São Paulo cresce mais do que o Brasil; o Nordeste, bem menos

A economia paulista cresceu 2,75% em 2019, segundo contas feitas com dados do Banco Central. O Nordeste cresceu um quarto disso. O Brasil, 0,89% (1,1%, na mediana da projeção “do mercado”).

São apenas estimativas, que nos últimos anos não têm ficado longe dos resultados do IBGE para o crescimento do PIB, no entanto. Nas contas do Seade, o “IBGE paulista”, São Paulo teria crescido 2,5% nos 12 meses contados até novembro.

A recessão em São Paulo começou antes. O estado começou a afundar no vermelho em 2014 (quando o Brasil ainda cresceria o quase nada de 0,5%). A recessão foi mais profunda. A economia encolheu 8,2% entre 2014 e 2016, ante 6,2% de queda no Brasil; a baixa foi maior do que a de qualquer grande região.

Desde 2018, São Paulo anda mais rápido, em particular pela aceleração do setor de serviços. A média nacional é mais lerda por causa do Nordeste e de resultados ruins ou fracos de grandes economias com governos em crise fiscal feia como a de Minas Gerais (também prejudicada pelo desastre de Brumadinho) e a do Rio de Janeiro, que se recuperou um pouco por causa do petróleo.

O Nordeste cresce menos do que a média nacional, a julgar pelas estimativas do PIB regional, sempre sujeitas a muitas revisões, embora os números já oficiais de rendimentos do trabalho, da indústria e do comércio evidenciem a fraqueza.

A região não se recuperou do fim do ciclo de obras dos anos petistas, algumas delas de resto desastrosas (como a refinaria Abreu e Lima). Meia dúzia de anos de seca até 2018, colapso de preços e produção de petróleo e da quimérica indústria naval deixaram sequelas.

Mais recentemente, a indústria nordestina tem apanhado muito mais que a do restante do país. Foi muito prejudicada pela baixa da produção de veículos, arrastada pela crise argentina, pela retração na petroquímica e na celulose.

O desemprego é cronicamente mais alto na região, mas a oferta de trabalho se recupera de modo ainda mais lento do que a lerdeza desesperadora do país inteiro. A limitação do crescimento de benefícios sociais (contidos ainda pelos reajustes quase nulos do salário mínimo) deve também ter tido impacto na região.

No conjunto do Brasil, a virada do ano ainda é uma incógnita com cheiro de queimado. Os dados de comércio, indústria e serviços para o trimestre final de 2019 foram frustrantes, ainda mais para quem fazia festinha na praça financeira. No entanto, os dados das contas nacionais, do PIB, do IBGE têm informações mais completas –saem daqui a duas semanas. Logo, é prematuro decretar o fracasso do final de 2019.

Tampouco haverá sucesso. A expectativa mais razoável e menos deprimida ainda é a de continuidade do ritmo de crescimento que vem desde a metade do ano passado. Mantido esse passo até o final deste 2020, o país terá crescido um tico mais de 2%. É pouco, mas seria o primeiro ano com algum avanço do PIB per capita.

Os dados mais recentes para este ano, vagos e precários, indicam que a confiança da indústria continuou a crescer, assim como a intenção de consumo das famílias. Por ora, não dá para dizer que haverá frustração grande de expectativa, como vimos no vexame do início de 2019.

Afora a possibilidade de catatonia estrutural da economia brasileira, os riscos maiores são a baderna política promovida pelo governo e a doença do novo coronavírus, um bicho ainda mal conhecido, mas que terá algum impacto também no Brasil.

Vinicius Torres Freire

Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA).

FOLHA

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Ricardo Weber disse:

    Ainda tem os governadores nordestinos contra e com raiva do grande governo que Bolsonaro vem fazendo, são tão burros que preferem o Brasil afundado nem que lasque mais a região.

  2. Cigano Lulu disse:

    São Paulo é o único estado brasileiro capaz de se sustentar com as próprias pernas. Se deve ao Tesouro Nacional é porque tem larga margem de crédito e abusa dessa condição. E ainda tem imbecil que sonha em "dividir o Brasil e o Nordeste ficar independente"… Os separatistas gaúchos também não ficam atrás, que se diga.

  3. Andreilson disse:

    E c a reforma da previdência aprovada, o Nordeste foi a região mais prejudicada! Cada vez menos dinheiro circulando no Nordeste.

  4. Ceará-Mundão disse:

    O Nordeste do "coronelismo", do voto "de cabresto", da "lacração", da "resistência", do clintelismo político, de políticos como esse tresloucado Cid Gomes, que investiu com uma retroescavadeira prá cima de um grupo de manifestantes, desse governadores incompetentes e, vários deles, envolvidos até o pescoço com a corrupção (vide o Ricardo Coutinho, na Paraíba)… Era esperado esse desfecho. Enquanto o Brasil melhora, o NE patina na mesmice. Aprendam a votar, nordestinos. Ou aguentem a porrada. No lombo.

  5. joão carlos disse:

    claro, povo vota no PT e ainda quer ir pra frente? difícil!

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