Apesar de uma interinidade que já dura mais de dois meses e de o país ter ultrapassado a marca de 80 mil mortos pela Covid-19, a maior parte dos políticos ouvidos pela Folha nos últimos dias defende o trabalho do general Eduardo Pazuello à frente do Ministério da Saúde, afirmando que, para esse tipo de cargo, é preciso mais ser gestor do que ter especialidade na área.
Reflexo, em parte, da adesão do centrão ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido), a boa vontade é justificada por esses políticos pela necessidade de que recursos e equipamentos cheguem mais rapidamente a estados e municípios.
Segundo eles, apesar de haver vários problemas e dos números alarmantes da pandemia no país, estaria havendo empenho de Pazuello e de sua equipe (ele levou outros 15 militares da ativa) em ouvir os pleitos dos políticos e fazer a máquina funcionar.
A ressalva feita por alguns é a de que Bolsonaro precisa definir logo quem será o titular. Com exceção da oposição, a maioria criticou a manifestação do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de que a militarização de postos de comando na Saúde estaria levando o Exército a se associar a um “genocídio”.
“Em um momento de uma pandemia como essa, a gente quer que se resolvam as questões. Precisamos que cheguem equipamentos, que chegue material, que se reúna com o Conass [colegiado de secretários de saúde dos estados], com o Conasems [secretários de saúde dos municípios], que tenha uma interlocução clara e rápida. E isso tem ocorrido”, afirmou o deputado Antonio Brito (PSD-BA), presidente da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara.
O senador Izalci Lucas (PSDB-DF), que integra comissão do Congresso de acompanhamento das medidas de combate ao coronavírus, tem discurso semelhante.
“Nem sempre o melhor secretário de Saúde é um médico. Você tem que ter especialiasta para discutir técnica, mas a gestão tem que ser por especialistas em gestão. O Pazuello está fazendo um ótimo trabalho”, afirma o senador.
Ele faz algumas ressalvas, entre elas a de que a população acaba sendo prejudicada com a indefinição sobre o titular e a de que se Pazuello ficar, tem que ir para a reserva.
Relator da comissão, o deputado Francisco Jr. (PSD-GO) também diz ser necessário um bom gestor e afirma não ver problema na militarização dos postos de comando da pasta.
“Tenho visto que o ministro [Pazuello] tem conseguido dar resultado, porque ele é especialista em logística. Esse é um momento que é preciso alguém que faça chegar onde precisa, que está sendo o maior drama nosso. Pela comissão a gente vê que tem uma liberação de recursos e uma dificuldade de gastar esses recursos. Uma dificuldade de conseguir fazer que eles se transformem em equipamento, em algo mais efetivo para o combate à pandemia.”
Francisco Jr. criticou as afirmações de Gilmar. “Justiça se manifesta nos autos, no processo, não tem opinião política. Isso me preocupou. O que isso colaborou? Na verdade ele fez um julgamento sem prova e sem processo.”
Líder da bancada do DEM, partido que ocupa as presidências da Câmara e do Senado, o deputado Efraim Filho (PB) defende, inclusive, a permanência de Pazuello.
“Vimos o que ocorreu com a saída do Mandetta, que fazia um bom trabalho, e ao alterar o ministro, altera toda a equipe, e se perde um longo tempo de ajuste, tempo que já não dispomos. O que deveria ser feito era focar no trabalho do ministro Pazuello e contribuir com ele e a sua equipe. Pensar menos na política e mais na nação.”
Conforme mostrou a coluna Painel, Pazuello também tem apoio quase unânime entre os secretários estaduais da área, que não estavam tão alinhados aos antecessores. Dos 27 secretários das unidades da federação, 17 disseram à coluna que aprovam o trabalho do general.
COM INFORMAÇÕES DA FOLHA DE SP

Nem tudo é tão ruim, né não? O Gen Pazuello "comendo pelas beiradas" como se diz na gíria.