
O ministro Renato Janine Ribeiro (Educação) disse que instituições privadas de ensino superior mantêm numa “situação de limbo” 141 mil alunos que dependem do Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies, para continuar seus estudos. Esses alunos ainda não tiveram seus financiamentos renovados porque as escolas não lançaram os dados no sistema do MEC. Agem assim, segundo o ministro, porque querem impor aos estudantes aumentos superiores à taxa de inflação do ano passado, que foi de 6,41%.
Em entrevista ao blog de Josias de Souza, Janine Ribeiro afirmou que, para não prejudicar os alunos, a pasta da Educação renovará os contratos de financiamento mesmo nos casos em que o reajuste for considerado abusivo. Mas avisou: “A instituição ficará fora do Fies”. O repórter quis saber como o aluno será protegido se sua escola for proibida de operar com o Fies. E o ministro: “O MEC vai honrar o compromisso do aluno. Agora, ele desligará a instituição das próximas edições do Fies.”
A turma do “limbo” compõe o universo de 1,9 milhão de contratos antigos do Fies, que o governo garantiu que serão renovados. O problema é que “não há como o MEC renovar o financiamento se a instituição não pediu a renovação”, disse o ministro. “Já detectamos o problema, mandamos um aviso às instituições. Pedimos que elas resolvessem, indicamos para cada uma quantos alunos delas ainda estavam na situação de limbo.” Se os problemas persistirem até a próxima semana, o ministério terá de tomar providências.
Desde que foi empossado na pasta da Educação, em 6 de abril, Janine abandonou a condição de estilingue que ostentava como articulista de jornal. Há um mês e uma semana, ele frequenta a cena como vidraça. Dias antes de virar ministro, dissera numa entrevista que Dilma e os governadores Geraldo Alckmin (São Paulo), Beto Richa (Paraná) e José Ivo Sartori (Rio Grande do Sul) lidam com “um problema parecido: o descompasso entre o que prometeram e o que estão fazendo”. Tendo virado parte do “problema” federal, não se sente desconfortável? Janine afirma que Dilma livrou-o do desconforto já na hora do convite:
“Quando eu fui convidado, a primeira coisa que a presidente disse foi: ‘o senhor não precisa falar nada, nós sabemos tudo a seu respeito’. Eu entendi: o senhor não precisa justificar nada, não precisa desdizer nada, não precisa mudar nada do que o senhor acreditava.” Alforriado pela chefe, o ex-crítico molha a camisa para tentar modificar o cenário que lhe serviu de matéria-prima para a crítica.
“Fui convidado a contribuir com uma coisa que é para a frente, num projeto que eu acredito”, disse Janine. “Eu sempre acreditei nos projetos dos governos Lula e Dilma. Sempre lhes dei apoio, mas apoio crítico. Então, toda a crítica que eu fiz não fui solicitado a desdizer. Mas agora eu estou tentando ajudar a fazer com que essa crítica não seja mais procedente.”
Janine também dissera na sua fase de estilingue que o ministro Joaquim Levy (Fazenda) “é indemissível”. E lamentara que Dilma mantivesse o hábito de “puxar as orelhas” de auxiliares que ousam dizer coisas que a desagradam. Suprema ironia: hoje, ele está submetido à política de cortes de Levy. E suas orelhas estão ao alcance dos dedos de Dilma. Permanecem intocadas, Janine assegura, antes de classificar como “muito bom” o relacionamento que mantém com a presidente.
Comente aqui