Master. Já em julho de 2025, Augusto Lima foi autorizado a comprar o Voiter de Daniel Vorcaro, rebatizando a instituição como Banco Pleno S.A.

O Banco Central afirmou que seguirá apurando responsabilidades dentro de suas competências legais. O resultado das investigações poderá levar à aplicação de sanções administrativas e à comunicação às autoridades competentes. Conforme previsto em lei, os bens dos controladores e administradores da instituição ficam indisponíveis a partir da decretação da liquidação.

Com informações da CNN

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Geral

Mocidade Alegre é campeã do Carnaval de São Paulo e conquista o 13º título

Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

A Mocidade Alegre conquistou nesta terça-feira (17) o título do Carnaval de São Paulo após uma apuração emocionante no Sambódromo do Anhembi. Com 269,8 pontos, a escola do bairro do Limão garantiu a vitória no último quesito divulgado e levantou seu 13º troféu, consolidando-se como a segunda maior campeã da folia paulistana, atrás apenas da tradicional Vai-Vai.

A disputa foi apertada até o fim. A Gaviões da Fiel terminou na segunda posição com 269,7 pontos, seguida pela Dragões da Real, que somou 269,6. Também garantiram vaga no desfile das campeãs a Acadêmicos do Tatuapé e a Barroca Zona Sul, completando o grupo das cinco melhores colocadas.

Com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, a Mocidade Alegre homenageou a atriz Léa Garcia, exaltando o protagonismo negro e a trajetória da artista no Brasil e no mundo. A escola foi a terceira a desfilar na segunda noite do Grupo Especial e voltou ao topo após ter ficado em quarto lugar no ano anterior. A comissão de frente contou com participações conhecidas, como os ex-BBBs Fred Nicácio e Thelminha.

Na apuração, Mocidade e Gaviões foram as escolas que mais receberam notas 10 — 29 e 28 respectivamente — mostrando o alto nível técnico da disputa. A presidente Solange Bichara comemorou muito o resultado e agradeceu repetidas vezes após a confirmação do título. A leitura das notas seguiu o regulamento tradicional: cada escola começa com nota máxima e perde décimos conforme avaliação dos jurados, sempre com justificativa técnica.

A vitória reforça a força recente da Mocidade Alegre, que acumulou a maioria de seus títulos a partir dos anos 2000 e vem se firmando como uma das potências do Carnaval paulistano. O desfile das campeãs acontece no próximo sábado (21), reunindo as melhores escolas da temporada em mais uma noite de festa no Anhembi.

Com informações do G1

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Geral

Investigação sobre vazamento de dados azeda de vez clima no STF

Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de determinar investigação sobre o vazamento de dados fiscais de integrantes do Supremo Tribunal Federal agravou o clima interno na Corte, que já vinha desgastado nas últimas semanas em meio às disputas relacionadas ao Caso Master.

A informação é do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles. Nos bastidores, ministros que costumam divergir de Moraes criticaram a medida, avaliando que a solicitação feita à Receita Federal deveria partir exclusivamente do presidente do STF, Edson Fachin. Para esses magistrados, a decisão teria sido tomada sem comunicação prévia aos demais colegas, aumentando a sensação de desconforto dentro do tribunal.

Outro ponto que gerou reação foi o fato de a diligência ter sido determinada no âmbito do inquérito das fake news, que corre sob sigilo. Segundo relatos reservados, alguns ministros consideram inadequado o uso desse procedimento para apurar o caso e classificam a iniciativa como excessiva, num momento de forte tensão institucional.

Por outro lado, aliados de Moraes defendem a medida e afirmam que não há irregularidade na decisão. Eles lembram que a investigação sobre servidores da Receita suspeitos de acessar dados sigilosos teria sido solicitada pela Procuradoria-Geral da República, e que o objetivo é identificar responsáveis por ataques e vazamentos envolvendo membros da Corte.

O episódio, porém, amplia a divisão interna no STF e reforça o cenário de desgaste entre ministros, em um momento em que a instituição enfrenta pressão externa e debates intensos sobre sua atuação em casos de grande repercussão política.

Opinião dos leitores

  1. A divisão no STF deve ser por causa da desproporcionalidade dos salários dos cônjuges. O que não faz sentido algum. O ator principal dos filmes tem que ganhar mais que os atores coadjuvantes.

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Geral

Potiguar Marcelinho é eliminado do BBB 26 com 68% dos votos

Foto: Reprodução/Instagram

O potiguar Marcelinho está fora do Big Brother Brasil 26. O médico de Currais Novos foi eliminado nesta terça-feira (17) com 68,56% dos votos em um paredão contra Samira e Solange Couto.

No discurso, o apresentador Tadeu Schmidt fez uma metáfora com o Carnaval para definir a trajetória do participante. Ele destacou que, em toda edição, é preciso se sobressair para marcar o público, afirmando que Marcelinho demonstrava disposição para “sambar”, mas parecia aguardar ser chamado para o centro da avenida. Ao final, cravou: “O Carnaval acabou pra você, Marcelinho”.

Marcelo entrou no reality após ser escolhido pelo público na Casa de Vidro do Nordeste, com 68,23% dos votos. Aos 31 anos, o médico deixou o Brasil para cursar Medicina na Bolívia e, durante o período de formação, trabalhou como modelo e vendedor de trufas para se manter.

A eliminação encerra a participação do único representante do Rio Grande do Norte na edição.

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Política

Lula aprova reajuste do Legislativo, mas barra penduricalhos e ganhos acima do teto

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o reajuste salarial para servidores do Legislativo federal — incluindo Câmara, Senado e também o Tribunal de Contas da União — mas vetou dispositivos que permitiriam pagamentos extras acima do teto constitucional. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta quarta-feira (18).

Com a sanção, passam a valer mudanças na estrutura das carreiras, como a criação da Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico, que substitui modelos anteriores de bônus e passa a ter natureza remuneratória, submetida ao limite salarial do funcionalismo. Também foi reconhecido o caráter de carreiras de Estado para os servidores envolvidos, além da ampliação de cargos e funções no TCU.

Apesar disso, o presidente vetou pontos considerados sensíveis, como mecanismos que poderiam gerar aumento automático de despesas nos próximos anos. Entre os trechos barrados estão reajustes escalonados previstos para 2027, 2028 e 2029, pagamentos retroativos continuados e a criação de licença compensatória que poderia ser convertida em dinheiro — prática vista como brecha para ultrapassar o teto constitucional, atualmente fixado em cerca de R$ 46,3 mil mensais.

Segundo o Palácio do Planalto, a decisão teve como base a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede a criação de novas despesas obrigatórias sem previsão de execução dentro do próprio mandato presidencial. A avaliação do governo é que manter esses dispositivos poderia comprometer o equilíbrio fiscal nos próximos anos.

A sanção com vetos ocorre em meio ao debate sobre gastos com pessoal no serviço público e aumenta a pressão política no Congresso, já que parlamentares poderão tentar derrubar parte das restrições impostas pelo Executivo nas próximas sessões.

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Geral

Planalto vê desfile em homenagem a Lula como erro estratégico e tenta conter desgaste

Foto: Marcelo Theobald

A repercussão do desfile da Acadêmicos de Niterói provocou desconforto dentro do próprio governo. Avaliações internas no Palácio do Planalto indicam que a homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve impacto negativo, especialmente junto ao público evangélico — segmento que o PT tenta reconquistar desde a última eleição.

A informação é do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. De acordo com relatos de dirigentes petistas, levantamentos e monitoramentos internos apontaram rejeição ao conjunto do desfile. O maior incômodo teria sido uma ala que representava a chamada “família tradicional” dentro de uma lata de conservas, interpretação vista por integrantes do governo como prejudicial à estratégia de aproximação com eleitores conservadores. Nos bastidores, lideranças admitem que o episódio dificultou pontes que vinham sendo construídas com lideranças religiosas.

Um ministro ouvido reservadamente chegou a afirmar que a alegoria seria a demonstração de que o governo não interferiu na concepção artística da escola. A avaliação é que, se houvesse participação direta do Planalto, o tom adotado teria sido diferente para evitar ruídos com setores mais sensíveis do eleitorado.

Diante da repercussão, o PT iniciou movimento para reduzir a temperatura do debate. O presidente da legenda, Edinho Silva, afirmou que a escola teve total autonomia criativa e classificou como descabidas as tentativas de responsabilizar Lula pelo conteúdo apresentado na avenida. Segundo ele, o presidente mantém respeito pelas comunidades evangélicas e suas lideranças.

Apesar da tentativa de contenção, o episódio ampliou o debate político nas redes sociais e expôs, mais uma vez, o desafio do governo em equilibrar sua base progressista com o diálogo junto a setores conservadores do país.

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Geral

Rede ligada ao caso Toffoli e Master avança com novo resort de luxo

Foto: Divulgação

A rede de resorts Tayayá, citada nas investigações que envolvem o ministro do STF Dias Toffoli e o Banco Master, segue ampliando seus negócios no Sul do país. Mesmo em meio à repercussão do caso, a empresa mantém o ritmo das obras de um novo empreendimento de alto padrão no interior do Paraná.

A informação é da coluna Dinheiro & Negócios, do Metrópoles. O novo complexo, chamado Tayayá Porto Rico Residence & Resort, está sendo construído em São Pedro do Paraná, região próxima ao município de Porto Rico, área turística conhecida pelo forte apelo imobiliário e pelas praias de água doce às margens do Rio Paraná. Segundo documentos apresentados à Justiça paranaense, todas as unidades residenciais do projeto já foram comercializadas, com arrecadação superior a R$ 220 milhões.

A proposta do novo resort é elevar o padrão em relação à primeira unidade da rede, localizada em Ribeirão Claro (PR), que teve participação societária de familiares do ministro Dias Toffoli. O material de divulgação do empreendimento destaca o conceito voltado ao lazer e à experiência premium, com foco em turismo de alto padrão.

Entre os atrativos anunciados estão piscinas com borda infinita, parque aquático, spa, academia, pistas de boliche, áreas de convivência, bares e restaurante internacional. O projeto prevê ainda centenas de lotes residenciais e mais de duas centenas de apartamentos, reforçando o perfil de condomínio-resort.

A expansão da rede ocorre enquanto o nome do complexo Tayayá segue citado dentro do contexto das investigações sobre o Banco Master, assunto que ganhou destaque nacional nas últimas semanas e ampliou o interesse público sobre negócios ligados ao grupo.

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Geral

VÍDEO: Pastor diz que membros da escola de samba que homenageou Lula terão “câncer na garganta”

Durante um culto em São Paulo, o pastor Elias Cardoso afirmou que os responsáveis pelo desfile da Acadêmicos de Niterói “serão julgados pelo Supremo Tribunal Celestial” e  terão “câncer de garganta”. O pastor fez declarações associando os carnavalescos a doenças, após a escola homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A fala ocorreu na segunda-feira (16) e foi motivada por uma ala do desfile que criticou grupos evangélicos contrários a pautas defendidas por Lula. A ala foi batizada de “neoconservadores em conserva”.

As fantasias representavam uma lata de conserva com uma família tradicional e simbolizavam quatro grupos apontados pela escola como defensores do neoconservadorismo: agronegócio, mulheres da elite, apoiadores da ditadura militar e evangélicos.

No culto realizado na Assembleia de Deus de Perus, o pastor afirmou que não acionaria o Supremo Tribunal Federal, dizendo que a resposta viria de Deus. Segundo ele, os envolvidos “lembrariam com quem mexeram” ao enfrentar doenças.

Opinião dos leitores

  1. Esse tipo de crente esta mais próximo do mal ou do bem? Por essas e outras que eu quero distância de crente…

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