“Brasil Natural e o Surgimento de uma Nação” é o título da nova mostra de gravuras e pinturas, expostas no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte e que foram copiadas do acervo digital da Universidade de São Paulo – USP, de artistas famosos como Frans Post, Debret, Rugendas, Van Martins e Spix. Estes dois últimos naturalistas que retrataram a vegetação brasileira que encontraram na época.
A exposição será aberta neste sábado(11) e prossegue até o dia 30 de abril, no hall principal do Parque. As gravuras estão disponíveis na página da instituição: http://www.brasiliana.usp.br.
A montagem da exposição é uma iniciativa da equipe do Parque da Cidade que busca contar a história do nosso país resgatando aspectos naturais, urbanos e socioculturais a partir das impressões de visitantes estrangeiros que aqui estiveram em diferentes épocas. Testemunhas oculares do surgimento de uma grande nação e de uma exuberância natural mundialmente reconhecida até mesmo nos dias de hoje.
“Estamos sempre buscando fazer desse lugar, um espaço alternativo para que a população possa aliar o conhecimento ao seu lazer. O Parque da Cidade é uma Unidade de Conservação muito importante para a cidade e procuramos sempre encontrar temas que tenham a ver com o meio ambiente para expor aqui”, define o gestor do Parque, Carlos da Hora.
História
O dia 22 de abril de 1500 marcou oficialmente o que se conhece por “Descobrimento do Brasil”. Este termo, oriundo de um ponto de vista eurocentrista, pode ser entendido de uma maneira geral, como o achamento de uma nova porção do globo, até então não reconhecida oficialmente pelos europeus, mas já plenamente habitada pelos nativos há milênios. “Trata-se, na verdade, da inserção de um “novo mundo” no contexto geopolítico e econômico global, registrados em gravuras e pinturas de artistas estrangeiros que estiveram no Brasil”, define Fernando Carneiro Medeiros, pesquisador da mostra.
Segundo ele, a partir de então, o encontro de povos com culturas diferentes (europeus, índios e africanos) e o passar dos séculos vai mostrando o surgimento gradativo de um grupo de pessoas com aspectos socioculturais bem peculiares, o que hoje conhecemos como a nação brasileira. Durante este processo, estiveram aqui diversos artistas estrangeiros, em comitivas oficiais, expedições científicas, ou simplesmente em aventuras particulares, registrando de várias formas o que viam e sentiam.
O olhar estrangeiro neste contexto histórico vai além de informações importantes sobre a natureza, os nativos, as primeiras povoações e seus habitantes. Revela na maioria das vezes deslumbramento e espanto quanto à vastidão do país e suas riquezas naturais, o que pode ser comprovado desde a carta de Pero Vaz de Caminha na ocasião do achamento: “Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa”, ou na expedição científica de Von Martius entre 1817 e 1820: “Como me sinto feliz aqui, como chego a compreender a fundo muito daquilo que até agora era inacessível! O lugar sagrado, onde todas as forças se reúnem harmoniosamente e ressoam como canto triunfal, amadurece sensações e pensamentos”.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
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