Polícia

Revista Época: "A barbárie no presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Um novo Maranhão?"

Veja abaixo a reportagem da revista época sobre a penitenciária estadual de Alcaçuz publicada hoje.
“É muito desumano”, resumiu o ministro Joaquim Barbosa ao inspecionar, em abril de 2013, a penitenciária estadual de Alcaçuz, localizada a cerca de 30 quilômetros de Natal, Rio Grande do Norte. Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Barbosa viu urina escorrendo pelas paredes, sentiu o forte cheiro de fezes e passou por celas e corredores escuros e sem ventilação. Quase um ano depois, um novo relatório do CNJ, obtido por ÉPOCA, referente a uma vistoria feita em dezembro, mostra que o drama observado pelo ministro continua. Pior ainda, o documento acrescenta novas tintas ao descaso.
As visitas íntimas ocorrem de “forma promíscua” no meio do pavilhão. Apenas oito agentes penitenciários cuidam diariamente de 800 internos. Confinados sem atendimento médico, os presos sofrem com doenças infecciosas, como a tuberculose. O quadro não deixa dúvidas de que, se nada for feito rapidamente, o Rio Grande do Norte é forte candidato a se tornar o próximo Maranhão. O Estado potiguar, porém, não é o único postulante na fila. Em Pernambuco, há unidade prisional com apenas dois agentes penitenciários para cuidar de 2 mil presos. Na falta de pessoal, o próprio bandido assume a chave da cadeia e impõe a lei do mais forte, mandando aplicar até surra.

Esse cenário é o ambiente perfeito para nutrir atitudes monstruosas como a de Antonio Fernandes de Oliveira, de 29 anos de idade. Conhecido com Pai Bola, ele age em Alcaçuz sob o efeito do crack. Em novembro de 2009, Pai Bola foi capaz de desferir 120 golpes de faca artesanal numa vítima que lhe negou o celular. Seis meses antes, matara outro interno por asfixia, usando um lençol. Dois anos depois, cometeu um crime ainda mais bárbaro. Decapitou um colega de cela, comeu literalmente seu fígado e depois espalhou suas vísceras pelas paredes. Mesmo diante de repetida atrocidade, a direção do presídio permitiu que em 2012 um rapaz se oferecesse para ler a Bíblia para Pai Bola. Durante a noite, o religioso foi morto com uma facada no pescoço enquanto dormia. “Me deu vontade”, respondeu Pai Bola quando questionado sobre o motivo que o levara a matar o religioso.

Nem a visita de Barbosa trouxe uma solução rápida para o preso sanguinário. Somente na semana passada, a Justiça mandou uma correspondência ao presídio em busca de algum atestado sobre a saúde mental do assassino. O Ministério Público Estadual pediu que seja declarada a insanidade dele. As funcionárias do Fórum de Nísia Floresta, município onde se localiza Alcaçuz, desviam os olhos e viram o rosto ao folhear os processos de homicídios cometidos por Pai Bola. O juiz Henrique Baltazar Vilar dos Santos, responsável pelo presídio, é mais frio e explica a violência na penitenciária. Ele conta que as facas usadas para matar são feitas com pedaços de ferro extraídos das próprias celas. Não são compridas o suficiente para atingir um órgão vital nem muito afiadas. Por isso, são necessários vários golpes para matar. O assassino geralmente começa o ataque pelo pescoço para deixar a vítima sem reação. Logo após a inspeção feita por Joaquim Barbosa, o CNJ elaborou um relatório que enumera 20 assassinatos de presos dentro de Alcaçuz desde 2007.

 

A afirmação de que o Rio Grande do Norte pode ser o novo Maranhão encontra base na comparação entre a situação carcerária nos dois Estados. Ambos também têm em comum governos poucos eficientes na aplicação de verbas no sistema penitenciário. Conforme dados da Justiça do Rio Grande do Norte, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) prometeu investir R$ 6 milhões em 2013 na reforma de estabelecimentos penais para abrir mais 500 vagas, mas aplicou apenas R$ 2 milhões. Roseana Sarney precisou devolver R$ 22 milhões ao Ministério da Justiça porque deixou de apresentar projetos que atendiam às exigências técnicas para a construção de presídios. Na tarde da quinta-feira passada, a diretora do presídio de Alcaçuz, Dinora Sima Lima Deodato, apontou o dedo para um saco de cimento e alguns tijolos comprados para reformas no presídio e que estavam no pátio de entrada da penitenciária – onde 800 internos vivem num lugar onde caberiam, no máximo, 600. Essa é a providência mais visível da administração da governadora Rosalba Ciarlini contra o caos nos estabelecimentos penais e em resposta ao alerta do CNJ.

Inspeção do ministro Joaquim Barbosa em Alcaçuz (foto acima) e a governadora Rosalba Ciarini (abaixo). O presídio potiguar reúne vários elementos de uma tragédia anunciada (Fotos: Tasso Pinheiro/TJRN e Ana Amaral/DN/D.A PressPress)

A diretora Dinora se dispôs a mostrar a ÉPOCA que nada ou pouquíssima coisa mudou desde a visita de Joaquim Barbosa à penitenciária. Mal a diretora tinha acabado de se levantar da cadeira de seu escritório para ir ao pavilhão, ela recebeu por telefone uma contraordem da Secretaria Estadual de Justiça. “Não autorizaram sua entrada”, disse Dinora. A decisão vinda de cima é política, e nada tem a ver com medidas de segurança, pois a própria diretora se prontificara a abrir os portões para a visita da reportagem de ÉPOCA.

As artimanhas dos governantes para maquiar números também influenciam o caos penitenciário. O atual governo potiguar diz que a governadora Wilma de Faria (PSB), que comandou o Estado entre 2003 e 2010, criou uma espécie de “presídio no papel”. Sem nenhuma reforma, Wilma simplesmente transformou, numa canetada, delegacias da Polícia Civil em centros de detenção. Atualmente, cerca de 1.430 presos, o que corresponde a 20% da população carcerária, cumprem penas nesses locais, muitas vezes sem banho de sol nem segurança contra fugas.

Vários outros Estados do Nordeste enfrentam situações extremas. Entre eles, Pernambuco, onde houve 98 assassinatos nos presídios entre 2011 e julho de 2013. Lá, o número de presos quase dobrou, chegando a 29 mil. O Rio Grande do Norte vem logo em seguida, com 89% de aumento. É provável que as prisões em massa tenham sido reflexo da explosão de violência na década passada, quando a alta criminalidade migrou do Sudeste para o Nordeste. São Paulo e Rio de Janeiro reduziram consideravelmente os homicídios, ao mesmo tempo que no Nordeste as mortes violentas quase duplicaram – Maranhão e Bahia multiplicaram por quatro seus índices. Assim, Alagoas, Piauí, Maranhão, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte entraram na lista dos dez Estados mais críticos do país. Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a elevação de renda atraiu o tráfico de drogas, trazendo a violência em seu rastro.

 

Os 88.445 presos do Nordeste registrados pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) representam 15% do total de encarcerados do país, 548 mil. Embora a gestão dos sistemas penitenciários caiba aos Estados da federação, é atribuição da União formular políticas criminais e penitenciárias e fomentar a melhoria das condições gerais. O Depen é o responsável ainda por distribuir aos Estados o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen). A questão é a importância política que o governo federal está disposto a dar à área, que só tem destaque quando ocorrem tragédias como a de Pedrinhas, no Maranhão, onde presos foram decapitados. Em 2013, o Executivo federal só gastou 19% dos R$ 384 milhões do Funpen, ou R$ 73,6 milhões. Os recursos foram contingenciados para fazer o superavit primário. O Nordeste é a região onde Dilma Rousseff, proporcionalmente, teve mais votos nas últimas eleições. Mesmo que a segurança pública seja da alçada estadual, o governo federal também é responsável pelo atual descalabro.

 

Revista Época

Opinião dos leitores

  1. Não levaram o Ministro ao presídio de Mossoró aí ele ficou com essa imagem de que Alcaçuz é o pior presídio do RN SEM NORTE.

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Saúde

Criança de 8 anos é transferida de Natal para Porto Alegre para transplante em missão aeromédica

Fotos: Divulgação

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBMRN) prestou apoio logístico, nesta quarta-feira (4), a uma missão aeromédica de alta complexidade, após solicitação do Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) ao Comando Operacional.

A missão teve como finalidade viabilizar a transferência inter-hospitalar de uma paciente de 8 anos para a realização de transplante hepático, diante da indisponibilidade de recursos adequados na unidade de origem para o manejo cirúrgico especializado. A remoção ocorreu do Hospital Varela Santiago, em Natal/RN, com destino à Santa Casa de Porto Alegre/RS, referência nacional em transplantes hepáticos pediátricos.

Para garantir a segurança e a agilidade da operação, o CBMRN disponibilizou uma Unidade de Suporte Avançado (USA) e uma viatura operacional, assegurando o transporte da equipe médica e dos tripulantes da aeronave envolvidos na missão.

A atuação integrada entre as corporações reforça o compromisso das instituições com a preservação da vida, a cooperação interestadual e a pronta resposta em ocorrências que demandam elevado nível de coordenação técnica e operacional.

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Política

PT pede ao TSE que proíba impulsionamento de críticas a governos

Foto: Reprodução

O PT sugeriu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que proíba o impulsionamento de publicações nas redes sociais com críticas ao desempenho de governos em exercício durante a pré-campanha eleitoral.

O pedido foi enviado ao tribunal no contexto da série de audiências públicas destinadas a debater com a sociedade as resoluções que orientarão as eleições de 2026.

As sugestões apresentadas pela sociedade civil serão analisadas pelo vice-presidente do TSE, o ministro Kassio Nunes Marques, antes de serem submetidas ao plenário da Corte para aprovação em sessão administrativa.

Segundo a proposta atualmente em discussão, se não houver “elementos relacionados à disputa eleitoral”, publicações impulsionadas com críticas a governos não seriam enquadradas como propaganda eleitoral antecipada.

Entenda como funciona o impulsionamento
O impulsionamento é um mecanismo que permite ampliar o alcance de uma publicação nas redes sociais mediante pagamento. Pela regra eleitoral em vigor, o recurso é permitido em benefício de um candidato, mas é vedado quando se trata de propaganda negativa, tanto na campanha quanto na pré-campanha.

O PT argumenta que a proposta cria um potencial desequilíbrio, uma vez que os pré-candidatos poderiam impulsionar publicações críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por ele estar no exercício do cargo, enquanto Lula não poderia fazer o mesmo em relação aos seus adversários.

“Toda crítica formulada por pré-candidato à gestão pública, nesse período, é inevitavelmente associada ao pleito vindouro; do contrário, sequer haveria razão para a regulamentação específica das práticas de pré-campanha”, afirma o partido no pedido encaminhado ao tribunal.

Poder360

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Política

MEIO/ IDEIA: Flávio Bolsonaro cresce e empata tecnicamente com Lula no 2º turno

Foto: Reprodução 

Senador e pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cresceu na pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (4) e está tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto em um eventual segundo turno das eleições deste ano. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também empatam com o petista na margem de erro.

Lula tem 45,8% contra 41,1% de Flávio. A margem de erro é de 2,5 pontos porcentuais para mais ou para menos. Com isso, o petista pode ter de 43,3% a 48,3% das intenções de voto, enquanto Flávio pode ter de 38,6% a 43,6%. Na primeira rodada da pesquisa, realizada entre os dias 8 e 12 de janeiro, o placar era de 46,2% a 36%.

No levantamento de fevereiro, o atual presidente vence Tarcísio por 44,7% a 42,2% e Michelle por 45% a 40,7%.

O Meio/Ideia entrevistou 1.500 pessoas por meio de entrevistas por telefone entre os dias 30 de janeiro e 2 de fevereiro. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08425/2026.

No primeiro turno, Lula empata por 38,7% a 35,3% com Flávio no cenário com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, candidato pelo PSD. O presidente também empata no limite da margem com Tarcísio (40% a 35%) se o PSD não tiver candidato a presidente.

Infomoney

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Polícia

Tornozeleira de Oruam está desligada desde domingo; rapper é procurado

Foto: Reprodução 

O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, é considerado foragido da Justiça após a expedição de mandado de prisão preventiva pela 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A medida foi determinada depois que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) revogou a liminar que o mantinha em liberdade.

A decisão do STJ foi proferida, nesta segunda-feira (2), pelo ministro Joel Ilan Paciornik. Ao analisar o caso, o magistrado apontou descumprimento reiterado das medidas cautelares impostas ao cantor, especialmente em relação ao uso da tornozeleira eletrônica.

Agentes da Polícia Civil fazem buscas em endereços ligados ao Oruam, mas até o momento, ele não foi localizado.

Segundo informações da Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária), Oruam utiliza o equipamento desde 30 de setembro. A partir de 1º de novembro, passaram a ser registradas sucessivas violações, totalizando 66 ocorrências, sendo 21 consideradas graves somente em 2026. A maioria dos registros está relacionada à ausência de carregamento da bateria.

A Seap informou que o cantor compareceu à Central de Monitoração Eletrônica no dia 9 de dezembro, quando foi realizada a substituição do equipamento. A tornozeleira retirada foi encaminhada à perícia técnica, que constatou dano eletrônico, possivelmente decorrente de alto impacto.

Ainda de acordo com a secretaria, as violações foram formalmente comunicadas ao Poder Judiciário, com envio de relatórios mensais à Terceira Vara Criminal. Após a troca, o novo equipamento voltou a apresentar falhas por ausência de carregamento, e desde 1º de fevereiro permanece descarregado, o que compromete o acompanhamento da medida judicial.

CNN

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Geral

Perícia da PF usa tecnologia avançada para acessar celular de dono do Banco Master

Foto: Ana Paula Paiva/Valor

A Polícia Federal recorre a ferramentas de perícia digital de alta complexidade para acessar o conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que se recusou a fornecer a senha do aparelho durante depoimento. À PF, ele afirmou ter “amigos de todos os Poderes” e disse temer o vazamento de informações sobre relações pessoais e privadas em Brasília.

A informação é do jornal O Globo. Mesmo sem a colaboração do investigado, o material apreendido — incluindo celulares de Vorcaro, de familiares, ex-sócios e do investidor Nelson Tanure — já teve os dados extraídos em uma área de acesso restrito do Instituto Nacional de Criminalística (INC), na capital federal. O conteúdo foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e deve ser decisivo para definir se o caso permanece no Supremo Tribunal Federal (STF) ou desce para a primeira instância, possibilidade já admitida pelo relator Dias Toffoli.

Para romper as barreiras de segurança, a PF utiliza softwares especializados, um de origem israelense e outro norte-americano, capazes de quebrar senhas e acessar dados em sistemas iOS e Android. A análise envolve técnicas semelhantes às usadas em grandes operações anteriores e é conduzida por peritos com experiência em grandes volumes de dados e inteligência artificial.

O trabalho é coordenado pelo perito Luiz Felipe Nassif, chefe do setor de informática da PF, que também desenvolveu um sistema interno usado há mais de uma década para filtrar evidências digitais em meio a milhões de arquivos. Antes da extração, os aparelhos passam por protocolos rigorosos de preservação, como o isolamento em recipientes que bloqueiam sinais externos, garantindo a cadeia de custódia do material.

Entre os dados de interesse estão mensagens, áudios e grupos de WhatsApp mantidos por Vorcaro, inclusive conversas criadas às vésperas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master e outras empresas do setor financeiro. Parte desse material chegou a ser compartilhada com a CPI do INSS, mas teve o acesso posteriormente suspenso por decisão judicial.

Além da análise de comunicações, a perícia também deve se debruçar sobre planilhas e documentos financeiros que possam ser recuperados, inclusive arquivos apagados. Técnicas como o “datacarving”, que tenta reconstruir dados excluídos a partir de fragmentos digitais, fazem parte do arsenal usado pelos investigadores e podem revelar informações sensíveis para o andamento do inquérito.

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Geral

Zema mira Lula e crava apoio a qualquer adversário do PT no 2º turno de 2026

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Cristiano Mariz/Agência O Globo

De olho na corrida presidencial e em oposição direta ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que apoiará no segundo turno “qualquer candidato que estiver contra o PT”, caso não avance na disputa. A declaração foi feita durante evento da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM), em Brasília, e reforça o posicionamento do mineiro dentro do campo da direita.

Zema disse que pretende manter sua pré-candidatura até o fim e voltou a se apresentar como um nome fora do sistema político tradicional, destacando sua trajetória no setor privado. Segundo ele, a prioridade é oferecer uma alternativa ao atual modelo de governo federal e ampliar o debate sobre gestão econômica.

Ao comentar possíveis alianças, o governador citou que o nome apoiado pode ser ele próprio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou outro candidato escolhido por partidos de centro, como o PSD. Em Minas Gerais, afirmou que repetirá a estratégia de 2022, quando declarou apoio a adversários do PT no segundo turno das eleições.

O chefe do Executivo mineiro também negou ter recebido convites para compor chapa como vice e minimizou especulações envolvendo alianças antecipadas. Apesar disso, disse se sentir honrado com qualquer lembrança de seu nome em articulações nacionais.

Durante o evento, Zema ainda defendeu pautas econômicas liberais, como a privatização da Copasa, que, segundo ele, deve avançar ainda no primeiro semestre de 2026 para acelerar investimentos no saneamento básico. O governador aproveitou para criticar o governo Lula, afirmando que o país cresce em ritmo lento e enfrenta problemas recorrentes ligados à corrupção.

As declarações ocorrem em meio à movimentação política visando a eleição presidencial de 2026, na qual Zema tenta se consolidar como opção competitiva no campo conservador e liberal, com o discurso centrado na oposição direta ao PT.

Com informações do Poder360

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Política

Sob governo Lula, parentes de ministros ampliam atuação no STF e concentram 70% dos casos após posse

Foto: Gustavo Moreno/STF

Em meio ao discurso do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de fortalecimento institucional, um levantamento revelou que parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ampliaram de forma significativa a atuação em tribunais superiores. Dados publicados pelo Estadão mostram que 70% dos processos envolvendo esses advogados começaram somente após a posse dos magistrados na Corte.

Ao todo, foram identificados 1.860 processos no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com participação de familiares de primeiro grau de oito dos dez ministros atuais. Desse total, 1.289 ações foram protocoladas depois da chegada dos ministros ao Supremo, enquanto 571 tiveram início antes das nomeações. O crescimento reacendeu discussões políticas sobre transparência e limites éticos dentro do Judiciário.

Os casos envolvem parentes de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Edson Fachin, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Flávio Dino. Já André Mendonça e Cármen Lúcia não possuem familiares com processos nessas Cortes. Alguns advogados citados afirmaram que apenas seguiram nos processos iniciados em instâncias inferiores, negando qualquer favorecimento.

Entre os exemplos, a atuação da advogada Viviani Barci, esposa de Moraes, saltou mais de 460% após a posse do ministro. A ex-mulher de Toffoli também ampliou presença nos tribunais superiores, enquanto o filho de Luiz Fux passou de cinco para mais de 500 processos no STF, quase todos posteriores à chegada do pai à Corte.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que, apesar de não ser ilegal, a presença crescente de parentes em ações nos tribunais superiores pode afetar a percepção pública de imparcialidade. Para juristas, a proximidade com ministros tende a funcionar como um “ativo” para clientes e escritórios, ampliando o debate sobre regras mais rígidas de conduta e acesso aos gabinetes.

Em nota, o STF afirmou que os ministros cumprem as normas de impedimento previstas na legislação e que trabalham na elaboração de um novo código de ética para reforçar transparência e integridade institucional — tema que ganha peso político em Brasília no atual cenário do governo Lula e nas discussões sobre reformas no sistema de Justiça.

Com informações do Estadão

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Economia

Café mais caro pesa no bolso, derruba consumo no Brasil e muda hábitos de potiguares

Foto: Mike Kenneally/Unplash

O aumento no preço do café já impacta diretamente o consumo no país e também no Rio Grande do Norte. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) apontam queda de 2,31% no consumo nacional entre novembro de 2024 e outubro de 2025, reflexo da alta acumulada nos preços. No Nordeste, a retração foi de 1,72%, enquanto supermercados potiguares relatam mudanças claras no comportamento dos clientes.

A reportagem é da Tribuna do Norte. Segundo o presidente da Assurn, Mikelyson Góis, o consumidor tem buscado alternativas mais baratas, como o café solúvel, após sucessivos reajustes nos últimos anos. Em Natal, comerciantes estimam redução de até 8% nas vendas do produto, enquanto consumidores admitem trocar marcas, reduzir a quantidade ou até substituir o tipo de café para manter o orçamento.

A tendência, porém, é de continuidade da pressão nos preços. Economistas avaliam que fatores como inflação elevada, problemas climáticos e oferta restrita devem manter o café valorizado nos próximos meses, o que pode prolongar a queda no consumo interno, mesmo com a demanda internacional em crescimento.

Apesar da redução no volume consumido, a indústria registrou faturamento recorde de R$ 46,24 bilhões em 2025, impulsionado justamente pelos preços mais altos nas prateleiras. Especialistas defendem diversificação de produtos e políticas de incentivo à produção para reduzir impactos ao consumidor.

Com informações da Tribuna do Norte

Opinião dos leitores

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Política

Governo Lula amplia máquina pública e número de servidores federais cresce pelo 3º ano seguido

Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou 2025 com 579.070 servidores públicos federais na ativa, aumento de 4.140 funcionários em relação ao ano anterior. O crescimento de 0,72% marca a terceira alta consecutiva no quadro de pessoal e representa o maior contingente desde 2021, segundo dados oficiais.

A expansão está ligada à aposta da gestão petista na realização de concursos públicos para recompor áreas consideradas estratégicas. Apenas no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), realizado em duas edições recentes, foram ofertadas mais de 10 mil vagas, com salários que chegaram a R$ 22,9 mil e milhões de candidatos inscritos.

Enquanto amplia contratações, o Planalto mantém posição contrária a propostas de reforma administrativa que visam reduzir custos. A ministra da Gestão, Esther Dweck, já afirmou que mudanças como a PEC 38 de 2025 não refletem a visão do Executivo e criticou iniciativas anteriores que, segundo ela, poderiam penalizar servidores.

O aumento no número de funcionários veio acompanhado de crescimento nas despesas com pessoal. Em 2025, os gastos da União com servidores chegaram a R$ 407,9 bilhões, alta de 4,3% em relação ao ano anterior e o maior nível desde 2021, reforçando o debate sobre o impacto fiscal da expansão da máquina pública.

Com informações do Poder360

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Geral

Toffoli pede “paciência” à CPMI do INSS e segura dados de celular de dono do Banco Master

Foto: Breno Esaki/Metrópoles

O ministro do STF Dias Toffoli, relator do caso envolvendo o Banco Master, solicitou “paciência” ao presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), durante reunião realizada nesta terça-feira (3). Segundo o parlamentar, o magistrado afirmou que os dados do celular do empresário Daniel Vorcaro ainda não serão liberados à comissão.

A informação é do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles. De acordo com Viana, Toffoli justificou a decisão alegando que a divulgação antecipada das informações poderia atrapalhar investigações em andamento na Polícia Federal. O material segue sob sigilo e está atualmente sob a guarda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enquanto a análise continua.

Apesar da retenção dos arquivos, o ministro teria garantido que a documentação será tornada pública no momento considerado adequado. “Ele só pediu paciência com relação à devolução, porque falou que primeiro a Polícia Federal deve ter o acesso”, afirmou o senador ao relatar o encontro.

Na conversa, Viana também tratou do depoimento de Vorcaro à CPMI. A oitiva, que estava prevista para esta quinta-feira (5), foi adiada após solicitação da defesa do banqueiro, e a expectativa agora é que o comparecimento ocorra apenas depois do feriado de Carnaval.

Opinião dos leitores

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