Se lembram da jovem envolvida na morte da amiga com um “tiro acidental” em um condomínio de luxo em Cuiabá? Foi presa

A adolescente de 15 anos envolvida no disparo de arma que matou sua amiga Isabele Guimarães Ramos, 14, em julho, foi apreendida na noite desta terça-feira (15) em Cuiabá (MT).

A juíza Cristiane Padim da Silva, da 2ª Vara da Infância e da Juventude em Cuiabá, determinou sua apreensão por 45 dias da adolescente.

A decisão foi proferida nesta terça, após o Ministério Público Estadual ter pedido a internação da adolescente por ato infracional análogo a homicídio qualificado –como já havia sido apontado pelo delegado Wagner Bassi, da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), na conclusão do inquérito que investiga o crime.

Após a decisão, policiais da Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica) foram até a residência da adolescente, em um condomínio de alto padrão, por volta das 15h, mas ela não havia sido localizada na noite desta terça-feira.

Por volta das 20h, ela se apresentou na delegacia, onde deve aguardar para ser transferida para o complexo do Pomeri, destinado a adolescentes infratores.

O limite para esse tipo de internação é de até três anos, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A defesa da adolescente ainda não se pronunciou sobre a apreensão.

Com base no inquérito policial, a adolescente foi autuada por ato infracionário análogo a homicídio doloso. Já o pai da autuada foi indiciado sob suspeita de homicídio culposo (sem intenção de matar).

Para os delegados da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) e da Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente, a autuada teria disparando intencionalmente contra a amiga no dia 12 de julho, com uma arma utilizada para a prática de tiro esportivo.

Segundo disse o delegado Wagner Bassi, responsável pelas investigações, a conduta da adolescente, “considerando as incompatibilidades de todas as versões apresentadas pela adolescente na sequência dos fatos”, é dolosa (com intenção).

No mínimo, ainda segundo Bassi, ela assumiu ao menos o risco de matar a vítima, uma vez que foi treinada no uso de armas. Ela praticava tiro havia quatro meses, segundo o policial militar Fernando Raphael, presidente da Federação de Tiro de Mato Grosso.

O pai da adolescente autuada foi indiciado sob suspeita de três outros crimes, além de homicídio culposo: posse de arma de fogo, por entregar a arma para adolescente e por fraude processual.

Somadas, as penas previstas para os crimes podem chegar a 14 anos de detenção, mais multas. O pai dela está em liberdade, após pagar fiança. A Promotoria não ofereceu denúncia contra ele até o momento.

Em seu depoimento, a adolescente autuada afirmou à polícia que a arma disparou acidentalmente após ela ter deixado cair um case (estojo) com duas pistolas. A bala acertou a narina da colega e parou na nuca.

Segundo a polícia, os laudos e a reconstituição do crime contestam a versão da autuada. A perícia não detectou sangue no case das armas, o que exclui que o estojo estivesse na cena do fato.

Áudios das ligações no dia da morte apontam que apenas em uma terceira ligação o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi informado de que a jovem havia sido vítima de um disparo. Na primeira ligação, ele diz que Isabele tinha sofrido uma queda no banheiro.

O namorado da adolescente autuada será tratado apenas como testemunha. Ele teria ido à casa da garota para que o pai dela fizesse a manutenção de duas pistolas —uma delas, a que disparou.

Segundo o inquérito, com base em depoimentos e em imagens de circuito interno de segurança, o rapaz inseriu o carregador na arma, sem que a namorada o visse, e a guardou no case por volta das 21h50, deixando o local às 21h59.

Depois disso, segundo imagens registradas, a namorada pega o case fechado no sofá da sala e vai para o seu quarto. A Polícia Civil diz que, no quarto, ela põe o case em cima da televisão. No banheiro estava a vítima fumando cigarro eletrônico, escondido. As duas ficam no banheiro.

De acordo com medição feita pela Polícia Civil, as duas ficam 1 minuto e 18 segundos no banheiro. “Nesse intervalo de tempo, acontece um disparo”, conclui o delegado.

Na ocasião do encerramento do inquérito, a defesa da família da adolescente afirmou que não teve acesso ao relatório policial conclusivo, apresentado à imprensa.

O advogado Artur Osti disse que o laudo pericial que embasa o indiciamento formulado pela policia “não reflete a real dinâmica dos fatos”, em especial porque, ao serem prestados os primeiros socorros, a posição do corpo foi alterada, o que impediria que a perícia ditasse a partir disso o relato dos acontecimentos.

A defesa afirmou na ocasião ter protocolado por escrito nos autos razões que contradizem a versão da polícia.

FOLHAPRESS

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Marcos Benício disse:

    Homem ou mulher apaixonados viram bicho!

  2. Apir Pertinente disse:

    Falou bem Sérgio. Só sabe o mal que uma arma faz na mão de qualquer um , é quando a vítima é nosso familiar. Possuir arma tem que ter limites rigorosos.

  3. Justiceiro disse:

    Mais armas nas ruas, mais crimes!!!

  4. Emerson Fonseca disse:

    Cidadãos de bem, morando em casas de alto padrão e gostam de exibir poder, brincando com armas de fogo, tudo normal no reino da Bozolandia.

  5. Atento disse:

    A adolescente foi apreendida. O termo preso emprega-se para pessoa maior de 18 anos.

  6. Sergio disse:

    Resumindo: isso é o que produz armas, mortes. Quando cai nas mãos dos bandidos,muito mais.
    O pior é ter que se acostumar com essas notícias.

    • Mito disse:

      Nessa sua lógica: “Resumindo: isso é o que produz aviões, mortes.
      Quando vai nas mãos dos integrante da Al-Qaeda, muito mais.
      O pior é ter que se acostumar com essas notícias.”…

      Armas não causam mortes, mas sim que as usam

    • servidor de direita disse:

      uma arma também pode evitar sua morte, o estupro da sua mulher e filha na sua frente…
      se pularem na sua casa você vai desejar ter uma arma.
      é melhor ter e não precisar do que precisar e não ter

    • Acorda Brasil disse:

      Excelente argumento. Outro dia uma mulher matou o marido com superdosagem de insulina, vamos acabar com o porte de insulina!

    • Brasil disse:

      A cada crime cometido com armas de fogo legalizadas, dezenas de outros crimes são impedidos de ocorrer. Pode explicar isso?

    • João Juca Jr disse:

      Armas não matam. O argumento de "mais armas, mais crimes" é totalmente falacioso. Pelo contrario, nos paises onde se pode ter armas a criminalidade é menor. O que houve foi um homicídio qualificado, que poderia ter sido cometido até com um cabo de vassoura. A arma não matou ninguém. Quem matou foi a jovem, que vai passar apenas três anos em um "centro de ressocialização", e depois estará livre para viver sua vidinha. A vítima, coitada, foi condenada à prisão perpétua no cemitério.

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