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Ressocializar presos é mais barato do que mantê-los em presídios, defende Conselho Nacional de Justiça

Cozinha da APAC de Sâo João del Rei – recuperandos preparando a refeição. FOTO: APAC

É mais barato fazer presidiários cumprir pena fora dos presídios, trabalhar e estudar do que mantê-los encarcerados. A metodologia de ressocialização de presos que a Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC) aplica em 43 cidades em quatro estados custa, segundo os cálculos do gerente de metodologia da entidade, Roberto Donizetti, menos da metade do valor mensal que o Estado destina a manter uma pessoa sob custódia no sistema prisional tradicional.

Em Minas Gerais, por exemplo, o preso custa em média R$ 2,7 mil por mês pelo sistema tradicional dos presídios do Estado e R$ 1 mil pelo método de ressocialização da FBCA.

Em tempos de escassez de recursos e aumento da população carcerária, que saltou de 90 mil para mais de 650 mil desde o início da década de 1990, o Método da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) é promovido como alternativa ao atual sistema.

Uma Apac é um estabelecimento de ressocialização de presos que cumprem pena, autorizados pelo juiz de execução penal da região. Lá, o condenado encontra uma rotina de trabalho e educação, diferente do ócio obrigatório vivido atrás das grades dos presídios comuns. Um quadro fixo de funcionários e grupos de voluntários asseguram um rol de atividades variadas com o objetivo de preparar o preso para voltar ao convívio em sociedade, desde terapia a religião. Para aumentar as chances de sucesso no retorno à sociedade, as visitas de familiares facilitam o contato entre presos e visitantes – mães, companheiras e filhos de presos, sobretudo – sem expor a segurança da casa.

Baseado em austeridade na gestão, o custo de se administrar essa metodologia de ressocialização é um dos argumentos centrais para disseminar o Método Apac por outras partes do país, segundo o representante da FBAC, Roberto Donizetti. Atualmente nas 39 unidades Apac AC mineiras, cumprem pena cerca de 3 mil homens e mulheres.

Custodiá-los representa desembolso mensal de R$ 3 milhões por mês, de acordo com a FBAC. Se ainda estivessem em uma das prisões do estado, custariam R$ 12 milhões mensais. A diferença de R$ 9 milhões entre o custo mensal nos diferentes sistemas – alternativo e tradicional – soma R$ 108 milhões por ano.

Mesmo inferior, a estimativa da Secretaria de Administração Prisional de Minas Gerais (SAP/MG) de custo mensal de manutenção de um preso – R$ 2,7 mil mensais, em média – atualmente representaria quase três vezes a despesa mensal de uma Apac para manter um preso. A SAP/MG informa que a cifra, variável conforme a lotação da unidade, abrange os custos de manutenção do detento no sistema (alimentação, estudo, trabalho, itens de higiene, água, pagamento do agente penitenciário, entre outros), mas também a construção da unidade prisional.

Obras

Dividindo-se o custo total das obras de construção de uma unidade APAC pelo número de vagas que a instituição oferecerá, chega-se ao valor de R$ 15 mil para se “abrir” uma vaga , segundo Cleber Costa da Apac de Macau/RN. Uma vaga em um presídio tradicional tem custo médio de R$ 45 mil.

“Temos pessoal treinado para abrir sete polos das APACs no Rio Grande do Norte, mas falta o dinheiro para construir as unidades em outros municípios do estado”, disse Costa, que já foi vice-presidente da Apac do município localizado a 180 quilômetros ao norte da capital, Natal.

Escala

Um dos motivos que explicam o baixo custo de manutenção de uma Apac em relação a um presídio convencional é a diferença de escala entre os dois modelos de estabelecimento penal. Em comparação com outras unidades de Minas Gerais – o Complexo Nelson Hungria abriga 2.166 presos, embora a capacidade seja de apenas 1.664 vagas, de acordo com a inspeção realizada nas instalações por juiz do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) em 29 de março.

Manutenção

Uma vez edificada a sede da Apac, é necessário formar uma equipe que se encarregue do cotidiano dentro da unidade. Como recebe menos apenados, a Apac tem um quadro de funcionários menor. Na Apac AC de Paracatu/MG, segundo o gerente de segurança e disciplina, Silas Porfírio, 16 funcionários respondem pela operação da unidade, que abriga 125 homens sentenciados a cumprir pena nos regimes fechado e semiaberto. Além de manter a segurança e integridade física de todos que vivem ou trabalham na unidade, o quadro técnico viabiliza uma rotina diária de atividades que inclui oficinas profissionalizantes, aulas, cultos ecumênicos, sessões coletivas de terapia, refeições e atividades de lazer.

Contratos – Segundo a juíza responsável pela APAC de Barracão/PR, município do interior do Paraná, Branca Bernardi, a escala menor reduz os valores dos contratos de fornecimento de produtos e serviços necessários ao funcionamento da APAC.

“Normalmente esses contratos do sistema comum são para fornecimento de alimentação ou para a construção de unidades prisionais. Para reformar a delegacia e transformá-la em APAC, gastamos R$ 70 mil. Fizemos uma licitação dentro da cidade, como fazemos para comprar frutas, verduras, etc. Não se trata de nenhum contrato milionário”, afirma.

Embora o sistema prisional demande elevado volume de recursos para ser mantido, presta um serviço reconhecidamente precário em todo o país. O Brasil foi intimado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a prestar informações a respeito de violações dos direitos humanos que teriam ocorrido em três presídios – complexos penitenciários do Curado (Pernambuco) e Pedrinhas (Maranhão), e o Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, no Rio de Janeiro – e uma unidade socioeducativa no Espírito Santo para adolescentes em conflito com a lei. As rebeliões ocorridas em presídios do Amazonas, Rio Grande do Norte, Roraima e Rondônia no início do ano resultaram em mais de uma centena de mortes que revelaram o poder das facções criminosas dentro e fora das cadeias.

Corrupção

Reduzir os custos operacionais também diminui o risco de casos de corrupção no sistema prisional, segundo o gerente de metodologia da FBAC, Roberto Donizetti. “O sistema comum é uma máquina de corrupção. Comida, uniforme, transferência, viatura são fontes potenciais de corrupção”, diz.

Da época em que militava na Pastoral Carcerária, o voluntário da Apac de Macau/RN, Cleber Costa, recorda ter recebido uma denúncia de um preso segundo a qual o diretor do setor onde trabalhava o forçara a assinar um documento para atestar o recebimento de uma encomenda de 800 caixas de determinado produto. “Na verdade, foram entregues apenas 400 caixas. Nenhuma delas chegou aos presos. As poucas que chegaram foram levadas pelos agentes”, afirma.

População em expansão

Os 3,5 mil presos que cumprem pena em estabelecimentos que seguem a metodologia Apac em Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Paraná e Maranhão representam apenas cerca de 0,5% da população carcerária do país, calculada em 654,3 mil pessoas, de acordo com informações apuradas pelos presidentes de tribunais de Justiça ao CNJ em janeiro. O viés de crescimento da população carcerária (7% nos últimos anos, de acordo com o mais recente levantamento do Departamento Penitenciário Nacional) aponta para uma explosão nos gastos públicos que precisa ser contornado para evitar mais um problema econômico para o país.

Outra ameaça da multiplicação do orçamento prisional é vermos confirmada a profecia do sociólogo Darcy Ribeiro feita em 1982, conforme lembrou a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Cármen Lúcia, em evento de segurança pública realizado em novembro passado, em Goiânia/GO.

“Darcy Ribeiro fez em 1982 uma conferência dizendo que, se os governadores não construíssem escolas, em 20 anos faltaria dinheiro para construir presídios. O fato se cumpriu. Estamos aqui reunidos diante de uma situação urgente, de um descaso feito lá atrás”, lembrou a ministra.

Como são recursos públicos que mantêm tanto as escolas quanto as prisões brasileiras, inclusive estabelecimentos privatizados, destinar menos dinheiro ao sistema carcerário poderia aumentar o orçamento do sistema educacional. Em 2016, o investimento anual do governo Federal foi de R$ 2.739,77 por aluno ao ano. Em 2015, o custo para manter presidiários variou entre R$ 1,8 mil e R$ 3 mil ao mês nos estados do Paraná, do Rio Grande do Sul e de Rondônia, de acordo com a pesquisa do Grupo de Estudos Carcerários Aplicados da Universidade de São Paulo (USP).

TJRN, com informações da Agência CNJ de Notícias

Opinião dos leitores

  1. NAO VAI MUDAR NUNCA , POIS SEMPRE TEM ALGUÉM QUE LEVA UMA PONTINHA….SISTEMA FALIDO E CORROMPIDO!!!!

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Joesley tentou convencer Maduro a deixar poder na Venezuela e se exilar na Turquia

Foto: Rodrigo Godoy

Meses antes da intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro, o governo de Donald Trump tentou uma saída negociada para o líder venezuelano.

Nesse esforço, o empresário brasileiro Joesley Batista, dono da JBS, teria atuado como interlocutor informal em uma missão para convencer Maduro a deixar o poder de forma pacífica, segundo reportagem do Washington Post.

De acordo com a reportagem, Joesley viajou a Caracas em novembro de 2025 com uma proposta que incluía a renúncia de Maduro e a possibilidade de exílio em países como a Turquia. A ideia era abrir caminho para uma transição não violenta após fracassarem as negociações diplomáticas oficiais lideradas pelo então enviado especial dos EUA, Richard Grenell.

O plano discutido incluía ainda condições consideradas estratégicas pelos Estados Unidos, como acesso a minerais críticos e petróleo venezuelano, e o rompimento com Cuba, aliada histórica de Caracas.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal americano, Joesley não estava atuando oficialmente a pedido do governo dos EUA, mas as informações que ele trouxe foram consideradas nas discussões em Washington.

Maduro, no entanto, rejeitou as propostas de saída negociada. Com as tentativas diplomáticas frustradas, a Casa Branca decidiu seguir a estratégia mais dura que culminou na operação militar que resultou na captura do líder venezuelano.

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Regime iraniano reprime nova onda de protestos; mais de 2.300 são presos e pelo menos 65 foram mortos

Foto: Reprodução

Pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas no Irã nos últimos 13 dias, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA). Os protestos começaram por causa da alta inflação e se espalharam por todo o país, tornando-se o maior desafio ao regime em anos.

O número de mortos pode ser maior. Um apagão nacional da internet, que já dura 48 horas, dificulta a confirmação dos dados, de acordo com o monitor NetBlocks. Moradores relatam que o bloqueio tem incentivado ainda mais pessoas a ir às ruas.

Testemunhas afirmam que forças de segurança usaram armas militares contra manifestantes. Entre as vítimas, estaria uma criança de 5 anos. Hospitais registraram cenas de caos, com corpos amontoados, segundo relatos.

O procurador-geral iraniano prometeu punições sem clemência aos manifestantes envolvidos em danos ao patrimônio.

O governo do Irã acusa os Estados Unidos de estimular os protestos. Já o presidente Donald Trump ameaçou reagir caso a repressão continue: “Se começarem a atirar, nós também começaremos”.

O movimento, iniciado por motivos econômicos, agora tem caráter político, com pedidos pelo fim do regime islâmico.

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Com queda da patente do princípio ativo, mercado brasileiro de canetas emagrecedoras deve dobrar e ganhar genéricos

Foto: Karime Xavier/Folhapress

O mercado brasileiro de remédios para emagrecimento deve crescer fortemente a partir de março, com o fim da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. A entrada de genéricos pode reduzir os preços entre 30% e 50%.

Segundo relatório da UBS BB, o faturamento dos medicamentos da classe GLP-1 pode atingir R$ 20 bilhões neste ano, quase o dobro dos R$ 11 bilhões estimados para 2025.

Com a queda da patente, farmacêuticas como EMS, Eurofarma e Hypera já se preparam para lançar versões genéricas. Dados da Anvisa mostram ao menos 11 pedidos de registro com semaglutida e 7 com liraglutida em análise.

A expectativa é ampliar o acesso, hoje restrito. Apenas 1,1% das pessoas com sobrepeso e 2,5% dos obesos usam esses medicamentos no Brasil. O preço ainda é uma barreira: as canetas custam entre R$ 900 e R$ 3.000 e não são oferecidas pelo SUS.

Em 2025, a Conitec rejeitou a inclusão da semaglutida no SUS por causa do alto impacto financeiro, estimado em R$ 7 bilhões em cinco anos. Com a chegada dos genéricos, o tema pode voltar à discussão.

O avanço do mercado ocorre em meio ao crescimento da obesidade no país. Hoje, 68% dos brasileiros estão acima do peso e 31% são obesos.

Especialistas alertam que, mesmo com preços menores, o acesso seguirá concentrado nas classes mais altas. Também há preocupação com o uso sem prescrição e a venda de produtos irregulares, já alvo de operações da Polícia Federal.

Novas drogas em desenvolvimento, como o retatrutide, prometem perdas de peso ainda maiores, intensificando a disputa no setor.

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Sindicato que foi presidido por Fátima Bezerra e mais oito convocam protesto em frente à Governadoria por atraso no 13º salário


Imagem: reprodução

O atraso no pagamento do 13º salário levou nove sindicatos a convocarem um ‘Ato Público Unificado’ contra o Governo do Rio Grande do Norte. A manifestação ocorrerá segunda-feira (12), às 9h, em frente à Governadoria, no Centro Administrativo.

Entre os confirmadas estão o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (SINTE/RN), entidade que teve a governadora Fátima Bezerra como presidente por dois mandatos. Também confirmaram participação no ato Sindsaúde, Sinsp, Sinai, Astran, Sindppen, Aduern, Sinter/Sefaz e SINDPCI.

Embora o governo tenha prometido concluir o pagamento na sexta-feira (9), aposentados e pensionistas de diversas categorias afirmam não ter recebido o valor. O problema atinge, principalmente, servidores da Saúde e da Administração Indireta.

O Sindsaúde/RN classificou o atraso como “descaso e falta de respeito” com quem dedicou décadas ao serviço público. Já o Sinai-RN informou que cobrou explicações na Secretaria de Planejamento, mas não recebeu prazo para a regularização.

Segundo o Sinsp/RN, aposentados e pensionistas seguem sem previsão de pagamento. A presidente do sindicato, Janeayre Souto, afirmou que a situação reflete uma “escolha política” de desvalorização da categoria.

Os sindicatos reforçam que o protesto é aberto a ativos, aposentados, pensionistas e solidários, mesmo àqueles que já receberam o benefício.

Opinião dos leitores

  1. Os desembargadores que reverteram a decisao de primeira instância estao todos rindo da cara dos funcionarios estuduais.

  2. Bota para torar nessa analfabeta sem palavra, isso é tão ruim que conseguiu ser pior que Robinson e Rosalba somados, teje desclassificada.

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Homem morre após tentar esfaquear agente da STTU e fugir da polícia pelo mar na Praia dos Artistas, em Natal

Foto: TV Tropical/reprodução

Um homem tentou esfaquear um agente da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) na Praia dos Artistas, em Natal, na manhã deste sábado (10). Após a tentativa de agressão, ele fugiu em direção ao mar, sofreu um mal súbito e morreu no local.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o suspeito não chegou a submergir. Os guarda-vidas iniciaram os primeiros socorros, mas ele não resistiu, o Samu foi acionado confirmou o óbito.

O agente da STTU não ficou ferido. A Polícia Militar isolou a área até a chegada da Polícia Civil e da Polícia Científica. Durante a ocorrência, policiais encontraram porções de drogas com o homem que morreu.

Com informações de Portal da Tropical

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Governo brasileiro decide deixar custódia da Embaixada da Argentina na Venezuela

Foto: ANSA/EPA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comunicou nesta sexta-feira (9) à Argentina e à administração interina da Venezuela que deixará a custódia da embaixada argentina em Caracas.

O Itamaraty ainda não divulgou oficialmente a razão detalhada da decisão.

O Brasil havia assumido a representação diplomática da Argentina na Venezuela em agosto de 2024, após o então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, expulsar os diplomatas argentinos do país e a Argentina pedir apoio brasileiro.

Fontes diplomáticas afirmam que o Brasil considerou que já cumpriu a missão, incluindo a proteção da inviolabilidade da embaixada e a assistência a assessores de opositores venezuelanos asilados.

A decisão também acontece num contexto de tensões entre os governos de Lula e do argentino Javier Milei, que apoiou a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e tem posições divergentes sobre a crise no país vizinho.

O fim da custódia abre espaço para que outro país — citado pela imprensa como Itália — possa assumir a representação argentina em Caracas.

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Vaticano negociou asilo de Maduro na Rússia antes de captura

Cardeal Pietro Parolin se reúne com Nicolás Maduro em Caracas em 2013, ao lado do arcebispo Diego Padrón. | Foto: Juan Barreto/AFP/Getty Images

O Vaticano tentou, sem sucesso, negociar a saída do poder de Nicolás Maduro antes da operação dos Estados Unidos que resultou na captura do líder venezuelano e em seu julgamento em Nova York.

Na véspera do Natal, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, pediu ao embaixador americano no Vaticano, Brian Burch, que os EUA adiassem qualquer ação militar.

Segundo documentos obtidos pelo Washington Post, Parolin afirmou que a Rússia estava disposta a conceder asilo a Maduro.

A proposta previa que o chavista deixasse a Venezuela com garantias de segurança e pudesse manter seus recursos financeiros. Moscou também estaria disposta a acolher aliados do regime, como Diosdado Cabello e Jorge Rodríguez.

Apesar das negociações, Maduro recuou. O cardeal avaliou que ele temia abandonar aliados próximos e acreditava que Washington não avançaria contra seu governo. Para autoridades americanas, o venezuelano também rejeitava a ideia de viver na Rússia por restrições e dificuldades financeiras.

Parolin sugeriu que os EUA estabelecessem um prazo para a saída de Maduro e garantissem proteção à sua família. O Vaticano demonstrou preocupação com a escalada militar e pediu cautela.

A Casa Branca, porém, decidiu seguir com a operação. No sábado, os Estados Unidos lançaram a ação que resultou na queda de Maduro e em sua condução à Justiça americana.

Ao longo dos anos, o Vaticano tentou mediar o diálogo entre o regime chavista e a oposição, sem sucesso. O Papa Leão XIV voltou a criticar o uso da força e defendeu a diplomacia como caminho para resolver conflitos.

Opinião dos leitores

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Transparência Internacional reclama de ‘escalada de assédio’ e tentativa de silenciamento pelo governo Lula após divulgar estudo sobre falta de dados das obras do PAC

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

A ONG Transparência Internacional enviou uma carta ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticando o que chamou de “escalada de assédio” e tentativa de silenciamento por parte do Planalto.

A reação ocorre após a Casa Civil se referir à entidade como uma “ONG investigada pela Polícia Federal” ao rebater uma nota técnica que apontou baixa transparência nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

No documento, assinado por François Valérian, presidente do conselho da ONG, a organização afirma que não há qualquer registro público de investigação pela PF e questiona como o governo teria acesso a esse tipo de informação.

De acordo com a ONG, as lacunas de transparência no PAC podem levar a “aumento dos riscos de fraude, corrupção e má gestão, além da criação de obstáculos para o controle social, incluindo os impactos sociais e ambientais”. A Casa Civil, responsável pelo PAC, afirmou, por sua vez, que “todas as informações estão disponíveis nos canais oficiais de transparência”.

A Transparência Internacional defendeu que organizações da sociedade civil devem poder criticar políticas públicas sem sofrer represálias ou criminalização.

A Transparência Internacional manifesta extrema preocupação com o fato de que seu capítulo brasileiro está enfrentando uma escalada de assédio vinda de membros do governo brasileiro, após mais um episódio de uma série de tentativas de deslegitimar seu trabalho por meio de acusações infundadas e declarações de motivação política”, aponta a nota.

A ONG também pediu que o governo esclareça suas declarações e reafirme o compromisso com a fiscalização independente.

Relatório da entidade aponta que apenas 5,67% dos R$ 1,3 trilhão previstos para o Novo PAC têm dados detalhados disponíveis.

Dos mais de 23 mil empreendimentos listados, apenas 36% possuem informações completas no portal oficial.

Segundo os pesquisadores, faltam documentos como estudos de viabilidade, licenças ambientais e relatórios de impacto, inclusive em obras de grande porte, como a usina nuclear de Angra 1 e a termelétrica de Manaus.

A ONG alerta que a falta de transparência aumenta riscos de corrupção, má gestão e danos ambientais, especialmente em um contexto de compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.

Procurada pela reportagem do jornal ‘O Globo‘, a Casa Civil afirmou que não vai se manifestar.

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VÍDEO: Amigos fazem ‘reconstituição’ da morte do jovem Douglas após ser atingido por um tiro nas costas

Amigos do jovem Douglas Rebouças percorreram o trecho pelo qual ele passou de moto e gravaram um vídeo fazendo uma reconstituição dos últimos momentos dele, antes de ser atingido por um tiro nas costas e morrer, no início da madrugada deste sábado (10).

Eles mostraram inicialmente o ponto onde Douglas havia passado após ser liberado em uma primeira blitz. Explicam que Douglas estava em uma moto com um primo, e um amigo em outra moto chamado Felipe.  O amigo Felipe acompanhava a reconstituição e dava detalhes do ocorrido.

Na sequência, percorreram alguns metros até o local onde, segundo eles, haveria uma outra blitz, em um trevo, onde um carro desligado, sem sinalização, estava estacionado próximo à entrada para o município de Frutuoso Gomes.

Eles afirmam que os homens que estavam no local direcionaram uma lanterna para Felipe, que parou. De acordo com os amigos, Douglas acabou passando direto pelo local e quando ele passou pelo contorno, Felipe relatou ter ouvido pelo menos três disparos de arma de fogo. Os amigos então percorrem mais alguns metros e vão até o ponto onde mostram o local onde Douglas morreu e estava a moto.

LEIA TAMBÉM: REVOLTA NO INTERIOR DO RN: Servidor da Câmara de Almino Afonso é morto com tiro nas costas; familiares suspeitam que disparo teria sido feito por policiais civis

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REVOLTA NO INTERIOR DO RN: Servidor da Câmara de Almino Afonso é morto com tiro nas costas; familiares suspeitam que disparo teria sido feito por policiais civis

Foto: reprodução

A morte do jovem Douglas Rebouças da Silva Cavalcante, de 20 anos, servidor da Câmara de Almino Afonso chocou, a cidade de deixou revoltados familiares e amigos, pela forma que teria ocorrido.

Segundo descrevem os amigos, Douglas foi morto com um tiro nas costas, no trevo de acesso à cidade de Lucrécia, no início da madrugada deste sábado (10). Um primo de Douglas que estava com ele na moto.

A suspeita é que o tiro teria sido disparado por policiais civis descaracterizados em uma ‘blitz’.

Segundo relato de amigos, Douglas, o primo e um amigo que estava em outra moto, haviam sido liberados após passar por uma blitz da Polícia Militar e mais adiante teriam sido surpreendidos por uma blitz da Polícia Civil ‘praticamente descaracterizada, sem cones, em um local escuro com apenas o veículo desligado’, descrevem.

Felipe foi abordado primeiro e Douglas/Ramon, que vinham atrás, ficaram assustados com esta outra blitz, algo que para eles acreditavam ser praticamente impossível de acontecer. Acreditavam que fossem assaltantes. Aceleraram a moto na direção de Almino Afonso e os policiais teriam efetuado dois disparos, derrubando Douglas e o adolescente na ribanceira da pista”, afirmam testemunhas.

Após ser aatingido por um tiro nas costas, Douglas morreu no local. O adolescente primo dele foi baleado na mão e levado ao Hospital Regional de Pau dos Ferros.

A área foi isolada pela PM, e o corpo de Douglas encaminhado para perícia. Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública do RN não se pronunciou sobre o caso.

Familiares e amigos afirmam que irão realizar protestos e cobram justiça.

VEJA TAMBÉM: VÍDEO: Amigos fazem ‘reconstituição’ da morte do jovem Douglas após ser atingido por um tiro nas costas

Com informações de Mossoró Hoje

Opinião dos leitores

  1. Enquanto a justiça com esse comados que estão o Brasil tá acabado muita gente corrupta e é perigosas nas forças polícias do estado e ninguém fará nada e só bela lá nos e quem sofremos uma terrível perda dessa sem mais palavras.

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