Roseana Sarney fala de terrorismo político em renúncia

roseanasarneysenadodivFoto: Geraldo Magela / Agência Senado

A governadora Roseana Sarney (PMDB) confirmou na manhã desta quarta-feira (10) que deixa o cargo. A renúncia da governadora ocorre 21 dias antes da posse do governador eleito, Flávio Dino (PCdoB), adversário político de seu grupo. Com a saída de Roseana, toma posse o presidente da Assembleia Legislativa, Arnaldo Melo (PMDB), em razão de o vice-governador Washington Oliveira (PT) ter sido escolhido conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA).

Durante a cerimônia que oficializou a passagem de cargo a (agora) ex-governadora iniciou afirmando que seu discurso não deveria ser visto como despedida ou um relatório do que fez ou não fez, mas sim uma “fala de agradecimento, de manifestação de gratidão”.

Roseana afirmou que transformou o Maranhão num estado de “grande progresso, e que, mantido o mesmo rumo, em breve estará entre os maiores estados do Brasil.” Atualmente o MA tem o 16º maior PIB do país, mas ainda patina em índices de desenvolvimento humano (é o 2º pior de todas as unidades da federação), é o segundo estado com a pior taxa de natalidade (de cada mil nascidos vivos, 28,3 crianças morrem antes de completar um ano) e a expectativa de vida é a sétima mais baixa no Brasil, todos os dados têm como base números do IBGE.

Os últimos acontecimentos no estado de repercussão nacional foram as mortes dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas e as ordens de ataques a ônibus dadas de dentro das unidades prisionais. Um desses ataques culminou com a morte de uma criança de 6 anos. Durante reunião, em São Luís, com o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, Roseana Sarney chegou a justificar o altos índices de violência ao aumento da renda: “O estado está mais rico”, afirmou.

Sobre este episódio, a governadora disse que seu governo sofreu terrorismo penitenciário de origem política.

Incerteza da saída

Mesmo tendo sido especulada desde o resultado do pleito que confirmou a eleição do adversário político Flávio Dino, Roseana desconversava sobre uma eventual renúncia. A vinculação de seu nome nas investigações da operação Lava-jato, da Polícia Federal, e do suposto pagamento de propina ao doleiro Alberto Yousseff, preso num hotel de luxo na capital maranhense, também movimentaram o cenário político estadual.

Na assembleia legislativa, por exemplo, o deputado estadual Manoel Ribeiro (PTB) um dos aliados de longa data do senador José Sarney criticou a forma como o governo fez o anúncio: “estamos sem governador?”, perguntou ao presidente da Casa.

Motivos

Em nota oficial, Roseana Sarney disse que deixa o governo por recomendações médicas, entretanto, na carta de renúncia, trouxe um trecho o qual dizia que ela saía por motivos estritamente pessoais e sem nenhum caráter político. “Foram anos de muito trabalho. Nos últimos meses, cumpri uma extensa agenda de visitas, vistorias e inaugurações de obras em dezenas de cidades do Maranhão. Agora, por recomendações médicas, me recolho para um descanso necessário, pelo bem da minha saúde. Aos maranhenses e àqueles que escolheram nosso estado para viver, o meu muito obrigada por terem me dado a honra de representá-los. Peço a Deus que abençoe a todos e que ilumine os nossos futuros governantes, ” disse.

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