Cultura

Guardada há 42 anos, a carta de um jovem professor da USP morto pela repressão mostra o Brasil da tortura

Norberto Nehring com a filha Marta, que só quis ler a carta na adolescência - Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
Norberto Nehring com a filha Marta, que só quis ler a carta na adolescência

Ela é pequena, leve e tem capa de plástico vermelho. No canto inferior direito da capa, a palavra “NOTE” ainda é fácil de reconhecer, apesar de a impressão ter esmaecido e de seu provável dourado original estar agora mais para o cobre. Na parte de dentro, 42 folhas de papel quadriculado, do tipo usado em cadernos de desenho, estão coladas numa folha de papelão não muito grosso, presa à capa. As duas primeiras páginas e as 70 últimas estão em branco (amarelado). Nas restantes, há mais de quatro décadas lê-se uma carta de despedida.

Em algum lugar na cidade de São Paulo, em meados de abril de 1970, o economista Norberto Nehring, de 29 anos, abriu a caderneta, virou a primeira página e começou a escrever para a mulher e a filha:

Ia e Marta,
Minhas adoradas
Cheguei num sábado aqui na terra e, tristeza, já estou frito. Frito!

Norberto voltara ao Brasil havia poucos dias. Desembarcara no Aeroporto do Galeão, no Rio, com documentos falsos. O nome que constava nos papéis de identidade combinava com seus olhos claros e a ascendência germânica. Já a nacionalidade argentina poderia levantar suspeitas. Mas não foi a esse ponto fraco que Norberto atribuiu sua triste situação, pelo que relataria a seguir:

Logo de cara dei com um conhecido da Pfizer, que arregalou os olhos. Isto deixou-me nervoso e também, por um anterior excesso de confiança, terminei por errar meu nome na portaria do hotel… Que besteira! Custou-me a vida.

 

Militante da Aliança Libertadora Nacional, a ALN, grupo guerrilheiro que lutava para derrubar a ditadura militar e fazer a revolução socialista no País, Norberto sabia dos riscos que estava correndo. Vários de seus companheiros tinham sido mortos, entre eles o fundador e primeiro comandante da organização, Carlos Marighella. Outros estavam presos ou desaparecidos. Nos cárceres, as torturas eram brutais e sistemáticas.

Norberto já tinha sido preso. Numa manhã de janeiro de 1969, policiais do Departamento de Ordem Política Social (Dops) cercaram a casa onde vivia com a mulher e o levaram. Nos dez dias que passou na carceragem, foi interrogado, sofreu ameaças, testemunhou torturas. Como seu grau de envolvimento com a guerrilha ainda não era de conhecimento do Dops, foi liberado para comparecer ao aniversário de 5 anos da filha. Só passou pela festa e fugiu. Logo foi para Cuba, onde iniciou treinamento militar com intenção de voltar ao combate no Brasil.

Maria Lygia, a “Ia” da carta de despedida, foi com a filha Marta para Cuba, encontrar Norberto. Técnico em química e graduado em economia pela USP, ele até foi convidado a permanecer na ilha trabalhando com petróleo. Mesmo ciente de que o precário treinamento militar que recebia por lá não seria muito útil no Brasil, ainda assim manteve a decisão de retornar ao País. Norberto, que antes de ser preso dava aulas na USP, acreditava que poderia semear a revolução fazendo trabalho de base, conscientizando trabalhadores e estudantes, articulando a luta política. Ao chegar, viu que seus planos dificilmente vingariam.

Imediatamente segui para Niterói, mas eles não desgrudaram mais de mim. Fiz o possível, mas são sempre muitos à distância e 4 ou 5 ao meu lado.

No domingo já estava eu em Campos e depois Vitória e Belo Horizonte. E sempre eles, crendo que sou um “grande líder”, armando emboscadas pelo caminho a fim de surpreender os meus salvadores (?).

Depois de tudo, decidi vir para S. Paulo simplesmente pq tanto me fazia vir para cá como ir para qq outro lugar.

Sem perspectiva de fuga e pressentindo o desfecho da perseguição, Norberto virou mais uma folha da caderneta e escreveu:

Minhas adoradas, perdoem-me por isto – quer dizer, por morrer ou ir preso (e eventualmente morrer lá). Nesta vida a senda é estreita. Pisou fora, morreu.

Ainda escreveu mais três páginas. Ao final, se despediu da mulher e da filha, que ainda estavam em Cuba, mas iriam para a França. Pediu a Maria Lygia para que não voltasse ao Brasil por uns tempos, que ficasse com Marta na Europa. No verso da última página, registrou outro pedido: que a caderneta fosse entregue a sua mãe, Nice Monteiro Carneiro Nehring, numa repartição da Justiça do Trabalho, em São Paulo.

Passados 42 anos, na tarde de 1º de março de 2012 a carta de Norberto finalmente chegou a um tribunal. Em julgamento na Justiça Federal de São Paulo, o desembargador Rubens Calixto leu, emocionado, trechos da caderneta. Estava em jogo um recurso da União, condenada em primeira instância a pagar indenização por danos morais e materiais à mulher e à filha da vítima.

Por decisão unânime de três juízes desembargadores do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, foi mantida a condenação por danos morais, fixada em R$ 200 mil, e refutada a indenização por danos materiais. Convencidos de que Norberto foi assassinado por agentes do Estado, os magistrados confirmaram o dever de reparação dos sofrimentos causados à família. Mas, como nos meses anteriores a sua morte, Norberto vivia na clandestinidade, sem trabalho e renda, acharam não ser cabível a segunda indenização.

Presente ao julgamento, Maria Lygia Quartim de Moraes, professora titular de sociologia da Unicamp, sentiu-se aliviada pelo reconhecimento judicial de pontos que considera fundamentais: a responsabilização do Estado, o direito a reparação e o registro, ainda que incompleto, da verdade factual. Verdade encoberta pelos perseguidores do marido, que armaram uma farsa para esconder as circunstâncias reais da sua morte.

Como queria Norberto, a carta foi entregue a sua família (quem a recebeu da polícia foi seu sogro, Neddy Quartim de Moraes). De acordo com a versão oficial, baseada em inquérito da Polícia Civil, a caderneta fora encontrada em um quarto de hotel no centro de São Paulo, onde ele teria se enforcado com uma gravata. A despedida se explicaria, portanto, pela decisão do suicídio.

Coube a Maria Lygia e Marta – com o apoio de amigos como Paulo Vanucchi, ex-titular da Secretaria Especial de Direitos Humanos no governo Lula, os advogados Belisário dos Santos Junior e Rubens Naves, organizações como a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, além de Paulo de Tarso Venceslau e outros ex-integrantes da ALN – esclarecer a morte de Norberto e lutar pelo reconhecimento oficial de seu assassinato por agentes da repressão.

Seu corpo foi enterrado no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo, com o nome que constava nos documentos falsos – Ernest Snell Burmann – o que só foi informado à família três meses depois, quando a identificação das marcas de tortura já não era mais possível. O reconhecimento deu-se pelo exame da arcada dentária. Vários anos depois, Marta descobriria no IML a existência de duas fichas registrando diferentes causas de morte, “asfixia mecânica” e “afogamento”. Fotografias certamente feitas pela perícia jamais foram encontradas.

Depoimentos à Justiça Militar de dois presos políticos também ajudaram a desconstruir a versão de suicídio. Diógenes Arruda Câmara e Paulo de Tarso Venceslau denunciaram a morte do companheiro nas dependências da Operação Bandeirantes, a Oban, famigerado centro de tortura, de onde seu corpo teria saído em caixão.

Em julho de 2002, o atestado de óbito de Norberto foi o primeiro a ser retificado com base na Lei 9.140, de 1995, pela qual o Estado reconheceu sua responsabilidade por mortes e desaparecimento de presos políticos. Oficialmente, desde então, sua morte consta como tendo ocorrido “por causas não naturais em dependências policiais ou assemelhadas”. Mas as circunstâncias exatas de como tudo aconteceu ainda estão por ser esclarecidas.

Recuso-me a procurar a família, não vou envolver ninguém nisto, neste momento e nesta situação.

Quem, diante da ameaça iminente de morte e suplício, não gritaria por socorro para proteger os outros? Norberto fez isso. Até hoje o jornalista Juca Kfouri, que naquele momento ajudava companheiros da ALN a fugir do Brasil, pensa que, se tivesse recebido algum contato da parte dele, poderia ter salvado a vida de seu amigo e compadre.

“The course of true love runs never smooth”

Ao ler as palavras, bem no início da carta, Maria Lygia soube que vinham do marido. A frase é de Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare (no original, The course of true love never did run smooth, o curso do amor verdadeiro nunca é suave) e, por ironia, foi citada, séculos depois de escrita pelo bardo célebre, por Karl Marx, em O Capital.

O gosto pela literatura e pela teoria marxista, tanto quanto pelas tiradas irônicas, eram traços de Norberto. Ele e Ia haviam combinado que aquela frase seria um selo de autenticidade da comunicação entre eles.

Estejam certas que qq seja meu destino, amei-as como poucos puderam gostar tanto da esposa e da filha. Da Martinha tenho três desenhos e guardo comigo teu isqueiro, Ia amada. Com vocês tive os melhores momentos da minha vida…7 anos de casamento com altíssima e grande felicidade, mas enfim é a sensibilidade e o sentimento de indignação que nos leva ao protesto.

Quando soube da morte do pai, a hoje roteirista e professora de cinema Marta Nehring tinha 6 anos. Desde então passou a guardar, “como uma caixa de joias”, alguns objetos pessoais de Norberto e um boneco do Visconde de Sabugosa que ele mesmo fizera de sabugo de milho e madeira, de presente para ela. Mas a caderneta com a carta, Marta só pegou para ler, sem intermediários, na adolescência. Em 1996, a filha de Norberto codirigiu com Maria de Oliveira o documentário 15 Filhos, com depoimentos de filhos de militantes perseguidos, presos, torturados e mortos na ditadura. O filme, premiado no Brasil e no exterior, encontra-se disponível no YouTube.

*Flávio Lobo, jornalista, é mestre em comunicação e semiótica pela PUC-SP

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Cidades

Nísia Floresta fecha ciclo de conquistas na educação e coloca quatro escolas entre as dez melhores notas do IDEB no RN

Município se consolida entre os destaques da educação potiguar e tem escola com a terceira maior nota do Estado nos anos iniciais. Foto: Divulgação

Nísia Floresta encerra o ciclo de avaliações de 2025 com mais uma conquista de destaque na educação pública do Rio Grande do Norte. Com a divulgação do IDEB 2025, o município coloca quatro escolas entre as dez maiores notas do Estado nos anos iniciais, incluindo a Escola Municipal Leonor Maria Bezerra, que alcançou 7,3 pontos, a terceira maior nota do RN.

O resultado consolida uma trajetória de destaque construída ao longo do período. Nísia Floresta já havia conquistado importantes reconhecimentos na educação, como o Selo Ouro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, destaque na Avaliação de Fluência Leitora, além da Medalha Paulo Freire e da Medalha Justina Eva.

Agora, com o IDEB, a rede municipal fecha esse ciclo entre as principais referências da educação potiguar. Das dez escolas com as maiores notas do IDEB nos anos iniciais em todo o Rio Grande do Norte, quatro são de Nísia Floresta, o que representa 40% das escolas que integram esse grupo de destaque.

Além da presença no top 10 estadual, Nísia Floresta alcançou 5,5 nos anos iniciais, o melhor resultado entre os municípios da Região Metropolitana, e ficou em segundo lugar entre os municípios da 2ª DIREC.

Mais do que o crescimento da média municipal, o resultado do IDEB evidencia a presença de escolas de Nísia Floresta entre as melhores do Estado, com destaque para a terceira maior nota do RN.

Com a divulgação do IDEB, último grande resultado referente às avaliações realizadas em 2025, Nísia Floresta encerra o período acumulando conquistas e consolidando seu espaço entre os municípios que mais se destacaram na educação pública do Rio Grande do Norte.

 

 

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Política

[VÍDEO] “Colocamos uma pedra”, diz Michelle sobre brigas com Flávio Bolsonaro

Foto: Vinícius Schmidt

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comentou, nesta terça-feira (11/8), em Brasília (DF), a atual relação com o enteado e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois estiveram juntos pela primeira vez desde a reconciliação pública e gravaram vídeos para a campanha do senador. As informações são do Metrópoles.

Durante coletiva, Michelle afirmou que os dois deixaram as divergências para trás e decidiram se unir em torno da candidatura de Flávio. “Colocamos uma pedra. Conversamos, nos unimos em prol de algo muito maior para a nossa nação”, declarou Michelle.

Questionada se vai percorrer o país para ajudar na campanha, Michelle disse que ainda não sabe se a participação será presencial.

Metrópoles

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Geral

QUEDA DE 13,1%: Produção industrial do RN tem pior desempenho do país no primeiro semestre de 2026

Foto: José Paulo Lacerda/CNI

A indústria do Rio Grande do Norte teve o pior desempenho entre os 18 estados pesquisados pelo IBGE no primeiro semestre de 2026. A produção recuou 13,1% de janeiro a junho, em relação ao mesmo período de 2025.

O principal impacto veio da fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que caiu 25,8%. Também houve retração nas indústrias extrativas (-5,5%) e na fabricação de alimentos (-1,4%).

Na contramão, a produção de artigos de vestuário e acessórios avançou 48,5%.

Em junho, a produção caiu 0,9% na comparação anual, menor retração registrada no estado em nove meses.

O resultado foi influenciado pela redução da queda na produção de derivados de petróleo e biocombustíveis (-14,9%). A indústria extrativa recuou 5,4%.

Já o vestuário cresceu 67,4%, enquanto a fabricação de alimentos avançou 9,7%.

No acumulado de 12 meses até junho, a indústria do RN registrou queda de 9,4%. No país, a produção industrial cresceu 1,7% em junho.

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Geral

Indústria Salineira e Setor Produtivo do RN ganham força com proposta de Benes Leocádio para prorrogar isenção de frete portuário


Projeto de Lei Complementar de autoria do deputado federal potiguar busca garantir competitividade regional, proteger empregos e combater desigualdades econômicas diante do avanço de produtos importados.

A economia do Rio Grande do Norte e de toda a região Nordeste ganhou um importante aliado na defesa da competitividade de sua produção industrial e portuária. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei Complementar (PLP) 80/2026, de autoria do deputado federal potiguar Benes Leocádio (União-RN). A proposta prorroga até 8 de janeiro de 2032 a isenção do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) para mercadorias com origem ou destino nos portos das regiões Norte e Nordeste.

A iniciativa legislativa liderada pelo deputado Benes Leocádio é vista pelo setor produtivo como vital para evitar um impacto devastador na economia local com grande destaque para o parque salineiro potiguar, concentrado integralmente no Rio Grande do Norte, como afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Sal do Rio Grande do Norte, Airton Torres.

Defesa estratégica da indústria do sal potiguar

O Rio Grande do Norte abriga 35 salinas distribuídas por municípios como Grossos, Areia Branca, Mossoró, Porto do Mangue, Macau, Guamaré e Galinhos, além de dezenas de pequenas salinas artesanais em Grossos. O setor responde por cerca de 6 milhões de toneladas anuais, o equivalente a 98% da produção nacional de sal marinho.

De acordo com dados do Siesal, apresentados pelo presidente da entidade, Airton Torres, a cadeia produtiva gera cerca de 15.000 empregos diretos e permanentes no Estado, com faturamento anual em torno de R$ 1,5 bilhão e expressiva arrecadação tributária, incluindo cerca de R$ 105 milhões anuais em ICMS próprio e outros R$ 70 milhões gerados pela logística de distribuição por vias marítima e rodoviária.

Contudo, o setor enfrenta uma concorrência acirrada com o sal importado do Chile, que chega ao Brasil em volumes de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas por ano e conta com isenção permanente do AFRMM em acordos comerciais de exportação. Para o deputado Benes Leocádio, a aprovação do PLP 80/2026 é o único caminho para restabelecer o equilíbrio no mercado interno.

“Somente assim se estabelece uma isonomia concorrencial entre o sal brasileiro e o sal importado do Chile. Sem essa medida, outras mercadorias também serão prejudicadas”, defende Benes Leocádio.

Impacto econômico e responsabilidade fiscal

O AFRMM é uma contribuição incidente sobre o frete aquaviário operado por empresas de navegação, variando de 8% a 40% do valor do frete, e constitui a principal fonte de recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM).

A articulação do parlamentar potiguar demonstra que a manutenção do benefício fiscal não compromete o fundo federal. Segundo levantamentos técnicos citados na proposta, entre 2007 e 2017 a renúncia fiscal para o Norte e Nordeste representou cerca de R$ 2,5 bilhões (9% da arrecadação do AFRMM no período). Em contrapartida, apenas no ano de 2014, as empresas beneficiadas na área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) declararam investimentos de R$ 4,36 bilhões em suas plantas industriais, superando o valor da renúncia fiscal.

Próximos passos no Congresso Nacional

Após articulação política foi aprovado requerimento de urgência no plenário da Casa para apreciação da proposta apresentada por Benes Leocádio e agora caminha em ritmo acelerado.

O texto está pronto para análise e votação no Plenário da Câmara dos Deputados, de onde seguirá para apreciação do Senado Federal antes de virar lei.

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VÍDEO: Flávio Bolsonaro serve picanha a jornalistas ao criticar decisão de Moraes contra fonte de repórter que denunciou Dino

Imagens: Metrópoles

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitou um encontro com jornalistas nesta terça-feira (11) para criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma operação de busca e apreensão contra uma fonte de um repórter no Maranhão.

Durante a conversa, Flávio também serviu churrasco aos jornalistas e brincou com a promessa de campanha de Lula relacionada à picanha.

“Bom churrasquinho para vocês. Já que o Lula não trouxe picanha, eu trouxe. Aqui dentro está a picanha que, infelizmente, ele não entregou”, afirmou.

Flávio disse que o churrasco servido foi uma forma de “solidariedade” aos jornalistas em razão da operação que teve como alvo Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre o suposto uso de carros oficiais por familiares do ministro Flávio Dino, que nega irregularidades.

O caso é um desdobramento da investigação que já havia levado a uma busca contra o jornalista em março.

Flávio afirmou que a decisão de Moraes ameaça o sigilo da fonte e a liberdade de imprensa. O assunto é sério. Eu acho que tem que haver um momento de unidade da própria imprensa contra esse tipo de abuso, de ilegalidade, de arbitrariedade”, declarou.

O candidato à presidência também questionou o impacto da medida na relação entre jornalistas e suas fontes: Que segurança a fonte de vocês vai ter para conversar com vocês e vocês fazerem o trabalho da imprensa?”, questionou.

Flávio ainda defendeu que os demais ministros do STF se manifestem sobre o caso: “Eu acho que o momento é de todo mundo se posicionar”.

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Flávio Bolsonaro critica jantar de Lula e Alcolumbre na casa de Moraes e diz que o ministro do STF “virou o grande articulador político do Lula”

Foto: Reprodução/O Antagonista

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou nesta terça-feira (11) o encontro entre Lula (PT) e Davi Alcolumbre (União-AP) realizado na casa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em Brasília.

A reunião ocorreu em 4 de agosto e também contou com a participação do ministro Cristiano Zanin. Segundo o SBT News, Moraes e Zanin ajudaram a aproximar Lula e Alcolumbre após meses de desgaste entre o governo e o Senado.

Flávio afirmou que o encontro demonstra uma atuação política de Moraes e disse que o ministro se tornou um articulador do presidente.

“Eu lamento perceber [que] Alexandre de Moraes hoje virou o grande articulador político do Lula, promovendo encontro dentro da casa dele com outros políticos”, declarou.

O candidato também afirmou que Moraes teria entrado na esfera política e, por isso, estaria sujeito a respostas políticas.

“Alexandre de Moraes veio para a seara política, então todos os políticos estão autorizados a responder dentro da política também.”

Flávio ainda defendeu que o impeachment de Moraes seja tratado como uma pauta eleitoral e afirmou que os candidatos serão cobrados nas eleições sobre o tema.

“Então, isso virou uma pauta de campanha. Não queria que tivesse chegado nesse ponto, mas virou uma realidade”, disse.

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PESQUISA GERP: Governo Lula é desaprovado por 53% dos brasileiros

Foto: EFE/Andre Borges

Pesquisa Gerp mostra que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 53% de desaprovação entre os eleitores brasileiros. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (11).

Segundo o instituto, 42% aprovam a gestão do petista, enquanto 5% não souberam responder ou preferiram não opinar.

A pesquisa Gerp realizou 2.400 entrevistas remotas, entre os dias 6 e 10 de agosto, com eleitores de cinco regiões do Brasil. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-08045/2026.

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Moraes determina busca e apreensão contra fonte de jornalista que denunciou suposto uso irregular de carros oficiais por Flávio Dino no Maranhão

Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre o ministro Flávio Dino. A informação é do blog do jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil.

As reportagens de Luís Pablo denunciavam suposto uso irregular de carros oficiais por Dino e familiares no Maranhão. O jornalista também havia sido alvo de busca e apreensão em março, no âmbito da mesma investigação.

Segundo o advogado de Cutrim, José Berilo de Freitas Leite, a decisão teve como base a quebra do sigilo dos aparelhos do jornalista, que teria identificado o ex-secretário como responsável pelo fornecimento das informações.

A defesa de Cutrim afirma que as operações passaram a investigar a fonte e o advogado do jornalista, mas que as denúncias sobre o uso dos veículos oficiais não foram apuradas.

Cutrim é delegado aposentado da Polícia Federal, ex-secretário de Segurança do Maranhão e ex-deputado estadual. Ele é adversário político de Dino.

Aliados do ministro negam irregularidades e afirmam que o carro particular de Dino era seguido, não se tratando de uso de veículo oficial. Também dizem que o jornalista teria cobrado R$ 100 mil para publicar as reportagens.

Luís Pablo nega ter seguido Dino ou seus familiares e afirma que o uso de veículos oficiais é comprovado. Ele também nega ter recebido dinheiro para publicar as reportagens.

Com informações do blog do jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil

Opinião dos leitores

  1. Com o fim da lava jato, feito pelo governo do bozo, era previsível que isso ia acontecer, ngm agora pode denunciar crimes do alto escalão do judiciário…mas no final, eles vão se comer a si mesmos, ninguém poderoso quer comer na mão de alguém.

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PESQUISA CNT/MDA: Flávio Bolsonaro reduz vantagem de Lula no 2º turno

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Agência Senado

Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (11) mostra Lula (PT) liderando em primeiro e segundo turnos contra Flávio Bolsonaro (PL).

Na pesquisa anterior, realizada em junho pelo mesmo instituto, Lula tinha 49% das intenções de voto no 2º turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro — ou seja, uma vantagem de 12 pontos percentuais (p.p.), que caiu para 9 pontos no último levantamento divulgado nesta terça (11).

Os entrevistados responderam à pergunta: “Em uma hipótese de 2º turno para presidente do Brasil, em quem o(a) Sr.(a) votaria?“. Veja os resultados:

  • Lula (PT): 48%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 39,1%
  • Brancos/nulos: 10,6%
  • Indecisos: 2,3%

O levantamento ouviu 2.002 eleitores presencialmente, de 5 a 9 de agosto. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) e tem nível de confiança de 95%, O registro no TSE é BR-06935/2026.

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Geral

Sindppen alerta para baixo efetivo e diz que policiais penais estão em risco no RN

Foto: Seap

O Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Norte (Sindppen-RN) voltou a alertar para as condições de trabalho nas unidades prisionais estaduais. De acordo com a presidente da entidade, Vilma Batista, o baixo efetivo, problemas em equipamentos de segurança e falhas no monitoramento estariam colocando policiais penais e internos em situação de risco.

Em entrevista ao programa Tribuna Livre, da Jovem Pan News Natal, nesta terça-feira (11), Vilma afirmou que a categoria vem denunciando os problemas desde 2023 e cobra uma reunião com o Governo do Estado para discutir a situação. Ela relatou que, em uma das unidades, policiais teriam passado oito dias sem realizar vistorias nas celas.

A presidente do sindicato também apontou problemas no monitoramento eletrônico e afirmou que equipamentos utilizados pelos policiais, como coletes e materiais de menor potencial ofensivo, estariam vencidos ou sem funcionamento adequado.

Diante do cenário, Vilma disse que a categoria avalia realizar uma paralisação. “A categoria está em pânico”, afirmou. Segundo ela, a mobilização seria uma forma de cobrar melhores condições de trabalho e reforçar a segurança dentro das unidades prisionais.

Com informações da Tribuna do Norte

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