Judiciário

Juízes ganham R$ 12 mil por mês extras com novo penduricalho que transforma folga em dinheiro

Foto: Dida Sampaio/Dida Sampaio/Estadão

O rol de penduricalhos do Poder Judiciário ficou ainda maior em outubro do ano passado, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou a conversão dos dias de folga da chamada licença-compensatória em dinheiro depositado na conta dos magistrados. Entre julho de 2023 e outubro deste ano, 35 tribunais criaram rubricas que turbinaram os contracheques de 8.736 mil juízes, desembargadores e ministros com ganhos extras, em média, de R$ 12,4 mil por mês. Essa conta gerou um custo de R$ 819 milhões ao erário nesses 16 meses.

Os dados estão reunidos em um novo relatório da Transparência Brasil realizado a partir do DadosJusBrasil, projeto da organização não governamental que agrega, sistematiza e disponibiliza R$ 144 bilhões em contracheques do Judiciário e Ministério Público. O levantamento mostra, por exemplo, que 4,2 mil magistrados já acumularam mais de R$ 100 mil recebidos de licença-compensatória no período analisado. Procurado, o CNJ disse que “apenas reconheceu o que a Constituição Federal já prevê”. “Os direitos e deveres validamente atribuídos aos membros da magistratura ou do Ministério Público aplicam-se aos integrantes de ambas as carreiras, no que couber”, acrescenta nota do Conselho.

Ao converter os ganhos dos juízes em custo aos cofres do Poder Judiciário é possível auferir que no âmbito federal, onde o benefício foi criado pela via administrativa, foram pagos R$ 415 milhões desde julho de 2023 por 25 órgão. Na Justiça estadual, dez tribunais já gastaram R$ 404 milhões no mesmo período. Os pagamentos foram viabilizados por leis aprovadas pelas Assembleias Legislativas dos Estados ou por atos administrativos internos.

Entre janeiro e outubro deste ano, 870 magistrados ganharam acima de R$ 100 mil. Contabilizando todo o período, ao menos 4,2 mil magistrados já receberam mais de R$ 100 mil com a licença-compensatória. O recordista é um desembargador de Pernambuco, que teve um adicional de no seu contracheque R$ 313,2 mil entre julho de 2023 e outubro de 2024.

Histórico do penduricalho

A licença-compensatória é fruto de um outro penduricalho, a “gratificação por exercício cumulativo”. Esse benefício prevê o pagamento adicional de um terço do salário para os magistrados que acumulem funções de colegas por mais de 30 dias. Foram aprovadas quatros leis para disciplinar o pagamento desses valores pelo Judiciário e Ministério Público da União e, em todos os casos, foi estabelecido que a gratificação “terá natureza remuneratória”, ou seja estará sujeita ao teto do funcionalismo público, atualmente de R$ 44 mil.

Porém, em janeiro de 2023, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) editou uma resolução que converteu as legislações relativas ao exercício cumulativo em licença-compensatória, que garante o direito de um dia folga para cada três trabalhados. O mesmo texto previa a possibilidade de conversão do descanso em pagamento. “O membro é indenizado por não usufruir a folga, portanto o valor recebido assume natureza indenizatória, não sujeito ao teto constitucional”, explicou a Transparência Brasil no relatório.

Em outubro de 2023, o CNJ editou uma resolução estabelecendo que os “direitos e deveres validamente atribuídos aos membros da Magistratura ou do Ministério Público aplicam-se aos integrantes de ambas as carreiras, no que couber”. Em outras palavras, a medida autorizou os órgãos do Poder Judiciário a replicarem o entendimento do Ministério Público sobre a licença compensatória.

Levantamento realizado pela Transparência Brasil identificou que, ainda em 2023, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Conselho da Justiça Federal (CJF), o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), o Superior Tribunal Militar (STM e o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios9 (TJDFT) editaram resoluções nos moldes autorizados pelo CNJ, o que permitiu transformar a gratificação por exercício cumulativo em licença-compensatória e, consequentemente, a sua conversão em dinheiro. O mesmo também foi replicado nos Tribunais de Justiça dos Estados.

De acordo com o relatório ao qual o Estadão teve acesso, a licença-compensatória começou a ser paga amplamente a partir de julho de 2023. Dos R$ 819 milhões já pagos pelos tribunais até o momento, R$ 691,6 milhões foram liberados nos dez primeiros meses de 2024. A Transparência Brasil estima que, a seguir esse ritmo, o valor geral gasto com o pagamento do benefício ultrapassará R$ 1 bilhão em janeiro de 2025.

A Corte brasileira com a maior somatória de pagamentos é o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), que só começou a pagar o benefício em setembro de 2023, mas, segundo o levantamento, já desembolsou R$ 157 milhões. O penduricalho custou em média R$ 11,6 milhões por mês ao TJ-PR neste ano.

Como revelou o Estadão, o presidente do TJ-PR, Luiz Keppen, autorizou o pagamento de milhões de reais em penduricalhos ao longo deste ano e aprofundou os pagamentos na esteira das eleições da Corte, em novembro passado. Somente em outubro deste ano, o chefe do Poder Judiciário do Paraná autorizou o pagamento de R$ 27,4 milhões aos juízes e desembargadores a título de Gratificação por Acúmulo de Função (GAF) e Adicional por Tempo de Serviço (ATS), benefícios estes que são regulamentados por atos do próprio TJPR.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), maior do País, tem uma rubrica específica para licença-compensatória que soma R$ 97 milhões. Segundo o TJ paulista, o pagamento está respaldado por decisões do Supremo Tribunal Federal e do CNJ. O TJ-SP explica ainda que tem atuado para não ter pagamentos em atraso por recomendação também no CNJ. “É preciso observar que existe expressa recomendação do Conselho Nacional de Justiça para que o Tribunal reduza o seu passivo, a fim de que o orçamento não seja onerado por serviço de dívida (correção monetária e juros), redução essa que só pode ocorrer se o Tribunal, na medida da sua capacidade, conseguir liquidar o principal mais rapidamente”, diz nota do TJ-SP.

Lei dos Supersalários regulamenta o penduricalho, diz estudo

O relatório da Transparência Brasil ainda faz um alerta para o conteúdo do projeto de lei (PL) dos Supersalários, que tramita no Senado após aprovação pela Câmara. De acordo com os autores do estudo, o texto “legalizará o aumento de até um terço nos contracheques dos membros do sistema de Justiça” em vez de solucionar o problema.

“Trata-se de mais um retrocesso na alocação dos recursos públicos, em novo episódio do modus operandi de subversão dos propósitos dos benefícios que a elite da Justiça brasileira recebe. Reforça, ainda, o caráter meramente decorativo do teto constitucional para os membros do Judiciário e do Ministério Público”, avaliou a organização.

Ainda de acordo com a ONG de transparência, “a continuidade do seu pagamento (licença-compensatória) agravará o estrangulamento orçamentário do sistema de Justiça, concentrando ainda mais recursos para interesses particulares em detrimento do interesse público”.

O fim dos supersalários foi aprovado pela Câmara e está no Senado desde 2021. O projeto limita o pagamento de benefícios fora do teto, os chamados “penduricalhos”. De acordo com a proposta, vantagens acima desse valor só poderão ser pagas em situações excepcionais, como auxílio-moradia para quem atua fora da comarca de origem e pagamento de férias não gozadas limitado a 30 dias e apenas se o magistrado comprovadamente não puder sair de férias.

Estadão

Opinião dos leitores

  1. Eles deviam dividir esse dinheiro com seus assessores e funcionários, pois graças a eles o trabalho anda.

  2. Enquanto isso, os trabalhadores tiveram seus míseros reajustes, diminuídos em mais de vinte reais. Bando de ladrões.

  3. Vamos ver na reforma administrativa quem vai ser contra o corte dos supersalarios. A oposição adora falar que o governo gasta muito, mas nós projetos de cortes ela está lá votando contra sempre com a justificativa que não pode penalizar tal grupo. Observem como a oposição vai votar na reforma administrativa

    1. Vai procurar o que fazer sovaco cabeludo, já amanhece o dia conversando besteira.

    2. Vai arrumar um mauricinho pra elogiar as aresias que ele diz, patricinha

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Geral

Empresário de restaurantes desiste da escala 5×2 após teste reduzir produtividade

Foto: Álvaro Bonadiman

O chef e empresário gaúcho Marcos Livi afirmou que o teste da escala 5×2 em restaurantes e um hotel do Grupo Bah trouxe resultados negativos e acabou sendo abandonado.

Segundo Livi, a experiência ocorreu no primeiro trimestre deste ano em cinco restaurantes e no hotel Parador Hampel. Hoje, o grupo administra oito negócios e emprega mais de 150 pessoas.

De acordo com o empresário, a principal dificuldade foi manter a jornada semanal de 44 horas dentro do modelo 5×2, o que aumentou o tempo diário de trabalho.

“É óbvio que buscamos construir um convívio melhor para todos. Mas, com o momento atual brasileiro, com perda de poder econômico das pessoas e endividamento, isso gerou um efeito negativo, por isso recuei”, conta ele.

Livi afirmou que a mudança afetou principalmente funcionários com filhos ou rotina de estudos.

Ele também relatou:

  • queda na produtividade;
  • redução das gorjetas;
  • aumento da necessidade de contratações para cobrir folgas.

Os estabelecimentos que participaram do teste foram Brique; Quintana Bar; Veríssimo Bar; Vistta; Cozinha Ana Terra; e Hotel Parador Hampel. Cada unidade conta com cerca de 25 funcionários.

Retorno ao modelo tradicional

O empresário disse que decidiu testar o sistema antes de uma eventual mudança na legislação trabalhista.

Ele defende que o empresariado tenha a “liberdade de escolha” e chama a medida endossada pelo governo Lula de “eleitoreira”. “Tomamos a estratégia de voltar ao modelo tradicional, o que deixou a equipe aliviada”, diz Livi.

Debate sobre a escala 6×1

O tema ganhou força no Congresso Nacional com discussões sobre o fim da escala 6×1 e possíveis mudanças na jornada de trabalho.

Enquanto algumas empresas relatam vantagens no modelo 5×2 — como maior atração de candidatos e redução da rotatividade —, empresários também apontam desafios operacionais e aumento de custos.

Com informações de Folha de S. Paulo

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Geral

Rogério Marinho denuncia manobra bilionária e acusa governo Lula de fraude no orçamento para mascarar déficit público


Foto: Waldemir Barreto/Ag Senado

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, formalizou nesta sexta-feira (8) uma representação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar indícios do que classifica como “pedalada fiscal” na gestão do presidente Lula.

A denúncia aponta possível retenção deliberada de pagamentos do Seguro-Defeso entre setembro e dezembro de 2025.

Segundo o documento, cerca de R$ 1,19 bilhão teria sido represado para reduzir artificialmente o déficit das contas públicas no fim do ano passado, permitindo ao governo apresentar um resultado fiscal melhor do que o real.

Marinho afirma que a prática viola a Lei de Responsabilidade Fiscal e classifica o mecanismo como “contabilidade criativa”.

A representação também faz comparação com as chamadas “pedaladas fiscais” que embasaram o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016.

Na petição, o senador pede que o TCU investigue a legalidade e a moralidade da retenção dos pagamentos destinados a pescadores artesanais beneficiários do Seguro-Defeso.

O documento ainda aponta supostos problemas no planejamento orçamentário de 2026, especialmente nas projeções do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Segundo a denúncia, enquanto os gastos do programa crescem historicamente cerca de 14,8% ao ano, o governo teria projetado aumento de apenas 2,79%.

Para Marinho, a estimativa subdimensionada seria uma tentativa de cumprir metas fiscais de forma artificial.

A representação pede:

  • auditoria urgente nos Ministérios da Previdência e da Fazenda;
  • liberação imediata dos valores atrasados;
  • aplicação de sanções administrativas aos responsáveis.

Agora, caberá ao TCU definir um relator para analisar o pedido e decidir se haverá abertura de investigação formal.

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Política

[VÍDEO] “Bolsonaro vai subir a rampa comigo”, afirma Flávio à CNN

Imagens: Reprodução/CNN

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (8), em entrevista à CNN Brasil, que pretende aprovar uma anistia ampla no Congresso Nacional para permitir que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participe de sua eventual posse presidencial em janeiro de 2027. A declaração foi dada durante agenda de pré-campanha à Presidência da República em Florianópolis.

Flávio afirmou que pretende usar a força política de um presidente recém-eleito para negociar no Congresso a aprovação de uma “anistia ampla, geral e irrestrita”.  A medida permitiria que Bolsonaro estivesse presente na cerimônia de posse presidencial. “Bolsonaro possa, no dia 6 de janeiro do ano que vem, subir a rampa do Planalto junto comigo”, declarou.

O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado e atualmente cumpre prisão domiciliar temporária por razões de saúde.

Flávio também afirmou que o pai poderá ocupar espaço em um eventual governo caso demonstre interesse. “Jair Bolsonaro vai ser sempre o meu Norte, é a minha bússola, é a minha referência”, disse.

Ele considera o ex-presidente um dos principais conselheiros políticos do país e afirmou que mantém consultas frequentes com o pai sobre decisões políticas e estratégias eleitorais.

 

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Saúde

Bolsonaro volta a ter crises intensas de soluços e alteração na pressão arterial

Foto: Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a apresentar crises intensas de soluços e alterações na pressão arterial após passar por uma cirurgia no ombro direito, segundo boletim médico divulgado nesta sexta-feira (8). De acordo com o relatório, os sintomas surgiram após a alta hospitalar recebida na última segunda-feira (4).

Segundo a equipe médica, Bolsonaro apresentou melhora no quadro de dor, mas passou a ter “soluços intensos e prolongados”, atribuídos possivelmente a uma irritação no nervo frênico, responsável pelo controle da respiração e dos movimentos do diafragma.

O médico Brasil Caiado informou que foi necessário realizar ajustes terapêuticos e intensificar medicações específicas. O ex-presidente foi submetido no último dia 1º a uma cirurgia artroscópica para correção de lesões no manguito rotador do ombro direito.

O boletim médico integra os relatórios periódicos enviados ao STF em razão das determinações relacionadas à prisão domiciliar do ex-presidente. Conforme decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por 90 dias após condenação por tentativa de golpe de Estado.

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Política

Inauguração da Casa 22 em Assú reúne lideranças do PL

Foto: Divulgação/PL-RN

A inauguração da Casa 22 em Assú, novo espaço de articulação do Partido Liberal (PL) no município, movimentou a cena política do RN nesta sexta-feira (8), reunindo lideranças, apoiadores e nomes de destaque da legenda. O evento contou com a presença do senador Rogério Marinho e do pré-candidato a deputado federal Pedro Filho, idealizador do novo espaço político no município.

O espaço nasce com o objetivo de fortalecer a atuação política do partido na região, funcionando como ponto de encontro para reuniões, ações estratégicas e mobilização de apoiadores. Neste sábado (9), será inaugurada a Casa 22 em Mossoró.

A inauguração consolidou mais um passo no processo de fortalecimento do PL no Vale do Açu, região onde Pedro Filho vem ampliando sua atuação política e consolidando apoios importantes para sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.

Rogério destacou a importância da organização partidária e da construção de novas lideranças no interior do estado. A presença do senador reforçou o peso político da inauguração e a importância estratégica de Assú para o projeto do PL no RN.

Vereador em Assú, líder evangélico e defensor de pautas conservadoras, Pedro vem se destacando pela capacidade de articulação e pelo avanço de sua pré-candidatura em diferentes regiões do estado.

Também estiveram presentes na inauguração da Casa 22 o pré-candidato a senador, Coronel Hélio, os deputados estaduais Coronel Azevedo e Gustavo Carvalho, e o pré-candidato a deputado estadual Jorge do Rosário.

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Judiciário

Sindicato do Crime no RN tinha setor de “transparência”, aponta MPRN

Foto: Divulgação/PF

O MPRN denunciou integrantes da facção Sindicato do Crime do RN, apontando uma estrutura organizada com setores administrativos, financeiros e até um núcleo chamado de “transparência”, em atuação todo o estado. A denúncia, aceita pela Justiça, tornou 25 investigados réus por crimes como organização criminosa armada, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.

Segundo o MPRN, a facção possuía uma estrutura hierárquica complexa, com divisão clara de funções entre lideranças, operadores financeiros, responsáveis pela comunicação e integrantes ligados ao tráfico de drogas.

No topo estaria a chamada “Final”, formada pelos fundadores do grupo. Abaixo, o “Conselho” exercia função deliberativa, autorizando ações violentas, resolvendo conflitos internos e definindo diretrizes da organização.

Foto: Divulgação/PF

Um dos pontos que chamou atenção na denúncia é a existência de um setor apelidado de “Transparência”, responsável pelo cadastro de integrantes, monitoramento de áreas dominadas pela facção e emissão de mensagens internas.

Segundo o Ministério Público, esse núcleo também atuava na comunicação com a população em áreas sob influência do grupo.

Sistema financeiro e uso de contas de terceiros

As investigações apontam a existência de grupos exclusivos para controle financeiro da facção, com divisão por zonas de arrecadação em Natal e no interior do estado.

Foto: Divulgação/PF

Valores provenientes do tráfico de drogas eram repassados à cúpula por meio de planilhas e cobranças organizadas em grupos de mensagens. Também foram identificadas movimentações financeiras por meio de contas de terceiros.

Atuação de advogada e “Sintonia dos Gravatas”

Entre os réus está uma advogada suspeita de integrar a chamada “Sintonia dos Gravatas”, grupo apontado como responsável por facilitar a comunicação entre presos e membros em liberdade.

Segundo o MPRN, ela foi presa em flagrante durante a operação com bilhetes conhecidos como “catataus”, usados para repassar ordens criminosas, e teria tentado destruir provas durante a ação policial.

Foto: Divulgação/PF

Operação, conexões e desdobramentos

A denúncia é resultado da Operação Treme Tudo, deflagrada em dezembro passado, com mandados cumpridos no RN e em outros estados. As investigações indicam conexões da facção com grupos criminosos de outros estados e ligação com o Comando Vermelho, no Amazonas.

A Justiça manteve a prisão preventiva de 15 réus, enquanto outros investigados seguem foragidos. O Ministério Público também solicitou o perdimento de bens, veículos e valores apreendidos para enfraquecer financeiramente a organização criminosa.

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Geral

INMET: chuvas intensas colocam Grande Natal e 100 municípios do RN em alerta neste sábado (9)

Imagem: Divulgação/INMET

O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu aviso de chuvas intensas para o RN, válido até as 23h59 deste sábado (9). O alerta inclui 100 municípios, entre eles Natal, Mossoró e Parnamirim, com risco de ventos fortes, alagamentos, quedas de energia e descargas elétricas.

Há a possibilidade de chuvas de até 100 mm por dia, com ventos intensos que podem chegar a 100 km/h.

Entre os municípios atingidos estão Natal, Mossoró, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim, Macaíba, Extremoz, São José de Mipibu, Nísia Floresta e Touros, além de polos do litoral e do interior como Areia Branca, Macau, Guamaré e Santa Cruz.

Segundo o INMET, os principais riscos associados ao fenômeno incluem:

  • Corte de energia elétrica
  • Queda de galhos e árvores
  • Alagamentos em áreas urbanas
  • Descargas elétricas

A orientação é que a população evite abrigo sob árvores durante rajadas de vento, não estacione veículos próximos a estruturas metálicas e desligue aparelhos elétricos em caso de instabilidade mais severa.

Em situações de emergência, a recomendação é acionar a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193).

Veja a lista de municípios com aviso de chuvas intensas:

Açu Afonso Bezerra Alto do Rodrigues
Angicos Areia Branca Arês
Baía Formosa Baraúna Barcelona
Bento Fernandes Bodó Bom Jesus
Brejinho Caiçara do Norte Caiçara do Rio do Vento
Campo Redondo Canguaretama Carnaubais
Ceará-Mirim Cerro Corá Espírito Santo
Extremoz Fernando Pedroza Galinhos
Goianinha Governador Dix-Sept Rosado Grossos
Guamaré Ielmo Marinho Ipanguaçu
Itajá Jandaíra Januário Cicco
Japi Jardim de Angicos João Câmara
Jundiá Lagoa d’Anta Lagoa de Pedras
Lagoa de Velhos Lagoa Salgada Lajes
Lajes Pintadas Macaíba Macau
Maxaranguape Montanhas Monte Alegre
Monte das Gameleiras Mossoró Natal
Nísia Floresta Nova Cruz Parazinho
Parnaíba (PI) Parnamirim Passa e Fica
Passagem Pedra Grande Pedra Preta
Pedro Avelino Pedro Velho Pendências
Poço Branco Porto do Mangue Pureza
Riachuelo Rio do Fogo Ruy Barbosa
Santa Cruz Santa Maria Santana do Matos
Santo Antônio São Bento do Norte São Bento do Trairí
São Bernardo (MA) São Gonçalo do Amarante São José de Mipibu
São José do Campestre São Miguel do Gostoso São Paulo do Potengi
São Pedro São Rafael São Tomé
Senador Elói de Souza Senador Georgino Avelino Serra Caiada
Serra de São Bento Serra do Mel Serrinha
Sítio Novo Taipu Tangará
Tibau Tibau do Sul Touros
Upanema Várzea Vera Cruz
Vila Flor

 

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Política

Moraes exige explicações de Lula e Alcolumbre sobre lei que reduz penas do 8 de Janeiro

Foto: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se manifestem sobre a Lei da Dosimetria, em meio a duas ações que questionam a constitucionalidade da norma que pode reduzir penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro. A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) também devem se manifestar sobre o caso.

A decisão ocorre após provocação do PSol e coloca o texto, já promulgado pelo Congresso, sob análise direta do STF. A Lei da Dosimetria foi aprovada pelo Congresso Nacional em novembro do ano passado, mas sofreu veto do presidente Lula em janeiro deste ano.

O veto, no entanto, foi derrubado pelo Congresso na última semana, o que levou à promulgação do texto por Alcolumbre após o prazo constitucional de 48 horas sem manifestação do Executivo.

A legislação abre brecha para revisão e possível redução de penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e outros atos classificados como antidemocráticos. Entre os potenciais beneficiados está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que já anunciou intenção de pedir revisão da pena de 27 anos e três meses.

A principal tese das ações em análise no Supremo é de que crimes contra a ordem constitucional, quando cometidos por grupos armados civis ou militares, são considerados inafiançáveis e imprescritíveis pela Constituição.

Os autores alegam que a Lei da Dosimetria pode contrariar esse entendimento ao permitir flexibilização das penas.

 

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Judiciário

STF: Moraes será relator de ações contra lei que pode beneficiar Bolsonaro

Foto: Divulgação/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, foi sorteado relator das ações que questionam a constitucionalidade da chamada Lei da Dosimetria, promulgada pelo Congresso Nacional e que pode impactar diretamente condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) foram protocoladas pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pelo PSol, logo após a promulgação da lei nesta sexta-feira (8).

Os autores alegam que a Lei da Dosimetria viola dispositivos da Constituição Federal ao alterar o entendimento sobre a soma de penas aplicadas a crimes ligados aos atos antidemocráticos.

Segundo a ABI e o PSol, a legislação contraria princípios constitucionais ao flexibilizar punições relacionadas a crimes considerados graves contra o Estado Democrático de Direito.

As ações citam artigos da Constituição que tratam da gravidade de crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático, classificados como inafiançáveis e imprescritíveis.

 

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Política

URGENTE: Bolsonaro pede ao STF anulação de condenação de 27 anos

Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles

A nova estratégia da defesa de Jair Bolsonaro (PL) pede que a condenação de 27 anos e 3 meses seja anulada sob o argumento de que houve falhas processuais e violação ao princípio do juiz natural no julgamento realizado pela Primeira Turma do STF.

Segundo os advogados, o caso deveria ser apreciado por outro colegiado da Corte, com sorteio de novo relator na Segunda Turma, o que, na avaliação da defesa, garantiria maior imparcialidade no processo. O pedido também prevê que a decisão final seja submetida ao plenário do STF, conforme a coluna Jussara Soares, da CNN.

A defesa sustenta ainda que teria ocorrido “incompetência orgânica absoluta” da Primeira Turma para julgar o ex-presidente, além de questionar a condução do processo pelo ministro Alexandre de Moraes. Entre os pontos levantados, os advogados alegam que houve decretação antecipada do trânsito em julgado da condenação.

Outro ponto central do recurso é a contestação da validade da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, além da alegação de cerceamento de defesa devido à suposta liberação tardia de provas durante a instrução do processo.

No mérito, os advogados afirmam que o STF teria ampliado de forma indevida a interpretação dos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, além de atribuir ao ex-presidente responsabilidade por atos praticados por terceiros nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Esta não é a primeira tentativa da defesa de reverter a decisão. Recursos anteriores já haviam sido apresentados contra a condenação e contra o trânsito em julgado. A novidade nesta fase é o pedido para redistribuição do caso entre turmas do STF e eventual julgamento no plenário da Corte.

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