O Ministério Público do Estado de São Paulo deu início à instauração de uma série de inquéritos para investigar os crimes apontados por executivos e ex-executivos da Odebrecht nos acordos de colaboração firmados com a Procuradoria-Geral da República. Entre outros, serão investigados o ex-prefeito da capital Fernando Haddad (PT), deputados estaduais, ex-diretores de estatais e integrantes do governo Geraldo Alckmin (PSDB). O próprio governador de São Paulo é alvo de pedido de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na mira da promotoria, estão obras nas linhas 2, 4, 5 e 6 da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), um emissário submarino da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o Trecho Sul do Rodoanel e a Rodovia Carvalho Pinto, ambos tocadas pela Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), além de uma rodovia construída pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e uma obra não especificada pelos delatores da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).
No caso de Haddad, os investigadores querem saber se a Odebrecht obteve vantagens junto à Prefeitura de São Paulo durante a gestão do petista (2013-2016) por efetuar repasses via caixa 2 para sua campanha. Ao menos quatro procedimentos preparatórios para instauração dos inquéritos civis haviam sido protocolados até sexta-feira. Os promotores pretendem instaurar todos os inquéritos até o fim desta semana.
O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), enviou o conteúdo das delações para o Ministério Público Federal. Por isso, o órgão estadual ainda deverá pedir o compartilhamento das informações. Por enquanto, para a abertura das investigações, os promotores se valem do conteúdo divulgado na internet.
O Ministério Público paulista discute ainda a criação de um Núcleo de Atuação Integrada no Combate à Corrupção (NAI-CC) para centralizar as investigações relacionadas à Lava Jato nos âmbitos criminal e cível (mais informações na pág. A5).
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Farinha do mesmo saco.