Política

‘Isso aqui é Brasil, não vai funcionar!’, diz Mourão sobre passaporte da imunidade

Foto: Jorge William/ Agência O Globo

Na conversa, que terá a íntegra publicada nas plataformas de streaming na sexta-feira ao meio-dia, Mourão falou ainda dos desafios da próxima operaçao de Garantia da Lei de da Ordem que deve começar nos próximos dias na Amazônia e comentou o afastamento do presidente Jair Bolsonaro. Abaixo, os principais trechos.

Os índices de desmatamento bateram recordes históricos neste ano, apesar da compra do satélite Amazonia 1 e programas de mapeamento da floresta. Por que o desmatamento está aumentando?

O que eu tenho acompanhado é o avanço dos desmatadores em cima das terras públicas, e obviamente a União é responsável por fiscaliza. Hoje, é em torno de 25 municípios da Amazônia onde se concentram quase 90% do desmatamento ilegal. Solicitamos ao presidente da República autorização para uma nova operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) de modo que a gente consiga deter esse avanço da ilegalidade.

O relatório do Conselho da Amazônia diz que na última GLO diz que houve dificuldades de relacionamento entre as Forças Armadas e os órgãos de controle ambiental, que fiscalizam o desmatamento. Como o senhor resolverá esse problema?

Se não há cooperação de todos os organismos, a gente termina por não conseguir cumprir a tarefa. As Forças Armadas não são agências fiscalizadoras. Hoje (ontem) à tarde tenho uma reunião com a turma e vou procurar naquela conquista de corações e mentes trazer todo mundo junto e dizer: “Vamos superar as vaidades de cada grupo e vamos lembrar qual o nosso estado final desejado”.

O ministro Salles vai a essa reunião?

Olha, essa reunião é dos executivos. É de quem realmente mete a mão na massa.

Mas o senhor vai.

Porque é minha obrigação. Acho que o ministro está se preparando para a defesa dele em relação aos problemas que está enfrentando. Então, ele não tem comparecido às últimas reuniões.

Ele não tem recebido os avisos? Está sem celular, será?

É, parece que o celular a Polícia Federal levou.

Segundo a PF, o Ministério do Meio Ambiente não só vem diminuindo a fiscalização, como também mandou parar a cobrança de multas. Salles e a sua equipe estão sendo investigados por crimes que vão da formação de quadrilha à facilitação de contrabando. Colocar uma GLO na Amazônia por dois meses nesse cenário não é enxugar gelo?

As agências de fiscalização têm de comparecer. Já herdamos nossas agências com problemas de falta de pessoal. Esse é um assunto que tem de ser enfrentado. Não podemos continuar com metade do efetivo de dez anos atrás. Além disso, dessa metade, 70% está sentada no ar-condicionado. É preciso que haja uma recuperação da capacidade operacional dessas agências. Senão, vamos ter de continuar a empregar as Forças Armadas numa atividade que não é a missão principal delas e, consequentemente, sem ter maior eficácia.

O senhor falou com o presidente sobre isso?

Isso já foi mostrado ao presidente. Agora, é um assunto que tem de ser debatido com o Ministério da Economia. Acho que mil fiscais não vão nos deixar nem mais ricos nem mais pobres em termos orçamentários.

Quando o general Pazuello subiu no palanque de um ato a favor do presidente, o senhor defendeu que ele fosse punido pois, caso contrário, havia o risco de se estimular a anarquia nas Forças. O comandante do Exército, depois desse episódio, terá autoridade para coibir manifestações políticas de outros militares da ativa?

As Forças Armadas, em particular o Exército, não estão envolvidas na política. Apesar de nós termos alguns companheiros que ocupam cargos políticos no governo, na imensa maioria, são todos da reserva. Acho que Pazuello é o único da ativa hoje, e ele ocupa um cargo comissionado, não político. Todas as unidades estão na mão e na perna de seus comandantes e trabalhando de acordo com suas tarefas. Não vejo nenhum problema para o comandante Paulo Sérgio.

O senhor defendeu publicamente que Pazuello passasse para a reserva e disse em uma entrevista que sugeriu isso a ele. Outros oficiais fizeram a mesma sugestão e ele não foi. Por quê?

O Pazuello completa o prazo de permanência no generalato em julho de 2022. Eu acredito que no momento em que terminar a CPI (ele irá para a reserva). Ainda existe a possibilidade dele voltar a depor. Acredito que essa seja a preocupação dele. Em mais um ou dois meses, talvez ele vá para a reserva. Pazuello perdeu o lugar dele dentro do Exército. Não há mais função pra ele.

Não há mais função por conta desse episódio?

Não é nem por conta do episódio. Ele é o oficial de intendência mais antigo dentro do Exército. Então, ele deveria ocupar o cargo de sub-secretário de Economia e Finanças, que já está ocupado por outro general. Então, não tem lugar para ele.

Há uma preocupação disseminada de que as polícias militares, que têm muitos PMs bolsonaristas, se rebelem contra governadores de oposição, como aconteceu recentemente em Pernambuco e na Bahia. A lei diz que o Exército tem que fazer o controle e a supervisão desses agentes. A instituição vai contê-los em caso de insubordinação?

A questão das polícias militares vem desde a Constituição de 1988. A partir daí, os próprios governadores — não falo dos atuais, mas daqueles que exerceram a função — politizaram as PMs. Muitas vezes, escolheram como comandante não o mais antigo ou capacitado, mas alguém simpático politicamente àquele governo. Essa politização levou a policiais eleitos dentro do Congresso, Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais. Quando a PM entra em greve é um negócio muito grave, quase um motim. (Nesses casos) O Exército foi acionado e cumpriu sua missão. Já aconteceu no Espírito Santo, duas vezes na Bahia e no Ceará, em Pernambuco.

Mas não há esse risco na eleição, com a polarização política?

Existe uma análise que vem sendo feita na qual se procura dizer “o (então presidente Donald) Trump fez aquilo (invasão ao Congresso) nos Estados Unidos, vai ter uma milícia aqui que vai (fazer o mesmo)”. Você não pode comparar a sociedade americana com a brasileira. É óbvio que você encontra um número significativo de policiais simpáticos ao nosso governo e, em particular, ao presidente Bolsonaro, mas você também tem policiais que são simpáticos à esquerda, ao PT, seja lá quem for.

O senhor não está preocupado com o levante bolsonarista?

Em absoluto! Não tem espaço. Quando a gente procura um modelo histórico e quer transpor para o presente, tem de olhar quais são as causas profundas, as causas imediatas e aquilo que pode ser o pavio que incendeia e deflagra o processo. E o processo brasileiro é outro, totalmente diferente. Então, eu não temo nada disso daí.

O combate à pandemia também opõe o presidente aos governadores. O Congresso está discutindo um passaporte de imunidade a ser cobrado em locais públicos. O senhor concorda com a proposta?

Eu acho que não vai dar certo. Cada um terá de andar com um cartãozinho na carteira dizendo que foi vacinado. O cara na entrada do restaurante vai me cobrar isso? E no parque? Esse troço não vai funcionar. Isso aqui é Brasil, pelo amor de Deus! Vai ter falsificação do passaporte, venda no camelô. Você vai à Central do Brasil, aí no Rio, e vai comprar o passaporte para você. Agora, para viajar de um país para outro, acho que será necessário, como na questão da vacina da febre amarela e outras. No deslocamento dentro do país, é uma discussão inócua.

O senhor disse nesta semana que sente falta de ser convidado para as reuniões ministeriais, o que não tem acontecido. Por que o presidente não o tem convidado para as reuniões?

Eu já deixei muito claro ao presidente que ele tem a minha lealdade. Eu jamais vou maquinar contra ele, como já aconteceu no passado recente no nosso país. Ele sabe disso muito bem. Por outro lado, ele sabe que a minha visão de mundo em muitos assuntos é totalmente distinta da dele, assim como o meu modo de agir. Eu não entendo por que o presidente me exclui dessas reuniões. E eu lamento porque deixo de tomar conhecimento de assuntos que o governo está debatendo. Lembrando que eu, eventualmente, posso substituí-lo e ter de decidir sobre algum assunto desses, que eu não sei nada. Então, eu não vou tomar decisão nenhuma se eu for substituí-lo numa situação dessas.

O presidente disse ao senhor que seu nome não estará na chapa em 2022 por conta desse afastamento?

Até o momento, ele jamais falou pra mim de forma direta, ou seja, naquele papo reto, que não serei o companheiro de chapa dele. Agora, os indícios, as próprias declarações dele, são de que ele não deseja a minha companhia no seu projeto de reeleição. Ele também pode necessitar de um outro político ou partido em termos de composição político-partidária, um troço perfeitamente normal. Não tem nada demais isso pra mim.

O senhor tem dito que a sua opção preferencial para 2022 é ser candidato ao Senado. Essa candidatura, se ocorrer, seria pelo PRTB?

Fala-se que o PTB do Roberto Jefferson o sondou. Tem alguns partidos, até mesmo o PTB, que já me procuraram. Mas eu virei político sem ter uma trajetória política. Essa história de trocar de partido é a mesma coisa que deixar de torcer pelo Flamengo e passar a torcer pelo Fluminense, Vasco. Estou me acostumando com essas coisas. E também (falta) definir se serei realmente candidato.

Malu Gaspar – O Globo

 

Opinião dos leitores

  1. Já não funcionava antes e agora com o MINTOmaníaco das rachadinhas fazendo uma gestão pífia e se juntando a corruptos de carteirinha do centrão, piorou muito!

  2. Faltou altivez a Mourão, não sei se por lealdade aos dogmas militantes, ou mera acomodação ao cargo, vai terminar seu mandato como a (viúva Porcina). Foi vice Presidente da República do Brasil, sem nunca ter sido.
    costumou as restrições

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Política

MDB confirma mais três grandes lideranças na disputa por vagas na Assembleia

Foto: Divulgação

O MDB-RN segue consolidando uma nominata competitiva para as Eleições 2026 e confirmou a chegada de três importantes lideranças para compor a chapa de pré-candidatos a deputado estadual: Antônio Jácome, Josivan Bibiano e Ivan Júnior.

Antônio Jácome traz ao partido a experiência de quem já exerceu mandatos como deputado estadual, deputado federal e ocupou o cargo de vice-governador do RN.

Josivan Bibiano construiu sua história como prefeito de Serra do Mel por quatro mandatos, consolidando liderança na região Oeste e ampliando a presença do partido no interior do estado.

Já Ivan Júnior foi prefeito de Assu por dois mandatos e presidiu a Federação dos Municípios do RN (Femurn), período em que se destacou pela defesa dos municípios e pelo diálogo institucional com diversas regiões do RN.

Com as novas confirmações, o MDB se aproxima de fechar os 25 nomes que irão compor a nominata para deputado estadual, reforçando a estratégia de montar um time forte, representativo e competitivo em todas as regiões do estado.

A expectativa do partido é que, com um time forte, competitivo e distribuído em todas as regiões, consiga eleger pelo menos três a quatro deputados estaduais em 2026.

O presidente estadual do MDB, Walter Alves, destacou a importância das novas filiações e o momento vivido pelo partido. “Recebemos Antônio Jácome, Bibiano e Ivan Júnior com muita alegria e senso de responsabilidade. São lideranças com serviços prestados e reconhecimento popular. A chegada desses nomes mostra a força do MDB, a confiança no nosso projeto e a construção de uma nominata sólida, preparada para representar bem o RN”, afirmou.

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Política

Ex-secretária do “Careca do INSS” nega pagamentos a Lulinha e se esquiva de polêmica

Foto: Arquivo

Aline Cabral, ex-secretária de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, negou nesta segunda-feira (2), durante depoimento à CPMI do INSS, ter emitido passagens ou feito pagamentos a Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”. A negativa veio em resposta a questionamentos do deputado Rogério Correia (PT-MG).

Ao ser questionada pelo relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), Aline admitiu ter emitido passagens para Danielle Fonteles, publicitária ligada ao PT que trabalhava com Antunes, mas manteve que nunca pagou pelos bilhetes de Lulinha nem realizou qualquer pagamento em nome do filho do presidente Lula. Ela confirmou, porém, que tinha acesso ao cofre localizado na sede das empresas, em Brasília.

O depoimento acontece no contexto do escândalo que envolve Antunes e as associações ligadas ao INSS, revelado pelo Metrópoles a partir de dezembro de 2023. Segundo as investigações, a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados chegou a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto milhares de processos por fraude nas filiações eram registrados.

As apurações da Polícia Federal e da CGU resultaram na Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, que levou à demissão do presidente do INSS e do ministro da Previdência da época.

Aline Cabral disse não ter participado do esquema e que desconhecia a origem da fortuna de Antunes ao ser contratada. Ela iniciou como secretária, cuidando de passagens e imóveis, e depois assumiu o cargo de chefe de Gestão de Pessoas nas empresas de telemarketing do lobista, permanecendo no centro das operações administrativas, mas sem envolvimento nos pagamentos questionados pela CPMI.

 

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Geral

Moraes barra defesa de Tagliaferro e confirma audiência do ex-assessor para 17 de março

Foto: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, rejeitou nesta segunda-feira (2) o pedido da defesa de Eduardo Tagliaferro para anular a citação no processo em que ele é réu. O ex-assessor queria que a Justiça reconhecesse “nulidade absoluta” da citação por edital e determinasse que fosse feita exclusivamente por carta rogatória — instrumento usado para atos processuais no exterior.

Na decisão, Moraes afirmou que determinou a citação por edital porque Tagliaferro está “em local incerto e não sabido”, ou seja, com endereço desconhecido, e atualmente em país estrangeiro. Segundo o ministro, há “ciência inequívoca” da acusação por parte do réu, o que afastaria qualquer prejuízo à defesa. Por isso, indeferiu o pedido.

Tagliaferro responde por suposta prática de três crimes: coação no curso do processo, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Citação é o ato que chama oficialmente o réu para integrar o processo e apresentar defesa.

Moraes também marcou audiência de instrução para 17 de março, às 13h, por videoconferência. O ato será presidido pela juíza auxiliar Flávia Martins de Carvalho, do gabinete do ministro, e ouvirá testemunhas arroladas na denúncia, além do interrogatório do réu.

Em novembro do ano passado, a Primeira Turma do STF tornou Tagliaferro réu após denúncia da PGR, que sustenta que, entre maio e agosto, ele teria violado sigilo funcional ao divulgar diálogos mantidos com servidores do STF e do TSE, além de embaraçar investigações. Também afirma que ele teria ameaçado revelar novas informações sigilosas após deixar o Brasil.

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Política

Brisa Bracchi vai depor no mesmo dia em que pode perder o mandato

Foto: Sarah Carvalho/CMNAT

A vereadora Brisa Bracchi (PT) foi notificada para prestar depoimento pessoal nesta quinta-feira (5), às 17h, na Sala de Reuniões da Presidência da Câmara de Natal. A data coincide com o encerramento do prazo máximo para a deliberação sobre o pedido de cassação do mandato da parlamentar.

O processo contra Brisa começou em 26 de novembro de 2025, depois que uma denúncia anterior foi arquivada. Em 19 de dezembro, a vereadora apresentou defesa prévia, negando irregularidades na destinação de emendas parlamentares e alegando perseguição política.

A representação é do vereador Matheus Faustino (União). Ele acusa Brisa de ter usado R$ 18 mil de emenda para custear o evento cultural “Rolé Vermelho”, realizado em 9 de agosto, que, segundo Faustino, acabou se transformando em ato político-partidário.

A vereadora publicou, na véspera, vídeo afirmando que a atividade celebraria a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após repercussão, os artistas renunciaram aos cachês, eliminando qualquer prejuízo ao erário.

Faustino também aponta que Brisa teria direcionado emendas a eventos com cobrança de ingresso, o que, segundo ele, caracterizaria enriquecimento privado com verba pública, desvio de finalidade e uso político-ideológico de recursos culturais.

A desembargadora Martha Danyelle determinou em 26 de fevereiro a reabertura da fase de instrução, atendendo a recurso da parlamentar que alegou não ter sido ouvida pessoalmente antes do fim da etapa inicial.

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Política

Flávio assume defesa de Bolsonaro no STF e pode ampliar visitas na Papudinha

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O ex-presidente Jair Bolsonaro incluiu o filho, o senador Flávio Bolsonaro, como um dos advogados na ação de execução penal que tramita no STF, no âmbito do inquérito da tentativa de golpe. A designação foi formalizada por petição protocolada na tarde de segunda-feira (2) pelos demais integrantes da defesa.

O documento informa que Bolsonaro “substabelece com reservas de iguais poderes” ao advogado Flávio Nantes Bolsonaro, inscrito na OAB no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A inclusão também foi confirmada pelo senador, por meio de nota, conforme o Metrópoles.

Caso o pedido seja aceito pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, Flávio poderá ter mais liberdade para visitar o pai na Papudinha. Pela legislação, advogados podem visitar clientes diariamente e mais de uma vez por dia — diferente de familiares e amigos. Até então, como filho, ele estava autorizado a visitar Bolsonaro às quartas-feiras e aos sábados.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no processo da tentativa de golpe. Flávio é advogado com situação regular na OAB e passa a integrar oficialmente a equipe de defesa no caso que corre no STF.

 

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Política

FARRA DO INSS: Mendonça libera inquérito à defesa de Lulinha após PF pedir investigação

Foto: Reprodução/Redes sociais

O ministro André Mendonça, do STF, liberou o acesso da defesa de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, ao inquérito da Polícia Federal que apura a chamada “Farra do INSS”. A defesa havia solicitado vista dos autos em 19 de janeiro.

A PF pediu autorização ao STF para investigar Lulinha depois que o nome dele apareceu em mensagens ligadas ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ele está preso desde setembro, sob suspeita de comandar um esquema milionário de fraudes previdenciárias.

Segundo a investigação, Lulinha foi citado como possível sócio oculto do lobista e é suspeito de ter recebido uma mesada de R$ 300 mil, de acordo com o depoimento de uma testemunha. A defesa nega qualquer envolvimento, afirma que ele não é sócio oculto e diz que nunca recebeu valores do empresário. O advogado Guilherme Suguimori Santos declarou que prestará esclarecimentos ao STF, “foro adequado para a apuração”.

A pedido da PF, Mendonça autorizou a quebra do sigilo bancário de Lulinha. Já a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS também aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal em reunião tumultuada; a base governista contesta a contagem de votos e acusa a presidência do colegiado de irregularidade.

Conforme revelado em janeiro, mensagens apreendidas mostram que o Careca do INSS teria mandado entregar um medicamento no apartamento onde Lulinha morava, em São Paulo, em dezembro de 2024; ele afirmou desconhecer o fato e negou relação de proximidade com o lobista.

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Mundo

Irã fecha Estreito de Ormuz e ameaça queimar navios que tentarem atravessar a rota do petróleo

Foto: Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images

O Irã declarou nesta segunda-feira (2) o fechamento total do Estreito de Ormuz, rota marítima vital por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, e avisou que qualquer navio que tentar passar será atacado ou incendiado, segundo a própria Guarda Revolucionária iraniana.

Foto: Reprodução/Metrópoles

A medida é uma resposta direta aos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel que mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em ofensiva iniciada no último sábado (28). A Guarda Revolucionária anunciou que Forças Armadas e marinha irão agir para impedir a passagem de embarcações na área.

Foto: Getty Images

O bloqueio já está afetando o mercado de petróleo: o preço do barril de Brent subiu para cotas recordes em meses, refletindo o risco de escassez global se a crise se estender. Navios comerciais e empresas do setor já suspenderam a travessia, e companhias de seguro marítimo cancelaram coberturas de risco de guerra no Golfo, elevando o custo do transporte.

 

Opinião dos leitores

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Saúde

Alta procura: 108 candidatos disputam vagas na Residência Médica do Hospital do Coração

Foto: Divulgação

O Hospital do Coração deu início, nesta segunda-feira (2), às atividades da nova turma de Residência Médica. O processo seletivo contou com 108 candidatos inscritos, que disputaram vagas nas especialidades de Anestesiologia, Cardiologia e Medicina Intensiva.

Reconhecido pela formação de especialistas altamente qualificados, o Programa de Residência em Cardiologia da instituição é credenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), e possui duração de dois anos. A certificação assegura que o programa atende aos critérios nacionais de qualidade e às diretrizes estabelecidas para a formação médica no país.

A Residência Médica é considerada o padrão-ouro na especialização de profissionais da área da saúde, por aliar formação teórica consistente à prática intensiva supervisionada. Durante o período de formação, os residentes atuam diretamente na assistência hospitalar, acompanhando casos clínicos, participando de procedimentos e integrando equipes multiprofissionais.

Mais do que formar especialistas, o Hospital do Coração reforça seu compromisso como instituição de ensino e de transformação social. Ao investir na qualificação médica, a unidade contribui para o fortalecimento da assistência em saúde, promovendo atendimento com excelência técnica, ética profissional e compromisso com a vida.

A chegada da nova turma marca mais um ciclo de formação e reafirma o papel da instituição como referência na capacitação de médicos e no cuidado cardiovascular.

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Economia

Carnaval de Natal movimenta quase R$ 339 milhões e gera R$ 18,83 para cada R$ 1 investido, aponta pesquisa

Foto: Reprodução

O Carnaval de Natal 2026 movimentou cerca de R$ 338,98 milhões na economia da capital, segundo a pesquisa “Perfil do Folião do Carnaval de Natal 2026”, do Observatório Potiguar de Inovação do Turismo (Opotur), ligado à UERN. O valor representa crescimento de 12,8% em relação ao ano anterior. O levantamento aponta ainda que, para cada R$ 1 investido pela Prefeitura do Natal, o retorno estimado foi de R$ 18,83 para a economia local e os cofres públicos.

De acordo com o estudo, o evento reuniu público estimado em 1,065 milhão de pessoas, considerando as prévias e os dias oficiais de programação. A ampliação dos polos carnavalescos ajudou a manter os natalenses na cidade, o que aumentou o consumo em setores como alimentação, lazer, transporte urbano e serviços.

A pesquisa também registrou ocupação média próxima de 80% na rede hoteleira durante o período. Houve maior circulação de recursos em áreas tradicionais da festa, como Petrópolis, Ponta Negra e Redinha.

Mesmo com predominância de público local, o levantamento aponta impacto positivo na imagem turística de Natal. Segundo os dados, 92,4% dos participantes afirmaram que recomendariam o Carnaval e 88,5% disseram que pretendem voltar na próxima edição, reforçando o papel do evento como gerador de atividade econômica e visibilidade para a capital.

Veja o resultado completo da pesquisa AQUI.

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Política

CPMI mantém quebra de sigilos de Lulinha e presidente rebate acusação de “fraude” do PT

Foto: Andressa Anholete/Senado

O presidente da CPMI que investiga fraudes no INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta segunda-feira (2) que foi legítima a votação que aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). Segundo ele, não houve erro no procedimento.

“Não houve nenhum erro na votação, está muito claro que seguimos o Regimento o tempo inteiro”, declarou. A votação ocorreu na quinta-feira (26) e terminou em tumulto, após parlamentares governistas questionarem a contagem dos votos e o formato adotado.

De acordo com Viana, a votação em bloco foi solicitada pelo próprio governo, com base no Regimento. Ele também afirmou que a verificação de quórum passou a valer pelo painel eletrônico de presença, que registrou 31 parlamentares no momento da deliberação.

Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) apresentou questão de ordem pedindo a anulação do resultado e disse ter formalizado à Mesa Diretora um comunicado “a respeito da fraude”.

“As imagens, as fotos oficiais, bem como a declaração assinada, são provas inequívocas de que ocorreu uma fraude. Houve uma decisão de fraudar a decisão. Não foi erro, fraudaram, por má-fé, por opção do presidente”, afirmou.

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