O GLOBO
O ministro da Justiça, Torquato Jardim, desafiou as autoridades fluminenses a provarem que ele está errado sobre as conexões de comandantes da PM do Rio e o crime organizado. Ele afirmou que, embora as investigações da inteligência federal não se voltem para condutas individuais ou batalhões específicos, os dados apontam a necessidade de apurar “toda uma linha de comando”. A tarefa, porém, é da Corregedoria da PM, que recebe as informações dos órgãos federais, segundo Torquato. Ele ainda rebateu a declaração de Luiz Fernando Pezão de que nunca conversou com o ministro sobre o tema, dizendo que tem “melhor memória” que o governador do Rio.
De onde vêm as informações que o senhor mencionou em entrevistas sobre a associação de comandantes da PM do Rio com o crime organizado?
Da própria história da instituição. Em algum momento, este ano, de uma única vez, foram presos 93 policiais de um batalhão em São Gonçalo. Alguns dias mais tarde, mais alguns. E qual foi a consequência disso? A polícia tem que revelar, tem que contar. (Tem) a questão de vazamento de informações. Havia uma operação (em conjunto com as forças federais) planejada num morro, sabia-se que todo sábado de manhã uma das figuras mais perigosas do Rio jogava bola com a gangue dele ali naquele momento. A turma chegou escondida, secreta, silenciosa. O sujeito naquele dia não foi jogar bola onde joga bola todo sábado. Para mim, é muito curioso que o Roberto Sá (secretário de Segurança) não tenha encontrado entre os oficias da ativa um comandante-geral da PM. E foi buscar o coronel Dias que já estava aposentado. Então são essas circunstâncias todas que causam essa dúvida. Lamento a repercussão e extensão que teve (as declarações feitas). Fiz uma crítica institucional pessoal. Mas se estou errado, que me provem.
Mas há investigações de órgãos federais sobre corrupção nas polícias do Rio?
Isso não cabe à autoridade federal. Isso é Corregedoria da própria Polícia Militar local. A inteligência federal atua na segurança do Rio de Janeiro, no conhecimento do narcotráfico e das suas conexões com outras instituições. Não existe investigação de cada batalhão. A inteligência busca responder por que há mais incidência de tal crime na área de tal batalhão e em outros batalhões têm menos crimes. Não é imputar uma acusação a uma instituição ou a uma personalidade dentro da instituição. Mas ter o dado concreto sobre por que tal grupo funciona mais à vontade na área deste batalhão. Isso é serviço de inteligência.
Quando falou em associação de policiais em postos de comando com o crime organizado, era apenas uma opinião do senhor ou existe dado oficial sobre isso?
Claro que existe. Existe um serviço de inteligência sobre tudo que eu falo. Todo serviço de inteligência é sigiloso. Você não pode dizer quem, quando, como.
A corrupção então chegou aos postos de comando?
Há toda uma linha de comando que precisa ser investigada, (que está) sendo analisada. Nós temos informação: R$ 10 milhões por semana na Rocinha com gato de energia elétrica, tv a cabo, controle da distribuição de gás e o narcotráfico. Em um espaço geográfico pequeno. Você tem um batalhão, uma UPP lá. Como aquilo tudo acontece sem conhecimento das autoridades? Como passa na informalidade? Em algum lugar, voltamos à Tropa de Elite 1 e 2. Em algum lugar alguma coisa está sendo autorizada informalmente.
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esqueceu de citar Natal…