Diversos

Procure saber da biografia proibida de Roberto Carlos

O livro proibido de Paulo Cesar de Araújo Foto: Fabio Seixo / Agência O Globo
 

RIO – O preço da biografia “Roberto Carlos em detalhes”, que era oferecida por valores entre R$ 280 e R$ 500, saltou para R$ 800 em apenas uma semana no site Estante Virtual, que reúne sebos de todo o Brasil. Das oito lojas de livros usados que antes anunciavam um exemplar ali, só restava, até o fechamento desta edição, o Sebo Porão Campinas, que descrevia assim sua “joia”: “Livro raro de ser encontrado à venda e esgotado nas editoras.” Por onde quer que se procure saber da biografia escrita por Paulo Cesar de Araújo, não autorizada e retirada de circulação em 2007 depois que Roberto Carlos recorreu à Justiça, o clima oscila entre a incerteza, o tabu e, principalmente, o medo do Rei.

— Não coloca meu nome, não, mas é hipocrisia proibir o livro. O escritor tem que ser livre para escrever, e, se o biografado achar ruim, vai à Justiça para discutir aquilo com que ele não concorda — opina um engenheiro, de 28 anos, cliente da Livraria O Acadêmico, no Centro, frequentada por funcionários da Petrobras e do BNDES.

O dono da livraria, Carlos Cardiano, diz que é constante a procura pela biografia de Roberto Carlos:

— Sempre perguntam desse livro.

Dono de uma banca da feira da Praça Quinze, Francisco Olivar vendeu seu último exemplar há seis meses, por R$ 200:

— Mas passa aqui semana que vem que eu vou ver se consigo pra você.

Em outro ponto da feira, onde vendedores costumam trabalhar com artigos do universo do Rei, um senhor aceita ser entrevistado, mas avisa:

— Não bota meu nome, porque eu não quero nada com o Roberto Carlos, ele é um cara chato, bobo, quer tudo só pra ele. Ainda precisa aprender aquela ideia de que é proibido proibir. Agora, implicou com um livro sobre a Jovem Guarda (a dissertação de mestrado de Maíra Zimmermann, que recebeu uma notificação extrajudicial).

A aparição do cantor no “Fantástico”, no domingo passado, para falar sobre a polêmica das biografias, também provocou efeitos. Em Sorocaba, São Paulo, a foto marcada para esta reportagem no Sebo Literário (que tinha um exemplar à venda por R$ 300) foi cancelada. O dono recolheu a obra na manhã de segunda-feira, afirmando que o livro era dele e não estava à venda — em seguida, disse que sequer estava com ele. No Sebo Carlos Gomes, em Campinas, um comprador que havia reservado um exemplar oferecido por R$ 290 apareceu antes do prazo combinado para retirá-lo.

— Compramos em lotes. Por isso, não sabemos de onde veio essa biografia do Roberto Carlos — diz Renata Mucci, dona do Sebo Carlos Gomes.

O receio em torno do livro é infundado e qualquer sebo pode vender exemplares à vontade, segundo o próprio advogado de Roberto Carlos, Marco Antonio Campos. Estima-se que, até o recolhimento, foram comercializadas 50 mil unidades.

‘Roberto Carlos em detalhes’: a busca

O assunto voltou ao centro das atenções porque há duas iniciativas para tornar livre de autorizações o trabalho dos biógrafos no Brasil — uma ação no Supremo Tribunal Federal, com audiência pública marcada para 21 e 22 de novembro, e um projeto de lei na Câmara dos Deputados. Questionar isso é o mote do grupo Procure Saber, do qual também fazem parte, além do Rei, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil (que tem dois exemplares da biografia de Roberto em casa). Nessa história toda, “Roberto Carlos em detalhes” surge como estrela. O livro-protagonista é, inclusive, personagem de uma narrativa um tanto misteriosa, da qual Paulo Cesar ainda segue a pista:

— Me disseram que um caminhoneiro recolheu os livros de um depósito público e levou para um galpão do Roberto em Diadema, e que, lá, um velhinho toma conta deles.

Seguindo a pista desse enredo que envolve até um guardião de milhares de livros que não podem ser lidos, só o azul celeste típico do Rei, que colore os portões do tal galpão, aparentemente liga o endereço, no ABC paulista, a Roberto Carlos. Pouca gente sabe da existência do lugar, para onde teriam seguido os 11 mil exemplares recolhidos em maio de 2007 pela Editora Planeta após um acordo na Justiça. Nem o historiador de Diadema, Walter Carreiro, confirma a existência de um imóvel do ídolo na cidade. Já ouviu falar, mas nunca soube onde fica. Para muitos ali, a hipótese de as biografias estarem em Diadema é absurda:

— Alguma coisa do Roberto Carlos aqui? Nunca ouvi falar — surpreende-se um guarda municipal.

Mas tem quem já ouviu. Perguntando aqui e acolá, chega-se ao galpão do Rei na cidade. A campainha demora a ser atendida. Vizinhos de uma oficina de motos recomendam insistir. Pois Josias, o funcionário, nunca sai dali. Estão certos. Mais um pouco e o portão de ferro se abre. De bermuda, chapéu e aparência bem disposta, o guardião do Rei é pego de surpresa. Mas o problema mora nos detalhes, e a pergunta, à queima roupa, fica sem resposta.

— Não sei de nada, não falo nada, não tenho nada a dizer. Desculpe, estou ocupado — diz ele, com um sorriso nervoso.

O silêncio de Josias deixa sem resposta a pergunta: os 11 mil exemplares da biografia proibida ainda existem ou viraram pó, como se especulou na época do recolhimento? Roberto Carlos sempre afirmou que os livros foram para um lugar onde não o incomodam. Paulo Cesar, o autor, há pouco precisou de dois exemplares para mandar para uma tia, no interior da Bahia, e recorreu ao site de uma livraria portuguesa, a Bulhosa Livreiros, que vende a obra por um preço ótimo em euros: 9,90. O problema é que a entrega demorou dois meses. Outro mistério que o autor gostaria de desvendar é de onde vem o estoque da Bulhosa.

A polêmica das biografias de fato esquentou a procura por “Roberto Carlos em detalhes”. No site da Amazon, a obra, que estava sendo anunciada por US$ 189, aumentou, num dia, para US$ 273,18. Já pela página da Saraiva na internet, o leitor vai ter que esperar a tal conversa a que Roberto Carlos se referiu na entrevista do “Fantástico” para que o livro possa voltar às prateleiras. O preço anunciado é o original, R$ 59,90, mas com a ressalva “Avise-me quando estiver disponível”.

Outro efeito da chamada “mão invisível do mercado” é a pirataria. O autor da biografia de Roberto tem um exemplar que é um arremedo do livro, menor do que o original e sem sua assinatura, comprado por um amigo, este ano, em Florianópolis, por R$ 100, depois de uma negociação que rendeu um abatimento de R$ 50.

Enquanto a lei da oferta e da procura segue mostrando seu poder, o território livre da internet vê a biografia circular pelo mundo ao sabor do interesse de quem quiser lê-la. O americano Steve Wilson, por exemplo, mandou um e-mail para o autor da obra explicando que já morou no Brasil de 1974 a 1976, virou fã de Roberto, ficou muito feliz em achar o texto na internet e queria saber como poderia fazer para pagar por ele. “Não sou pobre e posso arcar com o preço justo, que espero que seja menos de US$ 200. Gostaria de pagar pelo uso do livro, pela oportunidade de ler esse trabalho tão excelente que consumiu tanto esforço e pesquisa para o senhor escrever. Obrigado”, disse Steve.

Paulo Cesar afirma que preferiu dizer ao leitor americano, e a alguns outros que já demonstraram a mesma vontade de pagar pelo download, que esperasse o livro ser liberado (um fato que o autor aguarda com convicção) para comprá-lo.

Sobre o status legal da publicação, também pairam especulações. O biógrafo afirma que o que houve foi um acordo entre Roberto Carlos e a Planeta, que foi criticada na cobertura do caso na época, já que teria desistido de levar a cabo a defesa diante da afinidade do juiz com o Rei (foi noticiado que o juiz Tércio Pires quis tirar foto com o cantor e que, sendo um artista amador, lhe deu um CD, além de a editora ter sido ameaçada de fechamento). A Planeta, hoje, considera um transtorno falar no assunto e afirma, fazendo a ressalva de que quase nenhum funcionário que viveu o episódio permanece lá, que houve uma decisão judicial determinando o recolhimento dos livros e a entrega ao Rei. O advogado do cantor, Marco Antonio Campos, no entanto, informa que a declaração da editora não está correta e que o que houve foi mesmo um acordo, mas que dele também faz parte o autor da biografia.

O fogo cruzado de informações torna o caso nebuloso até na Biblioteca Nacional. Um funcionário do setor de consultas demonstra dúvida ao ser questionado sobre o acesso à obra: “Esse livro não sei se pode consultar, porque tá proibido… Mas tenta, vamos ver.” E emenda puxando o assunto das biografias. Revela ter opinião diferente de um colega de trabalho, que considera a restrição “um tabu”. No fim das contas, o que importa é que na Biblioteca Nacional não há veto e o livro pode ser consultado sem problemas.

São muitas também as histórias em torno do vinil “Louco por você”, lançado em 1961 pela Columbia e que teria sido renegado pelo cantor (leia sobre esta e outras proibições no box à direita). No Centro de São Paulo, diz a lenda que, na década de 80, Roberto colocou nas ruas caçadores do vinil, que tinham ordem para comprar o disco a qualquer preço. Renegado ou não, “Louco por você” nunca foi relançado. O fato, aliado à lenda, o faz caro e raro. Um vinil desse só é mostrado por fotos exibidas por quem tem. Um colecionador chegou a oferecer por R$ 5 mil para Luiz Calanca, da Baratos e Afins, na Galeria do Rock, na Rua 24 de Maio. Deixou um telefone de contato, que não é achado:

— O vinil vale entre R$ 6 mil e R$ 7 mil. Há 12, 15 anos atrás, cheguei a ter um e vendi por R$ 2 mil. É uma relíquia.

Quando o assunto é o livro, a Planeta silencia sobre quantos exemplares foram impressos (o autor diz que foram 60 mil), o que faz as páginas parecerem ainda mais raras. Dois dias antes de Roberto se pronunciar na TV, o preço de “Roberto Carlos em detalhes” já se igualava no mercado ao dos três volumes encadernados das obras completas de Eça de Queiroz, editados em 1958 em papel bíblia pela Lello & Irmão. Quem tem a biografia a guarda como algo precioso. A cada discussão sobre o tema, sobe a cotação.

— Se eu soubesse, tinha comprado mais — diz Erivelton Nascimento Silva, livreiro andarilho que caça preciosidades a bordo de uma bicicleta e as entrega na casa dos clientes.

Erivelton arrematou a biografia do Rei no supermercado Carrefour de Diadema, quando a venda ainda era livre. Na etiqueta, o preço era R$ 60, mas, quando conferiu o valor no leitor de código de barras, viu que era uma bagatela, menos de R$ 30. Erivelton chegou a ser sondado por um cliente dois anos atrás. Pediu R$ 350. O sujeito achou caro. Não vendeu, mas alugou por um mês para leitura. Não lembra quanto cobrou.

— A lenda em torno da biografia é que a faz valiosa. É como o vinil do primeiro disco dele ou a “Playboy” da Xuxa. Em alguns sebos cobravam R$ 50 apenas para folhear a revista — conta Aloísio Costa de Jesus, dono do sebo Pop Art, de Diadema.

No rastro da proibição, o autor de “Roberto Carlos em detalhes” viu nesses anos todos manifestações como uma mesa da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) sobre o tema e até um bolo-réplica do livro, do empresário Amílcar Eduardo, que em seu aniversário de 2007 expressou assim sua posição contra a restrição.

Com a proibição, não saíram como o esperado os planos de Paulo Cesar, que começou a trabalhar aos 9 anos, foi engraxate, feirante, vendedor de picolés e saiu de Vitória da Conquista, na Bahia, para tentar a vida em São Paulo e depois no Rio. Ele pretendia, com a venda da biografia, se dedicar mais à vocação de escritor e historiador (o autor largou o segundo emprego que tinha como professor para concluir o livro, depois de 15 anos de pesquisas).

O trabalho de escritor sempre foi feito com a dificuldade de conciliar suas tarefas com a vida de professor (a gravação da entrevista com Chico Buarque, por exemplo, que ganhou as manchetes recentemente porque o compositor não se lembrava dela, foi registrada por um conhecido que vivia de filmar batizados).

No vídeo divulgado na última terça-feira pelo Procure Saber, o Rei diz: “Não negamos que esta vontade de evitar a exposição da intimidade, da nossa dor, ou da dor dos que nos são caros, em dado momento nos tenha levado a assumir uma posição mais radical.” É uma deixa que reforça a esperança de que ele se refira também ao combate à biografia como radical.

Nos sebos da cidade, a torcida é por aí:

— Algumas pessoas lutam a vida inteira para conseguir um pirulito, um biscoito, enquanto outras, como o Roberto Carlos, conseguem alcançar tudo, têm apartamento… Depois de ele chegar aonde chegou, em que o livro poderia atrapalhar? Aprendi com a vida o chamado “se aborreça menos” e, agora, tento não virar um velhinho chato e ver o que posso fazer de melhor, é o que eu aconselho a todos também — diz o livreiro Antonio Carlos Clementino, do sebo Letra Viva.

 

O Globo

Opinião dos leitores

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Política

Prefeita de João Câmara reúne lideranças da Região Mato Grande e apresenta Cadu como pré-candidato a governo

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O clima começou a esquentar na região do Mato Grande e a Prefeita Aize Bezerra (PSDB) se destaca na articulação como prefeita de cidade polo.

O evento contou com a presença de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças da região.

Nos bastidores, o encontro gerou comparações com um recente evento promovido pelo PT que lançou uma “plataforma colaborativa”

Foto: Divulgação

Mesmo contando com a máquina partidária, militância e lideranças de diversas regiões do estado, os petistas não conseguiram alcançar no evento anterior a mesma mobilização registrada no Mato Grande.

A demonstração de força levanta uma questão para o grupo governista: haverá em cada cidade-polo do RN um prefeito ou prefeita com capacidade de mobilização semelhante à demonstrada pela prefeita de João Câmara?

Se a pré-campanha servir de termômetro, o Mato Grande largou na frente e mostrou que pretende ter protagonismo nas eleições de 2026.

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Mundo

“Terminamos a guerra com o Irã hoje”, diz Donald Trump

Foto: Getty

O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos haviam “encerrado a guerra” com o Irã nesta quinta (11), após declarar anteriormente que os dois lados concordaram com um “memorando de entendimento muito forte” para interromper os combates.

“Não sei se vocês ouviram, mas encerramos a guerra com o Irã hoje”, disse o presidente Donald Trump durante um comício virtual em apoio ao vice-governador da Geórgia, Burt Jones, que está concorrendo ao governo do estado. “Eles concordaram em nunca ter uma arma nuclear, algo em que insistimos; esse era o objetivo principal. Isso representava 95% da questão.”

A declaração de Trump veio depois de ele cancelar novos ataques contra o Irã mais cedo nesta quinta, sugerindo no Truth Social que um acordo havia sido alcançado, sem detalhar seus termos.

O Irã não confirmou que qualquer acordo tenha sido fechado, e Trump afirmou na publicação na rede social que o bloqueio dos EUA a navios que entram ou saem dos portos iranianos continuará até que “esta transação seja finalizada”.

 

CNN

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Brasil

Coca-Cola assume prejuízo após onda de roubos de rótulos com figurinhas da Copa

Foto: Reprodução

A parceria entre a Coca-Cola e a Panini para distribuir figurinhas do álbum da Copa do Mundo de 2026 nos rótulos das garrafas acabou provocando uma onda de furtos dos plásticos das embalagens em estabelecimentos. Como os refrigerantes não podem ser comercializados sem o rótulo, a responsabilidade pelos prejuízos recai sobre a fornecedora. Diante disso, a companhia assumiu os custos e passou a recolher as garrafas adulteradas dos pontos de venda que solicitarem o procedimento.

Ao portal Extra, a Coca-Cola informou que os estabelecimentos podem acionar as equipes comerciais da empresa para a adoção das medidas necessárias, “incluindo o recolhimento e a substituição dos produtos afetados”.

A orientação aos consumidores é que não adquiram produtos com sinais de violação ou adulteração. A empresa também informou que dúvidas e relatos podem ser encaminhados aos canais oficiais de atendimento da Coca-Cola Brasil para suporte e esclarecimentos.

A advogada especialista em Direito do Consumidor Pamela Murcia afirma que, caso funcionários identifiquem pessoas removendo os rótulos das embalagens, a primeira medida deve ser reforçar a fiscalização e retirar imediatamente de circulação os produtos adulterados.

— O mais importante é evitar que o consumidor seja induzido a adquirir um produto incompleto — destaca.

Para a advogada, a retirada intencional dos rótulos não deve ser tratada como uma simples brincadeira.

— A depender das circunstâncias do caso concreto, a conduta pode caracterizar infração penal e gerar responsabilização pelos prejuízos causados ao estabelecimento comercial. Cada caso precisa ser analisado individualmente — afirma.

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Geral

PF recusa 2ª proposta de delação de Vorcaro por e-mail

Foto: Reprodução

A Polícia Federal rejeitou a nova versão da proposta de delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Os delegados responsáveis pelas tratativas do acordo comunicaram a decisão aos advogados do dono do Banco Master na quarta-feira (10).

O dono do extinto Banco Master está preso desde 4 de março, no âmbito de uma das fases da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras.

As prisões e sucessivas fases da ação policial revelaram um dos maiores esquemas de corrupção financeira do país, envolvendo fraudes bilionárias e uma rede institucional de proteção.

Confira a cronologia do caso

Novembro de 2025: prisão no aeroporto

Daniel Vorcaro foi preso em flagrante pela Polícia Federal em 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, enquanto tentava embarcar em um jatinho particular com destino a Dubai.

Na mesma época, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio por supostas fraudes na emissão de títulos de crédito.

Após 11 dias detido, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou a substituição da prisão por medidas cautelares, permitindo que ele deixasse a prisão sob monitoramento eletrônico.

Março de 2026: segunda prisão e a descoberta da Turma

Vorcaro voltou a ser preso preventivamente em 4 de março deste ano, por determinação do ministro do STF André Mendonça, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.

Segundo a PF, o ex-banqueiro comandava um grupo de inteligência e coerção conhecido como “A Turma”, responsável por invasões de dispositivos eletrônicos e intimidação de desafetos e jornalistas.

Também foram presos o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, apontado como administrador de empresas ligadas ao grupo; e Luiz Philip Mourão, conhecido como “Sicário” e descrito como braço operacional da organização, que atentou contra a própria vida na cela onde estava custodiado e morreu dois dias depois

Dois dias depois da segunda prisão, Vorcaro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.

Abril e maio de 2026: avanço sobre os núcleos político e familiar

  • 16 de abril: Na quarta fase da operação, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi preso sob suspeita de receber imóveis de luxo como propina para viabilizar operações financeiras sem lastro envolvendo o Banco Master.
  • 7 de maio: A quinta fase teve como alvo endereços ligados ao senador Ciro Nogueira. A PF sustenta que o parlamentar teria utilizado o mandato para favorecer o ex-banqueiro em troca de vantagens indevidas.
  • 13 de maio: Áudios de Flávio Bolsonaro são divulgados revelando pedidos de apoio financeiro ao Dark Horse, filme de Jair Bolsonaro. Na semana seguinte, o senador confirmou ter se reunido com Daniel Vorcaro em dezembro de 2025.
  • 14 de maio: Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, foi preso sob suspeita de atuar no grupo de intimidação física e cibernética, repassando ordens e pagamentos à Turma.
  • 19 de maio: Na sexta fase, agentes da própria Polícia Federal e peritos foram alvo de mandados de prisão e afastamento por suposta participação no esquema de espionagem. A investigação aponta vazamento de informações sigilosas e acesso irregular a bases de dados do Ministério Público Federal e da Interpol.

20 de maio de 2026: 1ª delação rejeitada

A Polícia Federal rejeitou formalmente a primeira proposta de delação premiada de Vorcaro. Segundo investigadores, o material era superficial e omitia informações sobre aliados políticos. Após a decisão, o ex-banqueiro reformulou sua equipe jurídica.

Nos bastidores, aliados de Vorcaro avaliavam que o advogado José de Oliveira Lima, conhecido como Juca, havia tensionado a relação com o ministro André Mendonça e dificultado o avanço de um acordo de colaboração.

Análise entorno de Vorcaro era de que o advogado José de Oliveira Lima, conhecido como Juca, tensionou a relação com Mendonça e inviabilizou uma delação. A saída levou a uma reorganização com o advogado criminal Sérgio Leonardo assumindo à frente do caso e a equipe que tinha 14 integrantes passou para cinco.

Junho de 2026: a nova proposta

Na nova proposta, protocolada na PGR entre os dias 1º e 2 de junho, Vorcaro ampliou o conteúdo da colaboração.

Segundo a apuração, o documento passa a detalhar sua relação com integrantes dos Três Poderes e inclui informações sobre o financiamento do filme solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro e sobre pagamentos periódicos destinados a Ciro Nogueira.

 

CNN

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Esporte

Copa do Mundo 2026 pagará o maior prêmio da história

Foto: EFE

A Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá começa nesta quinta-feira (11), no Estádio Azteca, no México. O duelo inicial entre o anfitrião e a África do Sul será o primeiro de 104 jogos ao todo na competição, a maior da história em quantidade de seleções.

A competição, que começou com 13 participantes em 1930, evoluiu gradativamente até chegar pela primeira vez a 48 delegações. Entre 1998 e 2022, 32 seleções disputaram o torneio mais importante do futebol mundial. O aumento na participação tornou a competição ainda mais valiosa. As informações são do Pleno News.

Os valores da premiação serão recorde na edição de 2026. Apenas pela participação, cada delegação receberá 10 milhões de dólares, o equivalente a cerca de R$ 51,4 milhões, além de um bônus de 1,5 milhão de dólares — cerca de R$ 7,7 milhões — para ajudar nos custos operacionais e logísticos.

Até as quartas de final, as seleções receberão um acréscimo de 4 milhões de dólares, cerca de R$ 20,5 milhões. Já entre os semifinalistas, os valores serão divididos pela posição no pódio. O campeão receberá o prêmio total de 50 milhões de dólares, cerca de R$ 257 milhões.

A seleção vencedora nesta edição receberá uma premiação 19% maior que a da edição do Catar, em 2022. Naquela oportunidade, a Argentina faturou 42 milhões de dólares, cerca de R$ 218,4 milhões na cotação da época.

PREMIAÇÃO DETALHADA DA COPA 2026, EM DÓLARES:

  • Campeão: 50 milhões (R$ 257 milhões)
  • Vice-campeão: 33 milhões (169,6 milhões)
  • 3º lugar: 29 milhões (R$ 149 milhões)
  • 4º lugar: 27 milhões (R$ 138,7 milhões)
  • Quartas de Final: 19 milhões (R$ 97,6 milhões)
  • Oitavas de Final: 15 milhões (R$ 77,1 milhões)
  • Segunda Fase (16 avos): 11 milhões (R$ 56,5 milhões)
  • Participação: 9 milhões (R$ 46,2 milhões) + 1,5 milhão (R$ 7,7 milhões) para suporte operacional

 

 

 

 

 

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Geral

José Dirceu critica equipe econômica de Lula: ‘Fizeram quase um crime’

Foto: Reprodução

O ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado federal José Dirceu (PT) considerou que a equipe econômica do governo de Lula (PT) errou e cometeu “quase um crime”, ao não buscar alternativas à política monetária restritiva que pune o desenvolvimento do País. Durante entrevista à Rádio Bandeirantes, na manhã desta quinta-feira (11), Dirceu defendia mecanismos para conter a inflação sem esfriar a economia e frear o potencial produtivo do Brasil.

Veja o trecho da entrevista de José Dirceu aos jornalistas Pedro Campos, Guilherme Macalossi e Cláudio Humberto, também do Diário do Poder, transmitida simultaneamente pela Bandeirantes e BandNews TV:

“Erraram, erraram! E fizeram quase um crime contra o País. Meta de inflação de 3% em um País que é a 7ª economia no mundo, tem 200 milhões de habitantes, é o 8º país no mundo. Um País que é uma potência tem que fazer política própria, pensar nos seus interesses. O Brasil não tem nenhum problema com os Estados Unidos. Quem tá criando problema… O problema é político com o Brasil”, disparou José Dirceu.

A crítica foi feita durante entrevista ao programa Jornal da Gente. Quando Dirceu defendia a redução de jornada de trabalho para 5×2 e novos rumos para a economia, ele foi lembrado de que o Conselho Monetário Nacional (CMN) é composto por ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, todos indicados pelo presidente Lula.

O CNM já foi composto pelos ex-ministros Fernando Haddad e Simone Tebet, e segue integrado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e pelos atuais ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti. Todos criticados por não adotar uma política monetária de câmbio como a de outros países, imprimindo moeda como saída para o cenário de crise mundial e com guerras, por exemplo.

 

Diário do Poder

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Mundo

Tribunal dos EUA autoriza Trump a manter tarifa global de 10%

Foto: Getty

Um tribunal de apelação dos EUA prorrogou, nesta quinta-feira (11), a suspensão de uma decisão de primeira instância contra a tarifa global de 10% imposta pelo governo Trump com base na Seção 122 da Lei de Comércio.

A decisão manteve a cobrança da tarifa global de 10% para três importadores enquanto segue em análise o recurso apresentado pelo governo. A medida prolonga uma decisão temporária que havia restabelecido a tarifa após uma vitória dos importadores em primeira instância.

Em 7 de maio, o Tribunal de Comércio Internacional dos EUA decidiu contra a aplicação das novas tarifas. No entanto, a decisão não determinou a suspensão ampla da cobrança. Os autores da ação — duas pequenas empresas e o estado de Washington, que pagou tarifas sobre compras realizadas pela Universidade de Washington — obtiveram apenas um alívio restrito.

O governo Trump recorreu da decisão e, em 12 de maio, o Tribunal de Apelações do Circuito Federal autorizou temporariamente a retomada da cobrança das tarifas para esses três importadores. Agora, a corte decidiu prorrogar essa autorização até o julgamento definitivo do recurso.

A tarifa global de 10% foi implementada em fevereiro, após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar a maior parte das tarifas impostas por Donald Trump em 2025. A medida foi adotada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.

Atualmente, a tarifa está prevista para expirar em julho, salvo se houver uma extensão aprovada pelo Congresso americano.

 

CNN

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Política

Flávio aciona STF para PF apurar reunião de Lula após prisão de Maduro

Foto: Ricardo Stuckert

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorize a Polícia Federal (PF) a apurar uma reunião realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a prisão de Nicolás Maduro.

Em documento apresentado nesta quinta-feira (11/6), o pré-candidato ao Palácio do Planalto pediu que a PF obtenha informações sobre um encontro que, segundo a defesa, teria sido convocado por Lula após a captura de Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro.

Os advogados argumentam que as diligências são necessárias para demonstrar que Flávio não agiu com dolo de caluniar Lula ao publicar uma postagem no X, em janeiro deste ano. Na publicação, o senador compartilhou uma reportagem sobre a suposta reunião e escreveu que Lula seria “delatado”.

Flávio é alvo de um inquérito da PF após comentar no X uma reportagem do colunista do Metrópoles Igor Gadelha que relatava a convocação de uma reunião de emergência pelo governo brasileiro após a prisão de Maduro.

Além de informações sobre o encontro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu que Moraes autorize a oitiva da líder opositora venezuelana María Corina Machado, do procurador norte-americano Walter Clayton III e do colaborador Euzenando Prazeres de Azevedo.

A defesa também pediu o compartilhamento de documentos da investigação e da ação penal abertas contra Maduro nos Estados Unidos.

O pedido ainda não foi analisado por Moraes.

 

Com informações de Metrópoles

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Geral

Deolane enfrenta escorpiões e pratos defecados na cadeia, diz irmã da influenciadora

FOTO: REPRODUÇÃO

A advogada Deolane Bezerra está passando por maus bocados, na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, em São Paulo. Presa preventivamente, a empresária está passando por crises de pânico, infestação de escorpião e alimentação inadequada.

Em entrevista ao repórter Lucas Pasin, do Metrópoles, Daniele Bezerra, irmã de Deolane Bezerra, revelou detalhes sobre as dificuldades que a influenciadora estaria enfrentando dentro da unidade prisional.

Segundo Daniele, Deolane tem receio de permanecer sozinha na cela durante a noite, principalmente após ter encontrado quatro escorpiões no local em um único dia e eliminado os animais. Ela também afirmou que, ao longo das três semanas em que está presa, a influenciadora precisou receber atendimento médico em duas ocasiões diferentes.

“Ela já foi socorrida duas vezes pela unidade. A pressão chegou a 9 por 6, e a enfermeira aplicou soro. Deolane tem crise de pânico e não consegue ficar na cela sozinha à noite”, disse Daniele a Pasin.

Além das dificuldades relacionadas às condições da cela, Daniele Bezerra também criticou a higiene dentro da unidade prisional. Segundo ela, Deolane estaria recebendo refeições em pratos que teriam sido utilizados por outras detentas para fazer necessidades fisiológicas.

De acordo com o relato, como parte da louça permanece nas celas, algumas internas utilizariam os utensílios de forma inadequada. Posteriormente, os itens seriam recolhidos, encaminhados à cozinha e reutilizados para servir as refeições. Daniele afirmou ainda que a higienização desses materiais não seria realizada de maneira adequada.

“Ela não consegue comer a comida porque os pratos são sujos. Muitos desses ficam trancados em celas e as presas os utilizam para urinar e defecar. Depois esses mesmos pratos são introduzidos na cozinha. Não são lavados corretamente, e voltam com a comida para as detentas”, afirmou.

Na terça-feira (9), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou o pedido de liberdade provisória feito pela defesa. Agora Daniele, que também atua como advogada da irmã, pediu um novo habeas corpus e aguarda decisão.

Deolane Bezerra foi presa em 21 de maio de 2026 durante a Operação Vérnix por suposto envolvimento e prática de lavagem de dinheiro vinculada ao PCC (Primeiro Comando Capital).

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Geral

STF forma maioria para fixar prazo de 60 dias para big techs se adequarem

Foto: Luiz Silveira

O STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria, nesta quinta-feira (11), para fixar o prazo de 60 dias para implementar as medidas determinadas pelo tribunal que aumentaram a responsabilidade das big techs pelo conteúdo que publicam.

A Corte iniciou a análise dos recursos das plataformas na quarta-feira (10). O prazo foi sugerido pelo relator de um dos recursos, o ministro Dias Toffoli. O entendimento foi seguido pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Alexandre de Moraes.

Até o momento, os ministros que votaram concordaram com a concessão de prazo de 60 dias para adaptação às novas regras. As divergências concentram-se no alcance das obrigações e nos critérios para definir quais plataformas serão submetidas a elas. Ainda não há um consenso sobre elas.

Julgamento do Marco Civil

Em junho de 2025, o Plenário do STF julgou os Temas 987 e 533 da Repercussão Geral e, por maioria de votos (8 a 3), declarou a inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil da Internet.

Até então, o dispositivo previa que as plataformas só poderiam ser punidas ou obrigadas a indenizar se descumprissem ordem judicial específica para a remoção de conteúdo. O Supremo alterou essa lógica ao entender que o modelo gerava “proteção insuficiente” à democracia e aos direitos fundamentais.

Os embargos foram apresentados por empresas de tecnologia e entidades da sociedade civil para questionar trechos da tese fixada pelo Supremo.

Entre os pontos contestados estavam a ausência de prazo para adaptação às novas regras, a abrangência das obrigações impostas às plataformas e a redação dos dispositivos relacionados à responsabilização civil das empresas.

CNN

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