No meio da leitura do seu voto sobre o pedaço do processo que envolve a compra de votos patrocinada pelo PT, Joaquim Barbosa anunciou uma novidade. Em combinação com o revisor Ricardo Lewandowski decidiu adiar a análise da situação de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, os três réus do PT acusados nesse capítulo da prática do crime de corrupção ativa.
Quer dizer: relator e revisor acertaram uma espécie de fatiamento da fatia. Julgarão todos os parlamentares e prepostos que receberam verbas da “organização criminosa”. Só depois serão julgados os acusados de prover os recursos: além dos três expoentes do PT, Marcos Valério e os ex-sócios dele.
Até aqui, Barbosa votou pela condenação de todos os réus do PP, do PL (hoje PR) e do PTB. Nesta quinta (20), deve condenar também o ex-deputado José Borba, do PMDB. Na sequência, passará a palavra ao revisor Lewandowski, cujo voto, também enorme, só deve ser concluído na semana que vem.
Depois de Lewandowski, votarão os outros oito ministros do Supremo. Se forem econômicos nas palavras, é possível que a parte relativa aos corrompidos seja concluída até o final da próxima semana. A palavra será, então, devolvida ao relator Barbosa, que dirá o que pensa sobre os réus petistas e os acusados do núcleo operacional do esquema.
Barbosa emite sinais de que vai votar pela condenação em massa. Para desassossego do PT, a posição do relator sobre os réus da legenda escalará as manchetes no alvorecer do mês de outubro, às portas do primeiro turno da eleição municipal, marcado para o dia 7.
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