Em 1993, o Brasil vivia um momento conturbado. Itamar Franco tinha assumido a Presidência após o impeachment de Fernando Collor de Mello. A inflação estava acima de 2 000% ao ano. Foi nesse cenário que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso assumiu o Ministério da Fazenda.
Convocou economistas como Persio Arida, Gustavo Franco, Edmar Bacha e Pedro Malan para implantar o Plano Real. Enquanto parte da equipe via no cenário crítico um empecilho ao sucesso do trabalho, Fernando Henrique enxergou uma oportunidade. “Só conseguimos fazer algo inovador porque a situação era difícil e o governo e o Congresso estavam enfraquecidos”, diz.
Hoje, guardadas as proporções, Fernando Henrique vê o cenário como uma chance para o próximo presidente retomar a agenda de reformas, interrompida nos últimos anos. Na entrevista a seguir, ele fala das dificuldades na elaboração do Real e dos problemas do Brasil de hoje.
EXAME – O Brasil está condenado a conviver com problemas como inflação e juros acima da média mundial, gasto público elevado e protecionismo?
Fernando Henrique Cardoso – Não. Chegamos quase ao ponto de nos livrar de tudo isso. A própria presidente Dilma Rousseff conseguiu baixar os juros. É uma pena que tenha arrebentado as contas públicas. Não precisava ser assim, com tanto subsídio e gasto inútil. Agora o Brasil precisaria se abrir. Isso já ocorreu.
Nos anos 90, setores como o têxtil sofreram com a abertura. Houve mudança de patamar tecnológico na indústria automobilística. Com isso, muitos produtores de autopeças fecharam. Mas o emprego aumentou. A Vale do Rio Doce, privatizada, empregou mais. A telefonia cresceu. A mudança é dura, alguns perdem. Mas é preciso entender que, em termos absolutos, muitos mais ganham.
EXAME – Que questão o presidente que entrar em 2015 deveria enfrentar primeiro?
Fernando Henrique Cardoso – Quando estávamos montando o Plano Real, havia setores do governo que eram contra. Certo dia, um ministro apresentou um vídeo sobre como o presidente americano Franklin Roosevelt tirou os Estados Unidos da Grande Depressão aumentando os gastos públicos.
Era um recado para mim, que estava implantando um plano com base na austeridade. Pedi a palavra e disse que, nos anos 30, o governo Roosevelt estava certo. Na época, as empresas americanas estavam falidas, mas o governo tinha dólares para pôr a máquina pública para funcionar.
No Brasil nos anos 90 era diferente — as empresas estavam bem; e o governo, quebrado. A receita tinha de ser outra. Meu ponto: é preciso analisar o momento. Nos últimos anos, houve uma tremenda aceleração do consumo, mas o investimento ficou deficiente.
É necessário reencontrar o equilíbrio. Precisamos, sobretudo, retomar a confiança. O que é o rebaixamento da avaliação de risco da dívida do Brasil? É perda de confiança. Para reconquistá-la, teremos de abrir o jogo com o mercado, dizer o que será feito e fazê-lo sem truques.
EXAME – Havia muita gente contrária ao Plano Real durante sua elaboração?
Fernando Henrique Cardoso – No Congresso, o PT, o PSB e o PDT eram contra. Até no PSDB havia quem tivesse medo de defender o plano. Muitos parlamentares só votaram a favor porque o governo pressionou. Se depois de eu morrer meus diários da Presidência forem publicados, eles vão mostrar que eu não fazia outra coisa a não ser forçar o Congresso a entrar no eixo das reformas.
EXAME – O que faltou fazer?
Fernando Henrique Cardoso – A reforma da Previdência. Tentamos mudar a idade mínima da aposentadoria, mas perdemos. Inventamos um remendo, que foi o fator previdenciário. Mas é óbvio que os déficits continuam. A reforma tributária foi outra coisa que não conseguimos fazer.
Entendendo-se o Real como um programa para colocar o Brasil no caminho do crescimento sustentável, ficamos pela metade. Perdemos a oportunidade. E será preciso trabalhar na reforma política. Nosso sistema de partidos não se conecta com a sociedade. E a população brasileira não confia no Congresso.
EXAME – Muitos dizem que o Brasil precisa de um líder forte. O senhor concorda?
Fernando Henrique Cardoso – Qualquer país precisa de líderes. Mas no Brasil eles são ainda mais necessários do que nos países mais organizados, que podem funcionar mesmo sem grandes lideranças. Mas é importante lembrar: a situação cria o líder.
Só fui presidente porque se criou uma oportunidade. Estamos chegando a um momento em que há um mal-estar generalizado abrindo espaço para o surgimento de uma nova liderança.
EXAME – Há alguém na oposição capaz disso?
Fernando Henrique Cardoso – É cedo para saber. Hoje, quem liga a televisão só vê notícias sobre o governo. O povo nem conhece a oposição. Mas Aécio Neves e Eduardo Campos ganharam as eleições para governador em seus estados, Minas Gerais e Pernambuco. Alguma coisa eles souberam fazer para chegar ao povo. Um deles vai se sair melhor do que o outro na campanha. Espero que seja o Aécio.
EXAME – Quais temas serão decisivos nas próximas eleições?
Fernando Henrique Cardoso – Principalmente o debate sobre a qualidade dos serviços de saúde, educação, segurança. E ética. Mas é preciso falar de corrupção de um jeito que chame a atenção do povo.
Dá para mostrar quanta coisa deixou de ser feita por causa dos desvios de dinheiro. Outra questão importante é o salário. Teremos de falar da carestia — não da inflação, um conceito mais abstrato. Hoje, a vida no Brasil está muito cara.
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Exame

Essa historia de Déficit e tudo manipulação da opinião publica com o apoio da imprensa para fazer acreditar as pessoas das necessidade de reformas só acabando com os aposentados.
Sempre a falancia desse déficit na previdência a previdência está e sobrando dinheiro, tanto que ele aprovou a DRU que tira 20% da previdência para os especuladores internacionais, e aprovou o fato previdenciário tudo para sobrar mais dinheiro o especuladores. Os Brasileiros não sabem os mecanismo de desviou feito de dinheiro da população para sustentar o Real atrelado ao Dólar. Cade vez que o tempo passar sera cada vez mais corte nos aposentados e trabalhadores. O Brasil nunca teve muito gasto publico ele fala como se aqui tivesse Estado de Bem Estar Social como na Inglaterra.
Não existe déficit na previdência , tanto que ele mesmo aprovou a DRU que tira 20% da previdência por que ela tem é superávit. Midia informa tudo pela metade e apoia as mentiras.
Como ainda tem cego nesse país. O consolo é que a grande maioria que caiu no conto do PT ja acordou e percebeu que o conto era uma fábula do faz de conta. Desde a estória do pagamento da dívida e do FMI até a gestão da petrobras. A verdade está ai hoje para qualquer pessoa de bom senso reconhecer que FHC foi a melhor oportunidade que o Brasil teve de entrar nos eixos. E a verdadeira herança maldita que o PT está deixando para o proximo presidente, seja este quem for, obrigará o retorno ao caminho do qual o pais jamais deveria ter saido.
É muita cara de pau. Passou oito anos arrochando o trabalhador, massacrou o aposentado com fator previdenciário, vendeu quase todas as empresas nacionais a preço de banana, dizendo que iria melhorar a Saúde, Educação, segurança, e tudo…..deixou o país quebrado que só voltou a crescer e melhorar os índices sóciais e econômico com o Lula que até hoje é odiado pela elite desse país.
Espero que as pessoas nao tenham memória curta!
É por esse tipo de análise que temos esses políticos.
Um plano de estabilidade econômica se desenvolve por anos, décadas.
O plano real colocou o Brasil nos trilhos, porém entrou a turma que IRIA MUDAR TUDO para MELHOR, usufruiu por 12 anos disso, não acrescentaram uma vírgula a mais e agora que o projeto econômico precisa sair da inércia, sofre críticas? Se não tem capacidade, entrega a caneta e deixa de falar besteira.
Durante esses 12 anos de governo petista não houve mudança da política salarial e os ganhos que temos agora são reflexo dos benefícios a longo prazo do plano real. Não? então objetivamente descrevam quais as mudanças salariais, tributárias, econômica e política feita pelo PT? Pobre daquele que vê e não enxerga.
Salário mínimo governo FHC – 01/01/1995= R$ 70,00 – 2002= R$ 200,00
Comparado ao Dolar, em abril de 2002 o salário mínimo era U$ 87,33
Salário mínimo governo Lula = 01/01/2003= R$ 200,00 01/01/2010= R$ 510,00
Comparado com ao Dolar, em abril de 2010 o salário mínimo era U$ 293,10
Salário mínimo atual DILMA = R$ 724,00
Comparado ao dolar de hoje, salário mínimo é de U$ 327,60
Quer comparar mais alguma coisa DILSON ANCHIETA?
Que tal comparar a inflação?
Que tal comparar a taxa de juros?
Que tal comparar a dívida com o FMI?
Que tal comparar o número de Universidades Federais abertas/construidas?
Que tal comparar o número de Escolas Técnicas abertas/construidas?
No seu governo o Brasil vivia com o Pires na mão pedindo dinheiro emprestado ao FMI para socorrer a economia brasileira e do capital especulativa que sustentava o plano real.
Enquanto FHC comemorava o fato do povo ter condições de comprar frango e iogurte, atualmente o povo compra a casa própria, carro e viaja de avião
Lembrando ao Rolando Lero que ele entregou o governo com uma inflação de 12,5% ao ano em 2002.
O Governo Fernando Henrique Cardoso, para reduzir o déficit da previdencia social "inventou um remédio" chamada de FATOR PREVIDENCIÁRIO, que ao invés de curar, levou o trabalhador brasileiro para a UTI, e muitos deles ao estágio terminal, pois sequer ganham o suficiente para pagarem a conta da farmácia. O governo sustenta uma falácia que o "povo está vivendo mais"…em compensação está adoecendo mais e o Sistema de Saúde Pública continua obsoleto, arcaíco e falido.
E nem existe déficit da previdência e só propaganda e manipulação da opinião publica. A Previdência e superávit.