Ainda que o Nordeste não seja o epicentro do novo coronavírus no Brasil, alguns estados da região têm determinado o lockdown, que é o bloqueio total das atividades, como estratégia de combate ao avanço da pandemia. Confesso que estou bem preocupada com essa perspectiva no Rio Grande do Norte, pois a decisão seria unicamente de natureza política, já que nossos números não justificam a medida extrema.
Ao meu ver, optar por esse recurso, nesse momento, só serve para disfarçar a incapacidade da gestão pública do Estado em abrir leitos e UTIs. Segundo boletins oficiais divulgados pela saúde estadual, nos últimos dias, já temos 100% dos leitos ocupados. Na prática, sabemos que a dificuldade de encontrar leitos vagos é bem anterior à pandemia. Quem não lembra de manchetes recorrentes relatando macas presas no Walfredo ou pacientes no corredor?
Com índices crescentes da pandemia no RN, o que tem sido feito para abertura de novos leitos? Por que ao invés de se falar somente em isolamento, não se trabalha efetivamente e com agilidade para a ampliação dos serviços de saúde? Por que não se investe em testagens em massa para que assim possamos manter em distanciamento social e isolamento apenas as pessoas do grupo de risco? Por que não se reforçam campanhas para o uso de máscaras e a higienização das mãos? Por que não se fala em tratamento precoce da doença com uso de medicamentos?
Ou seria mais simples, na falta de ações concretas, mesmo com recursos federais destinados ao combate à pandemia, deixar o pânico se instalar e assim forçar um lockdown?
Não existe um estudo sequer que analise o tema e aponte que o lockdown funcione efetivamente. A própria OMS reconhece em seus documentos que essas evidências são muito frágeis.
Se examinarmos a situação nos diversos países que adotaram a medida, é possível observar que, considerando os prazos normalmente estipulados pelos defensores do isolamento social, com base no tempo de incubação e diagnóstico da doença, não se pode, de forma geral, estabelecer relação de causa e efeito entre o lockdown e a queda da curva epidêmica.
Um dado apresentado pelo Governador de Nova York, Andrew Cuomo, vai na contramão das práticas adotadas por alguns governantes do Nordeste: cerca de 66% das pessoas que foram infectadas pela doença na cidade, nos últimos dias, estavam dentro de suas casas.
Ou seja, não há como determinar que fechar tudo dará certo por aqui. Enquanto isso, a economia já sofre o efeito devastador da recessão. Temos certeza que restrições maiores provocariam maiores danos à combalida economia e o aumento da pobreza.
Num contexto onde tudo é novo e incerto, e pensando que o vírus veio para ficar e deve ter diversas ondas pelo mundo, o ideal é que gestores políticos atuem com responsabilidade, muita cautela, sem radicalismos, e que se analise caso a caso os custos e benefícios de cada medida. E mais importante do que cercear as liberdades individuais, invistam na saúde e em estratégias eficazes para o combate da pandemia.
Tatiana Mendes Cunha
Advogada

O governador de NY apresenta uma pesquisa que, segundo ele, teria dados “chocantes”: 66% dos hospitalizados por Covid-19 vieram de “casa”.
Se você olhar a pesquisa usada por Cuomo, não há “surpresa” nenhuma. É óbvio que a maioria dos hospitalizados vieram de “casa”.
De onde mais viriam? Da lua? Quase todo mundo mora em… casa (aqui no sentido também de apartamento).
As outras opções são: asilo (nursing home), prisão, sem-teto, abrigos. Como 90% das pessoas, todavia, vivem em “casas” (ou apartamentos), então a maioria vem de… casa.
Kkkkkkkkkkkkkkkkkk " pois a decisão seria unicamente de natureza política " , e o texto não. Vou rir de novo. Kkkkkkkkkkkkkkk
Quando coloca-se contrário ao lockdown, na realidade é preocupação com sua aplicabilidade e de se colocar em prática. É quase que impossível. Se faz parcialmente. Aqui no Brasil, dada a nossa características comportamentais, fica mais difícil ainda. Exemplo: o estado do Maranhão: o governador viu só o centro das grandes cidades, a periferia e as pequenas cidades não foram avaliadas. Então, seria mais lógico e plausível, a abertura controlada, ordenada, fiscalizada , adotando-se todas as medidas já conhecidas para a não disseminação do vírus. Tanto o virus como o desemprego, falência do comércio em geral, industria, construção civil etc, já é uma realidade.
Excelente análise da Advogada. Lógica, lúcida e factual. Pé no chão, sem histeria do tipo queria-que-fosse-com-um-familiar-seu. Pessoas esquecem que existe um meio-termo nas políticas de contenção. E dada a disseminção das pessoas se protegendo, se vê que isso é viável. Análise feita para gente alfabetizada e sem intenções sub-reptícias.
E porque a senhora Tatiana nao pregou essa bandeira, buscando melhorar o sistema de saude do RN nos anos em que trabalhou nos governos anteriores?
Uma carta de opinião escrrits por uma advogada e política…
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Mulé, peruamor di deusi!
BG como leitor assíduo do blog , já vi opiniões embasadas , argumentos justificados e teorias com sustentação . Na verdade , mesmo apoiando-se em frágeis argumentos . Esse , escrito pela doutora Tatiana , foi se dúvida o pior de todos que já li . Vou imprimir e guardar como troféu framboesa .
Poucas vezes me deparei aqui no Blog com uma matéria tão vaga e fraca. A advogada fez um tem texto expondo sua opnião, e opnião todo mundo tem uma. Dizer que não existe comprovação de eficiencia so Lockdown..
Eu ri alto! Moro na Alemanha e existe sim estudos da eficacia a respeiro disso feito feita por infectologistas e inclusive cientistas brasileleiro(e ta no Youtube isso). A necessidade de medidas mais restritivas no norte e nordeste do Brasil se da por uma simples razao: maior má distribuição de renda no país e a precariedade do sistema de saúde (inclusive da rede particular) em relaçao as regiões Sudeste, sul e centro-oeste do país. Nào vou eximir a posibilidade de interesse politico (politico é uma classe que não defendo nunca e em hipotese alguma, ja ganham salarios abusivos e não mecerem elogios ou tapinhas na costas), mas o Lockdown pra o tao sofrido povo do Norte e nordeste nao é uma opção, é o que lhes resta!
Qualquer estudo sério mesmo, saberia imformar o percentual de infectados. Nenhum país o sabe. Tá todo o mundo chutando. Por probabilidade, alguém termina acertando na cagada.
Eduardo concordo em partes, a opção de Lockdown por nós sofrido povo do nordeste não se da pela desigualdade que assola nossa população, e sim pela falta de leitos e da precariedade do sistema de saúde público e privado. De nada adianta ter dinheiro se não tem vaga para se tratar. Quanto ao Lockdown tem sido confirmado sua eficácia como uma ferramenta de um planejamento associada a outras ações. O lockdown sozinho sem associado a outras providências vai se mostrar ineficaz e pode aumentar o sofrimento principalmente daqueles que já sofrem pela desigualdade da distribuição renda
Falou muita besteira quem escreveu…
O RN sempre foi um Estado de poucos recursos e a atual gestora já assumiu com um rombo orçamentário… me explica ai como vc faz investimentos quando já assumiu com dívida e ganha 10 mil por mês e gasta 15 mil…
Com relação a celeridade, como faz quando tentar executar um processo licitatório ultra rápido para hospital de campanha e e acusado de fraude de licitação pelo pouco de coleta de propostas do edital? A "advogada" sabe o tempo médio de uma licitação no Brasil? Pelo texto desconhece completamente…
Mas ai vai falar que está recebendo meio bilhão pra esse combate… ai fala em testarem em massa…
Vc sabe que esses itens estão escassos no mercado? Ou parou pra pensar que,ml mesmo quando encontrado, eles demoram a ser recebidos e são vendidos aos olhos da cara? Primeiro pq quando se vende para órgão público se vende mais caro, pq sabe que não vai receber de imediato e vai prender seu capital de giro. Segundo pq esses itens estão com um ágio incrível. Fui comprar uma máscara descartável N95 em uma rede de farmácias e está custando 24 reais 1 unidades!!!
Acredito que um texto dessa seja ou má fé, ou completa falta de capacidade de pensar…
Como se abre novos leitos? Alisson veio verba federal exclusiva para isso, era só ter usado. Quanto ao processo licitatório, nesse período de pandemia pode ser feito sem licitação. Discordo da Advogada quanto à eficácia do Lockdown, mas o lockdown não é solução, é apenas uma ferramenta em meio a um planejamento para evitar ou diminuir o colapso na saúde. Junto com isso precisa aumentar a frota de leitos, principalmente os de UTI associado ao aumento de teste. O Lockdown isolado sem que haja outras medidas para o tratamento da doença vai ter pouco resultado na prática. E sem falar na postura covarde da nossa governadora que sumiu, diferente de todos os outros estados da federação onde os Governadores vem sistematicamente ao público prestar conta do que está sendo feito e se solidarizar com a população.
Alison, irei responder alguns pontos:
“Falou muita besteira quem escreveu…
O RN sempre foi um Estado de poucos recursos e a atual gestora já assumiu com um rombo orçamentário… me explica ai como vc faz investimentos quando já assumiu com dívida e ganha 10 mil por mês e gasta 15 mil…“
Resposta: Vou explicar… Não dando aumento a classe de seu vice-governador. não criando secretarias como ela fez. Basta reduzir a máquina pública .
“Com relação a celeridade, como faz quando tentar executar um processo licitatório ultra rápido para hospital de campanha e e acusado de fraude de licitação pelo pouco de coleta de propostas do edital? A "advogada" sabe o tempo médio de uma licitação no Brasil? Pelo texto desconhece completamente…”
Resposta: Não houve licitação, houve uma chamada pública, devido ao estado de calamidade. Mas vamos pensar? criar um hospital de campanha num estádio de futebol, gastar mais de 200 milhões para depois desmontar? É muita falta de gestão…
Sobre os itens, Kd o consórcio do Nordeste? Estamos vendo que a criação foi meramente política e o RN está se afundando cada vez mais…
Agora sobre a opinião da Advogada Tatiana Mendes Cunha. Concordo que o Lockdown é pano de fundo para incompetência de gerir a crise da saúde, que convenhamos, já estamos acostumados nos noticiários diários muito antes da pandemia.
Concordo que o governo estadual do RN está muito aquém nas suas ações do covid19 e precisa equipar mais os hospitais com leitos de UTI e enfermarias. Agora questionar o lockdown como medida para baixar o número de infectados já é demais, parece uma opinião negacionista, já que foi comprovado cientificamente que a quarentena é eficaz, vide Taiwan e Nova Zelândia. Talvez estejamos longe do lockdown, mas dependendo do andar da carruagem, essa medida pode ser necessária.
A arrogância que só quem sabe que terá seu leito garantido pode arrotar. Sigo na torcida para que os leitos privados possam ser requisitados e se tenha uma fila única. Será a única forma de todos falarmos a mesma língua. Enquanto tiver gente se sentindo a salvo de morrer roxa, afogada no seco, sem chance de lutar pela própria vida essa discussão não avança. Vão continuar minimizando e tratando como histeria e mimimi, afinal, no dos outros é refesco.Ps a minha parte favorita, pelo descaramento, foi a de dizer que não há comprovação de que lockdown funcione.