O motorista estaciona o Volkswagen Tiguan na chácara com piscinas e campo de futebol em Itanhém, litoral paulista, às 12h17 da última quinta (13). O patrão, com uma lata de cerveja na mão, conversa com o caseiro enquanto retira do porta-malas equipamento de jardinagem.
O homem é um cabo aposentado que faz parte de um grupo de cinco policiais militares de São Paulo, integrantes da cúpula da Associação de Cabos e Soldados, que acumularam patrimônio milionário.
São bens estimados em R$ 11 milhões, apesar de os cabos e soldados da PM paulista ganharem um dos piores salários da categoria no país. Os cinco policiais dizem que acumularam o patrimônio trabalhando na PM e fazendo bicos.

Entre os bens deles estão sobrado na praia, apartamento de alto padrão, chácaras e veículos de luxo, inacessíveis à maioria dos cabos e soldados paulistas, que enfrentam dificuldades financeiras após anos sem reposição salarial.
O homem que desembarcava na chácara é o presidente da associação desde 1995, Wilson de Oliveira Morais, 65.
Além dele, integram o grupo quatro diretores, todos cabos aposentados, cujas aposentadorias líquidas variam de R$ 2.436,10 a R$ 5.678,62, e têm patrimônios estimados de R$ 1,5 milhão a R$ 2,9 milhões.
O levantamento dos bens foi realizado pela Folha nos últimos seis meses. Foram consultados cartórios de imóveis em 11 cidades de São Paulo e da Bahia. A reportagem também foi aos endereços que constam nos documentos.
Os nomes dos cinco foram indicados por colegas de farda como tendo padrão de vida incompatível com seus ganhos.
Além do cabo Wilson, a lista tem o diretor financeiro Edmilson Aparecido da Silva; o presidente do conselho fiscal, Gilson Braga; o diretor jurídico Marcelo Aparecido Camargo; e o vice-presidente da entidade, Antônio Carlos do Amaral Duca.
A Associação de Cabos e Soldados é uma entidade sem fins lucrativos e por isso seus dirigentes não podem receber salários. Criada nos anos 1950 com objetivo de defender os interesses da categoria, tem atualmente cerca de 60 mil sócios que pagam mensalidade de R$ 66,92 —ou 4% do salário-base de um soldado.
O orçamento anual da associação é de cerca de R$ 50 milhões e o patrimônio da entidade supera R$ 150 milhões.
A entidade ajuda PMs vulneráveis; um dos trabalhos da associação é entregar cestas básicas a policiais e ajudar famílias sob risco de despejo por atraso no pagamento de aluguel.
Cabo Wilson tem patrimônio estimado em R$ 2 milhões, entre terrenos, casas, sobrado na praia, apartamentos e chácara. A aposentadoria dele, segundo o Portal de Transparência do governo paulista, é de R$ 2.493,60 líquidos.
Só para pagar o caseiro da chácara, no entanto, ele gasta R$ 1.000 mensais.
A estimativa dos valores de imóveis foi feita com base em relato de corretores, zeladores de prédios, antigos proprietários, consulta a sites especializados e valores de referência informados pelas prefeituras.
Para estipular o valor da chácara de Wilson, a reportagem pesquisou áreas na mesma região e com metragem e estruturas semelhantes, que saem por cerca de R$ 600 mil.
O cabo disse que tem a chácara há quase 30 anos e que ela é considerada quase sem valor, por ficar em área invadida. Ele diz não saber quanto gastou na estrutura do local, já que ela foi feita aos poucos.
À Justiça Eleitoral, quando disputou vaga na Assembleia paulista, o cabo Wilson não declarou a chácara. Em 2018, afirmou que seu patrimônio era de R$ 379.843,87.
Na declaração não é listado o dinheiro de uma casa vendida em 2016 por R$ 380 mil, usado posteriormente para comprar um sobrado na Bahia, como conta o próprio cabo Wilson. À Folha ele não explicou a omissão desse valor.
Quem tem o maior patrimônio entre os cinco é o diretor-financeiro Edmilson Aparecido da Silva, 53, com bens estimados em R$ 2,9 milhões, seguido pelo presidente do conselho fiscal, Gilson Braga, 65, com cerca de R$ 2,8 milhões.
Da Silva, como é conhecido, também tem chácara com piscina. São duas áreas em Ibiúna (SP) que juntas medem 4.000 m². O antigo dono da área diz que um terreno de 4.000 m² ali está avaliado em R$ 360 mil.
O patrimônio estimado de Gilson Braga é composto de recursos provenientes de predinhos construídos e vendidos no litoral, além de casa e apartamento na capital.
Já o diretor jurídico Marcelo Aparecido Camargo, 52, tem bens estimados em R$ 2 milhões, como um apartamento de alto padrão em Osasco, avaliado em mais de R$ 1 milhão.
De 2016 a 2017, ele pagava prestações de três imóveis, que somavam R$ 10.440,73 –quatro vezes a aposentadoria dele, de R$ 2.436,10. Normalmente, financiamentos imobiliários permitem o comprometimento de 30% da renda.
O vice-presidente da associação, Antônio Carlos do Amaral Duca, 58, tem bens estimados em R$ 1,5 milhão, e aposentadoria de R$ 3.413,08. Seu padrão de vida chama a atenção: usa Ford Ranger avaliada em mais de R$ 100 mil.
PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DIZ QUE PMS FIZERAM BICOS
A reportagem entrevistou o cabo Wilson na sede da associação, na Barra Funda. O advogado da entidade, Ronaldo Tovani, acompanhou a conversa, interrompida por ele algumas vezes. Ele disse que o cabo Wilson poderia processar a Folha pelas fotos da chácara e disse, sem ser questionado, que queria acompanhar a entrevista com Da Silva, que teria matado 32 pessoas quando atuava na Rota.
“[…] O Da Silva eu quero estar perto, porque o Da Silva tem 32 homicídios que estou defendendo. Enquanto for patrimônio, eu não me envolvo. Mas se ele falar alguma coisa dos homicídios dele, eu tenho que entrar no meio. É do tempo que ele trabalhava na Rota”, afirmou o advogado.
Cabo Wilson diz que seu patrimônio é fruto do trabalho como policial e também dos quatro anos como deputado estadual. Ele nega irregularidades em suas gestões. “Às vezes o pessoal fala: ‘Ah, o Wilson ganhou dinheiro de construtora, o pessoal ajudou, não sei o quê’. Nunca pedi um centavo para ninguém”, diz ele.
Cabo Wilson ainda afirmou que os colegas de diretoria também trabalham e que ter carro novo não é sinal de riqueza. “Hoje todos os policiais fazem bico. Mesmo o salário estando baixo, você chega no pátio de um batalhão e vê os policiais com carro novo.”
Sobre os outros integrantes da diretoria, cabo Wilson disse que todos possuem outros recursos além do salário da polícia, provenientes de bicos.
Ele disse que Da Silva sempre fez bico de segurança, assim como Marcelo Aparecido Camargo. “Fazia um bico em uma farmácia. A esposa dele trabalha também.” Segundo ele, Gilson Braga também fazia bicos. “Qual polícia não faz? Se quer ter padrão de vida melhor, tem que trabalhar.”
Por fim, o presidente da associação afirmou que Antônio Carlos do Amaral Duca tinha renda extra como professor universitário e que foi casado com uma advogada.
A reportagem esteve por dois dias na associação para falar com os outros diretores, mas não conseguiu. O vice-presidente concordou em falar, mas a conversa seria junto com Wilson, com o que a reportagem não concordou.
Em nota, o diretor jurídico disse que é associado “há quase 30 anos e integrante da diretoria nos últimos quatro mandatos”. “Meu patrimônio não tem origem na ACS. Sempre fiz ‘bico’, possuo empresa de segurança e minha esposa trabalha no comércio de sapatos. Tudo o que conseguimos foi com muito esforço, tem origem lícita e está declarado em meu IR.”
FOLHAPRESS
Aqui na PM de Goiás também precisa ser investigado a Diretoria toda. O Presidente da Associação de Cabos e Soldados está na presidência há mais de uma década. Circula nas redes sociais um vídeo onde o presidente, SGT Gilberto, deu um testemunho na Igreja Universal, dizendo ter aumenta seus patrimônios (ele cita alguns) depois que passou a frequentar os da I.U. ESSES bens mencionados estão acima das possibilidades da grande maioria dos Cabos e Soldados, cujo vencimento não ultrapassa os R$ 6,000,00 +ou-
PM trabalha 2 dias por semana e dois finais de semana por mês. O resto do tempo, alguns fazem bicos de segurança e aí, quanto pior estiver a segurança, maior o valor e número de bicos e outros passam o tempo confabulando como aumentar os salários pagos pelo Estado. Abre um mercadinho para vc ver. Na primeira semana aparece “alguém”oferecendo segurança, com o argumento que a região é perigosa, tem muito assalto etc. restaurante, bar é a mesma coisa e ainda querem comer de graça.
Maior rabo cheio do mundo, nunca trabalharam e ficaram ricos, se investigarem os patrimônios dos representantes dos Sindicatos aqui do RN vai ser a mesma coisa.
TEM QUE ACABAR COM ESTES SINDICATOS. TODOS SÃO UMA FORMA DE VALAR DINHEIRO PARA POUCOS E ROUBAM DINHEIRO DE DO TRABALHADOR BRAÇAL.
NÃO É SÓ ESTE, E SIM TODOS.
VIVEM VIAJANDO, GANHANDO DIÁRIAS ABSURDAS, SALÁRIOS ASTRONÔMICOS.
JÁ QUE ESTA CEDIDO AO SINDICATO, ERA PAR "CORTAR" SALARIO DA FONTE PAGADORA.
Santa PM que defende Bolsonaro, a moral, justiça e combate a corrupção. BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO.
Aonde tem sindicatos ou associação é ROUBO E DESVIO DE DINHEIRO NA CERTA
Nesse país, sindicalistas, pessoas ligadas a política tem patrimônio inexplicáveis
Verdade. Todos os sindicatos de trabalhadores brasileiros estão ocupados por pelegos que enriquecem e financiam políticos de esquerda com o dinheiro que "tomam" dos seus associados.
Será que vai aparecer alguém chamando esse cidadão de vagabundo e maconheiro. esse país não tem mais jeito, esses sindicatos são uma mina de dinheiro.