A confusão entre o policial federal André Vaz de Mello, 46 anos, e o pedreiro Lucas Monteiro, 20, na manhã de terça, em Copacabana, abriu uma discussão: foi abuso de autoridade ou conduta normal?
O delegado Deoclésio de Assis, da 12ª DP, inclusive, abriu um procedimento para apurar se André cometeu o crime, conforme a jornalista Vera Araújo informa hoje em O GLOBO. Já Lucas vai responder por porte de droga e resistência. O policial diz que cumpriu seu dever. O pedreiro alega que foi agredido primeiro. Aliás, em 2013, num jogo da Copa das Confederações, no Rio, André Vaz se envolveu em caso semelhante (leia abaixo).
Após a publicação do vídeo mostrando o policial imobilizando o pedreiro e dizendo “Você esbarrou em mim e não pediu desculpas! Tá maluco?”, André Vaz foi alvo de críticas e até xingamentos nas redes sociais. A PF informou que vai apurar todos os fatos. Já o Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia Federal no Estado do Rio – entidade que André Vaz presidiu até agosto passado – saiu em defesa do agente. Até agora, foi a única entidade a fazer isso.
André Vaz garante que não teme a investigação contra ele e sustenta que agiu dentro da lei.
– Isso é normal, é padrão, é o procedimento. Na PF, já abriram outros sobre possíveis atos de abuso de autoridade. Não temo (a investigação) e acho bom que se faça para dirimir qualquer dúvida.
Ele explica que abordou Lucas – que é negro, tinha uma mochila às contas e vestia camiseta, bermuda e chinelos – ao estranhar seu comportamento.
– Ele ficou me encarando. Ele me xingou com palavrões. Fui até ele, eu me identifiquei, pedi para ele se identificar. Ele se recusou, e eu saquei a arma. Eu estranhei a atitude agressiva dele e, ali, é subida do Tabajara, tem muito batedor de carteira. Pedi que ele se identificasse, mas ele se negou. Aí, a gente se embolou. Eu tenho 46 anos. Ele tem 20, mais jovem. Usei os meios necessários para contê-lo – conta Vaz, justificando o uso da força.
O blog tentou sem sucesso falar com Lucas. Mas, em seu depoimento, o pedreiro confirma que xingou o policial. Contudo, contou à polícia que, depois do xingamento, teria sido agredido com um tapa no rosto. O policial nega.
Sindicato da PF afirma que não aceitará ataques à honra
Nas redes sociais, a atitude de André foi ridiculariza pela grande maioria dos leitores. Já o Sindicato dos Servidores da PF defende o agente e diz que ele agiu dentro da lei. A entidade, cometendo uma falha, justifica tal atitude porque Vaz teria detido Lucas “em flagrante por porte de droga”.
Veja trecho da nota: “O sindicalizado André Vaz de Melo, cumprindo dever de ofício imposto pelo artigo 301 do Código de Processo Penal, deteve em flagrante e apresentou à autoridade policial com atribuição, em consonância com o mesmo Código, um cidadão portando certa quantidade de substância entorpecente”.
Na verdade, como o próprio agente conta, apenas na delegacia descobriram que Lucas tinha cerca de “dois gramas de maconha” na mochila.
E completa: “Acrescente-se que segundo o que foi informado no mesmo procedimento, a voz de prisão não foi acatada, havendo resistência na sua execução por parte do suposto autor do fato, havendo assim necessidade, legalmente permitida, da sua contenção e imobilização.”
Em sua nota, o sindicato diz que não vai aceitar ataques indevidos à honra de André Vaz e da Polícia Federal: “Cumpre destacar que o Sindicato não aceitará ataques indevidos a honra do seu filiado e da categoria representada pela entidade, através de qualquer veículo de comunicação ou redes sociais, e já colocou seu corpo jurídico à disposição do sindicalizado e de prontidão para qualquer medida que se fizer necessária”.
Agora, caberá à 12ª DP elucidar se a conduta de André foi normal ou se houve abuso de poder.
No Maracanã, policial diz que foi desacatado
O policial André Vaz já se envolveu em confusão semelhante. Foi em 17 de junho de 2013, em uma discussão entre dois torcedores, na arquibancada do Maracanã, no Rio, durante a partida entre Itália e México, pela Copa das Confederações. O empurra-empurra foi interrompido por um policial federal, de serviço, e cada torcedor foi colocado em um lado. Nisso, um grupo de federais, entre eles, o agente Vaz, aproximou-se de um dos torcedores, um empresário carioca, então com 32 anos.
– Desde o início, esse torcedor me desacatou, não queria permitir a revista pessoal. Ele me chamou de ‘policial de merda’, é desacato. Não houve necessidade de abrir procedimento por suposto abuso de autoridade porque havia farto número de testemunhas – explica.
O blog conseguiu contato com o torcedor, que pede para não ser identificado. Assim como o pedreiro Lucas, o empresário apresenta versão diferente da do policial federal.
– Estava rodeando de policiais e tentei chamar uns amigos que passavam perto, levantei o braço, gritei. Foi quando esse policial me deu um tapa no peito. Eu disse pra ele: “Você é muito mal educado. Está achando que está falando com bandido?”. E o policial mandou eu repetir. Eu repeti, e ele disse que eu estava preso por desacato. Na Justiça, os policiais amigos dele testemunharam contra mim – conta o empresário.
André Vaz minimiza e diz que há outros casos semelhantes contra ele.
– Eu sou policial, uma das minhas funções é prender. Isso (acusações de abuso de autoridade) acabam acontecendo – diz ele.
Anselmo Gois, O Globo
Qualquer coisa, por menor que seja, vira uma mamchete se for contra um policial, esta porcaria de procedimento nada mais foi do que um TCO termo circunstanciado de ocorrencia em que as partes sao ouvidas e liberadas para a posteriori apresentarem-se ao juiz, ai se faz um alarde desse, o povo está acabando com a policia e os que estao a margem da lei, que sao muitos, estao adorando!!!!!por essas e outras que a policia nao consegue exercer o seu papel!!!!