Gordon Ramsay e Joseph Cerniglia no ‘Kitchen nightmare’; o segundo viria a se suicidar três anos após o programa – Reprodução
Alexa McAllister há duas semanas se tornou parte de uma triste estatística. A participante da 14ª temporada do “The bachelor” se matou com uma overdose de remédios, aos 31 anos. Gia Allemand, que esteve no mesmo programa, se enforcou em 2013. Desde 2004, segundo o “New York Post”, foram 21 suicídios de participantes de reality shows. Esse número não leva em consideração possíveis casos ocorridos fora dos EUA.
“Será que (aparecer em reality shows) atrai pessoas com maior instabilidade emocional?”, questiona o psicólogo Richard Levak, ouvido pelo “NY Post”, que já trabalhou em alguns realities. “Pessoas instáveis têm mais interesse? Ou as fantasias do reality fazem com que elas se matem?”.
Julien Hug, outro participante do “The bachelor”, se matou com um tiro na cabeça em 2009, aos 35 anos. “Eu sofri uma severa depressão ao longos dos anos. Me sinto mal e não sei como lidar com isso. Se a vida não pode ser aproveitada, por que continuar?”, escreveu num bilhete de despedida.
“Seu negócio é se jogar no fundo do Rio Hudson”, disse Gordon Ramsay para o chef de Nova Jersey Joseph Cerniglia durante um episódio de “Kitchen nightmare”, em 2007. Três anos depois, Cerniglia se jogou no rio da ponte George Washington.
A família de Cerniglia não culpa Ramsay pela morte dele e elogia a forma como o chef inglês o tratava nos bastidores. Ele voltou a procurar o participante após o programa e elogiou as melhorias feitas no restaurante. Cerniglia, no entanto, voltou a ter problemas financeiros.
Rachel Brown, uma chef de Dallas , foi outro caso de suicídio ligado a programas de Ramsay. Ela se matou aos 41 anos, com um tiro, em 2007, pouco depois de participar do “Hell’s kitchen”.
A maioria dos realities mantém psicólogos, mas os participantes sugerem que sua saúde mental não é tratada com o devido cuidado.
“Acho que as pessoas não percebem as repercussões quando aceitam”, diz o vencedor da 4ª temporada de “The bachelor”, Jesse Csincsak, ao “NY Post”. “Ao longo de oito episódios, 50 milhões de pessoas te viram. Em todo lugar que você vai — andando nas ruas, no Facebook — todas essas pessoas estão te julgando. Ninguém entra para ser retratado como o agressivo, o bêbado ou algo assim, mas acontece, pois isso dá audiência e audiência é dinheiro.”
Segundo Lisa Ganz, dona de uma empresa especializada em escolher elencos que já trabalhou com os programas “Hell’s kitchen” e “Nanny 911”, o primeiro passo do processo de triagem é determinar se “os participantes são emocionalmente instáveis”. Os aprovados então tem seu passado vasculhado.
Csincsak, no entanto, afirma que parte das perguntas são usada mais como munição para o programa do que teste emocional. “Se você diz ter medo de cobras, eles te levam no zoológico. Se tem medo de altura, te farão pular de um penhasco”, critica.
O Globo
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