Alex Viana
Repórter de Política / Jornal de Hoje
A escolha do médico, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e atual diretor-geral do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), José Ricardo Lagreca, para comandar a Saúde Pública Estadual, a partir de primeiro de janeiro de 2015, repercutiu positivamente na sociedade, sobretudo no meio médico. Lagreca foi escolhido pelo governador eleito, Robinson Faria (PSD), e será o futuro secretário estadual de Saúde.
Para o ex-senador Paulo Davim (PV), Robinson foi bastante feliz na escolha do auxiliar da Saúde, gerando expectativa positiva quanto à melhoria do setor. “Eu sou suspeito para falar em Lagreca. Nós temos amizade e admiro demais o trabalho dele. É um profissional competentíssimo, gestor experimentado, tem êxito em tudo que fez. Acho que Lagreca é um nome acima de qualquer suspeita. Tenho profunda admiração por ele. Não vai ser por falta de competência pessoal que a Saúde não vai melhorar. Porque competência ele tem de sobra para isso”, testemunhou Davim.
Além de aplaudir a escolha do secretário de Saúde, Davim, que nos últimos quatro anos, como suplente do senador Garibaldi Filho (PMDB), foi senador da República enquanto o titular atuou como ministro da Previdência, elogiou ainda o secretariado anunciado por Robinson como um todo. “Alguns eu conheço, outros não conheço. Mas, pela amostragem das pessoas que conheço, considero uma escolha bem feliz. Não posso falar por todos, mas pelo que conheço, posso dizer”, frisou Davim.
O peso da palavra de Davim é considerável. Não apenas por ele ser médico e estudioso da saúde pública. Mas, sobretudo, porque, como político, foi adversário de Robinson na campanha, lutando contra a eleição do governador eleito. Aliou-se, apoiou e votou, por exemplo, com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB). Contudo, acima das questões políticas, elogia a escolha do futuro secretário de Saúde. “O governador acertou na escolha. Tenho profundo respeito e amizade por Lagreca”, observou.
Quanto à expectativa sobre o governo Robinson, Davim disse que tudo que é novo se cerca de grande esperança. “E eu não me furto de ter esperança para que o Rio Grande do Norte, cada vez mais, melhore. Sobretudo na minha área de atuação, que é a saúde. Mais ainda agora que, depois de passar esses anos no Senado, estou voltando para exercer a minha atividade que é a medicina. Estou movido por grande expectativa para que melhore a Saúde”.
DESAFIOS
Instado a falar sobre os desafios do setor, Paulo Davim citou o enfrentamento ao desabastecimento da rede e a melhoria da infraestrutura. “Seria até um atrevimento meu dizer desafios para um homem tão experimentado como Lagreca. Mas, com minha vivência de quase 30 anos no serviço público estadual, diria que, primeiro, o grande desafio dele será o abastecimento da rede, que isso urge, não pode ficar para manhã. E depois vem a recuperação das unidades, estabelecer uma política de recursos humanos que atenda aos anseios das categorias, sem, contudo, criar dificuldades para o Estado”, disse.
Nome para Educação tem “habilidade, competência e diálogo”
Para a sindicalista Fátima Cardoso, o nome do governador Robinson Faria para assumir a pasta de Educação demonstrou ter habilidade, competência e ser profissional de diálogo. Francisco das Chagas Fernandes é formado em Letras pela UFRN, ex-secretário de Educação Básica do Ministério da Educação e atual secretário executivo-adjunto do Ministério da Educação. Foi indicado pelo Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte. “O nome é conhecido nosso. Chagas é do MEC há doze anos e é uma pessoa que demonstrou ter habilidade, competência e diálogo”, afirmou Fátima, em contato com O Jornal de Hoje.
Entre as habilidades do futuro secretário, Fátima destaca o diálogo como a mais importante. “Se não houver diálogo, é lamentável, mas o sindicato vai partir para suas lutas, como sempre fez, mas espera que não seja preciso, mas, se preciso, estaremos nas ruas”. Segundo a sindicalista, é importante ressaltar que uma coisa é estar no MEC, com está Chagas, outra é estar em nível de um Estado com muitos problemas e com uma categoria de educadores que se sente ferida pelo governo nos últimos quatro anos. “Porque não houve diálogo. Há um ressentimento muito grande. Espero que o futuro secretário tenha sucesso e que a categoria tenha suas reivindicações atendidas”, frisou.
Fátima insere em suas declarações viés político da escolha do secretário de Educação. Para ela, tratou-se de “escolha muito pessoal”. Indagada sobre o que achou do novo secretário, em que pese Chagas ter sido uma indicação do PT, para ela, tratou-se de algo pessoal do governador. Cardoso é da linha do sindicato ligada à deputada federal Fátima Bezerra. “Na verdade, eu sempre tenho colocado o seguinte: essa é uma escolha muito pessoal e que a gente não tem nenhuma análise inicial a fazer a não ser esperar que haja dialogo, que haja negociação e que a gente possa avançar num projeto de educação que o Estado está precisando”, disse.
Entre as prioridades do setor, a sindicalista destaca inicialmente a recuperação de escolas e também da busca do aluno pela escola. “Porque houve afastamento muito grande. E aí é fundamental que a gente possa tentar resgatar isso para a sociedade”. Ela conclui: “A nossa expectativa é que a gente possa dialogar e que o sindicato contribua naquilo que puder na defesa da educação pública de qualidade social referenciada, até porque diz respeito a toda a sociedade. Tem sido papel nosso buscar essas interlocuções, fazer esses processos de mediações”, frisou.
“Esperamos que Robinson realmente possa ser o governador da segurança”
A escolha da delegada de Polícia Civil Kalina Leite Gonçalves para comandar a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social gera no setor de Segurança Pública as melhores expectativas. Primeira delegada de Polícia Civil a assumir o comando da Segurança Pública Estadual, Kalina desperta esperança de dias melhores, sobretudo para a Polícia Civil, a menor do Brasil e uma das categorias que mais sofreu durante o governo Rosalba Ciarlini (DEM).
Advogada, delegada civil, ocupou os cargos de secretária-adjunta de Segurança, Corregedora da Polícia Civil, e atual interventora da Fundação Estadual da Criança e do Adolescente (Fundac), Kalina participou da equipe de transição e está há 14 anos na Polícia Civil. “Kalina é policial civil há 14 anos, conhece a situação que a Policia Civil se encontra. Temos a melhor expectativa. Conhecendo a situação da PC, de menor efetivo do país, delegacias sucateadas, questão salarial, estamos há cinco anos sem reajuste, que ela possa trabalhar na valorização do profissional e oferecer condições para trabalho. Ela, mais que ninguém, conhece a realidade, estamos com expectativa muito boa”, disse o vice-presidente do Sindicato da PC, Djair Oliveira. “Ela conhece, está no Estado, é filha do Estado. Nunca tivemos um delegado a frente da Sesed. Então é uma pessoa que conhece. Então, a expectativa é boa, a está categoria aguardando que possa acontecer o que nunca aconteceu”, frisou.
Para o sindicalista, a grande expectativa é para que Robinson seja, efetivamente, o secretário da Segurança Pública, conforme prometeu durante a campanha. “O governador disse, pessoalmente, que vai cuidar da segurança. E acredito que muitos policiais votaram em Robinson confiando nisso. Era propaganda dele na TV dizendo ‘serei a governador da segurança’. Nós votamos em peso em Robinson, acreditando nisso. Esperamos que aconteça, que as delegacias voltem abrir 24 horas, queremos as delegacias abertas, queremos estrutura, no sentido de deixar de serem sucateadas. Queremos Divisão de Homicídios, plantões na leste e oeste, delegacias regionais no interior, aumento de efetivo. Porque somos a menor polícia do Brasil. A expectativa é que aconteça nos quatro anos de governo. Esperamos que ele possa ser, ao final, o governador da segurança”.

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