Do Comunique-se
Repórter de O Estado de São Paulo, o jornalista Paulo Saldaña conta com exclusividade ao Comunique-se como foi trabalhar como fiscal na prova de sábado (22) do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Ele afirma que “foi chocante ver aquela desorganização” e o despreparo de pessoas que ficaram responsáveis pela aplicação dos testes aos alunos.
Saldaña explica que a ideia de ser fiscal não foi para fazer uma denúncia ou crítica barata à organização da prova, mas para mostrar como pessoas eram escolhidas de última hora para trabalharem na avaliação, algo que até então era desmentido pela Cesgranrio, uma das empresas que compõem o consórcio que realiza o Enem.
Escolhido como outras pessoas para ser fiscal do Enem em cima da hora, Saldaña que trabalhou em uma das salas da Unip da Água Funda, zona oeste de São Paulo, diz que a desorganização foi além do despreparo dos fiscais em relação ao andamento e regras da avaliação. “Tinha sala que todas as carteiras estão desorganizadas, e os fiscais não sabiam como deixar a sala arrumada”.
O jornalista do Estadão revela que ficou abismado ao perceber que, devido a falta de treinamento dos fiscais, muitos dos candidatos de outras salas estavam com os celulares ligados, o que não é permitido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão responsável pelo Enem.
Apesar da desorganização, que evidenciou a facilidade que uma pessoa sem preparo tem para ser fiscal do Enem, Saldaña revela que um fato é o mais importante: a falta de informação aos candidatos, o que pode atrapalhar a carreira de muitos estudantes. “Uma orientação equivocada no Enem, dada por um fiscal sem preparo, mudar completamente a vida de alguém”.
Devido o modelo de realização do Enem, o jornalista salienta que dificilmente um candidato, alguém que está pensando em ingressar em um curso superior, vai comprovar que foi mal na prova devido a uma dica errada repassada por um fiscal.
Enem considerou trabalho de repórter ‘satisfatório’
Apesar de negar o recrutamento de última hora, a Cesgranrio divulgou em nota que o trabalho do repórter como fiscal do Exame aprovou o trabalho do jornalista. “A Cesgranrio considera o trabalho de Paulo Saldaña (na prova) satisfatório.”

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