A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta sexta-feira que “tudo o que tem a ver” com o surto do zika e sua possível relação com casos de microcefalia e a Síndrome Guillain Barre “é difícil” porque não ainda não há entendimento sobre a causa e faltam testes eficientes de diagnóstico, entre outros fatores.
“Não entendemos a causa, não dispomos de bons diagnósticos e não temos maneira de dizer as pessoas com exatidão se estiveram infectadas no passado”, declarou o diretor para emergências de saúde da OMS, Bruce Aylward, que ressaltou que “as medidas de controle são complicadas” e, da mesma forma que ocorreu recentemente com a epidemia do ebola, “a chave está no engajamento das comunidades”.
De acordo com ele, recentemente aumentaram as evidências que apontam a uma relação entre o zika e os casos de microcefalia, mas somente no meio do ano será possível esclarecer essa questão.
“Em quatro ou seis meses poderemos dizer com maior certeza”, indicou.
O prazo se deve ao fato de que as mulheres grávidas no último trimestre de 2015, quando se registrou o aumento de casos no Brasil e na Colômbia, começarão a dar à luz em junho. No caso da Síndrome Guillain Barre, o intervalo entre a picada do mosquito e a eventual aparição dos sintomas da doença se reduz a três semanas.
Sobre o aumento de casos de microcefalia no Brasil em paralelo a propagação do zika vírus, enquanto em outros países ele é associado unicamente à Síndrome Guillain Barre, Aylward disse que ainda não há uma explicação satisfatória.
Perguntado sobre as consequências do surto para os Jogos Olímpicos, o especialista antecipou que a competição será “fantástica” e “bem-sucedida”. Ele acrescentou que os Jogos acontecerão em “áreas relativamente confinadas”, onde é possível intensificar as ações de controle do mosquito e reduzir fortemente o risco.
Na semana que vem, Aylward viajará ao Brasil acompanhando à diretora geral da OMS, Margaret Chan, que se reunirá com autoridades em Brasília e depois irá a Recife.
“Na próxima semana irei ao Brasil, na temporada de alta transmissão, mas há medidas (de proteção) que posso tomar e farei isso”, explicou.
O diretor do Programa contra a Malária na OMS, Pedro Alonso, anunciou que em breve publicará uma guia de emergência para o controle do mosquito, que incluirá medidas para a eliminação de criadouros, larvas e mosquito adulto.
Entre as ações analisadas está introduzir no mosquito uma bactéria que só afeta os invertebrados e reduz seu ciclo de vida, mas cujo impacto na saúde púbica “ainda não está completamente determinado”.
Outra alternativa é a produção de mosquitos transgênicos, cujas larvas morrem antes de chegar à fase adulta, o que diminuiria sua população. Além disso, um método que se estuda (pela primeira vez) é a esterilização dos machos, o que faria com que as fêmeas colocassem ovos inviáveis.

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