Após uma campanha influenciada por revelações da operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, e marcada por polêmicas envolvendo a candidata favorita, Keiko Fujimori, 23 milhões de peruanos vão às urnas neste domingo para eleger um novo presidente, dois vice-presidentes e os congressistas do país.
As notícias sobre a Lava Jato ocuparam as manchetes dos jornais e sites peruanos em várias ocasiões durante a corrida pela presidência, embora as maiores polêmicas tenham sido ligadas a Keiko ─ e em especial, ao legado de seu pai, Alberto Fujimori, presidente do país entre 1990 e 2000. Ele está preso cumprindo uma pena de 25 anos por crimes contra a humanidade.
Segundo analistas, os candidatos peruanos mais prejudicados pelo escândalo brasileiro teriam sido os que hoje têm poucas chances de vitória: os ex-presidentes Alan García (1985-1990 e 2006 a 2011) e Alejandro Toledo (2001 a 2006).
Isso porque alguns dos negócios feitos no Peru com empreiteiras brasileiras ─ e questionados pela operação ─ foram fechados durante suas gestões.
“A Lava Jato teve um impacto significativo na opinião pública peruana”, disse à BBC Brasil o economista Carlos Aquino, professor da Universidade Mayor de San Marcos, em Lima, capital do Peru.
No mês passado, o jornal El Comércio , de Lima, publicou uma pesquisa da IPSOS indicando que para 62% dos peruanos “empreiteiras brasileiras estenderam tentáculos ilícitos no país” e para 83% “(o atual presidente Ollanta) Humala está vinculado com os escândalos no Brasil”.
No mesmo levantamento, 55% afirmaram “estar informados de que a Polícia Federal brasileira vinculou Humala (à Lava Jato) por ele ter recebido US$ 3 milhões (cerca de R$ 11 milhões, em valores atuais) da Odebrecht em 2011”, ano da campanha em que foi eleito.
BBC
Foto: Reprodução/TV Globo
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