
Apesar da paixão universal que o futebol enseja, o mundo da bola é dividido por hemisférios que jamais se encontram. Enquanto, no Brasil, os estaduais se confudem com o calendário carnavalesco, com perda de tempo e dinheiro em troca de alguns instantes de ilusão, na Europa, o ano esportivo entra em sua reta final com a abertura da fase eliminatória da Liga dos Campeões. As oitavas de final começam nesta terça-feira com PSG x Chelsea, em Paris, e Shakhtar x Bayern de Munique, em Lviv, ambos às 17h45m (de Brasília).
Embora o time alemão esteja no centro das atenções, depois da goleada por 8 a 0 sobre o Hamburgo pelo campeonato local, é o confronto na França que anuncia maiores emoções, seja pelo equilíbrio técnico ou carga dramática que envolve os times. No ano passado, o Chelsea eliminou o PSG nas quartas de final do torneio ao se reabilitar de derrota por 3 a 1 em Paris com vitória por 2 a 0, em Londres. Na incapacidade de vencer a rejeição do técnico José Mourinho, só restou ao brasileiro David Luiz trocar o time londrino pelo PSG.
— Tinha uma grande relação com os torcedores, colegas de equipe e todos os membros do clube, mas decidi que esse ciclo tinha acabado, e precisava de um novo momento para a minha vida — disse o zagueiro, ao minimizar as declarações do ex-técnico de que o Chelsea seria mais forte sem ele. — Eles estão mesmo mais fortes este ano. Trabalham pelo segundo ano consecutivo sob as ordens de Mourinho, já estão mais integrados e reforçaram-se com jogadores como Fábregas e Diego Costa.
O PSG tem que lidar com as baixas do último fim de semana, em que teve cinco jogadores machucados (Cabaye, Marquinhos, Matuidi, Aurier e Lucas Moura) no empate em 2 a 2 com o Caen.
— Não concordo com aqueles que dizem que o Paris Saint-Germain está mais fraco. Eles estão se preparando para o confronto e estão prontos para isso — disse o atacante do Chelesea, Drogba, que vê o time francês mais maduro, a começar pela postura de seu craque. — Ibrahimovic mudou muita coisa, não é mais egoísta. Ele passou a entender que precisa jogar para a equipe — analisou o marfinense.
Até a indisciplina do sueco agora é por causas nobres. No sábado, Ibrahimovic levou cartão amarelo ao erguer a camisa para exibir o nome de 50 pessoas, tatuados em seu corpo, que foram vítimas da fome no mundo.
BAYERN NO PIQUE, SHAKKTAR SEM RITMO
Ao desnudar seu lado solidário, o craque sueco reforça a busca pelo jogo coletivo que tem no Bayern de Munique sua maior referência. Ao fundir a escola alemã com a doutrina do técnico Pep Guardiola, o time da Bavária ampliou suas potencialidades como expressa a goleada do último fim de semana. Número que colocado na horizontal representa o sinal de infinito, oito é também o número de pontos que isola o Bayern na liderança do Campeonato Alemão.
Obrigado a trocar de sede enquanto persistirem os conflitos em Donetsk, o Shakhtar está isolado pela geopolítica e pelo frio, que paralisa o calendário ucraniano. Desde o seu último jogo oficial, em dezembro, contra o Porto, o time só fez amistosos, inclusive contra clubes brasileiros.
— O Bayern joga a cada três ou quatro dias, enquanto nós jogamos vários amistosos durante um mês e meio. No entanto, eles não foram fáceis e para nós foram também boas sessões de treinamento. Posso dizer que o time está em ótima condição física — disse o atacante Luís Adriano, um dos brasileiros do time, ao lado de Alex Teixeira, Dentinho, Douglas Costa, Ilsinho e Marlos. Machucado, Bernard não joga.
Do lado do Bayern, os desfalques são Xabi Alonso, Philipp Lahm, Javi Martínez e Thiago Alcântara, embora Guardiola tenha opções técnicas e táticas para exibir a mesma excelência com peças diferentes.
OUTROS JOGOS DAS OITAVAS
Na quarta-feira, o atual campeão, o Real Madrid, joga fora de casa contra o Schalke 04, enquanto o Basel recebe o Porto. Os demais confrontos — Manchester City x Barcelona, Juventus x Borussia Dortmund; Bayer Leverkusen x Atlético de Madri e Arsenal x Monaco — começam a ser disputados a partir do dia 24, na outra semana.
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