A questão do ponto eletrônico envolve dois lados, médicos que não aceitam a implantação do sistema e de outro um governo que utiliza a questão como uma bandeira de luta, enquanto que outros problemas, até mais urgentes não são resolvidos. Problemas já conhecidos, como a falta de suprimentos para a realização do atendimento médico básico.
Na opinião da vice-presidente da comissão especial de direitos sanitários e saúde do conselho federal da OAB, Elke Cunha, esta questão em torno do ponto eletrônico é na verdade um falso problema. O real, seria a omissão do Estado em tomar providencias em relação às ausências ou escalas fictícias, além da falta de um plano de enfrentamento destas escalas .
O que não se compreende é que, em hospitais particulares a prática existe e não há contestações quanto ao seu uso. Por que no setor público há resistência de implantação de um sistema, que para quem está de fora deste duelo entre Governo x Médicos soa bastante estranho. Qual a razão para a contestação do uso, além da dificuldade alegada por alguns médicos em relação ao ato de bater o ponto.
Porém fica a pergunta se a classe médica mesmo que a contra gosto aceitasse a instalação, o governo seria obrigado a ver a saúde por outro ângulo, verificaria as condições do trabalho do médico, a rotina extenuante de trabalho.
Sabe-se que o próprio estado é um dos culpados por esse problema já que, é histórica a negociação com os médicos que, no lugar de aumentar a remuneração, diminuía o tempo de trabalho. E isso criou uma distância entre as escalas formais e as escalas de fato.
Enquanto nada se resolve o usuário sai prejudicado. “E essa queda de braço que se arrasta há meses é prejudicial ao usuário, e se o estado tivesse querendo o bem do usuário, já poderia estar punindo e cobrando a presença de outras formas”, afirmou a vice-presidente da comissão especial de direitos sanitários e saúde do conselho federal da OAB, Elke Cunha.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Comente aqui