O operador Marcos Valério Fernandes relatou em acordo de colaboração premiada assinado com a Polícia Federal ter intermediado contribuições em caixa 2 da empresa Usiminas — cliente de suas agências — para diversas campanhas políticas, entre 1998 e 2002. Segundo ele, a empresa doou R$ 1 milhão (em valores da época) para a campanha pela reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 98; e o mesmo valor para as campanhas de Lula (PT) e José Serra (PSDB) à Presidência, em 2002; e de Aécio Neves (PSDB) ao governo de Minas, também em 2002. O acordo precisa ser homologado pelo STF para ter valor jurídico.
De acordo com Valério, os pagamentos foram autorizados pelo então presidente da empresa, Rinaldo Soares, que já foi alvo de investigação pela suspeita de uso da SMP&B para realizar pagamentos ilegais. Segundo o delator, os valores para a campanha de Fernando Henrique e Serra teriam sido entregues ao mineiro Pimenta da Veiga, que foi ministro do governo FH. No caso de Serra, parte dos recursos teria sido usado para pagar diretamente fornecedores de campanha.
O pagamento à candidatura Lula teria sido entregue ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e usado para pesquisas. No caso de Aécio, o repasse teria sido acertado diretamente com o tucano, em seu apartamento em Belo Horizonte.
Pagamentos da Usiminas via SMP&B foram alvos de investigações na época do mensalão. Ex-candidato a prefeito de Belo Horizonte em 2004, Roberto Brant admitiu ter recebido R$ 150 mil por meio de Valério. Em 2007, investigação da Comissão de Valores Mobiliários sobre o uso indevido das agências de publicidade levou o presidente da Usiminas a pagar multa de R$ 1 milhão. Na sexta-feira, em nota, a empresa informou desconhecer “a veracidade dos fatos” relatados por Valério e afirmou ter “elevados padrões de governança”.
O Globo

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