No vale tudo em que transformou o processo de eleição da mesa diretora da Assembleia, o agora ex-presidente Ricardo Motta está usando como escudo o experiente deputado José Dias, correligionário do governador Robinson Faria.
O argumento é de que José Dias é fiador de um compromisso que Robinson Faria teria assumido com Ricardo Motta de apoiar sua segunda reeleição. E, segundo o deputado Getúlio Rego (DEM), o apoio seria em troca da autorização legislativa para o empréstimo de 850 milhões junto ao Banco do Brasil.
O argumento usado pelos partidários da terceira eleição consecutiva de Ricardo Motta depõe contra o seu grupo. Ora, quer dizer que o empréstimo não foi autorizado porque é de interesse do Estado e da população potiguar, mas simplesmente para viabilizar o projeto eleitoral do então presidente da Assembleia?
Os deputados estaduais também aprovaram que dos 850 milhões de reais do empréstimo, 96 milhões serão destinados a emendas dos parlamentares para a realização de obras executadas pelo Governo nos municípios. Cada parlamentar terá direito a emendas no valor total de 4 milhões de reais.
A autorização do empréstimo e a destinação de emendas são constitucionais e fazem parte da vida republicana. Nada tem a ver com a barganha por cargos ou votos em eleição interna para presidente da Assembleia.
O deputado José Dias que use de sua longa experiência de vida e de Parlamento para não se deixar levar pelas manobras de quem deseja apenas se manter no Poder de uma casa legislativa que é plural e, justamente por isso, admite a alternância de poder.
Certamente, o deputado José Dias não deixará que longos anos de convivência e amizade não sucumbam diante da pressão e da chantagem. E perceberá que a oxigenação faz bem a qualquer Poder, principalmente ao Legislativo.

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