Maconha diminui contagem de espermatozoides, segundo estudo

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A maconha diminui a contagem de espermatozoides, prejudicando a fertilidade masculina, de acordo com estudo da Universidade Duke, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, publicado na última quarta-feira (19) no periódico científico Epigenetics.

A contagem de espermatodoizes, quantidade de espermatozoides no semên, é um índice que avalia o potencial de fertilidade do homem com base na mobilidade dos espermatozoides.

Pela primeira vez, os pesquisadores comprovaram que concentrações mais elevadas de THC (tetrahidrocanabinol), princípio ativo da planta, levavam a uma menor contagem de espermatozoides.

O estudo também mostrou que homens que fumam maconha tiveram mudanças no perfil genético do esperma. “Na ausência de um estudo maior e definitivo, supomos que existem essas alterações no esperma”, afirmou a autora do estudo Susan Murphy, chefe da Divisão de Ciências Reprodutivas do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade Duke ao site de notícias científicas Live Science.

“Eu oriento, por precaução, que pare de usar cannabis por pelo menos seis meses antes de tentar engravidar”, completou.

Estudos anteriores já havia sugerido o impacto negativo da maconha na fertilidade dos homens, no entanto, esta nova pesquisa é a primeira a mostrar uma forte correlação entre as concentrações de THC na urina e o número de espermatozóides viáveis. Em média, a concentração de espermatozóides no sêmen de 12 não-fumantes foi cerca de duas vezes maior do que em 12 fumantes que participaram do estudo.

Para os pesquisadores, o mais preocupante foi o grau de mudanças epigenéticas entre os fumantes de maconha. A epigenética refere-se ao conjunto de pequenas alterações químicas adicionadas à estrutura do DNA que regulam a expressão gênica.

Maconha causa alterações no DNA

O estudo revelou que os homens que fumavam maconha tiveram alterações epigenéticas no DNA de seus espermatozóides envolvendo centenas de genes e duas importantes vias regulatórias: uma que ajuda os órgãos do corpo a atingirem seu tamanho total e outra relacionada ao crescimento durante o desenvolvimento.

A pesquisa indica que vários tipos de câncer estão associados à interferência dessas vias, embora não tenha encontrado uma ligação específica entre o uso da maconha e o câncer.

Quanto maior a concentração de THC na urina dos homens, mais pronunciadas foram as alterações epigenéticas em seus espermatozóides.

Mudanças na quantidade e na qualidade do esperma induzidas pelo consumo de maconha podem não ser permanentes, segundo o autor do estudo. A pesquisa ressalta que homens geram novos espermatozóides diariamente. O esperma leva cerca de 70 dias para amadurecer e então, se não for ejaculado, morrerá logo depois e será reabsorvido pelo corpo.

“Isso significa que, na ausência de uso de maconha, novos espermatozóides podem se desenvolver normalmente. No entanto, os espermatozóides danificados pelo uso de maconha poderiam, teoricamente, afetar negativamente a prole, supondo que tal esperma seja viável, capaz de fertilização e resulte em um embrião viável”, afirmou Murphy à Live Science.

R7