Diversos

O escândalo que fez o Facebook perder US$ 35 bilhões em horas

O valor do Facebook na bolsa de valores de tecnologia dos Estados Unidos encolheu impressionantes US$ 35 bilhões (ou aproximadamente R$ 115,5 bilhões) entre a manhã e o anoitecer desta segunda-feira.

Para efeito de comparação, as ações da rede social caíram, só nesta segunda, o equivalente ao valor de mais de 200 mil casas populares no Brasil.

Até o fechamento do dia na Nasdaq, em Nova York, as ações do Facebook haviam caído 6,7%.

Esta é a maior redução percentual em valor de mercado do Facebook em um só dia em quatro anos, levando a capitalização de mercado da empresa de US$ 537 bilhões (ou R$ 1,77 trilhão), registrados na sexta-feira à noite, para aproximadamente US$ 500 bilhões no fim desta segunda.

O resultado teve reflexos nas principais empresas do ramo, que também tiveram resultados negativos nos EUA (enquanto a empresa que controla o Google caiu 3%, outras gigantes como Amazon, Netflix e Apple registraram quedas de até 1,5% nesta segunda-feira).

A âncora que afunda os papéis da empresa de Mark Zuckerberg foi lançada durante este fim de semana, quando diferentes reportagens da imprensa internacional denunciaram que uma consultoria teria usado informações privadas roubadas de mais de 50 milhões de membros do Facebook.

Os perfis das pessoas que integram a rede social são considerados “moeda valiosa” na guerra de marketing eleitoral. Isto porque as interações no Facebook revelam muito sobre nossa personalidade, interesses, medos e opiniões.

Com base nestas informações, empresas podem desenvolver algorítimos para direcionar de forma personalizada publicidade, artigos ou mensagens de cunho político adequadas aos interesses de cada um ou com maior potencial de causar impacto.

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, perdeu sozinho quase US$ 5 bilhões após escândalo da Cambridge Analytica. Foto: Reuters

Procurado pela BBC Brasil, o Facebook nos Estados Unidos não comentou as perdas na bolsa americana, nem o escândalo revelado no fim de semana.

O caso

O pivô do escândalo é a Cambridge Analytica, uma empresa de análise de dados que trabalhou com a equipe responsável pela campanha de Donald Trump nas eleições de 2016, nos Estados Unidos. Na Europa, a empresa foi contratada pelo grupo que promovia o Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia).

A companhia é propriedade do bilionário do mercado financeiro Robert Mercer e era presidida, à época, por Steve Bannon, então principal assessor de Trump.

Segundo os jornais britânicos The Guardian e The Observer, e o americano The New York Times, a consultoria comprou informações pessoais de usuários do Facebook sem autorização e as usou para criar um sistema que teria permitido predizer e influenciar as escolhas dos eleitores nas urnas.

As informações foram coletadas por um aplicativo chamado thisisyourdigitallife (essa é sua vida digital, em português), que pagou centenas de milhares de usuários pequenas quantias para que eles fizessem um teste de personalidade e concordassem em ter seus dados coletados para uso acadêmico – o app foi desenvolvido por Aleksandr Kogan, um pesquisador da Universidade de Cambridge, no Reino Unido (a universidade não tem ligações com a Cambridge Analytica).

Além da óbvia questão de que muitos usuários não leem os longos termos e condições e mal sabem que estão dando suas informações, o grande problema foi que o aplicativo também coletou as informações dos amigos de Facebook das pessoas que fizeram o teste, sem autorização.

À época, a política do Facebook permitia a terceiros a coleta de dados de amigos, mas apenas para melhorar a experiência do próprio usuário no aplicativo. Era proibido que os dados fossem vendidos ou usados para propaganda.

De acordo com a imprensa americana, 270 mil pessoas fizeram o quiz – mas os termos de uso, que costumam ser ignorados pela maioria, permitiam que desenvolvedores tivessem acesso aos dados dos amigos dos usuários.

Isso teria feito o número de pessoas com dados coletados saltar para a casa dos 50 milhões. As informações obtidas por meio do teste de personalidade foram vendidas à Cambridge Analytica, segundo contou o ex-funcionário da empresa Christopher Wylie, que é um pesquisador canadense na área de ciência da computação, aos jornais The New York Times e The Guardian.

Segundo as publicações, os dados obtidos pela consultoria incluem detalhes da identidade de usuários do Facebook, publicações, curtidas e rede de amigos.

O Facebook demorou para agir?

Entre as provas apresentadas por Wylie estão uma carta de advogados do Facebook enviada a ele em agosto de 2016, pedindo para que destruísse os dados coletados por meio do teste de personalidade criado pelo acadêmico Aleksandr Kogan.

A carta foi enviada alguns meses depois de uma reportagem do The Guardian apontar possíveis irregularidades no acesso a perfis de usuários da rede social e dias antes da Cambridge Analytica passar a atuar na campanha de Trump.

“Porque os dados foram obtidos e usados sem permissão e porque a GSR (empresa criada por Kogan para obter os perfis de quem fez o quiz) não estava autorizada a compartilhar ou vender o material a você, ele não pode ser usado legitimamente no futuro e deve ser deletado imediatamente”, diz a carta do Facebook.

Segundo Wylie, o Facebook não foi atrás para se assegurar que as informações foram deletadas.

“O que mais me impressionou foi isso. Eles esperaram dois anos e não fizeram absolutamente nada para checar se os dados foram apagados. Eles só me pediram para preencher com x uma pergunta e postar de volta o documento”, contou o ex-funcionário da Cambridge Analytica.

O que diz o Facebook?

O Facebook diz que havia sido informado de que os dados dos usuários seriam usados para fins acadêmicos. A rede social apagou as contas da Cambridge Analytica na sexta-feira, argumentando que a consultoria usou os dados irregularmente. O ex-funcionário que denunciou o esquema disse, no entanto, que o Facebook já sabia do uso dos dados desde 2016.

Já a Cambridge Analytica nega que tenha usado os dados e afirma que apagou todas as informações assim que soube que elas foram colhidas irregularmente.

Mas o The New York Times afirma que, com base em entrevistas com ex-funcionários da empresa e em emails e documentos, a Cambridge Analytica não apenas usou os dados do Facebook para fazer marketing político, mas ainda mantém a maioria dessas informações.

Desde que o escândalo veio à tona, o cofundador do Facebook Mark Zuckerberg perdeu, sozinho, quase US$ 5 bilhões.

Em que pé estão as investigações?

A senadora americana Amy Klobuchar chegou fazer pressão para que Mark Zuckerberg deponha ao Senado para dar explicações. No Reino Unido, o deputado conservador Damian Collins disse que também pretende chamar Zuckerberg ou outro alto executivo para depor.

Parlamentares americanos querem mais informações do diretor-executivo da Cambridge Analytica, Alexander Nix, sobre a atuação da empresa na campanha de Donald Trump. O promotor que investiga o possível involvimento da Rússia na eleição presidencial já pediu acesso aos emails dos funcionários da consultoria que trabalharam para o time do atual presidente.

No Reino Unido, onde a Cambridge Analytica foi contratada pela campanha “pró-Brexit”, autoridades dizem que pedirão à Justiça um mandado de busca e apreensão nos escritórios da empresa em Londres.

Novo escândalo

Além do escândalo envolvendo o uso irregular de dados de usuários do Facebook, a Cambridge Analytica se viu envolvida esta semana em uma nova polêmica.

O diretor-executivo da empresa, Alexander Nix, foi filmado pelo Channel 4 News, canal de TV britânico, sugerindo táticas questionáveis para desacreditar candidatos em campanhas.

Um repórter que se apresentou como potencial cliente da Cambridge Analytica se reuniu com Nix e gravou as informações. O jornalista disse que trabalhava para um cliente rico que desejava eleger um candidato no Sri Lanka.

Na filmagem, o executivo é perguntado sobre que tipo de “investigação aprofundada” poderia ser feita contra adversários políticos. “Ah, nós fazemos bem mais do que isso”, respondeu Nix.

Ele, então, sugere que uma forma de atingir um indivíduo é “oferecer um acerto que é bom demais para ser verdade e filmar isso”. Nix ainda acrescentou que poderia “enviar algumas garotas para a casa do candidato”. Ele comentou que “meninas ucranianas são muito bonitas e que funcionariam bem”.

“Só estou te dando exemplos do que pode ser feito e do que já foi feito antes”, concluiu o executivo, nas imagens gravadas pela TV britânica.

A Cambridge Analytica se defendeu dizendo que a reportagem “interpretou errado” a conversa registrada pelas câmeras.

Nix diz que se engajou na conversa apenas para poupar o “cliente de constrangimentos”. “Nós apresentamos uma série de cenários hipotéticos absurdos”, afirmou.

“A Cambridge Analytica não compactua ou participa de armadilhas ou pagamentos de propina”, completou.

R7, com BBC Brasil

 

Opinião dos leitores

  1. O Facebook ameaça a Democracia.
    É mais fácil a mídia social produzir gás de pimenta do que Revolução.

  2. O EXTERMINADOR DO FUTURO segue PISANDO NA ESTÁTUA DA LIBERDADE e RECOLONIZANDO ANTIGAS COLÔNIA, AO MESMO TEMPO QUE SEMEIA GUERRA ONDE PODE: IRAQUE, AFEGANISTÃO, UCRÂNIA, SÍRIA, CORÉIA, ISRAEL…
    Os admiradores do Mickey Mouse já podem se vestir de Pato Donald e sair por aí gritando mantras entreguistas de Viva Trump, Viva Temer, levem nossa ELETROBRAS, PETROBRAS, EMBRAER, e controlem o nosso AQUÍFERO DE ÁGUA DOCE GUARANY, A NOSSA BASE DE ALCÂNTARA…
    Privatizem a Educação, a Saúde, a Previdência. Retirem os Direitos Trabalhistas e acabem com a s garantias constitucionais do Brasileiros.
    Melhor ainda, destruam e queimem essa Constituição que não serve mais pra nada, porque ninguém mais a obedece. Cada Juiz e Tribunal faz sua própria lei.
    Viva a IDADE MÉDIA E A SANTA INQUISIÇÃO EM NOME DE DEUS!!!

  3. Para os que ainda não estão entendendo o que está acontecendo, esse escândalo mostra como as redes sociais estão sendo usadas para semear o medo, a intolerância, o racismo, o ódio, o consumismo, e influenciar politicamente a massa de carneiros, criando heróis e bandidos artificialmente.
    Acordem e vão ler o livro "1984" de Orson Well, para entender a origem do BBB, com o grande irmão espionando todo mundo e os manipulando sutilmente por meio de perfis falsos e robôs que retransmitem charges, clichês e propagandas queimando uns e endeusando outros, ou simplesmente desviando a atenção dos incautos e distraídos para outros assuntos em proteção aos seus financiadores e protegidos.
    Acorde, a MATRIX já está instalada e é controlada pelo Departamento de Justiça Americano.

    1. É claro que você e todos aqueles que odeiam as liberdades individuais estão revoltados com a revolução provocada pela disseminação da internet, que está permitindo o acesso rápido das pessoas às informações e a libertação do povo da manipulação da grande mídia. Na verdade, a internet exerce o efeito exatamente oposto ao que vc fala. E isso faz com que surjam novos nomes na política, novas lideranças, ao tempo em que as antigas práticas são facilmente desmascaradas. A mentira, que já ganhou várias eleições como a da Dilma em 2014, está sendo mais facilmente desmascarada. Isso também ocorre com as tais "fake News", que são destruídas com a mesma rapidez com que surgem. E para os excessos há sempre o acesso à justiça. Com a internet está ficando muito difícil enganar o povo, não é mesmo, camarada? A liberdade de expressão é mesmo muito ofensiva àqueles que defendem ditaduras e ditadores.

    2. Interessante Ceará ou quem quer que vc for escondido com essa máscara tosca, reparei que todo mundo que emite uma opinião que discorda do que vc acredita e/ou defende, logo vc o rotula como uma forma de desqualificar o que está sendo dito ou argumentado.
      É bom vc saber que não só existem coxinhas viúvas de Aécio que se tornaram seguidores de Bolsonada e comedores de mortadela ou camaradas como vc costuma se referir aos que destesta. Há mais vida nessa imensa colônia e nem todos são cegos para não ver que a corrupção nunca foi o problema da elite econômica representada pela REde Globo e Fiesp.
      ACORDE E DEIXE DE SER HIPÓCRITA. SEUS COMENTÁRIOS DE TÃO REPETITIVOS JÁ SÃO ENFADONHOS E PREVISÍVEIS.
      Nos diga quem paga pra vc ficar o dia todo on line digitando besteira?

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VÍDEO: Flávio chora ao escrever carta para Bolsonaro após proibição de visita no Dia dos Pais

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) escreveu neste domingo (9), Dia dos Pais, uma carta ao pai, Jair Bolsonaro, após ser impedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, de visitá-lo.

“Estou com saudade de ouvir sua voz, sua risada, suas piadas sem graça. Mas não tem mal que dure pra sempre. Deus só está nos capacitando pra algo muito amor em nossas vidas. Até breve. Te amo. Fique com Deus”, escreveu.

Flávio também afirmou que soube da decisão de Moraes após cumprir agenda em Itapetininga (SP). Segundo ele, o pedido para que ele e os irmãos Carlos e Jair Renan visitassem o pai foi negado.

“Por isso, lhe escrevo, pois não poderei te dar um abraço e matar a saudade como gostaria”, declarou. A carta foi publicada em vídeo nas redes sociais, no qual Flávio aparece emocionado.

Moraes manteve a suspensão de 30 dias das visitas a Bolsonaro, permitindo apenas atendimentos médicos, fisioterapêuticos e encontros com advogados. A restrição foi imposta após Moraes entender que o ex-presidente descumpriu medidas cautelares.

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PESQUISA GENIAL/QUAEST: Pix é a instituição de maior confiança dos brasileiros, superando Igreja Católica, PM e Forças Armadas

Foto: Agência O Globo

O Pix é a instituição de maior confiança dos brasileiros, segundo levantamento Genial/Quaest divulgado neste domingo (9) pelo jornal O Globo. O sistema de pagamentos do Banco Central é considerado confiável por 80% dos entrevistados, enquanto 19% desconfiam e 1% não soube responder.

O Pix superou instituições tradicionais que lideravam a pesquisa anterior. A Igreja Católica aparece em seguida, com 76% de confiança, seguida pela Polícia Militar (75%) e pelas Forças Armadas (70%).

Confiança no Pix independe de espectro político

A confiança no Pix também se mantém elevada entre diferentes grupos políticos. Entre eleitores de direita não bolsonarista, chega a 87%, enquanto entre os de esquerda não lulista é de 88%. Entre os independentes, três em cada quatro afirmam confiar no sistema.

Partidos políticos, redes sociais e juízes de futebol são os menos confiáveis, mostra pesquisa

Entre as instituições de menor credibilidade na sociedade, estão os partidos políticos. As legendas partidárias aparecem na penúltima colocação, com 44% de confiança, junto com as redes sociais. As siglas só perdem para os juízes de futebol, que têm a confiança de 41% dos brasileiros e a desconfiança de 56% da população.

Com informações de O Globo

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[VÍDEO] “ISSO É UM ESCÁRNIO”: Cineasta potiguar cobra recuperação do calçadão da Av. Roberto Freire; responsabilidade é do DER

Em caminhada na manhã deste domingo (9), o cineasta potiguar Buca Dantas publicou no Instagram um vídeo se mostrando bastante indignado com a situação do calçadão da Avenida Engº Roberto Freire, na Zona Sul de Natal, e fez uma dura cobrança aos responsáveis.

Isso aqui tem anos que isso é assim, anos, anos que isso é assim. Isso aqui, gente, isso aqui causa acidente. É… Isso é desnecessário uma coisa dessa“, afirma Buca no início do vídeo

Buca também cobrou dos responsáveis atitude: “Isso aqui depende da vontade de alguém, infelizmente, a gente nunca vai saber quem é e tal. Mas tem alguém sendo muito bem pago pra gerir isso aqui […] tá na cara que essa pessoa ela deveria não estar exercendo o papel dela, né? Essa pessoa é uma pessoa imprestável, no lugar errado.”

O responsável pela manutenção e recuperação do calçadão é o Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER-RN), órgão vinculado ao governo estadual.

Vale lembrar que é justamente nesta região que a Prefeitura de Natal pretende instalar o Parque Linear.

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Geral

Defesa de Allyson rebate reportagem sem citar a condenação unânime no TRE — e não explica o que o e-mail da Secom faz no cadastro do perfil

Imagem: reprodução/Blog do Dina

Por Dinarte Assunção – Blog do Dina

A defesa de Allyson Bezerra respondeu à reportagem do Blog do Dina sobre a rede de perfis pró-Allyson com uma nota de oito pontos, assinada por três advogados. É um texto bem construído — e é por isso que vale lê-lo com os documentos do lado. A nota explica com desenvoltura o que a reportagem não perguntou, concede o que não pesa e silencia, do primeiro ao último parágrafo, sobre o fato mais incômodo para a sua tese central.

A tese central da nota é jurídica: cidadão pode manifestar apoio a pré-candidato, e responsabilizar o beneficiário por conteúdo de terceiros “exige prova de autoria ou de prévio conhecimento”, nos termos do artigo 40-B da Lei das Eleições — não havendo, cita a nota, “dever geral de vigilância” sobre o que terceiros publicam. O que a nota não conta é que, para essa mesma rede de perfis, o TRE-RN já considerou o requisito do prévio conhecimento preenchido. Em 9 de julho, ao julgar representação sobre um jingle veiculado por quatro dos cinco perfis, o tribunal condenou Allyson, por unanimidade, a multa de R$ 10 mil por propaganda antecipada — fixando a tese de que o prévio conhecimento do beneficiário “pode ser extraído de elementos contextuais da internet”, como as biografias dos perfis apontando para a conta oficial dele e as marcações diretas. Some-se o placar da rede: cinco liminares deferidas e três perfis suspensos por ordem judicial até 15 de agosto. As palavras “condenação” e “multa” não aparecem na nota.

O registro completo pede a outra ponta do placar: em 5 de agosto, o TRE negou pedidos apresentados contra o perfil oficial de Allyson. O placar acima é o da rede “espontânea” — não o da conta dele.

O documento define o próprio campo

O ponto mais técnico da nota é a releitura do Business Record da Meta. Diz a defesa que o campo onde aparece o e-mail da Secom de Mossoró “não informa quando o endereço foi vinculado àquele perfil, e sim o histórico daquele endereço dentro da plataforma”.

O documento discorda. O mesmo Business Record que registra o e-mail traz, impressa, a definição da Meta para o campo: “Registered Email Addresses” exibe “a lista de endereços de e-mail registrados pelo titular da conta” (“registered by the account holder”); e-mail “Verified” é aquele “que foi adicionado a uma conta”, com data e hora. Registrado pelo titular. Adicionado à conta. Não há, na definição, “histórico do endereço dentro da plataforma” — e a preposição pesa: o campo descreve, por definição, um ato de quem controla a conta.

E o ponto que a releitura da defesa não alcança: seja qual for o significado exato da data de 2019 — anomalia que a reportagem registrou desde a primeira versão —, no retrato que a Meta gerou em junho de 2026 o e-mail institucional da prefeitura está listado entre os endereços registrados do perfil. A nota explica a data. Não explica a presença.

A cronologia que piora o quadro

A defesa argumenta que dezembro de 2019 é anterior ao mandato: Allyson era deputado estadual, e a comunicação de Mossoró “era conduzida por administração adversária”. A cronologia está correta — e devolve duas perguntas piores do que a que pretendia responder.

Como um endereço de uso interno da prefeitura — sob qualquer gestão — aparece vinculado a um perfil dedicado a promover Allyson?

E por que o endereço — de uma caixa administrada, segundo o Google, pelo setor de TI da própria prefeitura — ainda constava no cadastro no retrato de junho de 2026, depois dos cinco anos, de janeiro de 2021 a março de 2026, em que a Secom respondeu a Allyson? A nota não toca em nenhuma das duas. E não vale responder que os dados estavam congelados por ordem judicial: a ordem de preservação, de 22 de junho, obriga a Meta a guardar os registros — não impede o dono da conta de mexer no cadastro. Prova disso está nos próprios autos: no mesmo dia da ordem, um e-mail novo foi adicionado ao perfil.

“Pertence” não era a pergunta

A nota abre afirmando que nenhum e-mail, telefone ou IP dos perfis “pertence a Allyson Bezerra ou a ele remete”. Pertencer, é verdade, nenhum pertence — a reportagem nunca disse o contrário. Remeter é outro verbo. Uma conta da rede foi criada sob o nome “Allysson Prefeito”, com a data de nascimento dele. A chave de recuperação dessa conta bate com a de uma ex-assessora do Gabinete do Prefeito — e o telefone que ela declarou como seu em petição de 2022 é o número verificado no perfil que usa essa conta, embora, na operadora, a linha conste em nome de outra pessoa. O e-mail pessoal da mulher que ele nomeou secretária de Comunicação está verificado no perfil mais antigo. A nota responde ao verbo fácil e deixa o difícil intacto.

Há ainda o item em que a defesa afirma que “todos os responsáveis” pelos perfis comparecem “espontaneamente” à Justiça e “afirmam atuar por iniciativa própria”. A nota não diz quem são os todos. Se incluem a ex-secretária e a ex-assessora que os registros ligam à rede — e que nunca se pronunciaram publicamente —, quem afirma por elas é a defesa do político beneficiado. Se não incluem, os vínculos das duas seguem exatamente onde estavam: sem resposta. Em julho, o administrador confesso de um dos perfis disse ao Diário do RN que estava “aguardando ser intimado”; na nota, o comparecimento de todos é espontâneo.

Onde a nota tem razão

Em dois pontos, o registro é devido. A nota diz que “não há uma única credencial comum a dois perfis” — e a reportagem não afirmou que houvesse. O que os documentos mostram é outra coisa: o e-mail verificado de um perfil em 2023 é o nome exato de outro perfil que só nasceria em 2026, e uma mesma pessoa aparece ligada a dois perfis por contatos distintos. E a nota lembra que data de nascimento é pública e cadastro de e-mail é declaratório — verdade, e por isso a reportagem não afirmou autoria. Mas “admiração”, a explicação que a nota oferece, não explica por que a chave que recupera a conta está com uma ex-assessora do gabinete.

O extrato que vem aí

Há uma parte deste caso que nenhuma nota alcança. A Justiça Eleitoral já determinou que a Meta entregue os dados de impulsionamento dos cinco perfis: contas publicitárias, valores gastos, formas de pagamento. Quando esses dados chegarem aos autos, a discussão sobre espontaneidade deixa de ser um debate de teses. Vira extrato.

Leia a íntegra da nota da defesa de Allyson Bezerra:

NOTA DA DEFESA

Em razão da matéria publicada em 8 de agosto de 2026, e diante do espaço de manifestação aberto pela própria publicação, a defesa de ALLYSON LEANDRO BEZERRA SILVA vem esclarecer o seguinte.

1. Os documentos citados na reportagem foram produzidos por determinação da Justiça Eleitoral, no âmbito de processo movido contra o pré-candidato, e o seu resultado é exatamente o oposto do que a matéria sugere. Nenhum endereço de e-mail, nenhum número de telefone e nenhum endereço de IP dos cinco perfis pertence a Allyson Bezerra ou a ele remete.

2. Os registros mostram cinco perfis criados ao longo de quase seis anos, em datas distintas, com credenciais próprias e endereços de conexão diferentes entre si, parte deles indicando inclusive operadoras diversas. Não há uma única credencial comum a dois perfis. Não se trata de estrutura montada para a eleição de 2026, e sim do acúmulo, ao longo dos anos, de perfis de apoiadores e de humor em torno de figura pública com projeção estadual, fenômeno ordinário das redes sociais.

3. Quanto ao endereço de e-mail institucional mencionado na reportagem, é preciso corrigir a leitura do documento. A própria matéria registra que a data ali indicada, 22 de dezembro de 2019, é anterior à criação da conta, ocorrida em 19 de setembro de 2020. Uma conta não pode ter recebido um endereço de e-mail antes de existir. O campo, portanto, não informa quando o endereço foi vinculado àquele perfil, e sim o histórico daquele endereço dentro da plataforma.

4. Ainda que assim não fosse, a data de dezembro de 2019 é anterior ao mandato. Allyson Bezerra tomou posse como prefeito de Mossoró em 1º de janeiro de 2021. Em dezembro de 2019 ele exercia mandato de deputado estadual, e a comunicação da Prefeitura de Mossoró era conduzida por administração adversária. A insinuação de uso de estrutura pública se desfaz na própria cronologia apresentada pela reportagem.

5. Sobre a data de nascimento mencionada em cadastro de correio eletrônico, trata-se de informação pública, constante dos registros de candidatura e acessível a qualquer pessoa. Cadastro de e-mail é declaratório e não passa por validação documental de espécie alguma. O dado indica, no máximo, a admiração de quem o preencheu. Não indica autoria, não indica gestão e não indica conhecimento por parte de quem é homenageado.

6. Todos os responsáveis pelos perfis estão comparecendo espontaneamente à Justiça Eleitoral para prestar os seus esclarecimentos. Nenhum deles foi convocado por Allyson Bezerra e todos afirmam atuar por iniciativa própria. Comparecem porque entendem que a melhor resposta à suspeita é a identificação voluntária e o exame aberto daquilo que fizeram. É precisamente o contrário do anonimato que se lhes imputa, e a defesa considera que a transparência, aqui, presta serviço ao debate público.

7. O direito de cidadãos manifestarem apoio a um pré-candidato é assegurado pela legislação eleitoral, no art. 36-A da Lei nº 9.504/97, e pela Constituição da República. A responsabilização do beneficiário por conteúdo produzido por terceiros exige prova de autoria ou de prévio conhecimento, nos termos do art. 40-B da mesma lei, e não existe no ordenamento brasileiro dever geral de vigilância sobre o que terceiros publicam na internet, como reconheceu o Supremo Tribunal Federal ao julgar o Tema 987 da repercussão geral. Marcar um perfil e convidar colaboradores para uma publicação são funcionalidades acionadas exclusivamente por quem publica, sem qualquer participação de quem é mencionado

8. Allyson Bezerra não criou os perfis, não os gerencia, não elaborou as artes e não realizou as publicações. As questões relativas ao tema estão sendo discutidas no foro próprio, com absoluto respeito às decisões da Justiça Eleitoral, e é nele que a defesa seguirá apresentando os esclarecimentos devidos, como tem feito.

A defesa permanece à disposição da imprensa para os esclarecimentos adicionais que se façam necessários.

Natal, 8 de agosto de 2026.

CAIO VITOR R. BARBOSA
OAB/RN 7.719
FELIPE A. CORTEZ M. DE MEDEIROS
OAB/RN 3.640
THIAGO CORTEZ M. DE MEDEIROS
OAB/RN 4.650

Por Dinarte Assunção – Blog do Dina

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[VÍDEO] Prédio em Palmas troca o 13º andar por 12+1

Uma mulher compartilhou um vídeo nas redes sociais mostrando um fato curioso envolvendo um prédio que está sendo construído em Palmas (TO). O detalhe que chamou a atenção foi que a incorporadora trocou o número do 13º andar por 12+1.

Os comentários na publicação especulam que a mudança seria uma demonstração de rejeição ao PT, que é eleitoralmente identificado pelo número substituído.

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Geral

O sonho de ser pai pode ganhar novos caminhos com a reprodução assistida

No mês do Dia dos Pais, o DNA Fértil destaca os avanços da medicina reprodutiva e as possibilidades para homens que enfrentam dificuldades para ter filhos.

A infertilidade masculina pode estar relacionada a alterações na quantidade, qualidade ou ausência de espermatozoides. Com a evolução da medicina reprodutiva, hoje existem diferentes possibilidades de investigação e tratamento.

Entre elas estão a Fertilização in Vitro (FIV) e a ICSI, técnica que permite a introdução de um espermatozoide diretamente no óvulo, indicada em determinados casos de fator masculino.

No Rio Grande do Norte, essa evolução faz parte da história do DNA Fértil. Desde 1997, a clínica atua na reprodução assistida e foi responsável pelo primeiro bebê concebido por FIV no estado.

Ao longo de quase três décadas, o DNA Fértil acompanhou a evolução da ciência e já contribuiu para o nascimento de mais de 1.000 bebês.

Hoje, exames como o espermograma e, quando indicados, testes complementares ajudam a investigar a fertilidade masculina e definir a estratégia mais adequada para cada caso.

Neste Dia dos Pais, o DNA Fértil celebra a ciência, a experiência e todos os caminhos que podem tornar possível o sonho da paternidade.

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Geral

Menos dinheiro no fim do mês: renda disponível do brasileiro cai para menor nível da história

Foto: Unsplash

A inflação acima do esperado e os juros elevados têm reduzido a folga no orçamento das famílias brasileiras. Em maio, apenas 21,7% da renda ficou disponível após o pagamento de despesas essenciais e serviços de dívidas, como empréstimos e financiamentos, segundo levantamento da consultoria Tendências.

Isso significa que, a cada R$ 100 recebidos, sobraram R$ 21,70 para outros gastos. O resultado está próximo do menor nível da série histórica, iniciada em 2011. A mínima, de 21%, foi registrada em janeiro e fevereiro deste ano.

Sem considerar o custo das dívidas, a renda disponível sobe para 41,64%, ou R$ 41,64 a cada R$ 100, depois de despesas como alimentação, transporte, aluguel e medicamentos.

Segundo Isabela Tavares, analista da Tendências, ouvid pela reportagem do Estadão, a inflação tem pressionado o orçamento mais do que o previsto. “Pode parecer uma variação pequena, mas qualquer 0,1 ponto (porcentual) na renda disponível acaba afetando bastante o orçamento das famílias”, afirmou.

Entre os fatores que pressionam os preços estão o choque do petróleo, que eleva custos de combustíveis, fretes e produtos industriais, e a expectativa de um El Niño que pode afetar a produção de alimentos.

As projeções de inflação também pioraram ao longo do ano. Segundo o Boletim Focus, a estimativa para o IPCA passou de 4,31% em janeiro para 5,03% na pesquisa mais recente.

Com informações de Estadão

Opinião dos leitores

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Registro de candidatura de Lula no TSE inclui 88 certidões criminais

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Lula (PT) registrou neste sábado (8) sua candidatura à reeleição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e anexou 88 certidões criminais (veja aqui) à documentação apresentada.

Entre os outros candidatos que já haviam registrado a candidatura, Renan Santos (Missão) apresentou cinco certidões, enquanto Romeu Zema (Novo) anexou 12. Até a manhã deste domingo (9), ainda não havia documentos disponíveis no sistema para Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL).

A apresentação de uma certidão positiva não significa, por si só, impedimento à candidatura. Quando há registro criminal, o candidato também deve apresentar a chamada certidão de objeto e pé, que detalha a situação atualizada do processo.

Com essas informações, a Justiça Eleitoral analisa cada caso para verificar se há alguma decisão que possa afetar a candidatura.

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Presidente do TSE, Nunes Marques, defende credibilidade das urnas eletrônicas e diz que dúvidas “desconvidam” o eleitor

Foto: Luiz Roberto/Secom/TSE

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, defendeu neste domingo (9) a credibilidade das urnas eletrônicas e afirmou que questionar o sistema de votação pode afastar eleitores das eleições.

Ao longo de três décadas, o sistema brasileiro de votação consolidou sua credibilidade por meio do aperfeiçoamento tecnológico e de mecanismos de fiscalização e auditoria, garantindo fiscalização e transparência no processo eleitoral e nos resultados das urnas. Desacreditar o sistema de votação brasileiro é desconvidar o eleitor brasileiro a participar da maior festa democrática do Brasil”, afirmou.

A declaração foi feita durante a Corrida pela Democracia, em Brasília, que encerrou a primeira Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, promovida pelo TSE entre os dias 3 e 9 de agosto.

Nunes Marques também destacou a participação dos 27 Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) na programação, que apresentou à população o funcionamento das urnas e do processo eleitoral.

“Durante toda essa semana, todos os 27 TREs se empenharam não só no desmonte de urnas, mas também na tentativa de dar transparência de como funciona todo nosso processo de votação”, disse. Durante a programação, o tribunal também realizou a desmontagem pública de uma urna para explicar seu funcionamento.

Opinião dos leitores

  1. Nunes Marques, indicado por Bolsonaro falando Isso cala a boca de tantos palermas que não é brincadeira

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Mesmo com chapa ‘puro-sangue’, Flávio deve ter segunda menor diferença de tempo de TV com PT desde 2010

Foto: Vittor Sales/Divulgação Campanha

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, terá apenas a força de seu partido no Congresso para definir seu tempo na propaganda eleitoral. Mesmo formando uma chapa “puro-sangue”, tendo como vice o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), Flávio terá o segundo menor intervalo de tempo de TV entre um candidato do PT e seu principal adversário de direita desde 2010.

Segundo estimativa da CNN com base em dados do TSE, Flávio deve ter 4 minutos e 20 segundos de propaganda no primeiro turno, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá cerca de 5 minutos e 32 segundos. A diferença será de 1 minuto e 12 segundos.

Em 2022, por exemplo, Lula tinha 3min39s contra 2min38s de Jair Bolsonaro.

Confira a relação de tempo na propaganda eleitoral entre o PT e adversários desde 2002:

  • 2002 – Lula x Serra (PSDB): 5 minutos e 19 segundos X 10 minutos e 23 segundos;
  • 2006 – Lula x Alckmin (PSDB): 7 minutos e 21 segundos X 10 minutos e 22 segundos;
  • 2010 – Dilma x Serra (PSDB): 10 minutos e 38 segundos X 7 minutos e 18 segundos;
  • 2014 – Dilma x Aécio (PSDB): 11 minutos e 24 segundos X 4 minutos e 35 segundos;
  • 2018 – Haddad x Bolsonaro (PSL): 2 minutos e 23 segundos X 8 segundos;
  • 2022 – Lula x Bolsonaro (PL): 3 minutos e 39 segundos X 2 minutos e 38 segundos;
  • 2026 – Lula x Flávio Bolsonaro (PL): 5 minutos e 32 segundos X 4 minutos e 20 segundos.

O tempo de propaganda é calculado principalmente pela representatividade dos partidos no Congresso. Além disso, 10% do tempo total é dividido igualmente entre os candidatos.

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão será exibida entre 28 de agosto e 1º de outubro. Além dos blocos tradicionais, os candidatos terão direito a inserções de 30 a 60 segundos ao longo da programação. No segundo turno, caso haja, o tempo de propaganda será dividido igualmente entre os dois candidatos.

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