Os clubes brasileiros alcançaram cerca de R$ 390 milhões em receitas com programa de sócios. É o que aponta o levantamento da Feng Brasil, empresa especializada em projetos de engajamento de torcedores, entre eles os de Flamengo, Santos e Vasco.
Observando o desenvolvimento desse tipo de receita ao longo dos anos, foi possível perceber um crescimento de 42% entre 2014 e 2018. A média de evolução anual fica na casa de 9%.
O número é o resultado das informações retiradas dos balanços financeiros da temporada passada, com exceção de Corinthians, que não discrimina esse tipo de receita na prestação de contas, e CSA, que não publicou o documento no site.
– A explicação está não só em um melhor trabalho dos clubes na venda de seus programas, mas também no crescimento do interesse do torcedor por estar no estádio – o que, afinal, é a matéria-prima principal deste produto – pontua André Monnerat, diretor de Negócios da Feng Brasil.
É diante desse interesse que a CBF tenta pegar uma carona, apostando até em sorteio de carros para quebrar o recorde de público do Brasileirão. Entre 2014 e 2018, a média de torcedores nos estádios da Série A cresceu 13%.
Esta receita com mensalidades representou 7,7% dos pouco mais de R$5 bilhões que estes 20 clubes tiveram de receita total. Mas há clubes em que este percentual é bem maior, como é o caso dos gaúchos Inter (22%) e Grêmio (19%), pioneiros em dar foco na construção desta fonte de renda.
– Vale dizer que, no caso dos dois, o sócio-torcedor é também sócio estatutário, com direito a voto; em grande parte dos clubes há uma separação entre os programas comerciais, que dão benefícios nos ingressos, e os estatutários, que dão direito a participar das eleições e frequentar a sede – pontuou o diretor da Feng.
A expansão das receitas com programa de sócios alcança relevância de uma tal maneira que já há uma aproximação com a arrecadação em bilheteria. Nos clubes atualmente na Série A, em 2018 trouxe R$417,5 milhões nesse quesito (R$ 27 milhões a mais do que os programas de sócio). A diferença é que o que vem de ingressos acaba sofrendo abatimentos com as despesas de jogo.
– Trata-se de uma receita recorrente, que entra no caixa todos os meses, mesmo quando os jogos param. Em vários clubes, a antecipação da receita de planos que são parcelados no cartão de crédito também é uma ferramenta importante em momentos de maior dificuldade no fluxo de caixa – pontuou Monnerat, projetando a manutenção da curva crescente nos próximos anos.
O GLOBO

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