Depois da guerra instalada na sessão de ontem, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), vai tentar retomar os trabalhos na manhã desta quarta-feira. Ontem ele anunciou a intenção de realizar nova sessão do Congresso hoje, a partir das 10h. Renan não havia decidido ainda, porém, se as galerias do plenário da Câmara – onde deputados e senadores se reúnem nas sessões conjuntas – serão abertas ao público. Mas há grande disposição de não liberá-las para que a votação ocorra – se possível – com tranquilidade.
O governo fracassou na sua quarta tentativa de votar, ontem à noite, a proposta que permite ao governo descumprir a meta fiscal de 2014, depois que o clima ficou quente na sessão do Congresso, com briga e xingamentos entre manifestantes, parlamentares e seguranças da Casa. A sessão do Congresso foi marcada por brigas, pontapés, socos, empurra-empurra e xingamentos envolvendo parlamentares, manifestantes e seguranças. O cancelamento da sessão acabou sendo uma vitória da oposição. Como ainda faltam votar os vetos presidenciais, há o risco de a votação da mudança da meta só ocorrer dia 09.
O problema será haver clima para a retomada da sessão, além das dificuldades de quorum numa quarta-feira pela manhã. A pauta está trancada por dois vetos presidenciais. Depois da votação, se ela for realizada, a sessão terá que ser suspensa para contagem dos votos e verificar se o quorum mínimo foi alcançado, de 257 deputados e 41 senadores votantes. Somente depois é que se poderia começar a discussão da proposta que desobriga o governo a cumprir a meta de superávit de 2024.
ÂNIMOS NAS GALERIAS FICAM EXALTADOS
O Plenário da Câmara, onde ocorrem as sessões do Congresso, se transformou num verdadeiro ringue de briga ontem. Enquanto nas galerias havia enfrentamento entre seguranças, manifestantes e parlamentares da oposição, alguns deputados e senadores trocavam xingamentos dentro do Plenário mesmo, a poucos metros do senador Renan Calheiros, que parecia atônito com o tumulto.
A confusão começou quando Renan mandou esvaziar as galerias, por volta das 19h45. Neste momento, os manifestantes gritavam palavras de ordem contra o próprio Renan e o PT.
– Ditador (para Renan)! O PT roubou! Vai para Cuba! – gritavam os manifestantes, que eram menos de 200 nas galerias.
O problema é que algumas parlamentares, como a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e a senadora Vanezza Grazziotim (PCdoB-AM), estavam discursando e entenderam que estavam sendo xingadas de “vagabundas”. A deputada Jandira Feghali exigiu providências.
– Eu não ouvi, mas a deputada disse que estavam nos chamando de vagabundas. E a deputada Manoela D´Ávila (PCdoB-RS) contou que havia uma manifestante nos chamando de safadas – disse Vanessa.
– Chamar de vagabunda. Isso é inadmissível! Minha proposta é que se esvazie as galerias. Que se respeitem os parlamentares desta Casa! ) dizia Jandira Feghali.
Os seguranças foram às galerias para retirar os manifestantes, a maioria ligados ao PSDB. Segundo relatos, os seguranças usaram inclusive uma arma que dá choque nos manifestantes. Os líderes dos partidos de oposição, então, subiram para proteger os manifestantes e começou a briga. Os mais exaltados eram os deputados Ronaldo Caiado (GO), líder da Minoria no Congresso; Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Fernando Francischini (SDD-PR) e o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Já os líderes do PSDB na Câmara, deputado Antonio Imbassahy (BA), e do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), tentavam acalmar, sem sucesso, os envolvidos.
No enfrentamento com seguranças, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PP-SP) gritava:
– Me solte que eu sou deputado!
Os parlamentares e os manifestantes ainda disseram palavrões. Uma idosa de 79 anos, Ruth Gomes de Sá, foi empurrada e contida pelos seguranças.
– Eles me deram uma gravata! – disse a aposentada, que disse ser ligada ao PSDB.
Em um dos momentos mais tensos da sessão, os deputados Felipe Maia (DEM-RN) e Assis Melo (PCdoB-RS) trocaram acusações e empurrões. Assis teve que ser contido por colegas do partido e Felipe Maia pelos correligionários democratas, inclusive seu pai, o senador Agripino Maia (DEM-RN).
Felipe Maia criticava a senadora Vanessa por reagir às palavras de ordem gritadas pelos populares nas galerias.
– O deputado me disse: Vai para Cuba! – contou Vanessa.
O Globo
Gráfico
NA MATÉRIA DO BG ESTÁ CLARO, GOVERNO TENTA DESCUMPRIR A META FISCAL DE 2014.