Integrantes da força-tarefa da Lava Jato minimizaram o risco da provável substituição da presidente Dilma Rousseff pelo vice Michel Temer -líder do PMDB, um dos partidos beneficiários do petrolão- possa respingar nas investigações em curso.
“A sociedade deu independência ao Ministério Público na Constituição de 1988, fazendo-o uma instituição de Estado e não de governo. Ou seja, independentemente de quem estiver no governo, as investigações continuam como antes. A investigação do caso Lava Jato é um caso de polícia, e não um caso de política”, disse o coordenador da força-tarefa da Procuradoria em Curitiba, Deltan Dallagnol, por meio de nota distribuída nesta segunda-feira (18).
Atualmente, há mais de 50 congressistas sob investigação no STF (Supremo Tribunal Federal), muitos deles peemedebistas.
O número tende a subir se forem concretizadas novas delações premiadas em processo de negociação, como a da cúpula da Odebrecht.
Na “lista da Odebrecht”, como ficou conhecido o conjunto de planilhas apreendido em fevereiro pela PF, estão listados supostos repasses a 314 políticos de 24 partidos.
Na semana passada, antes da votação do impeachment, Dallagnol disse à BBC Brasil que um dos riscos que a Lava Jato corre é ser asfixiada por meio da aprovação de leis que restrinjam os instrumentos de investigação, repetindo o desfecho da Operação Mãos Limpas, na Itália.
Na nota distribuída nesta segunda, Dallagnol disse que a continuidade da Lava Jato depende, sobretudo, do apoio da opinião pública.
“[Com o impeachment] não só os potenciais continuam os mesmos, mas também os riscos. A operação acumula inimigos a cada dia em que o rol de investigados aumenta, e eles continuarão tentando minar as investigações, de modo ostensivo ou sorrateiro, qualquer que seja o governo. A nossa defesa é a sociedade.”
Principal cérebro por trás das negociações das delações premiadas em Curitiba, um dos pilares da Lava Jato, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que espera a aprovação do projeto das dez medidas anticorrupção, entregue com mais de 2 milhões de assinaturas ao Congresso, em março.
“As investigações não se resolvem com qualquer solução política”, disse em nota.
QUEM TENTAR INTERVIR VAI SE DAR MAL
O grupo de trabalho da PGR (Procuradoria Geral da República) não se manifestou publicamente sobre um eventual governo Temer, mas procuradores ouvidos pela Folha afirmaram que os trabalhos continuam da mesma forma.
Um dos investigadores ouvidos pela reportagem também minimizou a possível substituição da presidente Dilma afirmando que não há preocupações de que aconteça a obstrução da operação, e irá se dar mal que agir nesse sentido.
Integrantes da Polícia Federal afirmaram que a votação pela continuidade do impeachment trouxe mais incerteza para os rumos da operação e que ainda é cedo para traçar um cenário que possa comprometer a Lava Jato.
Folha Press

Me engana que eu gosto! O show não terminou, ainda tem o Senado. Isso é engodo para pressionarem o Senado pelo impeachment. Se Dilma for cassada, adeus Lava-jato. Brindeiro vem aí!
E SE INVESTIGAR DIREITINHO VAI ACABAR COM A CARREIRA DE MUITOS POLITICOS…..