Política

Janaina Paschoal diz não haver motivo para afastar Bolsonaro e quer Moro na disputa presidencial em 2022

Foto: Reprodução/YouTube

Uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff em 2015, ao lado dos juristas Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo, a advogada e professora de direito da USP Janaina Paschoal virou referência do antipetismo, uma das estrelas da onda conservadora e quase se tornou vice de Jair Bolsonaro em 2018. Acabou disputando uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo e, com 2 060 786 votos, se tornou a deputada mais votada da história do país. Hoje, vive uma relação dúbia com o bolsonarismo: diz que o presidente acerta no geral, mas critica os seus destemperos, o comportamento inadequado na pandemia e o círculo de pessoas mais próximas a ele, de quem cobra uma postura mais incisiva para controlar os impulsos presidenciais em um momento de grave tensão política. Janaina também ataca a oposição e a CPI e diz que, por ora, não vê motivo para o impeachment, mas entende que isso pode mudar a depender da investigação sobre a compra da vacina Covaxin. Em entrevista por aplicativo de vídeo, ela anuncia a sua saída do PSL, conta que em 2022 tentará chegar a Brasília por meio do Senado e que torce por uma terceira via na eleição presidencial — hoje, seu candidato seria Sergio Moro.

Corremos algum risco de não ter eleições em 2022, como já ventilou o presidente? Nenhum. As instituições no Brasil são muito sólidas. É mais uma retórica do presidente do que uma ameaça real.

Em 2018, a senhora foi convidada para ser vice de Bolsonaro e recusou. Como o avalia hoje? No geral, ele acerta nos méritos, mas erra muito na forma como defende suas ideias. Eu considero muito ruim essa resistência em ser um exemplo, um líder que usa máscara, que não aglomera. Por outro lado, ele tomou medidas importantes, como adotar o auxílio emergencial com rapidez e defender o tratamento no início da doença, que eu apoio. Só que o tom é sempre acima e gera reações. Vivemos um clima de constante tensão. Eu busco interlocutores dele para falar sobre isso, mas eles conseguem ser mais radicais que o presidente. Então, fica difícil.

O país conta hoje mais de 550 000 mortos pela Covid-19. Isso não foi um erro grave do governo? Sempre se pode dizer que isso ou aquilo poderia ter sido feito diferente. Mas daí a atribuir o número de mortes ao presidente me parece má-fé, porque, proporcionalmente, morreu mais gente em São Paulo do que no Brasil. E João Doria foi o anti-Bolsonaro. Seria justo atribuir as mortes ao governador? Não seria, como também não é atribuir tudo ao presidente. Tanto que até surgir essa história do contrato com a Covaxin, a CPI era um acontecimento vazio, um palanque de políticos decadentes que tentam corroer o governo.

No caso Covaxin, o presidente reconheceu recentemente que foi alertado sobre supostas irregularidades na negociação. Esse episódio não complica muito a vida de Bolsonaro? Vai ter de apurar esse caso, mas eu não acho que o local adequado seja a CPI, que se perdeu. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-­MG), deveria pegar os documentos referentes a essa contratação e levar ao Ministério Público ou à Polícia Federal. Tem de ouvir esse deputado Luis Miranda (DEM-DF) de novo em um ambiente técnico, para ele falar tudo o que sabe. Não é razoável ele prestar depoimento e depois sair dando entrevista dizendo: “Olha, eu tenho mais”. Isso é chantagem.

“Vamos imaginar que o caso Covaxin chegue a Bolsonaro e se conclua que ele tenha deixado de agir em função de alguém muito próximo. Aí é outra história, teremos algo concreto”

A senhora defendeu a tese de que Bolsonaro afastasse todos os citados nessa possível negociata da Covaxin, inclusive o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). O presidente está reagindo mal ao episódio? Ele demora muito para tomar decisões. O certo seria afastar, não por reconhecer que o seu líder tem culpa, não é isso. Mas, na medida em que a situação está tão nebulosa, afasta, as coisas se esclarecem e, dependendo, ele volta.

Como a senhora avalia esse último pedido de impeachment, que aponta 23 crimes do presidente? Ele não tem condição de ser apurado, porque está muito mal redigido. São 270 páginas de junção de pedidos anteriores sem enquadrar os fatos na letra da lei. Há alguns requisitos para apresentar uma denúncia, não é apenas o desejo e ter uma lista de assinaturas. As pessoas confundem um pouco as coisas. Vamos imaginar que a investigação em torno da vacina chegue a Bolsonaro ou a um filho dele ou se conclua que o presidente tenha deixado de agir em função do envolvimento de alguém muito próximo. Aí é outra história. Até agora o que a oposição está falando é “o presidente é um genocida…”. Desculpe, isso não é crime de responsabilidade. A gente tem de aguardar a investigação da compra de vacinas e, se houver algo concreto, apresentar uma peça juridicamente apta.

Havia mais motivos para o impeachment de Dilma do que há para o de Bolsonaro? Sim, com certeza. Foram treze anos de desmandos, de bilhões saindo do BNDES para empresários escolhidos, de dinheiro remetido ao exterior para obras que não tinham impacto no âmbito nacional. As pedaladas foram um expediente fiscal para encobrir esses bilhões.

Em sua insistente campanha em defesa do voto impresso, o presidente chamou o ministro Luís Roberto Barroso do STF e do TSE de “idiota” e “imbecil” e disse que “a fraude está no TSE”. Não é esticar a corda demais? Todos estão esticando. É a nota do Exército (criticando a CPI), a entrevista do comandante da Aeronáutica, as agressões verbais do presidente, mas também há os excessos dos ministros do Supremo. Há muito eles não agem dentro dos limites constitucionais. À medida que Barroso entra na discussão, que está no Congresso, como um agente político, é natural que entre em um embate também. Os ministros têm de decidir se são membros do Judiciário, que aguardam a causa chegar para avaliá-la tecnicamente, ou se são agentes políticos — nesse caso, ao serem confrontados, têm de aguentar o tranco. É hora de recuar, não só para Bolsonaro, mas para os ministros também. Está faltando aquela voz de cautela, chamar as pessoas à razão.

Outro foco de crise tem sido os militares. O que acha deles no governo? O presidente poderia rever, buscar quadros não militares para ocupar espaços. Tem muita gente assustada com isso, acreditando que é algo planejado, com finalidade. Então, ele deveria rever, até para dar um viés mais plural ao governo. Não tenho preconceito contra militares, mas isso está gerando uma tensão que não é positiva.

Hoje, o principal adversário de Bolsonaro em 2022 é o ex-presidente Lula. O que a senhora, que foi algoz do PT, acha da volta dele ao jogo eleitoral? Sou do mundo do direito. Concordando ou não, houve uma decisão. Ele recuperou os direitos, é natural que queira concorrer. Mas se a disputa em 2022 for entre Lula e Bolsonaro, votarei de novo em Bolsonaro.

A senhora descarta uma terceira via? O país precisa de um pouco mais de tranquilidade. Esse estilo do presidente, de governar no conflito, não é saudável, é preciso alguém com mais consciência dos papéis constitucionais. Os próprios apoiadores cobram dele essa postura de constante guerrilha, é algo parecido com o PT. Gostaria de votar num candidato com mais consistência. Se o ex-juiz Sergio Moro se candidatasse, eu o apoiaria, mesmo correndo o risco de tirar voto de Bolsonaro. Queria que conseguíssemos criar uma dupla, a Presidência da República tem de ser exercida numa chapa, com um vice que não seja decorativo. Uma conversa que tive com o presidente lá atrás, e que foi muito mal recebida pelo entorno dele, foi nesse sentido: eu queria estabelecer funções para cada um, e acharam que eu queria invadir a competência dele. O vice é um posto muito estratégico, então eu quero ver se surge uma chapa menos personalista e mais preocupada com as instituições. Como sou otimista, creio que há tempo para não termos de nos conformar com Lula ou Bolsonaro.

Por falar na importância do vice, como avalia o papel de Hamilton Mourão? Embora um seja general e o outro, capitão, quem manda é o presidente. Mourão adota uma postura de acatar a hierarquia. Eu não seria como ele. Sou do tipo que invade a sala, e a pessoa tem de me ouvir. É para o bem, não é no intuito de confrontar, tem hora que você precisa fazer isso.

Uma alternativa colocada à mesa nas últimas semanas para evitar novas crises de governo foi a da adoção do semipresidencialismo. O que acha da ideia? Não há sentido nesse tipo de discussão. Vejo o semipresidencialismo como abrandamento ao parlamentarismo. Eu sigo sendo presidencialista. A Constituição tem instrumentos contra um governante que pratica crime de responsabilidade, como o impeachment. Fragilizar a República presidencialista pode trazer ainda mais instabilidade.

“Gostaria de votar para a Presidência num candidato com mais consistência. Eu apoiaria o ex-juiz Sergio Moro se ele se candidatasse, mesmo correndo o risco de tirar votos do Bolsonaro”

Nas últimas semanas, tem tido algum contato com o presidente? Depois da eleição, poucas vezes, em uma ou outra solenidade. Mas um contato de telefone, para trocar ideias, nenhum. Porque o entorno dele acredita que você tem de concordar com tudo, de aplaudir tudo. Então, é muito difícil, porque eu não sou isso. Eu ligaria para o presidente para dizer: “Chega!”. Se estou perto, arranco o telefone dele para que não acesse o Twitter. Tem hora que é preciso fazer uma intervenção, a pessoa tem de ser protegida de si própria.

Depois de descartar a possibilidade de ser vice de Bolsonaro, a senhora foi eleita deputada com uma votação espetacular, mas teve só um projeto aprovado até agora no Legislativo. Está frustrada com a vida parlamentar? A morosidade na Assembleia é muito grande, sou uma pessoa muito agitada e isso me incomoda. A competência estadual é muito restritiva. Se estivesse no âmbito federal…

Será mesmo candidata ao Senado por São Paulo em 2022? Tentarei, sim, o Senado, que é o cargo que mais se afina com o meu perfil. Não tenho vontade de ser deputada federal. Aquilo lá é uma balbúrdia, mais de 500 pessoas. Gosto de fazer um trabalho artesanal. Quando tenho um projeto, bato na porta de cada colega. Na Câmara eu não me sentia bem nem durante o impeachment, era um lugar horrível.

A senhora fica no PSL? Já avisei que não vou ficar. Tive uma reunião com o PRTB, mas não tenho pressa. Sou defensora das candidaturas avulsas, espero que o ministro Barroso dê uma liminar permitindo isso. Acho que o PSL está muito perdido, não sabe o que quer e o que não quer. Fico preocupada de estar amarrada a uma sigla tão indefinida.

Veja

 

 

Opinião dos leitores

  1. Ta pouca a destruição que Bolsonaro está fazendo com o Brasil. Na visão dela precisa de mais…

    1. Vá se tratar, tem psquiatra pelo sus, tá assim pq perdeu uma boquinha?

  2. Não vou nem falar da prevaricação no caso da Covaxin. Mentira deliberada, como Bozo faz diariamente, já é motivo mais que suficiente para afastar esse demente.

    1. Sabe o que é prevaricação? Um dos crimes que o governo instalado de 2003 a 2018 cometeu no Brasil.
      Exatamente por ter responsabilidade e respeito as leis, o governo federal não prevaricou.
      Não comprou vacina sem aprovação da anvisa como queria a esquerda.
      Não comprou vacina acima do preço praticado pelo mercado internacional como queria a esquerda.
      Não aceitou fazer o jogo dos corruptos, com a desculpa da pandemia, como eles tentaram impor as ações ao governo. Nas se quiser ver e saber o que é prevaricação, é só acompanhar o consórcio nordeste

    2. O governo não concretizou a compra das vacinas porque foi pego com a boca na botija, mas o dinheiro foi empenhado. Foi impedido de terminar o crime iniciado. Esse é o governo da mentira.

  3. O Juiz Moro será nossa salvação. Nós, brasileiros, temos que nos unirmos em prol da sua eleição. Pensar de outra maneira é levar o país ao caos; sem rumo. Precisamos de uma liderança não tisnada ainda pela germe da corrupção.

    1. Moro foi uma das enormes decepções que tive. Se mostrou um menino a serviço do PSDB. Ele condenou políticos de todos os partidos e protegeu Aécio de forma inquestionável. Não teve 01 político do PSDB que ele tenha sentenciado e ali existem muitos com conduta questionável, fato!

    2. Não fala merda Tarcísio, a lava jato condenou o ex governador de MG Eduardo Azeredo, que praticava o mensalão mineiro.

  4. Afastar???
    Porquê!
    Kkkkkkk
    Eleições limpas Já!
    Mito no primeiro turno.
    Ponto final.
    Tá com medo de quê??
    O ladrão de nove dedos tá com 60%.
    Porque o medo?
    Kkkkkkkkkkkkkk
    Aí tem viu???

    1. Essa é outra igual a Joice Hasselmann. Depois dessa Live de ontem tão tudo doido pq muita gente concorda com o presidente, na questão do voto impresso auditavel.

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PESQUISA GERP: Flávio tem 50% e Lula, 43% no 2º turno

Foto: Divulgação / PR e Agência Senado

Levantamento da Gerp divulgado nesta quinta-feira (14) mostra o senador Flávio Bolsonaro à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026.

Segundo a pesquisa, Flávio Bolsonaro tem 50% das intenções de voto, contra 43% de Lula.

O levantamento foi realizado antes da divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro aparece pedindo dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro.

O Gerp também mediu o grau de decisão dos eleitores. Entre os entrevistados que declararam voto em Lula, 83% afirmaram que a escolha está “totalmente definida”, enquanto 6% disseram que ainda podem mudar de ideia.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas em todo o país entre os dias 8 e 12 de maio de 2026. A margem de erro é de 2,24 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95,5%.

O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03369/2026. Segundo a Gerp, a pesquisa custou R$ 20 mil e foi financiada com recursos próprios.

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SELEÇÃO BRASILEIRA: Antes da Copa do Mundo 2026, CBF renova contrato com técnico Carlo Ancelotti até 2030


Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Antes mesmo do início da Copa do Mundo de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) renovou o contrato do técnico Carlo Ancelotti por mais quatro anos. O anúncio aconteceu nesta quinta-feira e o treinador italiano ficará no comando da seleção brasileira até o Mundial de 2030.

Há um ano cheguei ao Brasil. Desde o primeiro minuto, entendi o que o futebol significa para este país. Há um ano, estamos trabalhando para levar a Seleção Brasileira de volta ao topo do mundo. Mas a CBF e eu queremos mais. Mais vitórias, mais tempo, mais trabalho. Estamos muito felizes em anunciar que continuaremos juntos por mais quatro anos. Vamos juntos até a Copa do Mundo de 2030. Quero agradecer a CBF pela confiança. Obrigado, Brasil, pela calorosa recepção e por todo o carinho — disse Ancelotti.

Ancelotti foi anunciado como técnico da seleção brasileira em maio de 2025. Em um ano de trabalho, ele dirigiu o time brasileiro em dez jogos, com cinco vitórias, dois empates e três derrotas. A equipe, sob seu comando, marcou 18 gols e sofreu oito.

Segundo apurou o blog do Diogo Dantas, Ancelotti terá o mesmo salário firmado em maio de 2025: 10 milhões de euros anuais (R$ 59,3 milhões). O que dá R$ 5 milhões por mês, maior da história pago a um técnico da seleção brasileira. Os auxiliares diretos Paul Clement e Francisco Mauri, o preparador físico Mino Fulco e o analista de desempenho Simone Montanaro terão uma valorização, também pedida por Ancelotti.

Depois de renovar o contrato, Ancelotti agora se concentra na convocação final para a Copa do Mundo, marcada para a próxima segunda-feira, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O Brasil está no grupo C do Mundial, junto de Marrocos, Haiti e Escócia.

O presidente da CBF, Samir Xaud, celebrou a renovação de contrato de Carlo Ancelotti e destacou o projeto esportivo da entidade para os próximos anos.

Hoje é um dia histórico para a CBF e para o futebol brasileiro. A renovação de Carlo Ancelotti representa mais um passo firme do nosso compromisso de oferecer à Seleção pentacampeã do mundo uma estrutura cada vez mais forte, moderna e competitiva. Trabalhamos diariamente para manter o Brasil no mais alto nível do futebol mundial, sem deixar de olhar com atenção para o desenvolvimento das demais seleções, das competições organizadas pela CBF e o fortalecimento de clubes e federações em todo o país — declarou Samir Xaud.

O Globo

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Açudes em Caraúbas, Rodolfo Fernandes e Antônio Martins sangram após recarga das chuvas; reservas hídricas do RN atingem mais de 52% da capacidade

Imagens: Alexandre Barbosa

Os açudes Apanha Peixe, em Caraúbas, Sossego, em Rodolfo Fernandes, e Corredor, em Antônio Martins, atingiram 100% da capacidade e começaram a sangrar nesta semana. Com as recentes chuvas, as reservas hídricas do Rio Grande do Norte chegaram a 52,34% da capacidade total, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (14) pelo Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte.

Os 69 reservatórios monitorados acumulam atualmente 2,77 bilhões de metros cúbicos de água, de uma capacidade total de 5,29 bilhões. Na última segunda-feira (11), o índice era de 50,91%.

Ao todo, 36 reservatórios registraram aumento no volume de água nos últimos dias.

O açude Apanha Peixe, com capacidade para 10 milhões de metros cúbicos, completou o volume máximo nesta quinta-feira. O açude Sossego, com capacidade para 2,35 milhões de metros cúbicos, saiu de 95,99% para 100% e também começou a verter.

Já o açude Corredor recebeu mais de 41% de recarga desde segunda-feira e atingiu a capacidade total de 4,64 milhões de metros cúbicos.

Outro destaque foi o açude Rodeador, em Umarizal, que passou de 64,66% para 83,33% da capacidade, acumulando mais de 17,8 milhões de metros cúbicos.

Atualmente, 19 reservatórios estão com 100% da capacidade. São eles:

  • Campo Grande, em São Paulo do Potengi;
  • os açudes públicos de Marcelino, Riacho da Cruz e Encanto;
  • Passagem, Sossego e Riachão, em Rodolfo Fernandes;
  • Beldroega, em Paraú;
  • Corredor, em Antônio Martins;
  • Apanha Peixe, em Caraúbas;
  • Curraes, em Patu;
  • Arapuã, em José da Penha;
  • Tesoura, em Francisco Dantas;
  • Inspetoria, em Umarizal;
  • Dinamarca, em Serra Negra do Norte;
  • e as lagoas do Jiqui, Pium, Extremoz e Boqueirão.

Outros reservatórios estão próximos da sangria, como Novo Angicos, em Angicos, com 98,03%, e Pinga, em Cerro Corá, com 94,13%.

A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do estado, acumula 1,05 bilhão de metros cúbicos, o equivalente a 44,51% da capacidade total.

A Barragem de Oiticica, segunda maior do RN, chegou a 72,87% da capacidade, com mais de 541 milhões de metros cúbicos armazenados.

A barragem Santa Cruz do Apodi está com 69,24% da capacidade, enquanto a barragem Umari, em Upanema, atingiu 64,15%.

Apesar da melhora no cenário hídrico, dez reservatórios seguem em situação crítica, com menos de 10% da capacidade:

  • Itans, em Caicó (0,74%);
  • Passagem das Traíras, em São José do Seridó (0,13%);
  • Esguicho, em Ouro Branco (8,05%);
  • Dourado, em Currais Novos (4,53%);
  • Jesus Maria José, em Tenente Ananias (1,63%);
  • Zangarelhas, em Jardim do Seridó (5,65%);
  • Alecrim, em Santana do Matos (4,30%);
  • 25 de Março, em Pau dos Ferros (9,36%);
  • Totoro, em Currais Novos (2,27%);
  • e Mundo Novo, em Caicó (4,45%).

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MEC entregou menos de 40% dos livros em braille previstos para alunos cegos da rede pública em 2026

Foto: Pexels

O Ministério da Educação entregou menos de 40% dos livros em braille previstos para estudantes cegos da rede pública em 2026. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, apenas 7.354 exemplares haviam chegado às escolas até esta quarta-feira (13), de um total de 19.373 obras programadas para distribuição.

A previsão do órgão é concluir as entregas apenas em junho, já no fim do primeiro semestre letivo.

Os materiais fazem parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), responsável por fornecer obras adaptadas para alunos cegos e surdo-cegos da educação pública.

Especialistas afirmam que a falta dos livros compromete o aprendizado e a autonomia dos estudantes com deficiência visual, já que o braille é considerado essencial para o desenvolvimento cognitivo e para a realização de atividades fora da sala de aula.

O atraso já havia sido denunciado em fevereiro pela Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva. Na época, o FNDE prometeu entregar 22,3 mil livros até março, mas o número foi posteriormente reduzido para 19,3 mil após atualização cadastral.

A entidade afirma que o governo reagiu ao problema, mas de forma tardia e insuficiente. Segundo a associação, muitos estudantes já tiveram prejuízo pedagógico neste semestre devido à demora na distribuição.

O FNDE informou que a entrega ocorre de forma escalonada e atribuiu parte do problema à necessidade de recomposição do quadro de servidores. O órgão também destacou que não realizava concurso público havia 12 anos.

Representantes do setor afirmam que o principal gargalo não está na capacidade técnica das gráficas, mas em falhas de gestão e baixa prioridade dada à agenda de acessibilidade dentro do MEC.

Outro ponto levantado é a divergência nos números de estudantes cegos no país. Enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística estima cerca de 45 mil cegos em idade escolar, o Censo Escolar registrou pouco menos de 7 mil matrículas em 2025.

Segundo entidades da área, a diferença pode indicar falhas no sistema de cadastramento ou exclusão de estudantes da rede de ensino.

A produção dos livros em braille exige etapas técnicas que podem levar de cinco a oito meses, incluindo transcrição, adaptação, revisão por especialistas cegos e avaliação técnica antes da impressão final.

Entidades do setor alertam que, sem mudanças no cronograma e na gestão do programa, os atrasos podem se repetir em 2027 e transformar a crise em um problema permanente.

Com informações de g1

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Geral

Unilever, dona da Cif e Omo, denunciou presença de bactéria em produtos Ypê à Anvisa

Imagem: Otavio Valle

A multinacional Unilever fez denúncias à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) sobre a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos Ypê, em outubro do ano passado e em março deste ano. Os documentos com as denúncias foram obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo.

A Unilever é dona de marcas como Cif, Comfort e Omo, concorrentes da Ypê na linha de sabões para roupa e desinfentantes, mas não possui marcas de detergente.

Segundo os documentos, a multinacional realizou testes nos produtos da Ypê que detectaram a presença da bactéria, o que seria um “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.

Em nota, a Unilever disse que realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e eventualmente nas demais marcas do mercado e que isso é uma prática comum entre as indústrias do setor. “A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas”, complementa.

“Quaisquer investigações são conduzidas exclusivamente pela autoridade, que avalia as diligências, fiscalizações e testes que entender necessários para a tomada de decisão. A companhia reafirma seu compromisso e prioridade absoluta e inegociável com a saúde e segurança dos consumidores”, finaliza a multinacional.

A Ypê não havia se pronunciado até a publicação desta matéria.

A primeira denúncia, de outubro de 2025, foi feita através do laboratório americano Charles River. O texto dizia que a “Pseudomonas aeruginosa pode se propagar através do contato direto com a pele, lesões, mucosas ou mesmo por meio de objetos contaminados, podendo causar infecções em diversas partes do corpo, como a pele, o trato urinário, olhos e ouvido (otite), sendo que seu tratamento não é simples devido à conhecida resistência aos antibióticos”.

A Unilever acusou ainda a Ypê de saber do problema e ter iniciado um recolhimento voluntário dos produtos dos supermercados.

Já a segunda denúncia, de março, foi feita através do laboratório Eurofins e detectou 14 lotes de produtos Ypê contaminados pela bactéria. Além disso, em sete deles, havia traços de materiais genéticos de outros gêneros de bactérias.

A Química Amparo, dona da marca Ypê, enviou um posicionamento, ainda em outubro, à Senacon sobre as denúncias. A empresa disse ter recebido com surpresa e indignação e que não havia qualquer regulamentação da Anvisa sobre limites para presença daquele microrganismo em produtos saneantes.

O texto da defesa da empresa dizia que a Anvisa proíbe a presença dessa bactéria apenas em cosméticos, mas não em saneantes. Para os advogados da Química Amparo, essa diferenciação é “óbvia, uma vez que os produtos cosméticos tendem a ser aplicados diretamente na pele, onde permanecem, muitas vezes, por diversas horas em contato direto”.

Os lotes analisados pela Unilever na primeira denúncia teriam sido fabricados entre abril e setembro de 2025, e os da segunda, entre julho e novembro de 2025.

O Terra também procurou a Anvisa para saber se as denúncias da Unilever podem ter levado aos testes que culminaram na suspensão dos produtos Ypê com final lote 1, e aguarda retorno. A marca conseguiu suspender a resolução da Agência, que ainda vai julgar, nesta sexta-feira, 15, se mantém ou não a decisão.

Até o momento, a Anvisa informou que continua com a recomendação para que os consumidores não utilizem os produtos Ypê com final lote 1, tendo detectado mais de 100 lotes comprometidos e 76 irregularidades na fábrica de Amparo, em São Paulo.

Terra

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Geral

Carla Dickson cresce em todas as regiões do Estado e consolida posição entre os principais nomes da direita para Câmara Federal no RN

É um fato, a deputada Carla Dickson (PL-RN) está indiscutivelmente entre os principais nomes da direita na disputa pela Câmara Federal. Na pesquisa realizada pelo Instituto Metadata/Grupo Dial e divulgada nesta quarta-feira (13), os números apontam que ela não só se manteve entre os nomes mais citados, mas comprovam o crescimento dela em todas as regiões do Rio Grande do Norte.

Pelo levantamento, em Natal, a deputada ficou entre os 5 mais citados com 0,9% das intenções de voto, se colocando entre os 3 nomes mais lembrados no espectro da direita. Em todas as demais regiões do Estado, o desempenho se manteve sempre entre os líderes, variando entre 0,5 e 0,9% de citações.

“Recebo esses números com muita felicidade. Isso é resultado do reconhecimento das pessoas do meu Estado ao trabalho que venho fazendo tanto em Brasília, quanto aqui no Rio Grande do Norte, especialmente na saúde, na defesa das famílias atípicas, e no fortalecimento das pautas conservadoras e de defesa da mulher”, destacou a deputada.

Carla Dickson tem se destacado nacionalmente por sua atuação em defesa das famílias, da inclusão e dos valores cristãos. Atualmente, a deputada é presidente da Frente Parlamentar Brasil-Israel, vice-presidente da Comissão de Turismo da Câmara Federal e procuradora-adjunta da Mulher na Câmara dos Deputados.

A pesquisa ouviu 1.550 eleitores entre os dias 7 e 9 de maio em diversas regiões do Estado e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) sob o número RN-03354/2026.

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Polícia

VÍDEO: Dois homens são alvo de operação contra crimes sexuais envolvendo crianças em Natal

Vídeo: Divulgação

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte cumpriu, na manhã desta quinta-feira (14), mandados de busca e apreensão contra dois homens suspeitos da prática de crimes sexuais contra crianças e adolescentes, ocorridos na cidade de Natal.

De acordo com as investigações, o homem de 38 anos é suspeito do crime de armazenamento de cenas de nudez e abuso sexual infantojuvenil. Já o outro suspeito, de 32 anos, teria cometido os crimes de produção e compartilhamento de imagens e vídeos envolvendo crianças e adolescentes em situações de exploração ou abuso sexual.

Ainda de acordo com as investigações, há indícios de que os suspeitos também possam ter praticado violência sexual contra crianças do próprio núcleo familiar.

Durante a realização das diligências, equipamentos eletrônicos foram apreendidos e, na sequência, serão submetidos à análise pericial.

A ação integra a Operação Caminhos Seguros, cujo objetivo é prevenir e reprimir crimes sexuais contra crianças e adolescentes, reafirmando o compromisso das forças de segurança com a proteção da infância e da adolescência em todo o país.

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Judiciário

VÍDEO: A “ligação” a Bolsonaro que pode fazer Fábio Porchat persona non grata

 

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Um post compartilhado por Metrópoles (@metropoles)

Entre os motivos para considerar Fábio Porchat persona non grata no Rio de Janeiro (RJ), o projeto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nessa quarta-feira (13/5) citou um vídeo em que o humorista finge ligar para a equipe do ex-presidente Jair Bolsonaro. No vídeo, ele pede para “dar um recado” ao político e depois dispara uma série de xingamentos.

“Oi, boa tarde. [Pode passar ao] Bolsonaro, por favor? É o Fábio Porchat”, diz o humorista, simulando a ligação à equipe do ex-presidente. “Tá dormindo? Gente, mas essa hora? Pode anotar um recado então, por favor? Diz para ele se f*der, tomar no c* dele, ir à m*rda! Isso, assim que ele acordar. Tchau tchau.”

O projeto de lei foi aprovado por quatro votos a dois. Votaram a favor os deputados Alexandre Knoploch (PL), Fred Pacheco (PL) e Marcelo Dino (PL) – todos membros do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro – e Sarah Poncio (Solidariedade). Os contrários foram de Carlos Minc (PSB) e Luiz Paulo (PSD).

Para ser aprovado com vigor de lei, o projeto ainda deverá ser apresentado ao plenário da Alerj. Será necessário que 36 deputados estejam presentes para que a votação ocorra. Para o projeto ser aprovado, a maioria simples (metade mais um) tem de votar a favor.

Metrópoles

Opinião dos leitores

  1. é uma falta respeito gratuita!!!
    não é só mau caráter, deve ser uma necessidade muito grande de visibilidade.

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Saúde

Criança é internada em Natal com infecção bacteriana e família associa caso a detergente

Foto: Reprodução

Uma criança de 10 anos está internada na UPA Pajuçara, na Zona Norte de Natal, com quadro de infecção bacteriana generalizada. Familiares da paciente afirmam que os sintomas de inchaço e coceira começaram na quarta-feira (6), após a menina ter contato com um detergente da marca Ypê pertencente ao lote com numeração final 1.

A Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) informou que, até o momento, não há constatação técnica de ligação entre o quadro clínico e o uso do produto. A causa da infecção permanece sob investigação. A paciente aguarda transferência para o Hospital Infantil Varela Santiago por meio do sistema de regulação estadual para a realização de exames detalhados.

O relato da família ocorre após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar, no dia 7 de maio, o recolhimento e a suspensão da venda de 24 produtos da Química Amparo (Ypê). A medida foi motivada pelo risco de contaminação por microrganismos em lotes específicos terminados em 1.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), o caso é acompanhado pela vigilância epidemiológica. A Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária (Suvisa) informou que, até esta data, não houve apreensão de produtos dos lotes citados pela Anvisa nos municípios do Rio Grande do Norte. A fiscalização na capital é de responsabilidade da Vigilância Sanitária Municipal.

Em nota, a marca Ypê informou que se reuniu com a Anvisa na terça-feira (12) para apresentar laudos técnicos de microbiologia e medidas implementadas nos processos de fabricação. A empresa solicitou à agência a manutenção do recurso que suspende a interdição dos produtos até que a documentação apresentada seja integralmente analisada. A conclusão da avaliação da Anvisa está prevista para esta sexta-feira (15).

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Brasil

Delegada da PF e marido eram “espiões” de Vorcaro na corporação

Foto: Vinicius Schimidt

A delegada da Polícia Federal afastada por suspeita de atuar ilegalmente para a família de Daniel Vorcaro é Valéria Vieira Pereira da Silva.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou o afastamento preventivo da função pública de delegada e a proibição de deixar o país, além de apreensão do passaporte em 24 horas.

De acordo com as investigações da PF que levaram à sexta fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (14/5), Valéria tinha papel relevante no fornecimento de informações sigilosas ao grupo criminoso chamado “A Turma”, que atuava para os interesses de Vorcaro.

Ela e o marido, o policial federal aposentado Francisco José Pereira da Silva, são apontados como espécie de “espiões” do banqueiro.

Valéria teria acessado, sem justificativa funcional, o inquérito conduzido pelo Superintendência Regional da PF em São Paulo, embora estivesse lotada, desde 2006, em Minas Gerais. Ela não tinha qualquer atribuição relacionada ao procedimento.

Segundo a PF, após acessar o procedimento, repassou dados para Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que trabalhava para a família Vorcaro. “O conteúdo compartilhado teria sido suficientemente detalhado, permitindo a identificação do objeto da investigação e de pessoas efetivamente visadas”, disse a PF.

A PF não localizou comunicações diretas entre Valéria e Marilson, mas, segundo a corporação, o marido dela teria atuado como intermediador, “reduzindo rastros diretos da participação da delegada”. Há suspeita de violação de sigilo funcional, além de corrupção e organização criminosa.

Metrópoles

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