
O Globo
Maior operação contra a lavagem de dinheiro do país, a Lava-Jato sobrevive há três anos desde que iniciou as revelações sobre o cartel de empresas que desviou dinheiro da Petrobras. Ampliando seu escopo para a relação entre empreiteiros e políticos de todas as partes do Brasil e com acordos de cooperação com 37 países, a operação rastreou, até o momento, R$ 4,1 bilhões pagos em propina a autoridades e condenou 89 pessoas envolvidas no escândalo.
A Operação Lava-Jato completa três anos na próxima sexta-feira com números que falam por si: R$ 10 bilhões recuperados aos cofres públicos e 89 condenados a penas que somam pelo menos 1.383 anos de prisão, considerando apenas ações de irregularidades na Petrobras. Há, no entanto, um caminho longo pela frente, segundo os investigadores.
— É surpreendente que, depois de três anos de apurações intensas, ainda haja tantas linhas de investigação para seguir. Há muito tempo descobrimos que, em tema de corrupção brasileira, o buraco é mais embaixo. Contudo, uma coisa é descobrir isso uma vez, outra é seguir redescobrindo isso repetidamente por três anos — afirma o coordenador da força-tarefa em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol.
SEM PRAZO PARA ACABAR
A prisão de Jorge Luz, apontado como operador de caciques do PMDB, mostrou, no mês passado, que a Lava-Jato mantém o fôlego para revelar novos personagens e desvendar esquemas de corrupção.
Na avaliação de Dallagnol, o maior risco vem da atuação de políticos que articulam manobras para abrandar as punições, a exemplo da proposta que anistia o caixa 2.
— A investigação desenterrou o monstro da corrupção. Alguns políticos estão insistindo para enterrá-lo. Varrer a sujeira para debaixo do tapete e fazer de conta que nada aconteceu — diz o procurador.
Para o juiz Sérgio Moro, a corrupção envergonha, e é preciso seguir em frente nas investigações. Ele afirma que os esquemas viraram regra na política brasileira.
— Os casos já julgados revelaram um quadro de corrupção sistêmica, no qual a propina virou a regra e não a exceção. Isso nos causa vergonha. Mas é motivo de orgulho o fato de que o Brasil está tomando passos sérios e firmes para enfrentá-la. É importante ir adiante, especialmente no momento em que países vizinhos, inspirados pelo exemplo, buscam também adotar medidas contra o mesmo tipo de problema — afirmou Moro ao GLOBO.
A Lava-Jato não se restringe mais ao Paraná. Ganhou novas praças e está presente também no Rio e em Brasília. Também ultrapassou fronteiras: foram firmados mais de 150 acordos internacionais para troca de provas sobre corrupção e lavagem de dinheiro.
Coordenador da força tarefa da operação Calicute, o procurador da república Leonardo Cardoso de Freitas, diz que, no Rio, a investigação sinaliza que velhas práticas não são mais aceitas sem receio algum:
—Hoje, aquele que pretende praticar atos de corrupção ou lavagem de dinheiro tem de pesar o risco real de ser preso — afirma Freitas.
Também da força-tarefa do Rio, o procurador Eduardo El Hage diz que a população precisa ficar alerta para que os políticos que estão sendo responsabilizados por corrupção não adotem medidas de autoproteção.
O q acho "interessante" é q têm pessoas q criticam a lava jato. Essas pessoas só podem apoiar a corrupção e seus agentes.
Se PT e PSDB são teoricamente semelhantes em terem entrado no sistema criado pelo PMDB depois da Ditadura Militar, pilotado inicialmente por Sarney, por que até agora, depois de três anos, nenhum Tucano foi sequer intimado e preso?
38 fases…nenhum tucano…
Não esqueça de frisar que a Lava Jato tem nome e se chama PT. Entraram para a história como o período mais corrupto de todos os tempos e lembrar que essa quadrilha queria passar mais tempo no poder.