Rumo ao quinto mandato como deputado federal, o delegado e pastor João Campos (PRB-GO) tenta aproveitar a guinada conservadora com a eleição do presidente eleito, Jair Bolsonaro, para assumir a presidência da Câmara dos Deputados. “Se eu negasse isso agora como candidato à presidência da Câmara, seria uma negação ao meu mandato”. Campos diz ser favorável ao Estatuto do Nascituro, ao Escola Sem Partido e a uma pauta econômica alinhada à do futuro ministro da Economia: “A reforma da Previdência será prioridade”. Integrante das bancadas da Bíblia e da Bala, Campos critica a segunda tentativa de Rodrigo Maia disputar a reeleição ao comando da Casa. Se for eleito, diz que acabará com a possibilidade de reeleição ao cargo. A seguir, trechos da entrevista de João Campos à ÉPOCA:
ÉPOCA – Qual a base para a sua campanha à presidência da Câmara dos Deputados?
João Campos – A minha base é meu partido, o PRB. A partir do apoio do PRB, estou buscando votos dos deputados, um a um, tanto os atuais quanto os novos, e também de presidentes de partidos e lideranças partidárias.
ÉPOCA – O que o senhor tem colocado aos deputados para convencê-los a votar no senhor?
João Campos – Digo que estou no quarto mandato, que já sou conhecido por aqueles que estão na Casa, de conhecer o rito legislativo, e que tenho compromisso com as pautas eleitas pela sociedade brasileira nas últimas eleições. São pautas que venho trabalhando há algum tempo: o enfrentamento da corrupção, o atuar na segurança pública, as reformas de estado, compreendendo a previdenciária e a tributária, e o pacto federativo. Falo sobre a defesa do Parlamento e os critérios para distribuição de relatorias. Também quero impedir a reeleição de forma continuada, independente da legislatura. Isso quebra um dos princípios da democracia: a igualdade de condições. Não é possível que um candidato tenha de concorrer com alguém que esteja no exercício da presidência. Isso cria uma injustiça tremenda.
ÉPOCA – O senhor se refere ao caso do deputado Rodrigo Maia?
João Campos – Sim, mas não se aplicaria a esta eleição. Seria para o futuro. De qualquer forma, é injusto.
ÉPOCA – Os deputados têm reclamado com o senhor? O fato de o Rodrigo Maia estar tentando sua segunda reeleição incomoda os parlamentares?
João Campos – Não diria um sentimento geral, evidentemente, mas existe, sim. A Casa é composta de políticos que desejam ocupar espaço. A Mesa só tem 12 vagas. Nós somos 513. À medida em que o deputado se perpetua lá, diminui as oportunidades para qualquer um dos 513. Tem muita gente capaz aqui.
ÉPOCA – Isso assegura alguma vantagem sobre Rodrigo Maia?
João Campos – Não, não chega a isso. Eu acho que ele é que tem vantagem em relação a mim e aos outros candidatos. O fato de ele estar no exercício da presidência, por si só, expressa segurança aos interlocutores dele. É um parlamentar já institucionalizado, representa a Casa. Representa uma vantagem em relação aos novos deputados, em tese. Ele é conhecido de todo mundo, dos novos, da sociedade brasileira. Os demais deputados não têm essa possibilidade. O conhecimento que terão acerca do João Campos não é o mesmo que terão sobre o presidente Rodrigo.
ÉPOCA – Ser da bancada evangélica e de segurança pública ajuda a sua candidatura?

Comente aqui