Há quem julgue que o ambiente de trabalho é um local sacro. Os mais antigos costumam estimular os jovens afirmando que “o trabalho dignifica o homem”. A equação reversa parece inimaginável. Entretanto, é real. Há trabalhadores vítimas das suas atividades laborais e os percentuais de acidentados cresce anualmente. Entre 2007 e 2011 as notificações compulsórias por acidentes de trabalho no Rio Grande do Norte cresceram 4,5 vezes, com destaque para os casos de transtornos mentais que ocupam a terceira posição em número de afastamentos, perdendo para os acidentes graves – com mortes e mutilações – e para as doenças funcionais por esforço repetitivo. Em 2007 foram 343 notificações e, em 2011, 1.564. No ano passado foram registradas 1.420 acidentes de trabalho.
Apesar de saltar aos olhos, os dados ainda são subnotificados. Isto porque uma complexa teia que envolve, desde o desconhecimento dos direitos pelo trabalhador, passando pela falta de vontade da massiva parte do empresariado que omite as ocorrências para não custear o tratamento, até a precária infraestrutura dos órgãos de fiscalização, os dados não são fiéis à realidade cotidiana. “Algumas empresas encobrem os acidentes em decorrência dos custos. Existem relatos de acidentes que ocorreram em locais de trabalho, não foram notificados e o empregador deu férias ao funcionário para encobrir a ocorrência”, afirma a procuradora regional do Trabalho no Rio Grande do Norte, Ileana Neiva.
Tribuna do Norte

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