
Afastado pelo PSB de dez das doze comissões que participa na Câmara, o deputado federal Felipe Rigoni (PSB-ES) criticou a decisão tomada pela legenda nesta sexta-feira, em Brasília. Por 82 votos, o PSB tirou de Rigoni e outros oito deputados todas as prerrogativas do Parlamento e do Executivo por até um ano. Isso significa que eles terão de entregar cargos em governos, caso tenham. E perderão direito a votos na bancada da Câmara, além de ter de deixar as comissões quais foram indicados pela legenda a participar. Na mesma tarde, o diretório nacional expulsou Átila Lira (PI) da legenda por ser reincidente: contrariou o partido votando a favor da reforma trabalhista em 2017. Agora, Rigoni avalia se vai continuar filiado ao PSB.
Como o senhor recebeu essa punição do PSB?
O PSB conseguiu fazer a pior coisa que poderia fazer com os parlamentares porque pegou basicamente tudo que a gente fez ao longo do ano e por conta de uma decisão, um voto só, decidiu suspender a agente por um ano de quase todas as atividades que a gente pode fazer dentro do parlamento. Ou seja, está pegando tudo aquilo que eu construí no início do ano e não deixando fazer por até um ano. Além de ser decisão antidemocrática, mostra que o PSB não aceita muito a diversidade de pensamento.
O que o senhor pretende fazer para reverter essa decisão?
Não vejo muito espaço para recorrer dessa decisão dentro do partido. Agora, vou esperar um tempo para entender o que eu posso fazer porque para mim não dá para ficar um ano ou seis meses sem atividade parlamentar nas comissões. Sou relator de uma série de projetos importantes como caixa dois e também da PEC que trata das alterações do teto de gastos de regras fiscais. Para mim é inviável ficar sem atividade parlamentar nesse período.
O senhor se arrepende de ter votado a favor da reforma da Previdência?
De maneira nenhuma. Eu não votei na Previdência por uma questão política. Eu votei na Previdência porque estudei para caramba. Li o texto várias vezes. E percebi que a previdência que a gente votou e mais positiva que negativa. Ao contrário do Carlos Siqueira, que disse para mim, numa mesa de almoço que a gente não podia votar na Previdência porque não podia fazer esse governo dar certo.
O senhor pretende mudar sua postura no parlamento por causa dessa punição?
De jeito nenhum. Não faz sentido. Eu perderia toda a minha coerência.
O senhor vai continuar votando com suas convicções independentemente de próximas punições do partido?
Com certeza. Em vários momentos minhas convicções estão alinhadas às convicções do partido. Mas em outros momentos não é.
O senhor acha que ainda cabe nesse partido que te deixou de mãos atacadas no Parlamento?
Como vou continuo cabendo em um partido que por conta das minhas convicções quer me suspender? É uma decisão antidemocrática. Beleza, o partido tem de ter coerência? Tem de ser coerente. O partido tem de ser unido? Tem de ser unido. Se quiser tomar um direcionamento programático como parece que está querendo tomar, não adianta deixar nós parlamentares de mãos atadas. Tinha de expulsar, como vários pediram no fim das contas.
Época
Conversa para boi dormir desse Deputado.Interessante os partidos do Governo votaram fechado.Ele acha isto democrático.Esta faltando óleo de peroba no mercado.