Por Daniel Menezes
A primeira polêmica que acompanhei no nosso RN foi sobre a construção do chamado papodromo para recepcionar o papa João Paulo II em Natal. Os críticos alegaram que o papa poderia ser recebido sem o custoso equipamento. Mas venceram os que disseram que o papodromo não seria um elefante branco, mas um grande centro de convenções dentro da área administrativa do governo. Até um dia desses, após ficar por anos fechado, o papodromo abrigava um restaurante.
A história do RN é marcada por promessas de tal calibre. Vivemos sob o manto das grandes ações e obras redentoras, uma espécie de malufismo camarão. O sonho de nos posicionar num suposto futuro de prosperidade e modernidade é substituído pela realidade e por uma conta pesada. A mesma situação ocorreu com a inacreditável derrubada do Machadinho e do Machadão e o tal legado. É uma constante potiguar.
Na administração de pessoal não tem sido diferente. O RN, pré-constituição de 1988, contou com janelas generosas de ingresso de hoje servidores pelas fundações Walfredo Gurgel, José Augusto, pela Assembleia, etc. E não apenas isso: desde Garibaldi, passando por Wilma, Iberê e Rosalba, todos quando saíram aprovaram planos de cargos, carreiras e salários sabidamente sem a menor condição de implementação. Tudo embalado pelo sentimento: não serei mais o governador. O problema não será mais meu.
É impressionante comparar nossa folha com a da Paraíba, com orçamento semelhante – cerca de 12 bilhões/ano -, e perceber que eles gastam 1,2 bilhão a menos do que a gente com salários. Vale ressaltar que temos 53 mil servidores na ativa e eles cerca de 80 mil. Isto significa que lá há mais professores, policiais e enfermeiros, prestando um serviço ostensivo aos paraibanos e a um custo bem menor de que aqui.
Nossos poderes também apresentam condições bem especiais. Só que para os poderes, apenas. Uma legislação retrógrada e não seguida pelo resto do país e muito menos pela União faz com que eles recebam mais do que precisam e tenham o direito de fazer poupança com recursos que deveriam retornar para o tesouro estadual. É por isso que o Tribunal de Justiça do RN conta com um custo bem mais elevado do que o TJ vizinho e entrega desempenho menor para os seus jurisdicionados, conforme o CNJ. É por esse caminho que nossa Assembléia, menor do que a da Paraíba, pesa mais no bolso do contribuinte.
Mas não termina por aí. Escuta-se muito nos meios empresariais que a Paraíba é mais eficiente na cobrança de impostos e que nós perdemos muita receita. É preciso duvidar de tal eficiência e lançar lupas sobre de que maneira e quem o Estado cobra. Aqui supermercados têm isenção e subsídio de gás. Não há qualquer justificativa plausível e estratégica para tanto. Não há guerra fiscal entre uma loja varejista de alimento daqui com as de outros Estados. Nós não sairemos do RN para fazer feira na Paraíba ou em Pernambuco. Não se defende aqui qualquer tipo de radicalismo anti empresarial. As isenções são importantes, mas elas servem para atrair empresas de fora em determinados setores econômicos, desde que comprovem devidamente que criarão empregos e investirão nas nossas terras. Com estudo embasado e justificado no sentido de provar que o desconto dado em impostos trará benefícios objetivos. Isenção, quando funciona para praticamente todo mundo, não merece mais o nome que carrega.
A fatura por essa equação toda estourou de forma dramática agora. Não há mais paliativos já sacados no passado por Garibaldi, quando vendeu a Cosern; por Wilma de Faria, que recebeu recursos generosos do governo Lula; por Iberê, que recebeu empréstimo do judiciário; por Rosalba, que só pagou dezembro e o décimo terceiro antes de deixar o mandato – muita gente já não se lembra – porque sacou recursos do Funfir. É fundamental uma alteração de rumo. Entretanto, por todas as resistências já levantadas pelos hipertrofiados grupos de pressão contra qualquer tipo de mudança de sentido, é ingênuo imaginar que sairá apenas de um governo.
Por isso vale, pelo histórico acima, enfatizar: a conta não tem apenas uma pessoa ou um grupo responsável. Ela não é apenas de Robinson Faria ou mesmo apenas da classe política local. É da classe política, dos poderes constituídos, das representações patronais e de trabalhadores e dos chamados “setores pensantes” da sociedade norte-riograndense. Sim, porque mesmo diante de toda crise, não há números e estudos produzidos sobre o assunto nas universidades, pelos institutos públicos e privados, imprensa, associações patronais e de trabalhadores, etc. O que torna o contexto carente também de reflexão.
Porém, ainda que tenha sido um revés erguido por muitos braços, os responsáveis agora silenciam para o que importa e gritam diante de questões secundárias ou criam fumaças contra o atual governo como forma de demarcar o problema nele e impedir qualquer contaminação responsabilizadora – verdadeira – para além de tal fronteira.
A crise do RN é uma espécie de filho sem pai nem mãe. Apareceu numa cesta, está com muita fome e precisa de ajuda. Só que ninguém aparece. Isto tudo é ruim porque, enquanto o debate sensato não acontecer, a tendência é que, ainda que venha o socorro financeiro da União – não acredito que a recomendação do MP de Contas reverta esta tendência -, a falta de grana será novamente implacável. Só questao de tempo. Sem demagogia: a hora é para uma urgente reforma do Estado. Quem sabe a extrema dificuldade atravessada não seja um ponto de partida oportuno para tanto?

Caro repórter, eu até compreendo e percebo que há um fundo de verdade em tudo que você falou, mas, por acaso você próprio lembra das palavras do então governador em sua campanha política, quando ele dizia: "dinheiro tem! O que falta é gestão!"? É sensato você levantar esse histórico de aberrações e atrocidades cometidas contra o erário público estadual, mas, o então culpado hoje é única e exclusivamente Robinson Faria! Ele era sabedor de toda a situação financeira do estado, pois, era vice governador! Não era e nem é nenhum inocente! É culpado sim! A mudança que você fala ao final do seu texto, deveria ter ou deveria estar ocorrendo com ele, em sua gestão. Começando a cortar cargos comissionados, e propagandas em blogs e a jornalistas tendenciosos e oportunistas.
Não é momento de procurar ou discutir culpados o governador tem obrigação de achar a solução para o estado, considerando que assumiu o poder.
Foi criado uma brecha em todo esse país…onde, quando se é político, é sinônimo de enriquecimento. Então, o povo acha lindo votar como se estivessem assistindo um jogo de futebol, O MEU CANDIDATO É SEMPTE MELHOR QUE O SEU. No entanto os eleitores NÃO consultam os procedimentos desses candidatos à "GERENTES" do governo o geral, e votam loucamente nos mais desqualificados (eu mesmo já votei várias vezes em pessoas despreparadas e ambiciosas).
Não mudará agora, mas acredito que a população que sofre se manifestará mais cedo ou mais tarde.
Desculpem, mas acredito no tema de uma redação de vestibular de muitos anos atrás que dizia: JÁ PESSOAS QUE VIVEM UMA VIDA COMO SE FOSSEM VIVER MILÊNIOS, SE ESQUECEM QUE UM FIM INEVITÁVEL ESPERA POR ELAS. ENQUANTO VIVES, TORNA-TE UM BOM.
Muito sensato e justo o comentário. A administração pública tem que passar por uma grande reforma, principalmente banir as benesses.
Hahahahah. O RN é o ecossistema dos TIRANOSSAUROS REX.
Pensei que a culpa aqui também era do PT…..
Também é. A crise econômica que TODO o Brasil vive (estamos saindo lentamente) foi o grande legado dos governos petistas.
Perfeito
Na verdade, todos os que se metem e querem se perpetuar no poder, o desejam, por interesse próprio e escuso. Famílias e mais famílias que querem viver pelo sor do outro. Agente que se lasque. Mas isso só vai acontecer até o dia que o povo acordar. E não tá longe não!!!!
Agora apareça o pai! Quando a criança é bonita todo mundo quer ser pai; quando é horrível fica órfã.
RN recebeu cerca de 150 milhões de reais do MS esse ano. Foi direto pra SESAP onde foi usado para pagar cooperativas medicas e insumos hospitalares.
Resultado: hospitais continuam com abastecimento irregular e as cooperativas de vento em popa. Por que será?
Rio de Janeiro recebeu um aporte voluntario de 2,9 bilhões em 2016 para as olimpiadas sem nenhuma nota ou avaliação do MP TCU , assim o precedente já existiu e não pode ser ignorado.
O agravamento da crise do estado provém de ingerência passada e atual, crescimento vegetativo e natural da folha, repasses desproporcionais aos outros poderes e principalmente frustrações de receitas causadas pelo próprio governo federal que iniciou esse ciclo bem antes da crise.
Diante de tudo isso ou o presidente envia os recursos que ajudariam principalmente saúde e segurança ou cabe uma nova ação, uma nova pedalada, agora no estilo temer
Hoje acordei fazendo toda retrospectiva sobre o nosso estado e o que me revoltou e a omissão dos nossos representantes estadual e federais não fazerem nada para ajudar o governo a sair dessa crise, parece que todos perderam a língua o nosso estado está gemendo a muito tempo e precisa que esse políticos para de olhar só para o umbigo. Ao governador so me resta pedir a Deus que o abençoe é um homem de muita coragem.
Respondendo a pergunta da manchete, não só o governador, mas toda a bancada política do RN, pois não fazem nada, para eles quanto pior melhor.
Robinson esquece o que ele disse na campanha para o governo do RN, que o problema do estado era de gestão, pois dinheiro tinha. Eu tenho esse vídeo pra provar. E agora???
Cirúrgico.
A culpa é do POVO IMBECÍL que não sabe votar …elegendo as mesmas famílias há anos ,e sabe o que irá acontecer em 2018??? nada, os idiotas eleitores irão eleger um rostinho bonito…filho de fulano ..primo de beltrano,e o RN se ferrando !!!parte também é dos JORNALISTAS ( ou os que nem formados são) de babar esses políticos FDP
Gostei
Eu sei, Eu sei, Eu sei! Pergunta pra mim, vai!!!
Pois é acupa não é só dos governantes anteriores do atual também que fez parte na maiorias das vez contribuindo como deputado e presidente da AL. Aprovando projetos.
Parabéns pelo excelente texto assino em baixo Robson não é o único culpado e sim essa corja de dinossauros que os potiguares colocam no poder há anos
Ainda bem que tão procurando o Pai da criança, mas vai ser difícil achar
Daniel só uma pergunta que era o presidente da assembleia que aprovou a lei que retirava recurso da conta única do Estado para os outros poderes
Boa!