Passado um ano das primeiras prisões que resultaram do julgamento do mensalão, sete dos 19 condenados a penas de reclusão já conseguiram progredir para o regime aberto, dormem em casa e, aos poucos, pensam até em retomar as atividades políticas. Outros quatro já ingressaram com pedidos semelhantes e podem passar a dormir em casa nas próximas semanas. Ou seja, dos 19 presos do julgamento do mensalão, 11 deles têm a possibilidade de terminar 2014 em prisão domiciliar.
O julgamento do mensalão começou em agosto de 2012, mas os 12 primeiros mandados de prisão foram expedidos e executados somente em 15 de novembro do ano passado. Há exatamente um ano, apresentavam-se à Polícia Federal (PF), com a prisão decretada pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino, o operador do mensalão Marcos Valério, a ex-diretora da SMP&B Simone Vasconcelos, o publicitário Cristiano Paz, a ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabelo, o ex-deputado federal Romeu Queiroz, o ex-sócio de Marcos Valério Ramon Hollerbach, o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas e o ex-vice presidente do Banco Rural José Roberto Salgado.
Entre novembro de 2013 e janeiro deste ano, foram presos outros integrantes do escândalo, como o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha (PT), o ex-presidente do PTB Roberto Jefferson e o ex-presidente do PR Valdemar Costa Neto.
Atualmente, dos 19 condenados do mensalão que foram presos, já cumprem pena em casa Genoino, Dirceu, Delúbio Soares, Bispo Rodrigues, Valdemar Costa Neto, Pedro Henry (ex-deputado por Mato Grosso) e Jacinto Lamas. No início do mês, pediram para ter acesso ao mesmo benefício Romeu Queiroz, João Paulo Cunha, Pedro Corrêa (ex-presidente do PP) e Rogério Tolentino (ex-advogado de Marcos Valério). A tendência é que Queiroz, Corrêa e Tolentino tenham direito à prisão domiciliar até o final de novembro. Já Cunha depende de pagamento de multa para ter seu pedido deferido.
Vida após a prisão
Aos poucos, alguns condenados no mensalão pensam ou tentam voltar à atividade política, embora, oficialmente, eles não possam exercer militância ou ter envolvimento com ações partidárias por conta da condenação no mensalão. Nomes como Delúbio, Dirceu e Genoino ainda querem ser inocentados pelo STF por meio de revisões criminais (instrumento jurídico que prevê um novo julgamento em caso de coletas de novas provas).
O iG apurou que, por exemplo, Delúbio Soares tem recebido militantes do PT e parlamentares durante a hora do almoço na sede da Central Única dos Trabalhadores, em uma situação semelhante à do ex-presidente do PR Valdemar Costa Neto, que também já recebeu parlamentares em seu local de trabalho, um restaurante em Brasília. O próprio Delúbio tem comentado com pessoas próximas que preferiria receber visitas na CUT do que na prisão, antes de cumprir prisão domiciliar. Agora, podendo dormir em casa, Delúbio Soares tenta transferir seu domicilio para São Paulo, para ficar mais perto da família.
O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu não integra mais o escritório do advogado José Gerardo Grossi, onde ele exerceu trabalho externo durante pouco mais de cinco meses. Dirceu tenta agora retomar sua empresa de consultoria. Mas ele também pretende ministrar palestras. Dirceu tem feito consultas a contadores já pensando na modificação das atividades da sua atual empresa de consultoria.
IG

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