




Fotos de Cláudio Abdon
Há quase 20 anos, o Hotel Reis Magos está desativado na Praia do Meio. Primeiro empreendimento do tipo na orla de Natal, o equipamento foi de símbolo de um apogeu passado à referência de degradação e abandono. Hoje é ponto de atividades pouco republicanas na Praia do Meio, como o tráfico, muito sexo, proliferação de mosquitos e muito, muito consumo de drogas.
A proposta de revitalização da Praia do Meio que a administração municipal quer empreender deu perspectiva do hotel voltar a ter utilidade. A empresa Pernambuco Hotéis, proprietária do Reis Magos, e a Prefeitura de Natal firmaram entendimento de um projeto para construir uma galeria no local. Tudo ia bem, até o Ministério Público decidir se meter.
Em uma ação inacreditável, a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente quer impedir a demolição do hotel porque descobriu, só agora, e porque foi provocada – vamos repetir – e porque foi provocada – que o Hotel Reis Magos pode ter valor cultural para a cidade, razão pela qual a demolição é impensável.
A história está contada no Novo Jornal. Quem provocou a promotoria foi o Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico, entidade de cuja existência só sabemos agora porque está ganhando holofote com o assunto.
Uma pergunta se faz necessária: onde estavam e o que faziam o Ministério Público e o instituto referido nos últimos 18 anos, que não cuidaram de saber, sequer, se o equipamento estava sendo bem preservado?
A ação despropositada do Ministério Público não se propõe a evitar a demolição e pede parecer da Funcarte e FJA para saber se há valor histórico. Se contatado tal valor, que o hotel não seja demolido. É uma lógica perversa e que atende a conhecido princípio de Natal, cidade onde tem sempre alguém disposto a pagar 200 para que outros não lucrem 20.
Como não cuidaram de se preocupar com o abandono do hotel nos últimos anos, a ação movida agora na Justiça não deveria ter sua legitimidade reconhecida. É óbvio que o benefício maior para a Praia do Meio e toda Natal é dar utilidade ao equipamento que hoje é símbolo de abandono.
As tentativas de ambientalismo do atraso devem ser podadas e superadas. Vamos convir que o dano ambiental está caracterizado há 18 anos. Agora que querem corrigir, quem mais deveria apoiar, adota o contrassenso como norte e vem se propor a embaralhar tudo.
Que valor histórico tem um prédio que, com certeza, foi erigido na segunda metade do século XX ? Só porque foi o primeiro hotel em uma orla? Respondo: NENHUM VALOR HISTÓRICO!
"Que valor histórico tem um prédio que, com certeza, foi erigido na segunda metade do século XX ?"
Do ponto de vista urbano, a partir da abertura/construção da Av. Café Filho e da Construção do Hotel Reis Magos a cidade se voltou para o mar, abrindo um potencial turístico, isso além do inegável valor da Arquitetura Modernista que, sim, está abandonada.
Reconhecer uma arquitetura de 50/60 anos não é fácil para muitos mas, essa arquitetura é o reflexo na arquitetura de um movimento cultural muito importante para a cultura brasileira: a Semana de Arte Moderna de 22 (se nunca ouviu falar, recomendo uma breve pesquisa). Por não termos ainda uma escola de arquitetura em Natal nesse período, nosso modernismo é tardio (a partir de 1955), porém, muito significativo, uma vez que nossos primeiros arquitetos foram formados no meio desse burburinho em Recife ou Rio de Janeiro e trouxeram para cá todas as características que estudaram juntamente com a cultura que vivenciaram até então.
Todos nós deveríamos, a despeito de outros estados que o fizeram, reconhecer a importância da Arquitetura Moderna no Brasil e em Natal.
Faço uma observação acerca de seu comentário: Brasília foi inaugurada em 1960. O fato de ter sido fundada na segunda metade do século XX desvaloriza historicamente esse patrimônio cultural? Senhores, precisamos rever nosso discurso e qualificar nossa discussão.
Interessante é que permitiram a completa demolição daquele prédio anexo a Rampa as margens do Potengi, que também tinha um valor histórico muito grande!!!!
É bem possível, aliás, que o Hotel Reis Magos nem sirva mais para nada. Abandonado em frente ao mar por nada menos de 18 anos, cabe agora ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura avaliar o improvável aproveitamento de sua estrutura física. Caso seja constatada a perda total do imóvel, aí sim o Ministério Público teria a obrigação moral de responsabilizar os pais legítimos desse "maior abandonado", inclusive sem tirar o seu da seringa.
Excelente alerta, BG, mas, pelo que percebi, não há nada de "ambientalismo" no caso, pois vc mesmo relata que a alegação é relativa a valor histórico.
No entanto, há equipamentos urbanos e mesmo prédios privados que, devido ao descaso e à deterioração e mesmo devido à impossibilidade de modernamente servirem ao propósito a que foram destinados originalmente, se tornam inservíveis. Sem pretensões de definir posições, dado que me faltam detalhes específicos sobre esta contestação oficial, me parece ser o caso do Hotel dos Reis Magos.
Trata-se claramente de um equipamento urbano deteriorado a tal ponto que se tornou inservível não apenas como hotel como para qualquer outro uso público. Mais do que representar um símbolo histórico, ele constitui hoje, insistentemente, o monumento-mor à deterioração deste bairro de Natal que deveria ser a Ipanema-Leblon da nossa cidade.
A insistência em "preservar"(?) o que já foi destruído pelo tempo e pelo descaso de várias administrações é impeditiva para que todo um plano de revitalização do entorno do hotel clássico deslanche.
O caso é simples, e carece apenas de objetividade: faz-se um estudo estrutural para averiguar se o prédio ainda é servível, e toma-se a decisão entre (i) tombá-lo e reformá-lo imediatamente ou, caso não haja condições, (ii) permitir que seus proprietários façam o que bem entenderem, claro, dentro das permissões e posturas acordadas com a Prefeitura de Natal.
O pior cenário é o que se tem há quase duas décadas. Um cartão postal do descaso e da desvalorização daquela que, a meu modesto ver, deveria ser a área mais valorizada da cidade.
Bruno, nesse aspecto concordo com você. O MP potiguar, principalmente através da sua Promotoria de Meio Ambiente, mais atrapalha do que ajuda. Sempre quando os governantes, finalmente, decidem resolver algum problema, ou a iniciativa privada resolve fazer algo de bom para a cidade, a Promotoria do Meio Ambiente entra no meio para dificultar. Conseguiram para o retorno das obras do Pró-Transporte na zona norte, não deixam fazer o emissário de águas dentro do mar em Ponta Negra, implicam com o projeto para aumentar a faixa de areia através de dragagem de areia do mar e agora com a revitalização da área do Hotel Reis Magos.
O Reis Magos e O Machadão, ondulantes, assim como a cobertura da Arena, são "imitações" da arquitetura insinuante e curva de Oscar Niemeyer, vide o complexo da lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, capital mineira, e Brasília (Distrito Federal). Porem demolir…
Quer dizer que qualquer entulho sinuoso agora deve ser preservado para lembrar a arquitetura de Oscar Niemeyer? Legal. Por que não preservar então aquele monumento à imbecilidade no prolongamento da Prudente de Morais? Quem é o imbecil que teima em arrumar desculpas de preservação histórica de entulhos??? Derrubem esse hotel e tentem fazer naquela praia algo útil.